16 janeiro 2017

Nossas origens cósmicas: somos poeira das estrelas (1)



Nós todos somospoeira de estrelas. Nós, o planeta e o cosmo somos partes de todo universo.Somos feitos dos mesmos elementos de que é feito o universo. A gente é 99,9% carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. O resto, o 0,1% é todo o resto da tabela periódica.

Nós somos poeira das estrelas, dizia o astrônomo americano Carl Sagan. Os elementos dos quais somos compostos, como o carbono em nossos corpos de mamíferos, o cálcio e o fósforo do esqueleto e dos dentes, o nitrogênio e o oxigênio das proteínas, vieram dos restos mortais de estrelas que existiram antes da formação do nosso Sistema Solar, aproximadamente cinco bilhões de anos. Quando estrelas morrem, explosões gigantescas espalham a sua matéria através do espaço interestelar. É essa matéria que, fazendo parte da Terra, é encontrada em nossos ossos e órgãos.

O nascimento do nosso sistema solar foi um misto de violência e poesia, assim como o nascimento de todos os animais. Uma gigantesca nuvem contendo hidrogênio (elemento mais simples, formado apenas de um próton e um elétron) e hélio entrou em colapso devido à sua própria gravidade. Assim, a nuvem gasosa foi se achatando tomando uma forma de pizza cósmica. Em seguida, o Sol entrou em ignição no centro, por meio do processo de fusão nuclear que transforma hidrogênio em hélio. Fez-se luz. E em torno da luz central, giravam os proto planetas, aderindo matérias.

Os planetas mais internos, atuais gigantes gasosos, sujeitos à temperaturas baixas, podiam agregar materiais gasosos e engordaram mais. Os planetas, mais internos, a Terra dentre eles, agregaram materiais rochosos e metais, como o ferro e o níquel. Assim nasceram os planetas. As sobras desses materiais que não se agregaram como planetas nascentes, ou seja, os detritos, são chamados de asteroides e cometas.

Um desses asteroides, logo no início da formação do Sistema Solar, colidiu e arrancou uma enorme quantidade de massa da Terra que reorganizou-se em órbita à sua volta. Essa massa é a nossa Lua, costela da Terra.

A energia é a origem de toda a matéria viva sobrenadando no oceano de sincronicidades para observar o que acontece de possibilidades. O universo é indivisível e se de forma não casual, mas interação muito mais que mera coincidência. O que existe de fato, é essa ocorrência, acontecimentos simultâneos, coincidência significativa.

Toda vida vem da mesma fonte.

As criaturas vivas são aglomerados de moléculas capazes de criar cópias de si mesmos.

Como moléculas são coleções de átomos, e átomos são feitos de prótons, nêutrons e elétrons, a vida precisa, como ingredientes essenciais, das partículas de matéria que preenchem o Cosmo.

São três eras que deram origem a vida, a saber:

A primeira era foi da física, conhecido como a origem do Universo e se estendendo até a formação das primeiras estrelas. Nessa era surgiram os elétrons e prótons e nêutrons que formaram os núcleos atômicos mais leves, isótopos de hidrogênio, hélio e lítio. Mais tarde os prótons e elétrons combinaram-se para formar átomos de hidrogênio, simples e abundantes do Universo. 

Esses átomos aglomeraram-se em nuvens gigantescas que, com a ajuda da gravidade, formaram as primeiras estrelas. Eram enormes e de curta vida. Esses monstros estelares explodiram com tremenda violência, gerando átomos: carbono, oxigênio, nitrogênio e outros de todos os seres vivos.

Depois da explosão, o que aconteceu?. Não perca o próximo capítulo da origem da vida...

Trem do desejo/penetrou na noite escura/foi abrindo sem censura/o ventre da morena terra/o orvalho vale a flor/que nasce desse prazer/nesse lampejo de dor/meu canto é só pra dizer/que tudo isso é por ti/eu vi/virei estrela...” (Estrela, de Vander Lee)





10 janeiro 2017

Morre aos 91 anos, o filósofo Zygmunt Bauman



Bauman: “A justiça será obra de acordos, não de consensos”


Morreu aos 91 anos, em Leeds, na Inglaterra, o filósofo e sociólogo contemporâneo polonês Zygmunt Bauman, na última segunda-feira (09/01/2017). Criador do conceito de modernidade líquida e considerado um dos principais intelectuais do século XX, o polonês Zygmunt Bauman, cultiva a virtude da dedicação. Era um sociólogo em tempo integral. O criador do conceito de “modernidade líquida” tem mais de 20 títulos publicados no Brasil. Professor emérito das universidades de Varsóvia (Inglaterra) e Leeds (Polônia), tem um total em torno de 250 mil livros vendidos.

Para Zygmunt Bauman a vida moral é um percurso de incerteza contínua. “Ela é construída de tijolos de dúvida e cimentada com surtos de autodepreciação. Uma vez que as linhas divisórias entre o bem e o mal não tenham sido previamente traçadas, elas são estabelecidas no curso da ação, e o resultado desse esforço em termos de traçados de desenho é semelhante a uma sequência de pegadas na areia, e não a uma rede de estrada mapeadas. Assim, a solidão é um morador tão permanente e não exclusível da morada da responsabilidade quanto a ambivalência”.

Muito da inventividade humana se dedica, ao longo da história, a conceber maneiras de se aliviar do fardo. Em tempos pré-modernos, os princípios desses projetos tinham caráter religioso. O núcleo de todo sistema religioso não era a ideia de pecado, mas de arrependimento e redenção. “Nenhuma religião jamais considerou a vida sem pecados uma perspectiva viável, nem propôs um caminho para uma vida sem mal”

Assim, as religiões aceitam a inevitabilidade do pecado e concentram seus esforços nas formas de amenizar a dor pela nítida prescrição do arrependimento ligado à promessa de redenção. “A promessa de uma vida liberta do pecado (agora renomeado como culpa) foi tão somente o projeto moderno de refazer o mundo à medida das necessidades e capacidades humanas, de acordo com um projeto concebido de modo racional”

“O mundo pós moderno, em que as autoridades brotam sem prévio aviso, prega adiar o pagamento. Se a caderneta de poupança era a epítome da vida moderna, o cartão de crédito é o paradigma da pós-modernidade”. “O homem ingressa no mundo ético pelo medo e não pelo amor” sugeriu Paul Ricoeur. O “mundo ético” identificado com a integração sagrada do “estar-com”. O medo em questão é o da lei, estrita e severa.

No que diz respeito a identidade, Bauman informa que o “problema da identidade” moderna consistia em como construir uma identidade e mantê-lo sólida e estável. O “problema de identidade” pós-moderno diz respeito essencialmente à forma de se evitar a fixidez e manter abertas as opções. O lema da modernidade era “criação” já o lema da pós-modernidade é “reciclagem”.

Como Jean Baudrillard não cansava de repetir: este é um mundo de simulacros, no qual as imagens são mais reais que a realidade, onde tudo é uma representação, e, portanto, a diferença entre representação e o que é representado não pode mais ser estabelecida, enquanto todas aquelas imagens “palpavelmente realistas”, vividas, servem só para encobrir a ausência de uma realidade que pudesse, de maneira concebível, sustentar alguma autoridade sobre elas. As realidades se “fundam” em suas ostensivas representações.

ALERTA - Bauman nomeia um time de pensadores contemporâneos que o ajudam a demonstrar por que, na modernidade líquida, estamos condenados a mudar obstinadamente, carregando e reprocessando incertezas. Notem que o tempo todo ele chama atenção para as novas formas da desigualdade no planeta e faz um alerta: na sociedade global, a justiça será obra de acordos, não de consensos.

“O que tempos atrás era apelidado erroneamente de ´pós-modernidade´, e que prefiro chamar ´modernidade líquida´, traduz-se na crescente convicção de que a mudança é a nossa única permanência. E a incerteza, a nossa única certeza. Nossa sociedade não está preocupada com a satisfação de necessidades, desejos e vontades, mas com a commoditização ou recommoditização do consumidor. Daí o sentido de obsolescência e descartabilidade que nos persegue”.


“As celebridades tornaram-se um fenômeno curioso. Elas parecem nos avisar que chegou a hora de rever o famoso veredicto de Descartes, ´penso, logo existo´, alterando-o para ´sou visto, logo existo´. E tão mais existo quanto mais visto for - seja na TV, nas revistas glamourosas, no Facebook. Como sugere o psicanalista francês Serge Tisseron, os relacionamentos significativos passaram do campo da intimité para o da extimité - ou seja, extimidade. Celebridades encarnam essa nova condição, funcionando como estrelas-guias, padrões a serem seguidos. Mostram o caminho para as massas que sonham e lutam para se tornar commodities vendáveis. Tudo isso comprova o apagamento da sacrossanta divisão entre a esfera privada e a esfera pública. Transformamo-nos numa sociedade confessional: microfones são fixados no cofre-forte dos nossos mais recônditos segredos, violando aquilo que só poderia ser transmitido para Deus ou para seus mensageiros plenipotenciários. Hoje esses microfones se encontram conectados a alto-falantes que bradam nossas vidas em praça pública”.