06 julho 2016

Uma saudade que faz 45 anos




Há 45 anos, no dia 6 de julho, morria Louis Armstrong, o músico mais conhecido da história do jazz. Como trompetista, Armstrong encontra poucos rivais entre os artistas de jazz, sendo considerado, também, o maior vocalista de todos os tempos, ao lado de Billie Holiday. Sua carreira decolou mesmo a partir de 1924, quando se tornou solista da Fletcher Henderson Orchestra. A melhor parte das suas obras foi produzida antes de 1940.


Iniciada nas primeiras décadas do século, quando os conjuntos de jazz começavam, a florescer nos bares de Storyville, a carreira prodigiosa de Louis Armstrong coincide com a própria evolução do jazz, música de raízes populares que nasceu num cantinho da América e conquistou o mundo, graças à sua linguagem universal. Armstrong, cuja vida e música se confundem com a história do próprio jazz, teve a sorte de nascer precisamente no começo do século, quando o jazz dava também seus primeiros vagidos.

Daniel Louis Armstrong nasceu em Nova Orleans no dia 04 de julho de 1900. Nasceu no coração das
favelas negras. Sua boca grande e o seu sorriso largo granjearam-lhe o apelido de “boca de saco”, mais tarde abreviado para “boca de cartucheira”. Desde a tenra infância, era atraído irresistivelmente para a música que vinha das ruas e das tabernas da cidade.

Ele tinha uma base de música religiosa negra. Dançava, cantava e assobiava com os dedos para imitar uma clarineta. Cantava com os olhos fechados e a boca escancarada. Por incrível que pareça, era tenor, pois só muito mais tarde foi que
desenvolveu seu timbre grave e rascante. Aos 15 anos conseguiu seu primeiro emprego profissional, tocando num trio de bar e não parou mais. Ele podia tocar e sustentar notas agudas durante mais tempo do que qualquer músico da região e gostava de usar um “vibrato” de controle exótico. Mais importante ainda, começara a compor e a inventar trechos improvisados, ao mesmo tempo profundos e líricos, que se tornaram característicos. A fama de Louis Armstrong se espalhara e já era uma lenda. Quando se juntou a Joe “King” Oliver em Chicago, 1922, com sua Credle Jazz Band, Armstrong tornou-se o primeiro solista de jazz a conquistar fama mundial.

Passou também a introduzir os “scats”, sons ininteligíveis, um amontoado de sílabas sem sentido que lhe dava a liberdade de usar sua voz como trompete. “Mas o que torna a arte de Armstrong tão notável?” perguntou o historiador e crítico James Lincoln Collier, e respondeu: “Primeiro, há o seu domínio do instrumento. Seu tom é quente e rico, como o mel, em todos os registros. Seu toque é um dos mais fortes e claros entre os trompetistas do jazz. Enquanto muitos instrumentistas de metais no jazz têm um estilo cheio de ligaduras e efeitos de língua, Armstrong sempre introduziu uma nota instantaneamente afiada como a lâmina de uma navalha. Seu vibrato é amplo, mas mais lento quer o vibrato ligeiramente nervoso de Oliver e dos músicos de Nova Orleans”.
 
Na carreira e na contribuição de Louis Armstrong, o canto ocupou lugar tão importante quanto o som de seu pistão. Ao longo de sua vida ele gravou com vocalistas como Billie Holiday, Bing Crosby, Ella Fitzgerald, com o duo folclórico dinamarquês Nina and Frederick e em orquestras dirigidas por notabilidades como Sy Oliver, Benny Carter, Gordon Jenkins e Russ Garcia. Fez gravações de grupos pequenos com Oscar Peterson e Duke Ellington. Apareceu em diversos filmes e a sua gravação da canção que deu título ao seu último filme, “Hello Dolly”, fez dele uma grande estrela para toda uma nova geração de ouvintes.

Louis Armstrong deixou-nos no dia 06 de julho de 1971, dois anos após ter festejado seu 71º aniversário em companhia de alguns amigos e de ter tocado uma última vez o trompete. Com ele, desaparece não somente uma vida pitoresca e lendária a serviço da música simples, calorosa e universal de sua cidade natal, Nova Orleans, mas também um artista único, criador e improvisador de uma música original.

“Louis Armostrong é um grandioso cronópio”, disse certa vez o escritor Julio Cortazar. Cronópio é o efeito do jazz sobre as pessoas: é uma coisa para ser sentida e não explicada por meio de palavras. “Quando pego o pistão, tenho a impressão de agarrar o mundo. Eu sinto isso tanto hoje como nos velhos tempos em Nova Orleans”. Essa era sua sensação de músico. Ele que não perdeu de vista, em tudo que fez, a essência de sua música, ou seja, sua fundamentação verdadeiramente popular. Armstrong foi o homem que, praticamente sozinho, alterou o destino de toda a música popular no século XX.


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