30 junho 2016

Olhar de quem veio de longe (03)



MUSICÓLOGO - Hans-Joachim Koellreutter (19152005) foi um compositor, professor emusicólogo alemão. Mudou-se para o Brasil em 1937 e tornou-se um dos nomes mais influentes na vida musical no País. Na década de 40 ajudou a fundar a Orquestra Sinfônica Brasileira, onde foi primeiro flautista. Naturalizou-se brasileiro em 1948. Participou da fundação da Escola Livre de Música de São Paulo  em 1952 e da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (1954). Ganhou o prêmio Ford em 1962. A convite do Instituto Goethe, trabalhou na Alemanha, Itália e Índia, onde viveu entre 1965 e 1969. Neste país fundou a Escola de Música de Nova Deli. Retornou ao Brasil em 1975. Fixou-se desta vez em São Paulo. Foi diretor do Conservatório Dramático e Musical de Tatuí, em São Paulo e professor visitante do Instituto de Estudos Avançados da USP. Em 1981 a cidade do Rio de Janeiro lhe oferece o título de cidadão carioca.


Koellreutter fundou em 1939 o grupo Música Viva. Além das técnicas tradicionais europeias, Koellreutter incorporou outras influências de todos os locais onde esteve. Na Índia, tomou conhecimento da música microtonal, que utilizou em várias de suas composições. Também soube misturar a tecnologia eletrônica, o serialismo e a harmonia acústica aprendida com Paul Hindemith às influencias da música brasileira, criando um estilo de composição próprio. No Japão e na Índia conheceu as filosofias orientais. O Zen budismo e o hinduísmo o influenciaram na criação daquilo que ele dizia ser uma "estética do impreciso e do paradoxal". Além de compositor, regente e flautista, Hans-Joachim Koellreutter foi antes de tudo um professor. Em 1941, contratado pelos pais de Tom Jobim, começou a lecionar piano e harmonia para o futuro criador da Bossa Nova que tinha 13 anos. Foi seu primeiro professor de música. Além de Jobim, Koellreutter ensinou e influenciou, durante toda sua vida, uma legião de músicos populares e eruditos.

COOPERATIVAS - O alemão Roland Schaffner chegou a Salvador em 1970 para dirigir o Goethe InstitutInstituto Cultural Brasil Alemanha (Icba) e ficou até 1977, Na época criou cooperativas artísticas, construiu um teatro, barracas para montagem de cinema, de cenário, artes plásticas, direção teatral, núcleo de vídeo, formação de ator e música eletrônica. Também no Icba que a atual Jornada Internacional de Cinema da Bahia, fundada por Guido Araújo em 1972 como Jornada Baiana, pode se desenvolver. O Icba produziu o primeiro curso profissionalizante de cinema da Bahia, de onde surgiram cineastas como Edgar Navarro e Fernando Bélem. Também trouxe a primeira moviola, para fazer a montagem dos filmes. Schaffner também promoveu a vinda de artistas de outras localidades.

No início de 1992, Schaffner recebeu o título de cidadão soteropolitano e, em agosto, voltou a assumir o Icba em Salvador, que estava semimorto. E mais uma vez o Icba foi transformado num centro de produções alternativas, em relação ao que estava estabelecido. Realizou o I salão de Arte Digital, além de fundar o primeiro núcleo do vídeo baiano. Quando saiu do Icba, em 1999, ele começou a escrever um livro com suas experiências interculturais.

ALQUIMISTA - Anton Walter Smetak (1913 - 1984), músico, filósofo, artista plástico, poeta,professor, homem de teatro e, sobretudo, inventor de instrumentos musicais, suiço que adotou o Brasil em 1937, fixando-se na Bahia em 1957. Violoncelista, criador de música e de instrumentos-esculturas, a partir da combinação cabaça & cordas. Ele foi também teórico, e expressou suas ideias cósmico musicais em textos e entrevistas. No plano musical caminhou com resolução para o microtonalismo. Produziu um grande acervo de textos e partituras musicais na improvisada oficina-laboratório no porão da Escola de Música da UFBa.


Seu primeiro disco veio a ser gravado em 1974. Produzido por Roberto Santana e Caetano Veloso, foi montado por Cae e Gil. Em 1980 grava o segundo disco, com os microtons Interregno. Além de 150 instrumentos criados e fabricados por ele, com as formas mais inusitadas, Smetak escreveu 36 livros onde estão quatro peças de teatro e vários volumes de poesia, literatura, filosofia e teoria musical. Escreveu também partituras. Em vida foi chamado de alquimista dos sons.

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