18 julho 2018

Um silêncio que grita: Bergman


O cineasta sueco Ingmar Bergman faria no mês de julho de 2018, 100 anos. Sua carreira foi extensa e prolífica, apesar de ter se tornado conhecido mundialmente pelo seu trabalho como diretor de cinema, ele era um homem do teatro, além de exímio escritor. Seus filmes são embebidos em imagens poderosas, violentas, de homens e mulheres lutando para encontrar um sentido em um mundo de confusão e anarquia. Infância, amor e morte sempre foram questões tratadas em sua obra, ora metafísicas ora existenciais. Ao longo dos 60 filmes que realizou, entre produções para cinema e TV (sem falar do teatro), Bergman produziu filmes que vão desde a juventude (Monika e o Desejo, 1952), a morte (O Sétimo Selo, 1957) ou mesmo a política (O Ovo da Serpente, 1979).


Seus enquadramentos trabalhados, os ângulos insólitos, as tomadas de nuvens, lagos e bosques não são jogos gratuitos da câmera. Ele integra à psicologia de seus personagens no instante preciso em que quer exprimir um sentimento preciso. Cineasta do instante, da solidão, das tensões amorosas e da incomunicabilidade, seus filmes são intimistas, profundos e autorais.

Os vigorosos filmes do cineasta sueco das décadas de 50 e 60, incluindo “O Sétimo Selo”, “Persona” e “Vergonha” eram envolvidos em temas teológicos, na luta de seres humanos em chegar a um acordo com a morte em um mundo atormentado em que a religião parecia alternadamente remota, poderosa e instável.


“Gritos e Sussurros” pareceu marcar uma passagem para Bergman, uma transição dolorosa e difícil para uma aceitação de que Deus desaparecera. “Cenas de um Casamento” marcou uma vívida mudança em sua mente, a alma humana. “Fanny e Alexandre” faz um acerto de contas com a Suécia e a tumultuada infância do diretor, criado segundo as rígidas regras de seu pai, um pastor protestante.

O que Bergman, apaixonado pelo teatro, fez foi traduzir em imagens suas inquietações acerca da vida e da morte, de Deus, do tempo e do desejo, da solidão, dos traumas de infância e da inconstância do amor materno.


Ele começou expressionista, descobriu a metalinguagem nos anos 1960 e nos 70 transferiu-se para a televisão. Quem não lembra do cavaleiro que joga xadrez com a morte em “O Sétimo Selo”, o incesto que se faz presente em “Através de um Espelho”, o professor que atravessa planos da realidade e da imaginação para se purgar de uma vida sem amor em “Morangos Silvestre”. Tormentos do sexo e o silencio de Deus são temas recorrentes em seus filmes.

No dia 30 de julho de 2007 o escritor, dramaturgo e produtor sueco Ingmar Bergman morreu calma e docemente, aos 89 anos. O travelling recua ao nascer do sol, a cidade desperta. A câmera busca um rosto em close, e vai silenciosamente se aproximando para os olhos tomados de angústia. E um grito de silêncio se espalha no ar.


15 junho 2018

Crise de identidade


Nesta sociedade tudo se desmonta rapidamente. Tudo é temporário. Nossas instituições, quadros de referências, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades auto-evidentes.

No passado tudo isso se fazia lentamente para ser novamente se enraizado. Agora as coisas todas tendem a permanecer em fluxo, voláteis. E em todos os aspectos a vida humana foi afetada quando se vive a cada momento sem que a perspectiva de longo prazo tenha mais sentido.

Jean Paul Sartre aconselhou seus discípulos a terem um projeto de vida, a decidir o que queriam ser e, a partir daí, implementar esse programa consistentemente, passo a passo, hora a hora. A ter identidade fixa. Hoje, nesse mundo fluído, tal decisão é suicídio.


Se na época da modernidade solida (o passado recente), quem entrasse como aprendiz nas fábricas da Ford iria com toda probabilidade ter ali uma longa carreira, hoje em dia, quem trabalha para grandes corporações de computadores por um salário cem vezes maior não tem ideia do que poderá lhe acontecer dali a meio ano. Antes uma das maiores ameaças da existência humana era a fome e para neutralizá-la só mesmo o alimento. Os riscos de hoje são de outra ordem como por exemplo a deterioração das condições climáticas, os níveis de radiação e poluição, a diminuição das matérias-primas e fontes de energias não renováveis, os processos de globalização sem controle político ou ético.

Se a antiga condição de emprego poderia destruir a criatividade humana (habilidades), mas construía a vida humana que podia ser planejada. O patrão dependia do empregado e vice versa. Hoje nada disso existe. A maioria das pessoas não pode planejar seu futuro por muito tempo. E é dessa forma, a sociedade líquida, que o renomado sociólogo Zygmunt Bauman compreende a complexidade e diversidade da vida humana.

Identidade nacional

A busca de uma identidade nacional aconteceu na cultura brasileira durante o século XX. Poeta e artistas encontraram nossa originalidade na ideia de um brasileirismo afetivo e gentil. Isso é recorrente no luso tropicalismo de Gilberto Freyre com homem cordial de Sérgio Buarque de Hollanda, do macunaísmo de Mário de Andrade à civilização gazosa de Darcy Ribeiro, do populismo carinhoso de Jorge Amado aos malandros e heróis de Roberto da Matta.

A ditadura militar destruiu esse mito do estilo brasileiro. E começaram a desenvolver uma cultura de dublagem. Em vez de produzir, começavam a reproduzir. E descobriram que o inferno, além dos outros, somos nós mesmos. E aí é preciso se reinventar. 

14 junho 2018

Umas & outras


Favor

“A colonização produziu três setores sociais: o latifundiário, o escravo e o “homem livre”. Entre  os dois primeiros, a relação era clara. Mas a multidão dos terceiros, nem proprietário nem proletários, dependia materialmente do favor de um poderoso. Através desse mecanismo se reproduz um amplo setor de homens livres; além disso, a favor se prolonga em outras áreas de vida social e envolve os outros dois grupos na administração e na política, no comércio e na indústria. Até as profissões liberais, como a medicina, que na acepção europeia não deviam nada a ninguém, no Brasil eram governadas por esse procedimento que se transforma “em nossa mediação quase universal”, escreveu o estudioso argentino Néstor Garcia Canclini em sua obra Culturas Hibridas (Edusp, 2013, p.76)

A institucionalização do favor já foi antes analisada por Robert Schwarz no artigo As Ideias fora do lugar (Ao Vencedor as Batatas, Duas Cidades, 1977). Enquanto na Europa havia autonomia da pessoa, universalidade da lei, cultura desinteressada, remuneração objetiva e sua ética do trabalho, o favor no Brasil pratica a dependência da pessoa, a exceção à regra, a cultura interessada    e a remuneração de serviços pessoais. Ou seja, quando os governantes ajudavam a classe artística através de editais, essa mesma classe ficava subserviente a esse poderoso.

“Hoje, a arte é uma prisão”

Para que a arte possa ter autonomia absoluta é preciso estar inserida em movimentos sociais amplos. Os experimentos dos projetos pessoais, soluções estilísticas, reflexões precisam articular com a história, a cultura popular, preocupações construtivistas, utopias de massas.


“Hoje, a arte é uma prisão”, escreveu em 1976 o arquiteto e artista argentino Horacio Zabala. E ele afirma, com Foucault, que a prisão é uma “invenção”, uma técnica de identificação e enquadramento dos indivíduos, de seus gestos, sua atividade e sua energia. Como a prisão, esse mundo é “um sistema fechado, isolado e separado”, uma totalidade que limita a liberdade excluindo e negando, onde tudo sufoca, da qual não é possível subtrair-se mediante  “a própria imaginação forçada” (Horacio Zabala, “Oggi, l'Arte è una Carcere”, em 2.Russo (ed), Ogio l'Arte è una Carcere?, Bologn, II Mulino, 1982, pp.95-103). Frente à impossibilidade de construir atos, para evitar cair em ritos, a arte escolhe ser gesto.

A prisão como último laboratório. Não há outras saídas senão a submissão ao mercado, a ironia transgressora, a busca marginal de obras solitárias e a recriação do passado. Temos no Brasil mais histórias da literatura que das artes visuais. Mais sobre literatura das elites que sobre manifestações equivalentes das camadas populares.

É preciso que artistas sejam capazes de articular movimentos e códigos culturais de diferentes procedências. Mostrar que é preciso fundir as heranças culturais de uma sociedade, a reflexão crítica sobre seu sentido contemporâneo e os requisitos comunicacionais da difusão maciça.


Simulacro de democracia


Para muitos artistas e críticos, a Bahia vive hoje o simulacro de democratização. Se o artista precisa da ajuda do governo, mas não compatibiliza com seus discursos, ele precisa assinar o termo invisível da operação neutralizadora da crítica. Deve-se aceitar tudo a contragosto. Ou melhor, degustar mesmo com sabor amargo. Assim, o discurso que despolitiza os artistas dissolve sua adesão e, assim, a politica em moral e a moral em arte. Fica o dito não dito, e “tudo bem” na indústria cultural.


O autoritarismo político no mercado cultural transforma as ameaças em discurso adesivo e tudo vira um carnaval. Nesse procedimento formal e mecanismo de distinção denominado arte interage coma maioria sob as regras daquelas que costumavam ser os mais eficazes comunicadores: as industrias culturais, hoje transformada em vazio.

Os artistas e escritores como Octavio Paz e Jorge Luis Borges que mais contribuíram para a independência e profissionalização do campo cultural fizeram, da crítica ao Estado e ao mercado eixos de sua argumentação.


Culturas híbridas


“As ciências sociais contribuem para essa dificuldade com suas diferentes escalas de observação. O antropólogo chega à cidade a pé, o sociólogo de carro e pela pista principal, o comunicólogo de avião. Cada um registra o que pode, constrói uma visão diferente e, portanto, parcial. Há uma quarta perspectiva, a do historiador, que não se adquire entrando, mas saindo da cidade, partindo de seu centro antigo em direção ao seus limites contemporâneos. Mas o centro da cidade atual já está no passado”. (Nestor Garcia Canclini. Culturas Híbridas. São Paulo. Edusp, 6.reimp. ,p.21).


Modernização

No final do século XIX e início do XX houve ondas de modernização impulsionadas pela oligarquia progressista, pela alfabetização e pelos intelectuais europeizados; entre os anos 1920 e 1930, pela expansão do capitalismo e ascensão democratizadora dos setores médios e liberais, pela contribuição de migrantes, pela difusão em massa da escola, pela imprensa e pelo rádio; desde os anos 1940, pela industrialização, pelo crescimento urbano, pelo maior acesso à educação média e superior, pelas novas industrias culturais.


Mas é na segunda metade do século XX que as elites das ciências sociais, da arte e da literatura emitem sinais de modernização sócio econômica. Entre os anos 1950 e 1970 estão as mudanças estruturais: desenvolvimento econômico mais sólido e diversificado que tem sua base no crescimento de indústrias com tecnologia avançada, consolidação e expressão de crescimento urbano iniciado na década de 1940, ampliação do mercado de bens culturais; industrialização de novas tecnologias comunicacionais, especialmente a televisão.

13 junho 2018

Governadores da Bahia (08)


Antônio Imbassahy (1994-1995). ACM deixou o cargo para concorrer ao Senado, ficado Paulo Souto, seu vice, como candidato de sua confiança para sucedê-lo. No entanto, Souto também deixou o posto para se candidatar a deputado, já que na época a legislação eleitoral não permitia reeleição. Dessa forma, assumiu interinamente a liderança do Executivo Estadual o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, desembargador Ruy Trindade.  A Assembleia Legislativa escolheu Imbassahy como governador. Imbassahy governou a Bahia até 1º de janeiro de 1995, passando o caro para o sucessor e aliado, Paulo Souto, ambos alinhados à família Magalhães.


Paulo Souto (1995-1999). Governador eleito. Sua primeira gestão à frente do Estado foi marcada por grandes programas, como o Bahia Azul, que aumentou de 25% para 80% a cobertura da rede de esgoto residencial de Salvador e foi renomeado pelo atual governo. Além do Bahia Azul, Souto implantou programas sociais como Viver Melhor, Cabra Forte e Pró Gavião.

César Borges (1999-2002). Não concluiu o mandato, para em 2002 eleger-se senador. Renunciou, assumindo o vice, Ottto Alencar.

Otto Alencar (2002-2003). Vice governador.

Paulo Souto (2003-2007). Governador eleito. Neste segundo mandato, iniciado em 1º de janeiro de 003, Souto destacou seu trabalho para o turismo econsolidou a Bahia como uma das principais economias do país com seu governo voltado ao desenvolvimento.


Jaques Wagner (2007-2011). Governador eleito. Uma das obras mais elogiadas da gestão Wagner é o Hospital do Subúrbio, primeiro hospital do país a ser construído em parceria público-privada (PPP). Em 2012, ocorreram greves da Polícia Militar e dos Professores do Estado, essa última com duração de 115 dias (a maior da história da Bahia), as quais desgastaram a imagem de Wagner.

Jaques Wagner (2010-2011). Governador reeleito. Em 2014, a Polícia Militar realizou outra greve no estado, que só durou três dias. Assim que o movimento começou, Wagner pediu a ajuda da Força Nacional, que se deslocou para a Bahia, apesar de não ter diminuído a insegurança da população. Durante o período de paralisação ocorreram 59 homicídios e 156 carros roubados. Desta vez, a imagem do governante não ficou tão arranhada, principalmente devido à prisão de Prisco, mas trouxe novamente não ficou questão da falência da Segurança Pública no estado, considerada o “calcanhar de aquiles” do governador.

Rui Costa (2015-2018). Rui Costa foi escolhido como candidato do PT ao Governo do Estado da Bahia nas eleições 2014, e eleito no 1º turno com 54,53% dos votos válidos. No seu governo houve avanço na construção das estações da linha do Metrô, noscorredores transversais como  Pinto de Aguiar, Orlando Gomes, 29 de Março e Gal Costa. Avançou também nas obras de habitação, contenção de encostas, abastecimento de água e esgotamento sanitário. Mas o estado continua com altos indices de violência, além de outros problemas graves.



12 junho 2018

Governadores da Bahia (07)



João Durval Carneiro (1983-1987). Eleição direta. Definindo-se como sertanejo, o ex-prefeito de Feira de Santana tinha prestígio no interior do estado. Seu grande desafio era enfrentar a seca. Investiu em projetos de irrigação, principalmente em Juazeiro, incentivou acultura da soja no oeste baiano e o desenvolvimento industrial no interior. Conseguiu conciliar o desenvolvimento e o progresso entre o interior e a capital. Combateu a seca com a construção de quase cinco mil poços artesianos atendendo mais de 200 municípios. Assegurou o abastecimento de água em Salvador e de outros municípios vizinhos mediante o sistema Pedra de Cavalo. No setor industrial viabilizou a implantação do polo calçadista e a consolidação do polo de Camaçari. Ao longo do seu governo, a Bahia não conseguiu identificar João Durval como liderança e sim como um liderado do ex-governador ACM.


Waldir Pires (1987-1989). “Eu quero ver um tempo novo, de crescer, de construir, a Bahia vai mudar, trabalhando com Waldir”. O jingle da campanha refletiu bem as propostas de aliança que apoiou Waldir: Mudar a Bahia. Fonte alcançada contra o ex-governador ACM, reunindo Roberto Santos, Joaci Goes, Jutahy Magalhães, Luiz Viana, Mário Kertesz, Nilo Coelho e os partidos considerados progressista. O PMDB encabeçou a aliança. Waldir venceu, derrotando o candidato do governo, professor Josaphat Marinho. A vitória significou uma derrota da arrogância e dos métodos autoritários do carlismo. Mas o Governo da Mudança não aconteceu. Ele parecia perdido administrativamente e lento nas decisões. A inercia governamental irritou milhões de baianos. Renunciou para concorrer ao cargo de vice-presidente, na chapa de Ulysses Guimarães. Em seu lugar, assume o vice, Nilo Coelho, um milionário empresário e pecuarista, sem a ideologia de Waldir e dos progressistas.


Nilo Coelho (1989-1991). Vice governador. Seu curto governo foi marcado por ações no interior do Estado, especialmente onde tinha sua base. Dentre estas, destaca-se a maior ponte do estado, a ponte Gercino Coelho, sobre o Rio São Francisco. Para os moradores de Salvador, porém, maior colégio eleitoral da Bahia, a figura do governador era envarada quase como a de um prefeito e sua administração foi tida como péssima.


Antônio Carlos Magalhães (1991-1994). ACM deixa o Ministério das Comunicações e elege-se, pela primeira vez pelo voto direto, governador da Bahia, tendo apoiado a candidatura de Fernando Collor de Mello na disputa pelo Palácio do Planalto. ACM governa a Bahia pela terceira vez, tendo como vice Paulo Souto. Retornou, agora pelo voto popular, ao governo baiano, derrotando seu arqui adversário Roberto Santos. Pela primeira vez disputando um pleito direto, já dono de vasta rede de telecomunicações, tem como seu adversário o ex-afilhado Roberto Santos. A oposição é derrotada e ACM reconquista o poder ainda no primeiro turno. O carlismo assenta-se, de forma quase definitiva, na Bahia, referendado desta vez pela legitimidade das eleições. ACM não viltou a perder mais o governo do Estado, nele colocando seus aliados, por sucessivos mandatos. Dirigiu então, cada vez mais, suas atenções para Brasília, paulatinamente promovendo a imagem de seu filho Luís Eduardo Magalhães.

Ruy Trindade (1994-1994). O desembargador Ruy Trindade era o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, quando Paulo Souto deixou o caro, com a renúncia do então governador Antônio Carlos Magalhães, a fim de concorrer ao Senado. Governou a Bahia de abril até 02 de maio de 1994.



11 junho 2018

Governadores da Bahia (06)




Viana Filho (1967-1971). Historiador e político. Eleição indireta, indicado pelo governo militar. Dá início à construção do parque industrial da Bahia, em Aratu, girando em torno da petroquímica (CIA – Centro Industrial de Aratu). Promove algumas reformas no ensino, mas sempre voltadas à construção de salas de aula e não ao preparo efetivo do magistério, a partir de seu governo o Estado assistiu à decadência da qualidade da educação pública, um processo capitaneado pelo regime ao qual se filiara.


Antônio Carlos Magalhães (1971-1975). Eleição indireta. Início do fortalecimento do carlismo. Mão de ferro no governo e na política, seu êxito acaba por introduzir dois termos no vocabulário político estadual: carlismo, para indicar a abrangência de seu comando, e carlista, para designar seus seguidores. Ele trazia a credibilidade de uma bem sucedida gestão na Prefeitura de Salvador. ACM atuou durante a fase do milagre econômico. A Bahia entrou em um processo acelerado de industrialização, com a instalação, em Camaçari, e indústrias no Polo Petroquímico. A Petroquímica foi uma conquista do seu governo. Na Capital, Salvador, governada por um fiel aliado (Clériston Andrade), ACM realiza obras de grande impacto, abrindo as chamadas “avenidas de vale”, modernizando o tráfego da cidade e driblando sua topografia acidentada da parte velha. Também no turismo Salvador deu um importante salto: de 400 apartamentos em 1970, passou para 2400 ao fim de sua administração. Em seu governo ele centraliza em uma só área a administração pública: Centro Administrativo da Bahia (CAB) na Avenida Paralela para desafogar o então congestionamento do centro da cidade.


Roberto Santos (1975-1979). Eleição indireta. Ex-secretário da Saúde do governo Luiz Viana Filho, o professor faz sua estreia na política partidária, coordenando as eleições proporcionais em rôo o estado, vencidas pela Arena. Em seu governo, Roberto Santos implantou os chamados CSUs (Centros Sociais Urbanos), num total de 33 em todo o estado. Esses centros, de cunho declaradamente assistencialista, objetivavam atender às populações de baixa renda. Ainda existentes na estrutura administrativa, entretanto, os CSUs não desenvolvem qualquer papel relevante para as politicas sociais. Construiu em Salvador o Centro de Convenções da Bahia. Na área de educação, celebrou a construção de três mil salas de aula no estado. Duas obras marcaram o seu governo: Hospital Central Roberto Santos e a implantação do Pólo Petroquímico. Sua administração coincidiu com a mobilização das oposições em todo o país, na luta pela redemocratização.

Antônio Carlos Magalhães (1979-1983). Eleição indireta. Gozando de grande popularidade, mantinha sob sua égide a maioria ampla dos mais de 300 prefeitos do estado, de a quase totalidade das bancadas de deputados federais e estaduais – o que credenciam a, pela primeira vez, intervir com voz ativa em assuntos federais, estando no poder o presidente General Figueiredo. Também o prefeito da capital é homem de sua confiança: Mário Kertész – que já lhe servira como secretário, no governo anterior. Estende seu poder também ao Poder Judiciário, ao nomear seu Chefe da Casa Civil, o advogado Paulo Furtado, para o cargo de desembargador – sem que este jamais houvesse exercido a magistratura na Bahia. Este mandato também fora conquistado de forma indireta. Cria o programa de abastecimento popular, através da racionalização do sistema de comercialização de alimentos e de estímulo de atividades hortigranjeira modernos (Cesta do Povo).


08 junho 2018

Governadores da Bahia (05)



Régis Pacheco (1951-1955). Médico e político. Sua administração se destacou pelos trabalhos de implantação da Hidrelétrica do Funil e dos fundos de saneamento e energia. No seu governo implantou as colônias agrícolas de José Gonçalves e de Barra do Choça (então distrito de Conquista), bem como adquiriu o terreno de 240 hectares para a implantação da Escola Agrotécnica Sérgio de Carvalho. Eleito pela coligação PSD/PTB, ele não era o candidato da coligação, entrou de última hora, substituindo Lauro de Freitas, morto em acidente de avião. O fator emocional da população contribuiu decisivamente para sua vitória.


Antônio Balbino (1955-1959). Criar a infra estrutura econômica do Estado, uma das principais preocupações de Balbino, 29º governador baiano. Iniciou, na capital, a construção do Teatro Castro Alves que, prestes a ser inaugurado, sofreu um incêndio. Outra de suas realizações foi o Ginásio de Esportes Antônio Balbino (conhecido por Balbininho). Criou a Comissão de Planejamento Econômico (CPE), o FUNDAGRO (destinado ao fomento agrícola), a COELBA (empresa que durante décadas geriu a distribuição energética no estado, privatizada por Paulo Souto), A MAFRISA (destinado a higienizar os frigoríficos e matadouros), a CASEB (para regular a produção, através de uma rede de armazéns), a TREBASA (companhia telefônica, depois rebatizada como TELEBAHIA e já privatizada), O Banco de Fomento do Estado da Bahia, e o PAMESE (instituto previdenciário, depois transformado no IAPSEB), e a Maternidade Tsyila Balbino – obras todas centradas na Capital, mas com reflexos no interior – boa parte delas visando a um melhor planejamento governamental e execução de políticas públicas eficientes.



Juracy Magalhães (1959-1963). Interventor, general Juracy Magalhães já governara a Bahia em 19-09-1931 a 10-11-1937. Ele dá ênfase especial aos investimentos, estimulou a navegação baiana, construiu pequenas centrais hidrelétricas, no entanto, uma das maiores obras da sua administração foi a do Rio Joanes (adutora e estação de tratamento de água), com financiamento conseguido junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No seu segundo mandato, Juracy se celebrizou por ter legalizado o jogo do bicho que passou a ser fonte de recursos para as obras assistenciais do governo. Ele retorna a prática das audiências públicas, desativado no governo de Balbino.

Lomanto Júnior (1963-1967). Como representante do municipalismo, apoiado pelas classes conservadoras e pela Igreja Católica, é eleito Lomanto Júnior. O caminho para a Governadoria foi pavimentado através de uma campanha municipalista. “Lomanto, esperança do povo, é gente nossa, é sangue novo. Lomanto é renovação, veio do alto sertão; municipalista, filho de agricultor, Lomanto é amigo do pobre, é irmão do trabalhador”. É esta letrado jingle tocado nos quatro cantos da Bahia, que ajudou na vitória de Lomanto Júnior contra Waldir Pires. Na sua administração implantou a reforma industrial e a retomada da industrialização estadual, com a criação e início da instalação do Centro Industrial de Aratu. O setor de transporte teve impulso com a construção de mais de três mil quilômetros de rodovia.

Como gestor estadual, Lomanto fez obras como a estrada federal, conhecida por “Rio-Bahia”, a estrada Feira de Santana-Juazeiro, o Teatro Castro Alves, a ampliação da usina hidrelétrica de Paulo Afonso, a Ponte Ilhéus Pontal, a Reforma Administrativa, eletrificação, abastecimento e saneamento básico em muitos municípios baianos.



07 junho 2018

Governadores da Bahia (04)


Antônio Fernandes Dantas (1937-1938). Interventor federal. Seu governo foi de curta duração (11 de novembro de 1937 a 23 de março de 1938) limitando-se a garantir a ordem pública e a nomear prefeitos municipais e outras autoridades.


Landulfo Alves (1938-1942). Interventor federal. O seu governo deu ênfase ao desenvolvimento agrícola em dezenas de municípios do interior, reestruturou a Secretaria de Agricultura e estimulou a fruticultura e a produção do algodão. A sua ação administrativa se estendeu a outros setores, como a ampliação da malha rodoviária e a urbanização da Capital. Construiu o primeiro aviário da Bahia em Feira de Santana. Isaias Alves foi o educador em sua gestão. Seu período governamental correspondeu aos difíceis anos da II Guerra Mundial e sua fase final se desenrolou numa conjuntura política movimentada, que terminou por provocar fissuras na estrutura do Estado Novo.

Renato Onofre Pinto Aleixo (1942-1945). Interventor federal. Pautou sua ação sobretudo pela reforma judiciária, criando comarcas nas regiões interioranas do Estado, que procurou conhecer, viajando frequentemente a fim de inteirar-se da realidade das diversas prefeituras. De seu governo foi a inauguração do laboratório de análises químicas do estado. Seu governo transcorreu numa fase de intensa atividade política, caracterizada pelos protestos dos setores liberais representados pela Concentração Autonomista da Bahia, cujas origens remontam aos anos 30. A queda de Pinto Aleixo veio junto com a de Getúlio Vargas.

Outros interventores federais que tiveram mandato de curta duração:

João Vicente Bulcão Viana (1945-1946). Governador nomeado.
Guilherme Carneiro da Rocha Marback (1946). Interno.
Cândido Caldas (1946-1947). Interino.


Otávio Mangabeira (1947-1951). Engenheiro, professor e jornalista. Foi vereador, deputado federal, governador, senador e chanceler. Primeiro governador eleito após os anos da Era Vargas. Anti getulista histórico, foi perseguido pelo Estado Novo e chegou a ser exilado. Voltou ao Brasil e nos braços do povo, foi reconduzido ao poder. Dono de uma oratória brilhante e de um intelecto privilegiado, seus discursos eram ouvidos atentamente, por adversários e admiradores. Suas frases, até hoje relembradas, revela uma espirituosidade que contrastavam com o ar sério e polido d homem público. “Pense no absurdo e a Bahia já tem o precedente” entrou para os anais da antologia política nacional.

Sua popularidade vinha de uma simbiose quase umbilical com o povo. Como era de família pobre, entendia os anseios das camadas inferiores e sabia como tratar os desfavorecidos. Lutou para melhorar as condições dos hospitais psiquiátricos e casas de detenção estaduais, construiu estradas para o interior, legou obras de porte como a Fonte Nova, o Forum Rui Barbosa e a Escola Parque Carneiro Ribeiro. Iniciou a pavimentação da orla da cidade e foi o artífice da construção do Hotel da Bahia. Autorizou a instalação de açudes nas zonas mais seca da Bahia. A grande marca de sua gestão foi o respeito ao povo e aos direitos humanos.

Reafirmou-se o prestígio de uma personalidade representativa das elites baianas. No seu secretariado, buscou Mangabeira resgatar as maiores inteligências da Bahia, como Anísio Teixeira (Secretário de Educação), Albérico Fraga (Interior e Justiça), Nestor Duarte (Agricultura), Dantas Júnior, Ives de Oliveira, dentre outros. De seu governo é a construção do Fórum Ruy Barbosa. Algumas ações de seu governo merecem destaque:Na Agricultura: reflorestamento de Maracás e do Rio Jequiriçá; Estação experimental para o cultivo da cana-de-açúcar; Colônia Agrícola de Jaguaquara, dentre outras. Na educação, a construção do maior e mais revolucionário projeto educacional da História do Brasil: o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (conhecido por Escola Parque), no mais pobre e populoso bairro da Capital – a Liberdade – concretizando as ideias do educador Anísio Teixeira para uma educação em tempo integral, décadas depois resgatadas em projetos como CIAC, CIESPs, e outros.






06 junho 2018

Governadores da Bahia (03)


Antônio Muniz (1916-1920). Cresceu a insatisfação social e política e surgiram em Salvador manifestações de rua contra a carestia. Greve dos professores e de operários da construção civil.


J.J.Seabra (1920-1924). Alto, cheio de corpo, careca reluzente, fartos bigodes negros. Assim era a figura de Joaquim José Seabra, raposa da política.Seu governo foi marcado por conflitos em Salvador e no sertão baiano. Deu continuidade às obras de urbanização da capital, construindo e inaugurando a Avenida Oceânica, ligando o Farol da Barra ao Rio Vermelho. O Teatro São João sofreu um incêndio. O fato aconteceu no governo de J.J.Seabra que visualizou a grande reforma urbana de Salvador. Nos primeiros anos dessa década passaram a acontecer incêndios misteriosos naquela época como a Biblioteca Recreativa, a demolição da Igreja da Ajuda localizados nas proximidades da Praça Castro Alves que impediam a ampliação da Rua Chile. Em 1928, Seabra saiu derrotado da Bahia e foi exilar-se na França para escapar da perseguição de Artur Bernardes. A única rua que o homenageia mudou irremediavelmente de nome para Baixa dos Sapateiros. Tem ainda o nome de um município baiano, várias ruas e praças do interior do estado. Uma estátua na Praça da Inglaterra, Comércio, passa despercebido aos olhos de muitos baianos.

Goés Calmon (1924-1928). Seabra tenta impedir sua proclamação e posse, provocando conflito com o governo federal. Mesmo assim, Goes Calmon é empossado, ainda na vigência do estado de sítio. Ele realizou um governo dinâmico e inovador para o estado da Bahia. Cuidou da construção de rodovias, ampliação das estradas de ferro. Convidou o jovem Anísio Teixeira para a reforma educacional.

Vital Soares (1928-1930). Buscou a integração e integração e o fortalecimento das relações entre o sistema financeiro, o comércio, a agricultura com a política nacional. Desenvolvimento das ferrovias e estradas de rodagem, navegação e saneamento básico são suas prioridades.

Frederico Augusto Rodrigues da Costa (1930)

Leopoldo Afrânio Bastos do Amaral (1930-1931)

Artur Neiva (1931-1931). Foi interventor na Bahia, em 1931, quando criou o Instituto do Cacau.

Raimundo Rodrigues Barbosa (1931). Interventor federal.


Juracy Magalhães (1931-1937). Interventor federal. Combateu o banditismo no largo sertão baiano. Equilíbrio das finanças, atenção e apoio à agropecuária. Enfrentou a reação das tradicionais lideranças políticas baianas. Mas Juracy consegue costurar aliança, mantendo-se interventoria até ser eleito governador pela Assembleia Constituinte de 1935, que restabelece o processo democrático em todo o País. Tendo como pretexto a descoberta de um plano de conspiração comunista, Getúlio Vargas instala em 1937 a ditadura. Juracy Magalhães renuncia, alegando incompatibilidade com a nova ordem.


05 junho 2018

Governadores da Bahia (02)



Luiz Vianna (1896-1900). Em seu primeiro governo ocorreu a guerra de Canudos. Duras críticas da oposição são feitas ao orçamento estadual, que estaria cheio de distorções.


SeverinoVieira (1900-1904). Repete velhos usos e costumes políticos de intrigas e violência. Durante seu governo, o nono da Bahia, deu-se a cisão do Partido Republicano. A partir de então, as facções “vianista” e “severinista” se enfrentaram abertamente em toda a Bahia. Afastou os “vianistas” do governo e interveio nos redutos oposicionistas do interior. Criou uma nova agremiação política: o Partido Republicano da Bahia. Ampliou os serviços de desinfecção e de pesquisa bacteriológicas, pois temia a invasão da peste bubônica que já havia se manifestado na capital da República.


José Marcelino (1904-1908). Patrocinou importantes melhorias naligação marítima e fluvial a cidade do Salvador, Ilha de Itaparica, Jaguaripe, Nazaré das Farinhas, Santo Amaro e Cachoeira e no rio São Francisco. Sua administração foi marcada pelo conflito com o Poder Judiciário, após a desobediência de seu chefe de Polícia, Aurelino Leal, em cumprir um habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça.

Araújo Pinho (1908-1911). Sua administração levou os trabalhos da Estrada de Ferro de Nazaré até Santa Inês. Inaugurou o primeiro trecho da Estrada de Ferro Ilhéus-Itabuna, reagrupou a Campanha de Navegação Baiana e a Viação do São Francisco e concedeu incentivos fiscais para que a energia elétrica chegasse as cidades do Salvador, Jaguaripe, Nazaré das Farinhas, Cachoeira e Simões Filho. Renunciou antes de concluir o mandato.

Aurélio Viana (1911-1912). Como governador da Bahia não chegou a assumir de fato o poder, sendo obrigado à força a renunciar por duas vezes seguidas e recusar o cargo uma terceira, durante os trágicos episódios que antecedera e se seguiram ao bombardeio de Salvador em 1912.


Bráulio Xavier (1912-1912). Assumindo o desembargador Bráulio Xavier, presidente do Tribunal, a quem incumbia levar a bom terno a transição de poder, através das eleições que trazem ao poder J.J.Seabra. No dia 27 de março ele anula a transferência da capital baiana para Jequié como último ato do seu curto governo.


J.J. Seabra (1912-1916). Os barões do açúcar, dominantes na fase anterior (1891-1912), haviam perdido o poder econômico, e a influência política que ainda gozavam, era remanescente dos áureos tempos imperiais. Unificou todas as secretarias da administração pública. Reformou a Constituição de 1915 e acabou com a eleição para as intendências (prefeituras). Criou o Tribunal de Contas. Reformou a cidade do Salvador com a abertura da Avenida Sete de Setembro, inaugurada em 1916.  Salvador perdeu vários edifícios coloniais de grande valor histórico e ganhou em troca a Avenida Sete de Setembro. No local onde se erguia a Igreja de São Pedro derrubada, ele colocou um relógio importado. Relógio de São Pedro. O Palácio do Governo atingido pelo bombardeio de 1912 foi reformado e o prédio ostenta o nome de Palácio Rio Branco. Criou uma lei extinguindo as eleições para intendentes (prefeitos) que passaram a ser nomeados pelo governador. No seu primeiro governo Seabra enfrentou uma manifestação popular contra a alta do custo de vida.


04 junho 2018

Governadores da Bahia (01)


Com a Proclamação da República, em 1889, os governantes sucederam-se por nomeações, até 1892, quando o governador passou a ser eleito pelo voto direto da população (no princípio censitário, descoberto e manifestado pelo chefes políticos), com exceção dos períodos não-democráticos (Estado Novo de 1937 a 1945 e Ditadura civil-militar de 1964 a 1985), quando eram nomeados. São 51 governadores do período republicano, sendo mandatários eleitos como interventor federal, interino, presidente da Assembleia Legislativa e vice. Desses, Virgílio Damásio, Seabra e Juracy Magalhães governaram por dois mandatos em períodos diferentes e ACM em três períodos diferentes.

Abaixo os governantes da Bahia:

Virgílio Damásio (1889) Interino. Não consegue, entretanto, manter-se no cargo.


Manuel Vitorino (1889-1890) Foi o segundo governador do estado da Bahia no período Republicano. Foi presidente interino do Brasil entre 1896-1897 quando Prudente de Morais afastou-se por motivos de saúde. Foi então o único baiano a assumir a presidência da república do Brasil. Tinha a pretensão de fazer uma administração inovadora, voltada para o incremento da educação. Sendo ele professor da Faculdade de Medicina e ex-diretor do Liceu de Artes e Ofícios, tinha ali empreendido uma reforma no sistema de ensino. Encontrou forte oposição. Afastado.

Hermes da Fonseca (1890). Governou a Bahia de 26 de abril a 14 de setembro de 1890, período em que procurou serenar os ânimos e consolidar as instituições do novo regime. Revogou vários atos de seu antecessor, dentre os quais a reforma educacional, ficando apenas cinco meses à frente do cargo, afastando-se por motivos de saúde, passando o cargo ao vice-presidente. Virgílio Clímaco Damásio.


Virgílio Damásio (1890). Vice governador. Toma posse a 14 de setembro de 1890 e governa até 15 de novembro do mesmo ano – tempo em que promoveu a reforma do ensino da medicina legal no estado e instituiu a constituinte estadual.


José Gonçalves da Silva (1890-1891). Como governador, presidiu a solenidade de instalação da Faculdade de Direito da Bahia, hoje integrante da Universidade Federal da Bahia. Mais tarde entrega o cargo, a fim de evitar um desastre maior. Encerrava-se, assim, de forma melancólica, este que passaria à História como o primeiro governador constitucional do estado da Bahia, e único deposto pelo povo, em 24 de novembro de 1891.


Tude Soares Neiva (1891). Interino. Foi um governo que durou apenas treze dias: de 24 de novembro a 12 de dezembro de 1891. No conturbado período que seguiu-se à mudança dos regimesdos monárquico para republicano. Em tão breve período de governo, coube as Tude Neiva assegurar a tranquilidade e a paz na Baia, não realizando, na prática, qualquer ato administrativo.

Leal Ferreira (1891-1892). Governou interinamente a Bahia.

Rodrigues Lima (1892-1896). Primeiro governador eleito.



27 maio 2018

Exposição comemora 20 anos da Turma do Xaxado


Em cartaz de 27 de maio a 30 de junho, na Galeria Pierre Verger, evento vai contar também com ilustrações, pinturas e quadrinhos de outros artistas plásticos baianos em homenagem a Antonio Cedraz


De traço inconfundível, o artista plástico baiano Antonio Cedraz é referência - e também inspiração – para diversos profissionais no Estado, seja quem faz quadrinhos, ilustrações ou pinturas. Para render homenagem ao mestre e celebrar um dos trabalhos mais conhecidos de Cedraz, a Exposição “20 anos da Turma do Xaxado” é atração, de 27 de maio a 30 de junho, na Galeria Pierre Verger, localizada no Complexo Cultural dos Barris (subsolo da Biblioteca Pública).

Com curadoria dos artistas Fabrício Campos, Hector Salas e Valmar Oliveira, a mostra, além de reunir as obras de Cedraz, traz releituras dos seus personagens a cargo dos três curadores e de outros participantes como Sidney Falcão, Daniel Paz, Rodrigo Vinicius, Rogério Rios, Mario Sam, André Betonnasi e Setúbal.

Trajetória

Cedraz faleceu em 11 de setembro de 2014. Foi homenageado, em 2015 na FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte. Ao longo de sua trajetória, foi generoso em suas criações. Merecem destaque “A Turma do Joinha”, “A Turma do Pipoca”, “Os Guris” e, é claro,  “A Turma do Xaxado, seu último e mais conhecido trabalho, que lhe garantiu projeção nacional e a vitória várias vezes no HQ Mix, importante prêmio brasileiro das Histórias em Quadrinhos.

Seus trabalhos foram publicados em jornais de todo o Brasil e por algumas editoras. Suas tirinhas são utilizadas em diversos livros didáticos.

Como complemento à exposição, o evento prevê ainda a realização de uma feira de quadrinhos, palestras, e projeções de curtas da Turma do Xaxado e um documentário sobre autores nacionais, utilizando os espaços de exibição audiovisual do Complexo – as Salas Alexandre Robatto e Walter da Silveira - no dia 9 de junho.

Contatos: valolliver@yahoo.com.br / 991151345

Serviço:

Exposição 20 Anos da Turma do Xaxado.
Abertura: 26 de maio, 15:00.
Local: Galeria Pierre Verger (Rua General Labatut, n 27 subsolo da Biblioteca Pública dos Barris - Fone: 3116-8120).

Visitação: de 27 de maio a 30 de junho, das 9h às 18h, segunda a sexta. Entrada franca.
Realização: Pig Arts.
Apoio: Heko Digital e Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), através da sua Diretoria de Audiovisual (DIMAS).


25 maio 2018

Mais importante do que a felicidade, é a alegria de estar vivo


“À Procura da Felicidade” é um filme com Will Smith (de “Eu, Robô”, “Bad Boys 1 e 2”), dirigido pelo italiano Gabriele Muccino. O filme se baseia na história verídica de um desempregado e sem-teto aos trinta de idade, ele vivia com o filho em um banheiro de São Francisco quando decidiu se empenhar no objetivo de virar um banqueiro. Primeiro por meio de estágios e empregos menores. Aos poucos, criou a sua própria empresa de especulação financeira e investimentos, enriqueceu. “A Felicidade Não Se Compra”, foi outro sucesso na tela. Filme de Frank Capra (1946). Em 1998 o cineasta Todd Solondz lançava “Felicidade”. O título resume muito bem a intenção do filme de explorar a hipocrisia, a falsidade, os contrastes. Tudo para provar que não há fórmula infalível na busca desse tão almejado “estado de contentamento”. Quanto maior a ilusão de felicidade, maior a decepção. Avassalador.

Vivemos mais e melhor, mas não somos mais felizes do que nossos antepassados. Isso porque a felicidade era algo, para nossos antepassados, que acontecia e não um produto de nossas vontades. Quem busca uma alegria contínua e soberana, ou a ausência total de sofrimento, certamente nunca será feliz. É preciso amar a vida, mesmo quando ela é difícil.  O filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844/1900) falava em alegrar-se com o que é, e não esperar o que não é. Conhecer, mais que crer. Amar e agir, mais que esperar e temer. Para o pensador francês André Comte-Sponvillle (autor do livro “Felicidade, Desesperadamente”), “ser feliz é desejar o que temos, ou o que é. Esperar é ter medo. Ser feliz é ser sereno. O conteúdo da felicidade é a alegria. Não há alegria maior que amar. Amar é contentar-se com o que existe. A única felicidade está dentro da verdade”. Eis um trecho de seu pensamento:


“Portanto a felicidade é a meta da filosofia. Para que serve filosofar? Serve para ser feliz, para ser mais feliz. Mas, se a felicidade é a meta da filosofia, não é sua norma. O que entendo por isso? A meta de uma atividade é aquilo a que ela tende; sua norma é aquilo a que ela se submete. Quando digo que a felicidade é a meta da filosofia mas não sua norma, quero dizer que não é porque uma idéia me faz feliz que devo pensá-la – porque muitas ilusões confortáveis me tornariam mais facilmente feliz do que várias verdades desagradáveis que conheço. Se devo pensar uma idéia, não é porque ela me faz feliz (senão a filosofia não passaria de uma versão sofisticada, e sofística, do método Coué: trata-se de pensar ‘positivo’, como se diz, em outras palavras ludibriar-se). Não, se devo pensar uma idéia é porque ela me parece verdadeira”.


“A felicidade é a meta da filosofia mas não é a sua norma, porque a norma da filosofia é a verdade, pelo menos a verdade possível (porque nunca a conhecemos por inteiro, nem absolutamente, nem com total certeza), o que chamaria de bom grado, corrigindo Spinoza por Montaigne, a norma da idéia verdadeira dada ou possível. Trata-se de pensar não o que me torna feliz, mas o que me parece verdadeiro – e fica a meu encargo tentar encontrar, diante dessa verdade, seja ela triste ou angustiante, o máximo de felicidade possível. a felicidade é a meta; a verdade é o caminho ou a norma. Isso significa que, se o filósofo puder optar entre uma verdade e uma felicidade – felizmente, o problema nem sempre se coloca nesses termos, só às vezes –, se o filósofo puder entre uma verdade e uma felicidade, ele só será filósofo, ou só será digno de sê-lo, se optar pela verdade. Mais vale uma verdadeira tristeza do que uma falsa alegria”.


Blaise Pascal, físico, matemático e filósofo francês, escreveu no século XVII: "A felicidade é o motivo de todas as ações de todos os homens, inclusive dos que vão se enforcar". Querer ser feliz é uma lei natural da alma humana. Ou, como diz outro filósofo francês, atual, Pascal Bruckner, é uma réplica moral da lei da gravidade. Dinheiro, prestígio, sexo e tudo mais que julgamos ser a nossa felicidade é transitório. As circunstâncias mudam e com elas, na maioria das vezes, os nossos humores. Além de misteriosa, portanto, a felicidade é talvez a coisa mais fugidia deste mundo.


"A melhor maneira de definir felicidade é vê-la não como um estado (prazer ou bem-estar, por exemplo), mas como um modo de vida, o que implica o exercício de determinadas capacidades, a realização de nossas potencialidades", diz o doutor em filosofia Cláudio Reis, da Universidade de Brasília. "O problema é saber o que exatamente compõe esse modo de vida, algo impossível de ser reduzido a uma fórmula”.

“No século XVIII, felicidade já deixara de ser um direito para se tornar um dever. Mas essa inversão de valores só se consolidou no século XX, depois de 1968, quando se fez uma revolução em nome do prazer, da alegria, da voluptuosidade. A partir do momento em que o prazer se torna o principal valor de uma sociedade, quem não o atinge vira um indivíduo fora-da-lei” revela o autor do livro “A Euforia Perpétua”, o romancista e ensaísta francês Pascal Bruckner. Ele questiona o dever de felicidade na sociedade ocidental, e exorta as pessoas a não se sentirem culpadas por não serem felizes. “Mais importante do que a felicidade, é a alegria de simplesmente estar vivo, de estar aqui na terra para esta aventura efêmera", diz Bruckner.