01 julho 2016

Olhar de quem veio de longe (04)



CARICATURISTA - Pintor, caricaturista, desenhista de quadrinhos. Raymundo Chaves de Aguiar (18931989) nasceu em Lisboa e chegou à Bahia em 1913. Trabalhou no comércio e sua vida artística começou como caricaturista do jornal A Tarde em 1917. Em 1927 foi premiado com a Medalha de Prata pelos seus desenhos. Em 1928 ingressou na Escola de Belas Artes. Abandona o comércio e passa a viver dos desenhos que faz para a imprensa e serviços gráficos para litografias e clicherias. Terminou o curso em 1933 e recebeu o Prêmio Legado Caminhoá.

Revelando-se sempre em seus trabalhos, passa a ser assistente das cadeiras de Geometria Descritiva, Perspectiva, Sombra e Luz e Estereotomia da Escola de Belas Artes da qual tornou-se catedrático. Premiado em todas as modalidades a que se dedicou (charges, quadrinhos e desenhos humorísticos, sob o pseudônimo de K-Lunga). Como caricaturista trabalhou nos jornais O Imparcial, A Tarde, Jornal de Notícias, A Noite, e nas revistas A Luva, A Fita, A Garota, A Farra, Melindrosa, Cegonha, Renascença, Revista da Bahia e Única. Satirizou políticos, personalidades e costumes. Ao se dedicar exclusivamente a pintura, com interiores, dominou perfeitamente os jogos de luz e sombra.

INTELECTUAL - Educador, ensaísta, tradutor, poeta, biólogo, ficcionista, professor e pensador,Agostinho da Silva (19061994) foi, acima de tudo, desafiador de pessoas para uma liberdade e ousadia plenamente vividas. Intelectual português que foi perseguido por Salazar chegou ao Brasil em 1944. Era um erudito (especialista em filologia clássica) pouco ou nada ortodoxo. Doutor pela Faculdade de Letra do Porto, exibia, em meio às suas teses originais, uma admirável alegria para a ação prática, a intervenção criativa no mundo objetivo e uma surpreendente versatilidade.

Chegou à Bahia em 1959 trazendo consigo a criação de um centro de estudos da África e das relações com o Brasil, estudando o papel que poderiam ter os vários povos dos territórios, independentes ou não, cuja língua de Estado fosse o português, na América do Sul, na África e na Europa. Durante o período dos grandes projetos culturais da Universidade da Bahia e no fim dos anos 50 e início dos 60, organizou e dirigiu o Centro de Estudos Afro-Orientais em Salvador e disseminou uma forma de sebastianismo erudito de inspiração pessoana que atraiu muitas pessoas.

COREOGRAFIA – A dançarina e coreógrafa polonesa Yanka Rudzka (1916-2008) foi diretora da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, a primeira instituição de ensino superior em dança no Brasil, referência para a criação de várias universidades de ensino do país. Visionária, Yanka foi uma das precursoras da fusão da dança contemporânea com os ritmos tradicionais do candomblé, embora seja quase desconhecida em seu país de origem.

Em 1952 chegou ao Brasil e em 1956, recebeu convite do então reitor Edgar Santos para criar e dirigir a primeira escola de dança do país. Ela acreditava na interdisciplinaridade das artes e culturas, hoje tão em voga, não ficou restrita ao mundo da dança, atuando na área teatral como professora de expressão corporal. “Foi uma das primeiras a empregar a denominação expressão corporal e a divulgar este tipo de trabalho no Brasil”, informou a pesquisadora Martia Claudia Alves Guimarães.

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