03 março 2015

Ciclos da vida



Vivemos em ciclos. Diversas cerimônias simbolizam, em algumas religiões, as passagens de cada fase da vida, seguindo uma lógica de sete anos.

A infância é a primeira etapa da vida. E em algumas religiões, encerra-se com a cerimônia dePrimeira Comunhão aos sete anos.


A adolescência que vai dos 08 aos 14 anos ocorre a socialização e inclusão escolar, além da modelagem física. É o período de que amplia-se a capacidade de entender e responder.

A juventude – de 15 aos 21 anos – é realizada algumas escolhas que marcarão os próximos anos da vida. Escolhe-se a futura carreira e há ainda a intensificação de relacionamentos.

A vida adulta – 22 a 28 anos – é marcada pela experimentação de talentos. Essa etapa inclui umaprimeira fase de descobertas e preparação para o casamento. É o período de impulsividade.


A segunda fase da vida adulta – 28 a 35 anos – é o avanço da vida a dois. Casamento, foco em produtividade pessoal, planejamento de vida. Nascem os filhos, a vida torna-se mais complexa.

A terceira fase da vida adulta tem a crise dos 40 anos, marcada por questionamentos acerca das escolhas pessoais e profissionais. Crise de autenticidade, afloram as limitações.

A quarta fase da vida adulta – 43 a 49 anos – pode-se ocorrer a segunda grande crise: questionamento das escolhas e autorrealização.

A maturidade – 50 a 56 anos – se dá uma nova relação com o corpo, grande capacidade de negociação, maior disposição em ajudar a ensinar, e amplia-se a visão global.

A segunda fase da maturidade – 57 a 63 anos – tem nova relação com o tempo, inteligencia aguçada quanto à relação de causa e efeitos dos fatos e situações ao redor. Grande contribuição conceitual.

A terceira fase da maturidade – 64 a 70 anos, a consciência diferenciada com relação a temas de relacionamento e espiritualidade. Capacidade superior de educar os mais próximos.

A sabedoria – 71 a 91 anos – traz formulações de conceitos profundos, contribuição além do senso comum, capacidade de perceber sutilezas do humor, sensação de plenitude.

De 92 a 105 anos vem a fase do oráculo, a fonte de inspiração conceitual, conexão espiritual, fase de grande ensinamento e difusão da sabedoria. 

O escritor e sociólogo Roland Barthes (1915-1980) disse, certa vez, que há uma idade em que seensina o que se sabe em seguida vem outra, em que se ensina o quer não se sabe. Depois vem a idade de uma outra experiência, a de desaprender, é a idade de um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível.


ESTAÇÕES - De acordo com a teoria da analista inglesa Mary Esther Harding (1888-1971), aluna do renomado psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, a existência humana está dividida pelas estações do ano:

Até os 21 anos, o ser humano está em sua primavera.

Dos 21 aos 42 anos, em seu verão.

De 42 a 63 anos, o outono toma conta.

E, a partir dos 63 anos, chega o inverno.

Mas isso depende de cada um, do modo como se vive, como se conecta com o mundo, como se relaciona. Hoje todo mundo quer ser jovem, a publicidade cria toda essa expectativa e muitos embarcam nessa ilusão. O jovem é alegre, mas muito ansioso, imaturo. O velho é feliz porque a experiência ensinou a viver melhor. É bom diferenciar alegria da felicidade. Alegria é diferente da felicidade.

Ao encontrar a felicidade, o primeiro passo é que, apesar de todas as adversidades e dificuldades, a gente possa se voltar para o nosso interior e cultivar isso cotidianamente.

O segundo passo é a descoberta do outro, em toda a sua adversidade e dignidade.

Como a vida interior cultivada e com a descoberta do outro se consegue encontrar uma razão para viver maior do que a própria vida. É uma fonte de inspiração muito grande. Como disse Plotino: “O uno está no todo, o todo está no uno”.


“A vida não é só isso que se vê, é um pouco mais.../que os olhos não conseguem perceber, e as mãos não ousam tocar, os pés recusam a pisar/Sei lá não sei, sei lá não sei não/não sei se toda beleza de que lhes falo sai, tão somente do meu coração...” (Sei Lá Mangueira, de Hermínio Belo de Carvalho e Paulinho da Viola) 


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