10 Fevereiro 2010

Oxumaré

Oxumaré é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda. A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce. Algumas correntes da Umbanda, inclusive, costumam dizer que Oxumaré é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada. São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e à origem.

Em relação a Oxumaré, qualquer definição mais rígida é difícil e arriscada. Não se pode nem dizer que seja um Orixá masculino ou feminino, pois ele é as duas coisas ao mesmo tempo; metade do ano é macho, a outra metade é fêmea. Por isso mesmo a dualidade é o conceito básico associado a seus mitos e a seu arquétipo. Essa dualidade onipresente faz com que Oxumaré carregue todos os opostos e todos os antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo, etc…

Nos seis meses em que é uma divindade masculina, é representado pelo arco-íris que, segundo algumas lendas é a ponte que possibilita que as águas de Oxum sejam levadas ao castelo no céu de Xangô. Por essa lenda, é atribuído a Oxumaré o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover. Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a prova de que a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde então se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará à terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc..
Nos seis meses subseqüentes, o Orixá assume forma feminina e se aproxima de todos os opostos do que representou no semestre anterior. É então, uma cobra, obrigado a se arrastar agilmente tanto na terra como na água, deixando as alturas para viver sempre junto ao chão, perdendo em transcendência e ganhando em materialismo. Sob essa forma, segundo alguns mitos, Oxumaré encarna sua figura mais negativa, provocando tudo que é mau e perigoso.
Uma interpretação antropológica mais cuidadosa, porém, pode questionar a validade dessas lendas. Não podemos nos esquecer de que tanto na África, como especialmente no Brasil, a população negra, que trazia consigo todos esses mitos, foi continuamente assediada pela colonização branca. Uma das formas mais utilizadas por jesuítas para convencer os negros, era a repressão física, mas para alguns, não bastava o medo de apanhar. Eles queriam a crença verdadeira e, para isso, tentaram explicar e codificar a religião do Orixás segundo pontos de vista cristãos, adaptando divindades, introduzindo a noção de que os Orixás, seriam santos como os da Igreja Católica, etc…
Essa busca objetiva do sincretismo sem dúvida foi esbarrar em Oxumaré e na cobra – e não há animal mais peçonhento, perigoso e pecador do que ela na mitologia católica (recordar os mitos de Adão e Eva, a maçã, a concepção de pecado original, etc…). Por isso, não seria difícil para um jesuíta que acreditasse sinceramente nos símbolos de sua visão teológica. Reconhecer na cobra mais um sinal da presença dos símbolos católicos na religião do Orixás e nele reconhecer uma figura que só poderia trazer o mal. Essa, pelo menos, é uma das interpretações feitas por pesquisadores que compararam diferentes versões dos mesmos mitos que não encontraram uma divisão absoluta entre bem / arco-íris (ou masculino) e mal / cobra (ou feminino). Na verdade, o que se pode abstrair de contradições como as que apresenta Oxumaré é que este é o Orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana. É o Orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem parar, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo.
Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo- todos os movimentos dos planetas e astros do universo, regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da existência de uma só pessoa. Se essa ação terminasse de repente, o universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional do Candomblé que diz que é necessário alimentar e cuidar de Oxumaré muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a conseqüência será nada menos que o fim da vida no mundo.
Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já que ela está em seu hábitat característico, podendo realizar rápidas incertas.
Outra fonte de indefinição a respeito do Orixá vem das contradições existentes em suas lendas no Brasil e na própria África. Oxumaré é uma divindade originária da cultura do Daomé, região centro-norte da África. Há séculos tal civilização foi dominada pelos iorubas, povo mais primitivo no sentido de organização social e visão religiosa, mas, em compensação, mais poderoso em termos de organização militar. Como aconteceu com Roma e Grécia, a dominação de uma sociedade menos rica em produções culturais ou no terreno da superestrutura em geral fizeram com que os mitos dos daomeanos não fossem apenas reprimidos, pelo contrário, os iorubas não tentaram impor sua cultura ao povo dominado. Ficaram na verdade impressionados com sua cosmologia e tentaram assimilá-la, principalmente nas figuras que não fossem formas semelhantes a divindades que também possuíssem. Oxumarê foi um desses casos.
O princípio da dualidade dos iorubas fazia parte dos Orixás-crianças (Ibeji) – A dualidade que eles representam, porém, é mais próxima do comportamento contraditório e irresponsável em termos ético das crianças, ainda não reprimidas pela codificação social. Já a dualidade de Oxumarê é mais abrangente e até mesmo metafísica, pois representa os ciclos que não estão ao alcance do ser humano.
Oxumaré, Iroco, Omolu, Obaluaê e Nanã, os Orixás do Daomé mais conhecidos e cultuados, castigam quando dispostos ou provocados, mas raramente se arrependem e não possuem as falhas humanas, visíveis e humanizadoras das figura do panteão ioruba.

FILHOS DE OXUMARÉ
Como é comum a todas as divindades originárias do Daomé (cultura jeje) é relativamente difícil estabelecer um arquétipo específico de comportamento associado ao Orixá, já que ele é misterioso e cheio de sombras e mitos. Os filhos de Oxumaré são bem mais difíceis de serem reconhecidos dos os guerreiros filhos de Iansã, os calmos e sábios filhos de Oxalá e os maternais e familiares filhos de Iemanjá, por exemplo. Mesmo assim, algumas características básicas podem ser listadas. Há, porém, divergências em relação às suas características ao consultarmos autores diferente. Para o renomado pesquisador Pierre Verger, por exemplo, Oxumaré pode ser associado à riqueza: Oxumaré é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos.
Já Monique Augras, segundo sua visão a respeito dos filhos de Oxumaré, eles costumam possuir o dom da vidência. Quando vivia na terra, Oxumaré previa tudo, adivinhava o que ia acontecer, a tal ponto que não era mais possível viver. Os deuses então decidiram mantê-lo afastado dos homens, pois a clarividência total acaba transformando-se em maldição. A Seu pedido, Oxumaré obteve a autorização de descer na terra de três em três anos.
Verger acrescenta que Oxumaré está associado ao misterioso, a tudo que implica o conceito de determinação além dos poderes dos homens, do destino, enfim: É o senhor de tudo o que é alongado. O cordão umbilical, que está sob seu controle, é enterrado geralmente com a placenta,sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.
Assim, ao arquétipo de comportamento associado à figura desse Orixá complexo está a tendência à renovação, a compulsividade à mudança. Seus filhos estão entre aquelas pessoas que, de tempos em tempos, mudam tudo em sua vida: mudam de casa, de amigos, de emprego, como se ciclos se sucedessem sempre, obrigatoriamente, exigindo e provocando rompimento com o passado e iniciando diuturnamente a busca de um novo equilíbrio que deverá persistir até num novo momento de ruptura, desintegração e substituição. Mutabilidade, reinício é seu princípio básico, aproximando-o dos mitos ocidentais referentes ao planeta Plutão, o astro da morte, da destruição, da revolução como forma de renascimento e ressurreição.
Também são apontados nos filhos de Oxumaré certos traços de orgulho e de ostentação, algo que os aproxima do clichê do novo-rico, exibicionista, quando surge um grave problema para alguém de sua amizade, e que precisa efetivamente da sua ajuda. A androginia do Orixá, por vezes é estendida a seus filhos. Estes, segundo algumas correntes, seriam bissexuais em potencial, mas essa interpretação não é aceita universalmente.
Fisicamente, os filhos de Oxumaré tendem a se movimentar extremamente leve, pouco levantando os pés do chão. Têm em comum com a cobra a facilidade em serem silenciosos, armarem seus botes na vida sem que as pessoas em torno se apercebam disso e só atacando seus inimigos quando têm plena certeza da vitória, que a vítima está encurralada num território que não é o seu.
PRIMOGÊNITO
Nanã, obcecada pela idéia de ter um filho de oxalá, concebeu o primogênito obaluaiye que, por sua terrível aparência, foi desprezado por ela. Nanã consultou ifá, e este orixá lhe disse que, numa segunda tentativa, ela daria a luz a um filho lindíssimo, tão formoso quanto o arco-íris. No entanto, preveniu-a sobre o fato que a criança jamais ficaria a seu lado. Seu sonho parecia realizado até o momento do parto, quando deu a luz a um estranho ser que recebeu o nome de oxumaré. Durante seis meses a criatura tomava a forma de arco-íris, cuja função era levar a água para o castelo de oxalá, que morava em orun (no céu). Depois de cumprida a tarefa, ele voltava a terra por outro seis meses, assumindo a forma de uma cobra. Com essa aparência, ao morder a própria cauda, dando a volta em torno da terra, ele teria gerado o movimento de rotação, bem como o transito dos astros no espaço. É um orixá que representa polaridades contrarias, como o masculino e o feminino, o bem e o mal, a chuva e o tempo bom, o dia e a noite, respectivamente, através das formas do arco-íris e serpente.
O exótico e o mistério são os seus domínios. Tudo nele é repetitivo, variando apenas as formas, como no ciclo da chuva: a água que evapora, retorna como chuva. Ou como no universo dos corpos celestes, onde a lua, o sol, a terra e os demais astros e planetas executam os seus movimentos com metodicidade harmoniosa. No ciclo "vida e morte", ele também está presente; e seu símbolo mais forte é o da cobra mordendo a própria cauda, numa atitude que representa o ciclo vital: vida, morte e renascimento. A marca mais evidente de oxumaré é o arco-íris, de quem é senhor.
Dia da semana: Terça-feira
Cores: Verde e amarelo, preto e amarelo, multicor
Comida: “Cobra” feita de batata-doce amassada e banana-figo feita em azeite doce
Saudação: Arrum Bo Bo Oxunmaré!
Domínio: Arco-íris, céu, chuva fina, sol, terra.
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

09 Fevereiro 2010

Morena faceira

Neide é sal, é sol escaldante, é verão, é sorvete espumante, é brisa de mar nas tardes de domingo, é música trilhando nos meus ouvidos, é algo que não se pode definir em palavra, ela é uma mulher de corpo e alma. Neide é assim, quem olha para ela fica amando até o fim. Mas o fim pode ser o começo de uma amizade. Eternidade. Dadiva da vida. Revivida. Vida é cantiga de amor, é viola, batucada, pé no chão. É feijoada, café e limão. É limonada gelada no sol de verão. É suor, é cerveja e muita paixão. Conhecer Neide é sentir ansiedade, é ficar na vontade, é fazer tudo, perder o sono e ficar mudo. Mudo com a mudança do viver, de olhar o sol brilhando no sertão e sobreviver.

Agora que o samba agitou seu corpo, volteia, sacode, dança, explode em sons e cores, treme e balança em mil amores. Porque age assim comigo? Me deixa desinibido de ternura e compaixão. E na ala que ensaia com graça, nos passos da linda mulata de corpo ondulante, gingado que embala no ritmo que fala e o bumbo que ronca batucada, tum tum tum em meu coração.

Essa Neide danada que vem de passista, que salta e arrisca em cadência tão viva, saltando e gingando com graça felina, essa menina, tão leve e ligeira, faceira, tão linda e fagueira (não vou dizer besteira), tão tão que me deixa tonto neste colorido de vida, é azul, é vermelho, é branco, é preto, tudo com seu jeito.

E assim, lembrando Jobim, a minha alma canta nesta Salvador. Estou morrendo de saudades. Saudade do seu seu mar, praia sem fim, você foi feita prá mim. Este samba é só porque, eu gosto de você. A morena vai sambar. Seu corpo todo balançar...

Criatura, quando você passa eu acho graça, desse seu jeito de andar, balança aqui e acolá. Minha musa, minha inspiração, dentre as rosas é a mais bela que surgiu no jardim do meu coração. O que mais tenho a dizer, Neidinha, sei que você é minha, em meu pensamento e prazer.

Neide é sinônimo de paixão, de amor forte, beijos ardentes, tudo com muito tesão. Neide é simpatia
seja de noite ou de dia, tudo com muita alegria, sai fora a antipatia. Neide é força total, no inverno ou no verão, debaixo de um aguaceiro ou no sol castigado do sertão. Neide é meiguice, mas nada de deixar a gente triste, ela é raio de sol em toda sua extensão dos dedos dos pés ou na cabeça em ação.

O que mais dizer dessa menina brejeira morena, mulata um tanto faceira que mexe e remexe todas as asneiras e chega no topo em tom de ciumeira. É Neidinha, É Neidinha, É Neidinha. Eita menina festeira!!!

Neidinha, se seus olhos brilham tanto/Por verdade ou por amor/Não sei se lhe agrado/Com perfume ou uma flor//Só sei que quando lhe vejo/Me sobe um ardor, um desejo/Uma profunda sede de anseio/ Até parece um lampejo//Oh menina que ilumina/Que me satisfaz/Que me inspira/A não fazer mal//Mas que mal há em querer bem/Em recostar minha cabeça em alguém/Em ter amor a você e a mais ninguém/Me diga, tem, tem??

----------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

08 Fevereiro 2010

Origem do mundo segundo lenda africana

Todas as religiões do mundo tentam explicar os grandes mistérios da humanidade: De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Reza uma história africana, originária de Ketu, que no início de tudo havia o Orum, o espaço infinito, e lá vivia o deus supremo Olorum. Certo dia, Olorum criou uma imensa massa de água, de onde nasceu o primeiro orixá: Oxalá, o único capaz de dar vida. Olorum mandou Oxalá partir e criar o aiyê, o mundo. Só que Oxalá não fez as oferendas necessárias para a viagem e enfrentou sérios problemas no caminho.

Quem acabou criando o mundo foi Odudua, sua porção feminina. Para consolar Oxalá, o deus supremo lhe deu outra missão: a de inventar os seres que habitariam o aiyê. Assim Oxalá usou a água branca e a lama marrom para criar peixes azuis, árvores verdes e homens de todas as cores. Foram justamente os homens que, mais tarde, imaginaram formas de adorar e representar a saga de deuses como Oxalá, Odudua, Olorum e tantos outros.

O sopro sagrado de Olorum

Quando Olorum, o senhor do infinito, fez o universo com o seu hálito sagrado, criou junto um punhado de seres imateriais com a finalidade de povoá-lo. Estes seres, os orixás, foram dotados de poderes fantásticos, como o domínio sobre o fogo, a água, a terra, o ar, os animais e as plantas e também o masculino e o feminino.

No princípio, eram muitas as divindades africanas, tantas que a comparamos às cores da exuberante África. Ainda hoje, os adeptos das religiões afro-brasileiras continuam adorando um pequeno grupo destas divindades, que representam todos os elementos essenciais à natureza e à vida humana.

Os povos africanos produziram uma infinidade de mitos sobre a criação do mundo e as forças espirituais. Isso porque a necessidade de explicar o mundo em que vivemos é praticamente tão antiga quanto a própria humanidade.

Ossaim, o malabarista das folhas

Certo dia, Ifá, o senhor das adivinhações veio ao mundo e foi morar em um campo muito verde. Ele pretendia limpar o terreno e, para isso, adquiriu um escravo. O que Ifá não esperava era que o servo se recusasse a arrancar as ervas, por saber o poder de cura de cada uma delas. Muito impressionado com o conhecimento do escravo, Ifá leu nos búzios que o criado era, na verdade, Ossaim, a divindade das plantas medicinais. Ifá e Ossaim passaram a trabalhar juntos. Ossaim ensinava a Ifá como preparar banhos de folhas e remédios para curar doenças e trazer sorte, sucesso e felicidade.

Os outros orixás ficaram muito enciumados com os poderes da dupla e almejaram, no seu íntimo, possuir as folhas da magia. Um plano maquiavélico foi pensado: Iansã, a divindade dos ventos, agitou a saia, provocando um tremendo vendaval. Ossaim, por sua vez, perdeu o equilíbrio e deixou cair a cabaça onde guardava suas ervas mágicas. O vento espalhou a coleção de folhas.

Oxalá, o pai de todos os orixás, agarrou as folhas brancas como algodão. Já Ogum, o deus da guerra, pegou no ar uma folha em forma de espada. Xangô e Iansã se apoderaram das vermelhas: a folha-de-fogo e a dormideira-vermelha. Oxum preferiu as folhas perfumadas e Iemanjá escolheu o olho de santa-luzia. Mas Ossaim conseguiu pegar o igbó, a planta que guarda o segredo de todas as outras e de suas misturas curativas. Portanto, o mistério e o poder das plantas continuam preservados para sempre.


No tabuleiro de Iansã

Orixá das cores vermelha e branca, Iansã é a regente do vento e dos temporais. Segundo uma antiga história da África, Xangô, marido de Iansã, certa vez a enviou para uma aventura especial na terra dos baribas. A missão era buscar um preparado que lhe daria o poder de cuspir fogo. Só que a guerreira, ousada como ela só, ao invés de obedecer ao marido, bebeu a alquimia mágica, adquirindo para si a capacidade de soltar labaredas de fogo pela boca.

Mais tarde, os africanos inventaram cerimônias que saudavam divindades como Iansã através do fogo. E, para isso, usavam o àkàrà, um algodão embebido em azeite de dendê, num ritual que lembra muito o preparo de um alimento bastante conhecido até os dias que correm: o acarajé. Na verdade, o acarajé que abastece o tabuleiro das baianas é o alimento sagrado de Iansã, também conhecida como Oyá.

O quitute tornou-se símbolo da culinária da Bahia e patrimônio cultural brasileiro. E, assim como ele, diversos elementos da tradição africana fazem parte do nosso cotidiano. Em sons, movimentos e cores, a arte encontrou na religião de origem africana seu sentido, sua essência, sua identidade.

A porção humana dos orixás

Obá, a orixá guerreira, disputava o amor de Xangô com Iansã e Oxum. Obá sentia o corpo arder de ciúme ao ver seu amado tratar Oxum com gestos de atenção e carinho e passou a imaginar que sua rival colocava algum tempero especial na comida para enfeitiçar Xangô.

Certo dia, Obá foi à cozinha disposta a descobrir o segredo de Oxum. Percebendo o ciúme de Obá, Oxum resolveu pregar uma peça na guerreira e mentiu. Disse que seu ingrediente era, na verdade, um pedaço de sua orelha. Obá então pôs uma tasca da própria orelha na comida e serviu para Xangô, que rejeitou o prato. Foi quando Obá se deu conta que caíra em uma armadilha e desde este dia, cobre as orelhas quando dança na presença de Oxum.

Os sentimentos humanos sempre estiveram presentes na mitologia dos orixás e na tradição oral africana. Sentimentos que mais tarde viriam contar outras histórias, que compõem uma literatura tipicamente feita por negros no Brasil.

A espada justa de Ogum

Ogum é um orixá benfeitor, capaz de salvar muitas vidas, mas também destruidor de reinos. Há quem diga que um belo dia Ogum chegou em uma aldeia onde ninguém falava com ele. Sempre que se dirigia a um habitante do lugar, só recebia um grande vazio como resposta.

Pensando que todos estavam zombando dele, Ogum ficou furioso e destruiu cada pedacinho da aldeia. Logo em seguida, descobriu que aqueles moradores permaneceram calados porque faziam voto de silêncio e se arrependeu amargamente por haver empregado as suas forças numa ação bélica.

Desde então, o deus da guerra jurou ser mais cauteloso e proteger os mais fracos, sobretudo aqueles que estiverem sofrendo algum tipo de perseguição arbitrária. Tanto no orum, o universo, como no aiyê, a terra, a luta dos negros contra as injustiças é encarada por corajosos guerreiros espirituais e de carne e osso.

Omolu dança só

Há muitos e muitos anos, um episódio interessante percorre a África inteira. É sobre uma grande festa, que reunia uma lista de ilustres convidados - Oxum, Iemanjá, Oxalá, Xangô, Oxossi, Ossaim, Obá, Logunedé, Iansã, Nanã, Ogum e Oxumaré. Todos os orixás estavam lá. Na verdade, quase todos, porque faltava o Omolu.

Omolu ficou do lado de fora com vergonha das marcas que a varíola lhe deixara no rosto. Ao saber disso, Ogum correu até a floresta e teceu uma roupa de palha, o ofilá, para que o irmão participasse da festa. Omolu entrou, mas ninguém quis dançar com ele. Mesmo cobertas, suas feridas causavam repulsa nos orixás. A corajosa Iansã foi a única que o chamou para uma dança. E como Iansã é a orixá dos ventos, sem querer, mandou a roupa de Omolu pelos ares!

Qual não foi a surpresa quando, livre do ofilá, surgiu um homem lindo, sem defeito algum. Ao ver a beleza de Omolu, os orixás femininos suspiraram e os masculinos se morderam de inveja. Omolu ofereceu à Iansã uma recompensa, mas, a partir daquele dia, passou a dançar sempre sozinho nas festividades.

FONTES:

http://www.acordacultura.org.br

http://bravoafrobrasil.blogspot.com
-----------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

05 Fevereiro 2010

Música & Poesia

Todos os Verbos (Marcelo Jeneci e Zélia Duncan)

Errar é útil
Sofrer é chato
Chorar é triste
Sorrir é rápido
Não ver é fácil
Trair é tátil
Olhar é móvel
Falar é mágico
Calar é tático
Desfazer é árduo
Esperar é sábio
Refazer é ótimo
Amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo
Abraçar é quente
Beijar é chama
Pensar é ser humano
Fantasiar também
Nascer é dar partida
Viver é ser alguém
Saudade é despedida
Morrer um dia vem
Mas amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo.


Eros e Psique (Fernando Pessoa)

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.


Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.


A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.



Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.



Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.



E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.



-----------------------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)


-------------------------------------------------------------

04 Fevereiro 2010

Devagar se vai ao longe (3)

Mens sana in corpore sano. Pra começar, é preciso mudar a maneira como pensamos. Em vez da reflexão, acontece a reação nessa vida apressada. Qual foi a última vez que você sentou numa cadeira, fechou os olhos e simplesmente relaxou? Pensamento rápido é racional, analítico, linear e lógico. Pensamento devagar é intuitivo, vago e criativo. Relaxar é o primeiro passo para pensar. Pesquisas demonstram que as pessoas pensam de maneira mais criativa quando estão calmas, sem pressa e livre de estresse.


Num provérbio inglês do século 14, o tempo é uma excelente cura. Mas em hospitais e clínicas de todo o mundo, os médicos sofrem pressão para apressar o atendimento dos pacientes. Em muitos consultórios de clínico geral a duração de uma consulta fica e,m torno de seis minutos. O resultado é uma cultura médica baseada na rapidez. Em vez de se dar tempo para ouvir os pacientes, avaliar todos os aspectos de sua saúde, de seu estado de ânimo e de seu estilo de vida, o médico convencional tende a se aferrar aos sintomas. Muitas vezes recorrem à tecnologia – medicação, cirurgia, etc. Num mundo em que cada segundo parece contar, todos queremos (não, esperamos) ser diagnosticados, tratados e curados o mais rapidamente possível. Muitas vezes a velocidade é crucial na medicina, mas como em tantas outras áreas da vida, mais rápido nem sempre quer dizer melhor.

SEXO

O mundo moderno está saturado de sexo. Dá a impressão de que está todo mundo fazendo o tempo todo. Só que não está. Embora passemos boa parte do dia vendo, falando, fantasiando, fazendo piada e lendo sobre sexo, a verdade é que passamos muito pouco tempo fazendo sexo mesmo. Muitos dedicam escassa meia hora por semana a fazer amor. E quando finalmente passamos à ação, muitas vezes a coisa já acabou antes de começar para valer. O sexo rápido não é uma invenção moderna – remota a um passado distante. Certas religiões ensinavam que o coito servia para procriação, e não para recreação: o marido devia subir, cumprir o dever e descer. Já o mundo moderno tende a abraçar a tese de Woody Allen de que o sexo é a coisa mais divertida que se pode fazer sem rir. Mas hoje, no fim de um dia de trabalho duro, a maioria das pessoas está cansada demais para fazer sexo.

Nossa cultura da pressa ensina que chegar ao destino é mais importante que fazer a viagem – e o sexo é afetado por essa mesma mentalidade da meta de chegada. Muitas mulheres não sentem desejo ou prazer sexual e a indústria farmacêutica insiste em que uma pílula tipo Viagra pode resolver tudo. A mulher precisa de mais tempo para se estimular por isso que a maioria delas prefere um amante com a mão vagarosa. Tudo isso está na obra de Carl Honoré, o livro Devagar.

Se você quer desacelerar, é melhor começar aos poucos. Primeiro, improvise uma refeição. Dê uma caminhada com um amigo em vez de ir correndo para o shopping comprar coisas de que não precisa realmente. Leia os jornais sem ligar a televisão. Comece a fazer massagens quando estiver fazendo amor. Ou simplesmente reserve alguns minutos para ficar tranquilamente sentado num lugar sossegado (vendo o por do sol, por exemplo). Faça uma reavaliação do seu horário de trabalho. Comece a relaxar e refletir mis sobra a vida que leva.

E para encerrar, só mesmo lendo/ouvindo a composiçõ de Almir Sater e Renato Teixeira: Tocando em Frente: “Ando devagar porque já tive pressa/ Levo esse sorriso porque já chorei demais/ Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe/ Só levo a certeza de que muito pouco eu sei/ Eu nada sei// Conhecer as manhas e as manhãs,/ O sabor das massas e das maçãs,/ É preciso amor pra poder/ pulsar,/ É preciso paz pra poder sorrir,/ É preciso a chuva para florir// Penso que cumprir a vida seja simplesmente/ Compreender a marcha e ir tocando em frente/ Como um velho boiadeiro levando a boiada/ Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou/ Estrada eu sou// Conhecer as manhas e as manhãs,/ O sabor das massas e das maçãs,/ É preciso amor pra poder pulsar,/ É preciso paz pra poder sorrir, / É preciso a chuva para florir// Todo mundo ama um dia./Todo mundo chora/ Um dia a gente chega/ e no outro vai embora// Cada um de nós compõe a sua história/ Cada ser em si carrega o dom de ser capaz/ De ser feliz// Conhecer as manhas e as manhãs/ O sabor das massas e das maçãs/ É preciso amor pra poder pulsar,/ É preciso paz pra poder sorrir, /É preciso a chuva para florir// Ando devagar porque já tive pressa/ E levo esse sorriso porque já chorei demais/ Cada um de nós compõe a sua história,/ Cada ser em si carrega o dom de ser capaz/ De ser feliz”
-----------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

03 Fevereiro 2010

Devagar se vai ao longe (2)

A vida de correrias acaba se tornando superficial. E as crianças são talvez as primeiras vítimas da orgia de aceleração. Estão crescendo maiôs rapidamente que nunca. Hoje, muitas crianças vivem tão ocupadas quanto os pais. Levar a vida como se fossem adultos deixa muito pouco tempo para as crianças desfrutarem o que faz realmente a infância: andar com os amigos, brincar sem supervisão de adultos, sonhar de olhos abertos.

Para o autor desse “slow movement”, o jornalista canadense Carl Honoré (na obra Devagar, Record), depressa é agitado, controlador, agressivo, apressado, estressado, superficial, impaciente, ativo, quantidade-mais-que-qualidade. Divagar é o oposto: calmo, cuidadoso, receptivo, tranqüilo, intuitivo, sereno, paciente, reflexivo, qualidade-mais-que-quantidade. Um século depois de Rudyard Kipling ter escrito sobre a necessidade de manter a cabeça fria enquanto todos ao seu redor a estão perdendo, as pessoas aprendem a se manter tranqüilas, a permanecer devagar por dentro, mesmo quando se apressam para cumprir um prazo no trabalho ou pegar as crianças na escola no horário.

E comenta os defensores da desaceleração como o italiano Carlo Petrini que fundou o movimento internacional conhecido como Comer Devagar (Slow Food), centrado no conceito extremamente civilizado de que aquilo que comemos deve ser cultivado, cozinhado e consumido em ritmo de tranqüilidade.

Essa filosofia vem conquistando terreno em vários campos de ação. No local de trabalho, milhões de pessoas vêm fazendo pressão por um melhor equilíbrio entre o trabalho e a vida, e conseguindo o que querem. Na cama, muitos começam a descobrir as alegrias do sexo devagar, através do tantra e outras formas de desaceleração erótica. Cidades do mundo inteiro reorganizam oi espaço urbano para estimular as pessoas a dirigir menos e andar mais. Uma minoria cada vez maior está optando pelo ritmo moderado, em detrimento da velocidade.

COMIDA

Em seu best seller O País do Fast Food, Eric Schlosser revelou que a carne produzida em massa nos EUA frequentemente está contaminada com substâncias fecais e outras matérias patogênicas. Todo ano, milhões de americanos são intoxicados com coliformes fecais encontrados em hamburgeres. Basta olhar um pouco além da superfície parta perceber que a “comida barata” que nos é fornecida pela agroindústria constitui na verdade uma falsa economia.

A indústria de alimentos global é estruturada para favorecer a alta rotatividade, a produção de baixo custo – e os fabricantes de alimentos, as companhias de transporte de longa distância, os gigantes do fast-food, as empresas de publicidade, os supermercados e os empreendimentos agroindustriais têm todo o interesse em manter as coisas assim – o público é desinformado do que consome.

Enquanto nas cidades grandes há um corre corre sem fim, no interior há espaços verdes, zonas de pedestres, as praças, preservação das tradições estéticas e culinárias locais, estímulo do espírito de hospitalidade e solidariedade local. Não é atoa que Dona Cano chegou aos 102 anos com uma saúde de ferro. O que o movimento Devagar pretende é criar um ambiente em que as pessoas possam resistir à pressão para viver de acordo com o relógio e fazer tudo mais rápido. O culto das tranqüilidade rural pode ser comprovado nos diversos locais dos 417 municípios baianos.

Durante décadas a vida urbana tem sido associada pela advertência do ex-presidente francês Georges Pompidou: “Precisamos adaptar a cidade ao carro, e não o contrário”. Salvador precisa se adaptar para por os seres humanos em primeiro lugar e não como é hoje São Paulo, tudo engarrafado nessa guerra à velocidade.

Honoré reconhece que a velocidade é uma droga de nosso tempo. Aceleramos por um vício do corpo, para evitar pensar sobre questões profundas e porque ser rápido é sinônimo de prestígio na nossa cultura. Então, desacelerar é difícil. "Uma ironia é que nós somos tão impacientes hoje que até queremos desacelerar rápido! Leva tempo", diz. "Mas quando você percebe que velocidade não é sempre bom, que muito da nossa pressa não faz sentido (como correr para chegar rápido ao farol vermelho) então é possível ir mais devagar". Para quem quer tentar, ele enumera uma série de atitudes necessárias. A primeira é eleger prioridades na vida profissional e pessoal - não dá para fazer tudo de uma vez, e é preciso aceitar isso. Dessa forma, sobra tempo para se concentrar no que é importante. Quando estamos muito acelerados, comemos mal, não temos tempo para descansar, erramos no trabalho por causa da correria e perdemos relacionamentos por não darmos atenção suficiente para eles. "Viver devagar significa fazer tudo melhor e aproveitar mais. Você é mais saudável porque seu corpo tem tempo para descansar, mais produtivo no trabalho porque está relaxado, concentrado e mais criativo. E seus relacionamentos são mais fortes porque você pode dedicar sua completa atenção para as pessoas", defende Honoré. Vale tentar?



-----------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

02 Fevereiro 2010

Yemanjá

Conta uma das lendas que Yemanjá era "casada pela primeira vez com Orunmilá, senhor das adivinhações, depois com Olofin, rei de Ifé", cansada de sua permanência em Ifé, fugiu em direção ao oeste. Outrora, Olokun lhe havia dado, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparo, pois não se sabia o que poderia acontecer amanhã, com a recomendação de quebrá-lo no chão em caso de extremo perigo. E assim Yemanjá foi instalar-se no entardecer da terra oeste. Olofin, Rei de Ifé, lançou seu exército à procura de sua mulher. Cercada, Yemanjá ao invés de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas. E criou-se o rio na mesma hora levando-a para Okun (o oceano), lugar de residência de Olokun, seu pai.

Deusa das águas, mares e oceanos, esposa de Oxalá e mãe de todos os Orixás, é a manifestação da procriação, da restauração, das emoções e símbolo da fecundidade. Yemanjá: Ye-Omo-Yá_mãe de todos os peixes, que são seus filhos e estão contidos em suas estranhas de água. Está associada ao poder genitor, a interioridade, aos filhos contidos em si mesma. Seu adedé (leque) simboliza a cabeça mestra. Ela é muito bonita, vaidosa e dança com o obebé (espelhinho) e pulseiras. Em alguns mitos ela é considerada como sendo mulher de Oranyan, descendente de Odùdùwa, fundador místico de Oyo, de quem ela concebeu Sàngó (o Orixá patrono do trovão e ancestral divino da dinastia dos Alafins, reis de Oyo). Desta forma ela se vincula ao fogo, o fogo aparece como uma interação de água e ar.

Na Nigéria ela é patrona da sociedade Geledes, sociedade feminina ligada ao culto das Yamis, as feiticeiras. No Rio de Janeiro, Santos e Porto Alegre, o culto a Yemanjá é muito intenso durante a última noite do ano, quando centenas de milhares de adeptos vão, cerca de meia noite, acender velas ao longo das praias e jogar flores e presentes no mar. No dia 02 de fevereiro a festa é nas águas de Salvador.

PEIXES

Yemoja na Africa Iemanjá, cujo nome deriva de Yèyé omo ejá ("Mãe cujos filhos são peixes"), é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. As guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível levar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo os objetos sagrados e os suportes do àse da divindade O rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Yemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o deus do ferro e dos ferreiros.

O principal templo de Iemanjá está localizado em Ibará, um bairro de Abeokutá. Os fiéis desta divindade vão todos os anos buscar a água sagrada para lavar os axés, não no rio Ògùn, mas numa fonte de um dos seus afluentes, o rio Lakaxa. Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira (ère) e um conjunto de tambores. O cortejo na volta vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará.

Yemanjá seria a filha de Olokun, Deus em Benin, ou deusa, em Ifé, do mar. Numa das histórias ela aparece casada pela primeira vez com Orunmilá, o Senhor das Adivinhações, depois com Olofin, o Rei de Ifé. Com este último teve dez filhos, cujos nomes enigmáticos parecem corresponder a outros tantos Orixás.

No Novo Mundo Iemanjá é uma divindade muito popular. Principalmente no Brasil e em Cuba. Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul. O sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas. Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro.

Diz-se na Bahia que há sete Iemanjás: Iemowô, que na África é a mulher de Oxalá; Iamassê, mãe de Xangô; Euá (Yewa), rio que na África corre paralelo ao rio Ògùn e que frequentemente é confundido com Iemanjá em certas lendas; Olossá, a lagoa africana na qual deságuam os rios. Iemanjá Ogunté, casada com Ogum Alagbedé. Iemanjá Assabá, ela é manca e está sempre fiando algodão. Iemanjá Assessu, muito voluntariosa e respeitável, mensageira de olokun. Em Cuba, Lydia Cabrera dá sete nomes igualmente, especificando bem que apenas uma Iemanjá existe, à qual se chega por sete caminhos. Seu nome indica o lugar onde ela se encontra.

MATERNIDADE FECUNDA

Ela é representada nas imagens com o aspecto de uma matrona, de seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva. Esta particularidade de possuir seios mais que majestosos - ou somente um deles, segundo outra lenda - foi origem de desentendimentos com seu marido, embora ela já o houvesse honestamente prevenido antes do casamento que não toleraria a mínima alusão desagradável ou irônica a esse respeito. Tudo ia muito bem e o casal vivia feliz. Uma noite, porém, o marido havia se embriagado com vinho de palma e, não mais podendo controlar as suas palavras, fez comentários sobre seu seio volumoso. Tomada de cólera, Iemanjá bateu com o pé no chão e transformou-se num rio a fim de voltar para Olóòdun, como na lenda precedente.

Rainha do mar, direta, carinhosa e intolerante... cuida de todas as cabeças

Para Yemonjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Osalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos. Yemonjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava.

Durante muito tempo Yemonjá reclamou dessa condição e tanto falou, nos ouvidos de Osalá, que este enlouqueceu. O ori (cabeça) de Osalá não suportou os reclamos de Yemonjá. Osalá ficou enfermo, Yemonjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias, utilizando-se de ori (banha vegetal), de omi-tutu (água fresca), de obi (fruta conhecida como nóz-de-cola), eyelé-funfun (pombos brancos) e esò (frutas) deliciosas e doces, curou Osalá.

Osalá agradecido foi a Olodumare pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori (ritual propiciatório à cabeça) e demais ritos à cabeça.

PAIXÃO

Orunmilá tinha os segredos da noite e precisava ser detido com seus feitiços desenfreados. Era um dos homens mais bonitos e encantadores, com todas as mulheres em seu poder, mas não queria nenhuma e não amava ninguém. Osalá queria tirar a maldade e os segredos de Orumila, mas só havia um jeito de conseguir tal feito, pedindo a mulher mais bonita que o encantasse e tirasse todos os segredos dele.

Então o povo Orisá duvidou e Osalá chamou Yemonja, que não tinha filhos e família e nem um amor para seduzí-lo e conhecer os seus segredos. Então Osalá fez com ela um trato no qual ela só teria essas intenções e que depois voltaria para reinar ao lado dele novamente. Yemonja foi e com o tempo eles se apaixonaram. Yemonja e Orunmilá já não conseguiam viver longe um do outro... ela conseguiu tirar todos os segredos e feitiços dele e eles tiveram muitos filhos Orisás...
Dados de Yemanjá:
Cores: Azul escuro, branco, azul claro,verde água
Metais: Prata
Predominância: Marinha, Familia, Maternidade
Dia da Semana: Sabado
Dia do Ano: 2 De Fevereiro
Sincretismo: Nossa Senhora Dos Navegantes
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

01 Fevereiro 2010

Devagar se vai ao longe (01)

Hoje, estamos todos mergulhados no culto da velocidade. O mundo inteiro está com a doença do tempo. Nesses primeiros anos do século XXI, todo mundo está sempre sob pressão para ir mais depressa. Sabemos que a velocidade contribuiu para modificar nosso mundo. Mas essa obsessão em estar fazendo cada vez mais em tempo cada vez menor foi longe demais, transformou-se em vício. Seja o link mais rápido na Internet, a leitura dinâmica, a hipoaspiração se a dieta não funcionar, microondas para quem não tem tempo para cozinhar, etc. Mas certas coisas não podem nem devem ser apressadas. Elas levam tempo. É bom não esquecer como é possível moderar o ritmo, porque sempre pagamos um preço. A velocidade nem sempre é a melhor política. A evolução se escora no princípio da sobrevivência do mais apto, e não do mais rápido. Lembre-se da corrida entre a tartaruga e a lebre.

O jornalista canadense Carl Honoré em seu livro Devagar (Record, 352 páginas) diz que o “slow movement” não é panfletário. Pelo contrário, é algo que acontece aos poucos, de forma discreta. De minuto em minuto, as pessoas vão questionar o porquê de fazer tudo rápido. Rapidez sempre quer dizer eficiência? Produtividade? Quantidade é igual a qualidade e relevância? Honoré mostra que, ao contrário, o fascínio pela velocidade existe em razão de motivos bem mais complexos. Vem da própria maneira como pensamos sobre o tempo. Nas tradições filosóficas chinesas, por exemplo, o tempo é visto de forma cíclica. Na tradição ocidental, ao contrário, o tempo é visto de forma linear, como algo que vai de A a B. É finito. Casado com isso vem a própria necessidade do homem de medir e fracionar com precisão a passagem do tempo – minutos, segundos e milisegundos.

Desde a invenção do quadrante solar egípcio de 1.500 a.C. até a invenção do relógio mecânico no século XVIII, a própria sobrevivência humana era um dos principais estímulos para medir o tempo. O tempo era utilizado para saber quando plantar e colher. E com quanto mais precisão o homem medisse o tempo, melhor. A busca pela precisão na medição do tempo virou questão de Estado. Meio contraditório, mas quanto mais o homem tenta controlar e entender o tempo, mais ele fica refém. Neste sentido, o relógio é a tecnologia que melhor simboliza essa tentativa do homem de entender e medir o tempo. E o fascínio pela velocidade é mais um daqueles efeitos a longo prazo proporcionados por uma tecnologia, mas que foi subestimado em sua devida época por especialistas

Cada coisa tem seu tempo. Algumas devem ser rápidas. Outras mais lentas. O problema é que, na maioria das vezes, estamos fazendo tudo rápido. É interessante notar que, depois da medicina, a área de jornalismo talvez seja a que mais vive em conflito com o tempo. Na medicina, velocidade é crucial. Um paciente ferido a bala, por exemplo, precisa ser tratado o mais rápido possível. Segundos se tornam muito importantes. Mas, ao mesmo tempo, mais rápido nem sempre quer dizer melhor, principalmente em tratamentos. Não é à toa que a medicina alternativa ganha espaço.

No jornalismo, velocidade também é primordial. Não é sem motivos que os produtos do jornalismo têm nomes ligados à questão do tempo. Jornal Hoje, Jornal Zero Hora, 60 minutes. Ter prazos é bom. Faz o trabalho ficar mais focado. Em seu último livro, Vida de Escritor, o jornalista Gay Talesse mostra que a falta de prazo faz você perder o foco. Mas, por outro lado, a velocidade faz cair a qualidade principalmente em relação à checagem de informações.

“Hoje em dia, existimos para servir à economia, e não o contrário. O excesso de horas no trabalho acaba nos tornando improdutivos, sujeitos a erros, infelizes e doentes. Os consultórios médicos estão cheios de pessoas acometidas de problemas causados pelo estresse: insônia, enxaqueca, hipertensão arterial, asma e distúrbios gastrointestinais, para citar apenas alguns exemplos (...) Existem ainda outras maneiras pelas quais o excesso de trabalho também constitui um risco de saúde. Ele deixa menos tempo e menos energia para os exercícios, tornando-nos mais possíveis de beber álcool demais ou recorrer a alimentos pouco saudáveis. Não é mera coincidência que os países mais rápidos também sejam os mais gordos. Cerca de um terço dos americanos e um quinto dos britânicos são hoje considerados obesos do ponto de vista clínico. Até mesmo o Japão está acumulando quilos”.


E o que acontece hoje em dia é que muita gente já não considera o café suficiente para se manter no ritmo do mundo moderno, e começa a buscar estimulantes mais potentes. A cocaína continua sendo a carga de reforço favorita, mas as anfitaminas (speed) estão chegando perto. A utilização dessa droga nos locais de trabalho nos EUA aumentou em 70% desde 1998.


------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

29 Janeiro 2010

Música & Poesia

Hino de Duran (Chico Buarque)

Se tu falas muitas palavras sutis
Se gostas de senhas sussurros ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar



Se trazes no bolso a contravenção
Muambas, baganas e nem um tostão
A lei te vigia, bandido infeliz
Com seus olhos de raios X



Se vives nas sombras freqüentas porões
Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Com seu faro de dobermam



E se definitivamente a sociedade
só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo,
és um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz
depois chamam os urubus



Se pensas que burlas as normas penais
Insuflas agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar infrator
com seus braços de estivador



Se pensas que pensas estás redondamente enganado
E como já disse o Dr Eiras,
vem chegando aí, junto com o delegado
pra te levar...


Pedra e bala (ou os sertões) (José Paes De Lira / Bnegão / Clayton Barros) Cordel do Fogo Encantado


juntem as forças pra seguir nessa jornada
busquem as forças pra lutar na sua própria batalha
a poeira subiu de ambos os lados
arames farpados olhos e punhos fechados cerrados
a face marcada pela mesma vida seca como a terra rachada
uma sombra densa e pesada eclipsando o que há de melhor na sua alma
o verdadeiro terror mais sufocante que o caloressa é a sua jaula
os desertos se encontram de várias formas
seja no espírito no solo ou na mente através de idéias tortas
que produzem gente morta em escala industrial



guerra pela terra
a pedra contra o tanque
guerra altera a terra nada será como antes



na inversão dos papéis do pequeno davi contra golias o gigante
como os barões das mega corporações
gigante como o coronelado dos grandes e pequenos sertões
como vários e vários e vários ubiratans
com seus sanguinários batalhões
que na sua prepotência e ignorância bélica
não conseguirão perceber a força e a chegada certeira daquela pedra



juntem as forças pra seguir nessa jornada
busquem as forças pra lutar na sua própria batalha



um beijo seco no portão do teu ouvido
quebrando cercas pra chegar na nossa mira
a pedra curte a bala corre e voa
a pedra fura bala transpassa
a bala é quente e a pedra é pura como um gole de cachaça
velho como teu projeto louco
forte como quem chora de medo



guerra pela terra
a pedra contra o tanque
guerra altera a terra nada será como antes



escuto em alto-falantes aquele som de cimento dessa muralha sem fim
e o desejo a pedra e a balaa santa paz fora do jogo
pois o que fala alto é pedra e bala
naquela praça onde as crianças brincam
naquele prédio perto das estrelas
naquele circo no qual quando chove não há espetáculo.

----------------------------------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

28 Janeiro 2010

Anticâncer

Alimentação, falta de exercício, qualidade do ar e da água e os estresses psicológicos influenciam profundamente o terreno no qual as células cancerígenas pode se desenvolver. “Aprender a lutar contra o câncer é aprender a nutrir a vida dentro de nós. Mas não é obrigatoriamente uma luta contra a morte. Ter êxito nesse aprendizado é chegar a tocar na essência da vida, encontrar uma completude e uma paz que a tornam mais bela. Pode acontecer de a morte fazer parte desse êxito. Há pessoas que vivem suas vidas sem apreciar seu verdadeiro valor. Outras vivem a própria morte com uma plenitude, uma tal dignidade, que ela parece ser a realização de uma obra extraordinária e dar um sentido a tudo que viveram. Preparando-se para a morte, libera-se a energia às vezes necessária à vida. É preciso começar desarmando o medo” ensina o médico David Servan-Schreiber.

E para não ficar passivo ou criar uma cultura de desespero, ao saber que tinha câncer escolheu a ação e a esperança, colocando em prática todo o conhecimento que tinha na obra Anticâncer – Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais (Objetiva, 2008). Era a forma de compartilhar com todos os que quiserem explorar esse caminho.

DESINTOXICAÇÃO

Para se proteger do câncer, o médico David Servan-Schreiber apresenta três princípios de desintoxicação. 1. o consumo excessivo de açúcares refinados e de farinhas brancas, que estimulam a inflamação e o crescimento das células através da insulina e do IGF (insulin-like growth factor); 2. o consumo excessivo de ômega 6 nas margarinas, gorduras hidrogenadas e gorduras animais (carne, derivados de leite e ovos), originárias de uma agricultura desequilibrada a partir da Segunda Guerra Mundial; 3. a exposição aos contaminados do meio ambiente surgidos depois de 1940, que se acumularam nas gorduras animais.

Assim, a primeira etapa de todo processo de “desintoxicação” começa, pois, por: comer muito menos açúcar (e farinha branco), e muito menos gorduras animais (e muito poucos produtos que não tenham o rótulo “agricultura orgânica”). Não é necessário eliminá-los por completo, mas reduzí-los a “ocasionais”, de fazê-los a base de nossa alimentação.

E exemplificou afirmando que um indiano consome em média 5 kg de carne por ano e – com idade igual – vive com melhor saúde do que um ocidental. São necessários 123 kg para satisfazer um americano – 25 vezes mais. Nossos modos de produção e consumo de produtos animais distroem o planeta. Tudo parece indicar que eles contribuem também para nos destruir ao mesmo tempo. E outro médico, Michael Lerner resumiu a situação com uma uma simplicidade luminosa: “Não se pode viver como boa saúde em um planeta doente”.

TRATAMENTO

Quinhentos anos antes da nossa era, Hipócrates dizia: “Que sua alimentação seja seu tratamento, e seu tratamento sua alimentação”. Mas as recomendações nutricionais ainda não fazem parte do tratamento convencional do câncer. Motivo? O remédio Taxol rende à empresa que detém sua patente um bilhão de dólares por ano. Em compensação, é completamente impossível investir somas dessa ordem para demonstrar a utilidade do brócolis, da framboesa ou do chá verde, uma vez que eles não podem ser patenteados nem sua comercialização reembolsará o investimento inicial. A questão é dinheiro e não cura. Capitalismo selvagem meu!. Se há um problema, há um remédio. “Nossa cultura médica nos leva a negligenciar essa abordagem e a preferir no fundo uma intervenção farmacêutica mais controlável, portanto mais ´nobre´.”, diz David.

Os médicos se vêem esmagados entre duas indústrias muito poderosas. De um lado, a indústria farmacêutica – propõe soluções farmacológicas, em vez de encorajar os pacientes a se defender. De outro, a indústria agroalimentar, que protege os próprios interesses, impedindo a difusão de recomendações explícitas sobre as relações entre alimentos e doenças. É preciso deixar de ser vítimas passiva dessas forças econômicas.

REMÉDIOS

Para David Servan-Schreber (Anticâncer. Previnir e vencer usando nossas defesas naturais), determinados alimentos funcionam como remédio. Se certos alimentos de nossa dieta podem servir de adubo para os tumores, outros, ao contrário, guardam preciosas moléculas anticâncer. Não se trata somente dos tradicionais minerais, vitaminas ou antioxidantes. As descobertas recentes vão bem além.

O chá verde bloqueia a invasão dos tecidos e a angiogênese. Age também para desintoxicar o organismo. Ele ativa os mecanismos do fígado que permite eliminar mais rapidamente as toxinas cancerígenas do organismo. O chá verde é um poderoso antioxidante, desintoxicador (ativa as enzimas do fígado que eliminam as toxinas do organismo) e um facilitador da morte das células cancerosas.

A soja bloqueia os hormônimos perigosos. A soja sob suas diferentes formas (tofu, tempeh, meso, iogurte de soja, grãos germinados) é parte importante de uma dieta anticâncer.

O cúrcuma é um poderoso antiinflamatório. Condimento que vem da Ásia, o cúrcuma desintoxica as cancinogêneses e ajuda a controlar a angiogênese.

Os cogumelos estimulantes do sistema imunológico. Camponeses japones que consomem bastante cogumelos (shitake, maitake, kawaratake) têm até duas vezes menos cânceres de estômago do que os que não comem.

Gengibre. Antiinflamatório, antioxidante (mais eficaz, por exemplo, do que a vitamina C) e contra certas células cancerosas.

Couves (brócolis, couve flor) contém sulforafane, glucosinolatos e outros que são poderosas moléculas anticâncer. Impedem a evolução de células pré-cancerosas em tumores malígnos.

Alho, uma das ervas medicinais mais antigas, reduzem em parte os efeitos cancerígenos.

Legumes e frutas ricos em caroteno: cenoura, batata-doce, diferentes tipos de abóbora, tomate, caqui, damasco, beterraba e todos os legumes ou frutas de cores vivas: laranja, vermelho, amarelo e verde.

Outros alimentos anticâncer: vinho tinto, suco de romã, chocolate amargo, atum, sardinha, salmão, bacalhau fresco.



------------------------------------------------------------------------
Nildão lança “as transparências enganam” no Rio Vermelho
O cartunista e designer Nildão promove uma big festa dançante para o lançamento do seu décimo terceiro livro: “As transparências enganam”. O evento acontece hoje, dia 28 de janeiro, quinta-feira, a partir das 21 horas no Santa Maria, Pinta e Nina localizado no Largo de Santana, próximo a Dinha do acarajé, no Rio Vermelho. A animação fica por conta do Dj Roger N’ Roll & Dj Rafabela e o ingresso no valor de 20 reais dá direito a um exemplar do livro. Conheça o site: nildao.com.br
---------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

27 Janeiro 2010

Brasília, uma imagem de ineficiência

Os escândalos envolvendo o governador do Distrito Federal, a fraude no concurso público, a lavagem de dinheiro mostra como as regras do jogo político no Brasil são precárias. Existe uma crença de que os sistemas de vigilância e punição são frágeis. O que está acontecendo é que a “máquina política” caracteriza-se como “panelinhas”, em que as relações cooperativas de seus membros geram benefícios, inclusive de autoproteção (daí a importância de cooptar desembargadores e ameaçar traidores).

A corrupção é relacionada com a estrutura do Estado – os governos são cooptados por máquinas políticas do próprio Estado. Assim, o mundo da política manifesta o que há de mais vil em nossa natureza. O que se nota hoje é que substituíram a violência e a tortura do regime militar pela corrupção como suposta condição para ter segurança e governar.

Brasília vai completar 50 anos agora em 2010 e enfrenta o escândalo de corrupção política mais bem desmontado em áudio e vídeo da história do país. Quando a capital saiu do Rio, muitos vícios foram importados. Brasília recebeu toda a alta burocracia federal do Rio e, aos poucos, criou também uma casta de funcionários locais. Hoje a cidade tem ao menos 500 condomínios irregulares, o que fez um político dizer que “Brasília é uma cidade diferente. Aqui temos invasão de ricos”.

Em 1990 houve a primeira eleição direta para governador e deputados distritais. Brasília então passou a funcionar como um Estado, com a vantagem de não se preocupar com recursos, pois vive de repasses da União. Para muitos cientistas políticos, a proximidade entre iniciativa privada e poder público favorece descalabro ético na capital federal.

A falta de responsabilidade de políticos envolvidos em escândalos faz com que a democracia brasileira fique “manca ou ande de muletas”. Para muitos cientistas políticos, a solução é uma clara pressão da sociedade por “uma reforma do sistema político e por um sistema mais simples de votação e representação, em que o relacionamento com o eleitor seja mais próximo, como ocorre no voto distrital”.

JUSTIÇA LENTA - Quando o corrupto finalmente vai pagar pelos seus atos, entra a Justiça brasileira lenta, envolta com milhares de leis, regimentos, atos e não sei mais o que para defender o acusado. E haja recorrer na primeira instância, segunda, terceira... “De todas as críticas lançadas contra o Poder Judiciário, a mais recorrente é a da morosidade na prestação jurisdicional. É, também, a mais compatível com a realidade. Com efeito, nada justifica que o jurisdicionado espere por uma década a solução do litígio, situação que só amplia o descrédito na Justiça” (MELO FILHO, Hugo Cavalcanti. Mudanças Necessárias. Revista Consultor Jurídico, 25 nov 2002)

Em igual sentido, é o que anota articulista da Folha de São Paulo: “A lentidão da chamada Justiça é, com frequência, impiedosa injustiça. Em inúmeros casos, sua causa é a incúria. Mas o desaparelhamento do Judiciário é espantoso, pela insuficiência do número de juizes e pela quantidade, milhares às vezes, de processos que um juiz responsável aprecia ano a ano” (FREITAS, Jânio. Os domínios da impunidade. Folha de São Paulo, 08 Out. 2003, Opinião.)

A propósito, bastante pertinentes são as ásperas críticas deduzidas por articulista do Jornal Folha de São Paulo: “A sempre falada e nunca iniciada reforma do Judiciário é uma necessidade que não admite dúvida. Mas não é a sua falta que conduz à impunidade relacionada à violência, policial ou não. A fonte dessa impunidade sempre esteve no governo federal e nos governos estaduais: essa impunidade nasce nas polícias, nos inquéritos (quando chegam a existir) deformados por incapacidade, corrupção ou corporativismo policial. No país onde é aceito como normal que o governo adquira votos, nas duas casas do Poder Legislativo, com cargos e verbas públicas, nada pode estar isento de improbidade e outras imoralidades. Na magistratura há mais corrupção, incompetência, irresponsabilidade profissional e nepotismo (nas instâncias superiores) do que ações contra esses vícios: ou seja, a magistratura não foge à regra do cenário brasileiro, no qual o governo foi agora mesmo denunciado pela Transparência Internacional por manter os mesmos níveis de corrupção encontrados, sem efetivar as providências prometidas na campanha. Mas, assim como as mortes injustificáveis por policiais, a tortura não é feita nas varas criminais, nem por sentença judicial. Passa-se em delegacias, que são dependências dos governos, e em ações externas de policiais, que são agentes dos governos” (FREITAS, Jânio. Os domínios da impunidade. Folha de São Paulo, 08 Out. 2003, Opinião.)

--------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

26 Janeiro 2010

Mudança climática ameaça a Bahia

Se não houver ações efetivas para reduzir os impactos no meio ambiente, entre 2070 à 2100 haverá uma redução de chuva na Bahia de até 70%, além de um aumento de temperatura de 2°C no litoral e 5°C na região Noroeste do Estado. A pesquisa apresentada no auditório Paulo Jackson, na sede da Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), aponta os impactos das mudanças climáticas na Bahia. O estudo foi realizado por três especialistas, Fernando Genz, pesquisador do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal da Bahia, e pelos meteorologistas Clemente Tanajura (Instituto de Física da Ufba) e Heráclio Alves (Ingá).

Segundo Fernando, o objetivo da pesquisa é quantificar os impactos das mudanças climáticas na Bahia, que, até então, não havia nenhum estudo voltado para essa questão. O Governo do Estado, através do Ingá e da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), já realiza programas para tentar amenizar os impactos apresentados na pesquisa. De acordo com o diretor geral do Ingá, Júlio Rocha, o órgão está implementando o Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca nos municípios do semiárido baiano vulneráveis ao fenômeno.

“A Bahia possui 69% do seu território localizado no semi-árido, com 289 municípios, onde vivem 3,7 milhões de baianos, o equivalente a 28,8% da população do Estado. O Plano de Ação Estadual de Combate à Desertificação compreende o mapeamento com o diagnóstico das condições de degradação ambiental e dos processos de desertificação na Bahia, que envolve as condições socioeconômicas, climáticas, demográfica e de vegetação. A primeira etapa está sendo realizada em 52 municípios vulneráveis, situados no entorno das regiões de Guanambi, Juazeiro, Irecê e Jeremoabo”.

“Estamos realizando também o Programa Estadual de Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares, que prevê a abertura de editais de chamada pública para prefeituras e instituições de todo o Estado apresentarem projetos de recuperação no valor de até R$ 50 mil cada. O investimento total do programa é de R$ 1 milhão e o objetivo geral do programa é conservar, restaurar e recuperar matas ciliares e nascentes nas bacias hidrográficas do Estado da Bahia, visando à manutenção da disponibilidade das águas dos rios.

Estudos do Ingá mostram que, às margens dos cerca de 369.589 km da malha hidrográfica do Estado, existem aproximadamente 2,6 milhões de hectares de mata ciliar, o que corresponde a 4,7% do território baiano”, informa Rocha.

EFEITO ESTUFA

O Floresta Bahia Global é um programa realizado pela Sema que visa promover ações de recuperação da cobertura vegetal dos biomas baianos e a descarbonização das atividades humanas, através do sequestro de carbono. A iniciativa contribui para minimização dos efeitos das mudanças climáticas. Selo Carbono Zero, que faz parte do Programa Floresta Bahia Global, é concedido a iniciativas que visam a recuperação de florestas e a descarbonização do meio ambiente. Juliano Matos, secretário de Meio Ambiente, afirma ainda que “desde que foi lançado, o Programa Floresta Bahia Global já realizou o plantio de 30 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica no Parque Estadual do Conduru (entre Ilhéus e Itacaré) e cerca de 2 mil mudas no Parque de Pituaçu, em Salvador, ajudando na descarbonização e repondo a cobertura vegetal do bioma”, pontua.
MATAS CILIARES

Um estudo realizado pelo Instituto de Gestão das Águas e do Clima (Ingá), órgão ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, estima que 40% dos 2,7 milhões de hectares da vegetação que circunda as margens dos rios e nascentes da Bahia estão degradadas. A recuperação destas matas, no entanto, esbarra nos altos custos operacionais: estimas e que o plantio de mudas nativas custaria em torno de R$ 10 mil por hectare.
O valor global seria de R$ 10,8 bilhões – uma cifra que vai muito além da realidade orçamentária dos órgãos ambientais.Fundamental no equilíbrio dos biomas naturais, as matas ciliares fazem uma proteção natural aos rios e lagos, reduzindo a erosão das margens e, por consequência, a quantidade de sedimentos do solo que atinge a água. Na Bahia, a degradação atinge os três principais biomas: a caatinga, o cerrado e a mata atlântica. De acordo com o diretor-geral do Ingá, Júlio Rocha, para superar um desafio de tal porte, é necessária uma ação conjunta de entes públicos, privados e da sociedade civil. “A recuperação desta vegetação será fundamental para mitigar os efeitos das mudanças climáticas”, explica.

---------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

25 Janeiro 2010

Aquecimento global

Pesquisadores americanos dizem que algumas árvores podem ajudar a mostrar os efeitos do aquecimento do planeta. Elas estão avermelhadas porque morreram. O mais longo estudo sobre as florestas do noroeste dos Estados Unidos culpa o aquecimento global pela morte precoce das árvores. Durante 50 anos, os cientistas monitoraram as florestas e concluíram que os pinheiros estão morrendo duas vezes mais rapidamente do que há 17 anos. As árvores sofrem com as altas temperaturas do verão e não conseguem se recuperar no inverno porque a neve derrete logo, aos primeiros sinais da primavera. Mudanças climáticas aponta razões históricas. Desde que o mundo se tornou industrializado, no século XVIII, aumentou a quantidade de dióxido de carbono e de outros gases que provocam o efeito estufa. Os gases formam uma barreira, retendo a energia solar. No laboratório da Universidade de Boulder, cientistas monitoram o ar do planeta. Uma vez por semana, o laboratório recebe amostras do ar de todas as partes do mundo, do mar do caribe, dos lagos da Europa, das montanhas da China, da floresta amazônica.

Os Estados Unidos são um dos maiores vilões. Entre 1990 e 2007, os Estados Unidos aumentaram em 16,5% as emissões de gases, chegando a mais de 7 bilhões de toneladas por ano. Entre 2007 e 2008 houve uma pequena queda, que os cientistas atribuem à crise econômica e à queda da produção industrial. A energia usada para iluminar casas e movimentar fábricas vem principalmente do carvão. Ele é queimado nas usinas e das chaminés sai o dióxido de carbono. Mas a quantidade absurda de carros circulando pelos Estados Unidos é quase tão nociva quanto a queima de carvão. Na Casa Branca, George Bush se recusou a assumir o compromisso de reduzir as emissões de dióxido de carbono. Agora, Barack Obama propõe uma redução de 17% até 2020.
O mundo precisa aprender a não desperdiçar energia, a buscar fontes alternativas, além do carvão, do gás e do petróleo. E usar soluções de engenharia para reduzir os níveis de dióxido carbono. Soluções para proteger o planeta.
A ilha de Ghoramara, na Índia, já perdeu metade do território e pode, em breve, sumir da face da terra. Sete mil habitantes foram embora e outros estão preparando a partida. No Japão, a ameaça também vem do mar: há sete anos, águas vivas gigantes, de até 2 metros de comprimento, infestam algumas regiões litorâneas, prejudicam a pesca e provocam queimaduras nos pescadores. Elas existiam somente na China, mas migraram para o local e se proliferaram.

O Japão tem alguns dos centros de previsão e pesquisas climáticas mais avançados do mundo e está usando a tecnologia para descobrir o que vai acontecer com o planeta nos próximos anos. Um globo no museu de ciências de Tóquio mostra o aquecimento da terra até o ano 2100. É uma visão do futuro, um futuro nada animador. Os cientistas japoneses estão usando um supercomputador, que ocupa um andar inteiro de um prédio, para calcular os efeitos do aquecimento global. Com isso, eles simulam o que vai mudar em cada ponto do planeta com o possível aumento de 3ºC na temperatura até o fim do século. Uma das conclusões: o número de tufões na Ásia e de furacões na América do Norte vai cair de 80 por ano, em média, para 66. Em compensação, a força do vento no epicentro vai aumentar em até 20% e as chuvas em até 60%.

Os cientistas japoneses também fizeram previsões para o Brasil. No Nordeste, os dias consecutivos de seca que, segundo ele, hoje são 100 por ano, em média, podem chegar a 130 em algumas áreas. No Centro-Sul do país, as chuvas que castigam a região no verão vão aumentar de intensidade. O professor diz que parte do aquecimento é inevitável, é um ciclo do planeta, que foi acelerado pela ação do homem. E que, por isso os países têm que se preparar. “Mas, se queremos diminuir esses efeitos, temos que fazer a nossa parte”, conclui ele. (Fonte: Jornal Nacional)

-------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

08 Janeiro 2010

Música & Poesia

O que é, o que é: (Gonzaguinha)

Eu fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!
Viver e não ter a vergonha de ser feliz,
Cantar, A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei
Que a vida devia ser bem melhor e será,
Mas isso não impede que eu repita:
É bonita, é bonita e é bonita!
E a vida?
E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Mas e a vida?
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo,
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo,
Há quem fale que é um divino mistério profundo,
É o sopro do criador numa atitude repleta de amor.
Você diz que é luta e prazer,
Ele diz que a vida é viver,
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é, e o verbo é sofrer.
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé,
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser,
Sempre desejada por mais que esteja errada,
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte,
E a pergunta roda, e a cabeça agita.
Fico com a pureza das respostas das crianças:
É a vida! É bonita e é bonita!É a vida! É bonita e é bonita!


Desejos (Victor Hugo)

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.



Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.



E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.



Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.



Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.



Desejo que você, sendo jovem
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.



Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.



Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.



Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.



Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.



Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.


Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.



Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.









Caros leitores: a partir de segunda feira (dia 11) estarei de férias. Serão 15 dias e vou aproveitar para ler uns livros reservados para ocasião, ouvir algumas músicas necessárias para o coração, colocar a mão na terra para saber da estação, mimar meus cachorros e plantar o que a natureza espera de cada um de nós. Dia 25 de janeiro estarei de volta. São poucos dias afastados. Voltarei com mais energia. Obrigado pela atenção.
--------------------------------------------------



Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

07 Janeiro 2010

Harmonia e imperfeição

Na vida tudo gira em torno da harmonia. Um bom exemplo disso é a coreografia dos ciclos naturais, primavera, verão, inverno e outono mostrando como a vida coexiste e improvisa com o meio ambiente e como padrões simétricos tendem a se repetir. Basta ver a bifurcação dos troncos das árvores e dos leitos dos rios, as espirais das galáxias, e das conchas, a simetria das asas de uma borboleta e dos flocos de neve.

No universo não há só harmonia e simetria. Se só houvesse equilíbrio jamais haveria transformação. Todas as coisas fundamentais que existem dependem de um desequilíbrio. O próprio Universo se originou do desequilíbrio. Quando o sistema está equilibrado, não se transforma. Sem transformação não há criação, nada acontece. Portanto, tudo o que ocorre e que se transforma no mundo o faz devido a imperfeições, ao desequilíbrio. É a tensão entre harmonia e imperfeição que gera a criatividade do mundo natural, das formas mais simples àquelas mais complexas. Como pode existir harmonia em um Universo que tende à desorganização. Esse é um dos grandes desafios da Ciência.

As imagens vindas dos mais distantes recônditos cósmicos mostram as profusões de cores e formas de uma beleza espetacular que alguns defendem como harmonia universal. Puro mito. O que existe se olharmos mais atentamente no espaço cósmico são fenômenos catastróficos como galáxias em colisões gerando devastadoras explosões e até buracos negros engolindo tudo ao seu alcance. Um verdadeiro caos absoluto. A imperfeição e falta de harmonia também se encontra em nosso planeta. Um bom exemplo são os dinossauros que, de tão imperfeitos, já nem existe há mais de milhões de anos porque não alcançaram a harmonia e perfeição exigidas naquele momento. Se houvesse de fato harmonia universal não teríamos o velho confronto entre o bem e mal (e tantos outros opostos).

Toda a história contemporânea gira em torno do problema da desigualdade ou da igualdade dos direitos humanos. E neste século a história registra um movimento igualitário cada vez mais acelerado. Velhos querem parecer jovens. Professores se dizem iguais aos alunos. Governantes procuram igualar-se aos governados, padres querem nivelar-se aos fiéis.

Assim, a desigualdade permite a ordem e harmonia do Universo. A beleza do arco íris só é possível pela desigualdade harmoniosa das cores. É a desigualdade das notas musicais que permite a música. No reino vegetal, a desigualdade cresce de valor diante da variedade: cedros majestosos no Líbano, orquídeas delicadas nas selvas brasileiras e repolhos em qualquer horta. E nos animais? O rei das selvas é o leão mas ele tem defeito na vista, só vê coisas grandes; o morcego somente pousa de cabeça para baixo, tendo uma visão invertida. Nos seres humanos todos são iguais em tudo, nos acidentes é que são diferentes (altos, baixos, gordos, magros, loiros, morenos, negros etc).

Sem encontrar paz na Terra, o astronomo Johannes Kepler (1571-1630) buscou a harmonia do mundo nos céus. Durante toda a vida, os homens se destroçaram em conflitos religiosos. Com imaginação e observação, a base da investigação científica, Kepler tornou-se o primeiro a compreender o movimento planetário. Ao constatar que uma força física movia os planetas, ele ajudou a fundar a Ciência moderna. Mas Kepler só conseguiu mudar a maneira de pensar de sua época porque não temia o que descobria. Sua curiosidade sobre seu Deus, dizia Carl Sagan, era maior que seu temor.

Assim, ao final, Kepler encontrou harmonia do mundo. Já o cientista Marcelo Gleiser, a imperfeição. Harmonia e imperfeição são pensamentos científicos de duas épocas distintas. Imperfect Creation o próximo livro de Marcelo Gleiser. "Vou escrever sobre a importância da imperfeição no universo. Todas as coisas fundamentais que existem dependem de um desequilíbrio, o próprio universo se originou de um desequilíbrio. Quando o sistema está equilibrado, ele não se transforma. Sem transformação não há criação, nada acontece", diz. "Mas o que vemos é a organização, a simetria. Um dos grandes desafios da Ciência é explicar como pode existir harmonia em um universo que tende à desorganização. A idéia que eu quero trazer é explicar como imperfeição e harmonia caminham juntas.". Pela primeira vez, Gleiser vai mesclar - deliberadamente - a Ciência com a própria biografia. Ele quer mostrar qual foi o papel da imperfeição, do desequilíbrio e da morte na criação da sua vida. Como ele alcançou à sua pró-cura.

-------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

06 Janeiro 2010

Nova ética para salvar o planeta (03)

Continuando com a leitura do livro de Leonardo Boff, Ética e Moral, a busca dos fundamentos (Vozes, 2003):
O ser humano, por sua natureza, é um ser biologicamente carente. Por isso vê-se obrigado a conquistar o seu sustento, modificando o meio, criando assim o seu habitar. Desde que saiu da África de onde irrompeu como homo erectus, pôs-se a conquistar o espaço, começando pela Eurásia, passando pela Ásia, América e terminando pela Oceania. Por comparecer como um ser inteiro, mas inacabado, e tendo que conquistar sua vida, o paradigma da conquista pertence à autocompreensão do ser humano e de sua história. Insaciável é a vontade de conquista do ser humano (conquistar os espaços, o segredo da vida, o poder de Estado e outros poderes, o mercado e os consumidores, o coração da pessoa amada).

Já conquistamos 83% da Terra e nesse afã a devastamos de tal forma que ela ultrapassou em 20% sua capacidade de suporte e regeneração. Agora precisamos conquistar a autolimitação, a austeridade compartilhada, o consumo solidário, a compaixão e o cuidado com todas as coisas para que continuem a existir. Devemos começar conosco, com as revoluções moleculares. Sem elas não garantiremos as novas virtudes que salvarão a vida e a Terra.

Depois do paradigma-conquista é urgente passarmos para o paradigma-cuidado. Basta lembrar que o cuidado é tão ancestral quanto o universo. Após o big-bang, se não tivesse havido cuidado por parte das forças diretivas, pelas quais o universo se autocria e auto-regula, a saber, a força gravitacional, a eletromagnética, a nuclear fraca e forte, tudo se expandiria demais, impedindo que a matéria se adensasse e formasse o universo como o conhecemos, ou tudo se retrairia a ponto de o universo colapsar sobre si mesmo em intermináveis explosões.
Mas o que aconteceu foi que tudo se processou com um cuidado tão sutil, em frações de bilionésimos do segundo, que permitiu estarmos aqui. E esse cuidado se potenciou, quando sumiu a vida há 3,8 bilhões de anos. A bactéria originária, com cuidado singularíssimo, dialogou quimicamente com o meio para garantir sua sobrevivência e evolução. O cuidado se complexificou mais ainda quando surgiu os mamíferos, donde também nós viemos há 125 milhões de anos. A essência humana reside exatamente no cuidado. Cuidado é gesto amoroso para com a realidade, gesto que protege e traz serenidade e paz. Sem cuidado, nada que é vivo sobrevive. E é essa atitude que precisamos resgatá-la hoje, como ética mínima e universal, se quisermos preservar a herança que recebemos do universo e da cultura e garantir nosso futuro.
Morrem ideologias. Passam filosofias. Mas sonhos permanecem. São eles que mantêm o horizonte de esperança sempre aberto. Formam o húmus que permite continuamente projetar novas formas de convivência social e de relação com a natureza.
Em 1854, o chefe Seattle das tribos do Noroeste entregou solenemente seu território e seu povo à soberania dos EUA. O discurso que ele pronunciou nessa ocasião serviu um século mais tarde de inspiração ao movimento ecológico, que o reinterpretou de maneira particularmente incisiva. O chefe se dirigia, de um modo mais urgente do que nunca, aos descendentes dos colonos brancos que nós somos:
“Ensinem aos seus filhos o que nós ensinamos aos nossos, que a terra é nossa mãe. Tudo que acontece com a terra acontece com os filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo sobre si mesmos. A terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Nós sabemos disso. Todas as coisas se ligam como o sangue que une a mesma família. Todas as coisas se ligam. Tudo quer acontece à terra acontece aos filhos da terra”.
Bem entendeu a importância dos sonhos o cacique pele-vermelha Seatle, quando, em 1856, escreveu ao governador do Estado de Washington, Stevins, que o forçara a vender as terras aos colonizadores europeus. Perplexos, se perguntava sem entender: pode-se comprar e vender a aragem, o verde das plantas, a limpidez das águas e o esplendor da paisagem: E concluía: os peles-vermelhas entenderiam o porquê “se conhecessem os sonhos do homem branco, se soubessem quais esperanças que transmite a seus filhos e filhas e quais as visões de futuro que oferece para o dia de amanhã”. Afinal, qual é o nosso sonho?
Viemos de um ensaio civilizatório, hoje mundializado, que realizou coisas extraordinárias, mas que é materialista e mecânico, linear e determinístico, dualista e reducionista, atomizado e compartimentado. Separou matéria e espírito, ciência e vida, economia e política, Deus e mundo. O que aconteceu é que esse anseio ancestral da humanidade operou uma lobotomia em nossa mente, mas deixou desencantados, obtusos as maravilhas da natureza e insensíveis face à reverência que o universo suscita em nós. Importa não deixarmos o sonho permanecer apenas sonho.

--------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

05 Janeiro 2010

Nova ética para salvar o planeta (02)

A leitura do livro de Leonardo Boff, Ética e Moral, a busca dos fundamentos (Vozes, 2003) é fundamental para saber sobre a crise moral, ética, econômica, política e ecológica que está acontecendo agora. O texto a seguir é um resumo desse livro:

As revoluções iniciadas na agricultura, seguida da industrial e completada pelo do conhecimento e da comunicação dos tempos atuais trouxeram imensas comodidade e prolongaram consideravelmente a expectativa de vida. Mas essa prosperidade material não foi acompanhada por um desenvolvimento ético e espiritual acarretando um vazio existencial provocando destruição do sentido cordial das coisas ocasionando imensa devastação da natureza.

A quebra da re-ligação do ser humano consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com o sentido do transcendente da vida transformou o sonho num pesadelo.
Existem duas forças fundamentais que atuam juntas e constroem concretamente o ser humano: a força de auto-afirmação e a força de integração. Pela força de auto-afirmação cada um consegue se fazer valer e garantir sua sobrevivência para continuar a co-evoluir. Pela força da integração se reforçam as relações inclusivas, se garante a cooperação de todos com todos e assim se assegura melhor o futuro.
Nenhuma dessas forças é suficientemente sem a outra. Ambas precisam atuar sinergeticamente, se reforçando mutuamente e se completando. Qualquer ruptura de equilíbrio é fatal. Caso o ser humano apenas se auto-afirmar sem se integrar, se isola e se inimiza com os demais. Caso se integrar no todo sem se auto-firmar, perde a identidade e acaba desaparecendo. A lógica da natureza faz com que as duas forças (auto-afirmação e integração) sempre funcionem num sutil equilíbrio e numa medida justa para que os seres não destruam a harmonia do todo.
Com o ser humano ocorreu a ruptura desta medida. Ele exacerbou a auto-afirmação em detrimento da integração. Descobriu a força de sua inteligência e de sua criatividade, e usou para se sobrepor aos demais. Ao invés de estar junto dos demais seres, colocou-se sobre eles e contra eles. Começa aí o auto exílio do ser humano, pois foi se afastando lentamente da casa Comum, a Terra e dos demais seres. Quebrou os laços de coexistência com eles.
O ser humano precisa se reencantar com a natureza e o universo. É preciso uma nova experiência espiritual e um novo sentido de ser, mas para isso é necessário da ativação consciente e propositada do princípio feminino (energia estruturada que nos torna sensíveis a tudo o que tem a ver com a vida e a cooperação), da dimensão da anima (que se completa pelo animus presente nos homens e mulheres). Esse novo paradigma ético coloca a vida no centro, vida compartida com outros, vida aberta para cima e para frente.

------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

04 Janeiro 2010

Nova ética para salvar o planeta (01)

Um dos principais expoentes da Teologia da Libertação, Leonardo Boff, defende a criação de uma "ética global" para evitar a "destruição do planeta e construir um novo modo de produção, em harmonia com a natureza". O ser humano tem se empenhado em desenvolver um modo de produção que está levando os recursos do planeta a seu limite, o que já começou a alterar seu próprio modo de funcionamento. O teólogo alertou que "milhões e milhões de pessoas" serão vítimas da mudança climática global que transformará em deserto grandes áreas do planeta, sem acesso à água e aos alimentos. "Hoje mesmo cerca de 3 mil espécies de plantas e animais desaparecem anualmente do planeta devido ao aquecimento global". E reafirmou a necessidade de "se retomar a filosofia da opção preferencial pelos pobres e, o grande pobre, é o planeta Terra, no qual vivemos e que nos dá vida".

A Terra pede socorro e a humanidade deve escolher o seu futuro. A medida que o mundo se torna mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta grandes perigos e grandes promessas. os padrões dominantes de produção e consumo causaram a devastação ambiental, a extinção das espécies, a redução dos recursos,as desigualdades sociais, as injustiças, a pobreza, a ignorância, os conflitos violentos e os grandes sofrimentos. Há uma aterradora crise ética e moral em todas as partes, atingindo a humanidade.
Para o teólogo, ou formamos uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscamos a nossa destruição e a da diversidade da vida. O ser humano, dotado da força de auto-afirmação e da força de integração, rompeu com os demais seres, esqueceu a teia de comunhão com os vivos e com a fonte originária de todo ser e quis dominar a Terra. Esse "pecado original do ser humano" criou o princípio de auto-destruição da espécie e de seu habitat natural. È necessário o reencantamento com a natureza, a busca do "feminino" que nos ensina a cuidar de tudo com zelo. Em oposição ao paradigma conquista que o ser humano vem desenvolvendo em seu processo de hominização, é urgente que se acate o paradigma cuidado, ética mínima e universal para preservar a herança Terra e garantir nosso futuro.
Na nova fase em que a Terra se encontra - a de Civilização Planetária - o sonho de integração de todas as culturas e etnias, de uma nova aliança dos homens com os demais seres vivos da natureza, é o sonho de uma civilização de re-ligação universal que inclui a todos - da formiga do caminho à galáxia mais distante. Essa nova civilização planetária dará centralidade à religião na sua dimensão antropológica - qual uma força que se propõe a re- ligar todas as coisas entre si, com o ser humano e com o Supremo Ser. Dessa nova ótica nascerá uma nova ética que inaugurará a fase globalizada do destino humano e da Terra.
Historicamente as sociedades foram orientadas ética e moralmente pelas religiões e pela razão. Os pontos comuns das religiões permitem elaborar um consenso ético mínimo capaz de manter a humanidade unida e preservar o capital ecológico indispensável para a Vida (Ethos que ama e Cuida). A razão crítica fundamentou a ética e a moral tentando estatuir códigos éticos universalmente válidos (ethos que procura). Esses dois paradigmas precisam ser enriquecidos (nesse tempo de crise) para que se dê conta das demandas éticas provenientes da realidade globalizada. São as experiências humanas, os valores fundamentais ligados à vida, ao ser cuidado, ao trabalho, às relações cooperativas e à cultura da não-violência e da paz, que fazem surgir a ética (ou as éticas) e podem estabelecer uma possível resposta aos problemas atuais da globalização, da pobreza e da violência.
-------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

30 Dezembro 2009

Avatar, um alerta ecológico

A nova experiência de ver cinema depende muito mais da maneira como vemos o filme do que a obra em si. A revolução está no nosso jeito de olhar. O diretor, roteirista e produtor James Cameron consegue imergir o espectador no filme Avatar graças ao efeito. O investimento no 3-D estereoscópico auxilia nesse resultado. Com uma profundidade espacial jamais vista no cinema, Avatar convence ao lançar o alerta ecológico: enquanto os terráqueos vivem a devastação do planeta natal, os Na'vi respeitam e cuidam da natureza. Mas não estamos falando de uma trama de tom didático ou engajado, Cameron assume seu cinema como puro entretenimento e magia.

Mas do que se trata Avatar? O longa (160 minutos) nos apresenta o planeta Pandora. Ali, no ano de 2154, humanos organizam uma missão para explorar um mineral raro e valioso. O problema é que a maior fonte do material está sobre o território dos Na'vi, os nativos de Pandora, que têm relação estreita com a natureza à sua volta. A missão humana envolve, ainda, um núcleo de pesquisas científicas, coordenado por Grace Augustine (Sigourney Weaver). O grupo desenvolve um projeto em que humanos transportam sua consciência para avatares, com aparência igual à dos Na'vi. Assim, podem negociar com os nativos e circular pelo solo de Pandora, cuja atmosfera é tóxica. É para integrar essa missão que o militar Jake Sully (Sam Worthington) chega ao planeta.

Adentramos o mundo alienígena através dos olhos de Jake, um ex-fuzileiro naval confinado a uma cadeira de rodas. Apesar do que aconteceu ao seu corpo, Jake continua se sentindo um guerreiro e viaja anos-luz à estação que os humanos instalaram em Pandora, onde a humanidade quer explorar o minério raro unobtanium, que pode ser a chave para solucionar a crise energética da Terra. Como a atmosfera de Pandora é tóxica, foi criado o Programa Avatar, em que “condutores” humanos têm sua consciência ligada a um avatar, um corpo biológico controlado à distância capaz de sobreviver nesse ar letal. Os avatares são híbridos geneticamente produzidos de DNA humano e DNA dos nativos de Pandora, os Na’vi.

Renascido em sua forma avatar, Jake consegue voltar a andar. Ele recebe a missão de se infiltrar entre os Na’vi, que se tornaram um obstáculo à extração do precioso minério. Ocorre que uma bela Na’vi, Neytiri, salva a vida de Jake, o que muda tudo. Jake é acolhido pelo clã de Neytiri, e aprende a ser um deles depois de passar por vários testes e aventuras. O relacionamento de Jake com sua hesitante instrutora Neytiri se aprofunda, e ele passa a respeitar o jeito de viver dos Na’vi, e por fim passa a ocupar seu lugar no meio deles. Logo ele enfrentará a maior de suas provações, ao comandar um conflito épico que decidirá nada menos que o destino de um mundo inteiro.

A produção mais cara da história tem trama simples e previsível. Não é surpresa que o militar se verá dividido entre a missão exploratória humana e a nova vida entre os nativos de Pandora. A ganância do "povo do céu" são sentidos nas batalhas em plena floresta. O foco do filme se instale no aspecto estético, nos efeitos especiais e nas cenas de ação, bastante empolgantes. Entre explosões, saltos e panoramas desse planeta fantástico, o diretor imprime mensagens relacionadas à nossa realidade atual.

Ao propor uma nova experiência de cinema, Cameron chama atenção sobre o ecossistema onde cada planta, cada criatura respira na tela de Avatar. Conceitos de energia e religião consagrados da ficção científica também encontram espaço importante: Pandora tem sua própria "força". O foco é mesmo no deslumbramento visual. É impossível distinguir o que é real do que é modelo criado por computador. As câmeras e a tecnologia de performance são impressionantes. As cenas em que humanos e Na´Vi dividem as telas, por exemplo, desafiam qualquer percepção.

É bom lembrar que a terminologia “avatar” vem do sânscrito e significa “descida”. No hinduísmo, designa uma manifestação corporal de seres imortais, tendo fundo religioso ligado à idéia de encarnação. E na linguagem da informática, é uma representação gráfica utilidade em realidade virtual. Mas o que fica mesmo, ao terminar o filme são as imagens do mundo novo, suas árvores profundas e interligadas a tudo, como nos nossos sonhos e como lembrou bem Leonard Boff em seu livro Ética e Moral, tudo está conectado, é preciso voltar a olhar o mundo para o seu interior ou tudo estará perdido.

-----------------------------------------------------------------------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

29 Dezembro 2009

Faltou consenso em Copenhague

Os 119 premiês e presidentes reunidos em Copenhague (15ª Conferência do Clima – COP15) deixaram a conferência do clima sem uma decisão sobre metas de redução de emissões para os países desenvolvidos. Sem o consenso, o Acordo de Copenhague é só uma declaração vaga forjada na última hora pelos Estados Unidos e pelos quatro grandes emergentes (Brasil, China, Índia e África do Sul) e que não cumpre o objetivo de limitar o aquecimento global neste século a 2º C.

O choque de interesses dos EUA e da China, que juntos lançam na atmosfera cerca de 40% dos gases do aquecimento, paralisou as negociações. Os dois maiores poluidores do mundo na semana da conferência faziam questão de dizer que estavam engajados na luta contra o aquecimento global, e trocavam acusações que o outro não estava fazendo o bastante. No final da conferência o resultado foi bem diferente, fazendo lembrar a fábula da Assembléia dos Ratos contada por Monteiro Lobato: os ratos se reuniram e deliberaram pendurar um sino no pescoço do gato (assim, todos os ratos poderiam fugir a tempo). Houve aplausos fervorosos para todos os discursos. Na hora da ação de colocar o sino, todo mundo pulou fora... Do mesmo jeito fracassou a reunião ambiental.

O principal ponto de conflito entre as duas potências foi resolvido graças a mediação do presidente Lula: a questão da verificação dos compromissos de corte dos emergentes. Diante do fracasso de Copenhague, uma nova reunião foi convocada para Bonn, na Alemanha em junho de 2010. A próxima COP está marcada para dezembro de 2010 no México.

É reconhecida a necessidade de combater o aquecimento global para evitar um aumento acima de 2ºC na temperatura média da Terra. Em Copenhague o presidente Lula propôs metas ambiciosas e ajudou a articular documento final, além de fazer o discurso mais eloqüente do encontro. Já o presidente americano Obama fez um discurso inflexível, visto como arrogante e foi refém do próprio Congresso. E o premiê chinês Wen Jiabao polarizou o debate com os EUA, virando a eminência parda da COP e saiu de lá com o que queria. O acordo político obtido em Copenhague foi “um desastre”, segundo ecologistas. Com o “adiamento das ações, o planeta sofrerá com fome e mortes na medida em que se acelerar a mudança climática”,

A cúpula das Nações Unidas em Copenhague foi considerada um fracasso. Os EUA condicionavam um acordo à criação de um mecanismo internacional de verificação das ações ambientais em países em desenvolvimento. A China não aceitou o debate. Não houve consenso. O que faltou foi vontade política.


------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

28 Dezembro 2009

Dona Canô: lição de calma e sabedoria que vem do recôncavo baiano

Dona Canô chamou, eu vou/ Dona Canô chamou, eu já me vou Dona Canô/ Antes que o rio esteja cheio/ Tenho que atravessar/ O chamado de Dona Canô/ Eu não posso negar/ Antigüidade é posto, temos que respeitar/ Dona Canô é Canô/ Dona Canô é de lá (Dona Canô - Caetano Veloso). Certamente, você não deve saber quem é Claudionor Viana Telles Velloso, mas, sem dúvida alguma, conhece ou já ouviu falar em Dona Canô, como é popularmente conhecida há 102 anos. Mais do que simplesmente a mãe dos cantores Caetano Veloso e Maria Bethânia, Dona Canô é um grande exemplo de tranquilidade e sabedoria, uma verdadeira celebração à vida.
Santamarenses em peso veem Dona Canô como a embaixatriz do município de Santo Amaro. Nascida em 16 de setembro de 1907, com um nome extenso e complicado para muitos, viu, ainda criança, se tornar Canô. Apelido inventado por um menino que não conseguia pronunciar seu nome de batismo corretamente. E foi assim que Claudionor virou Canô. E hoje, ao que parece, seu apelido soa mais familiar e carinhoso que o seu nome próprio.
Desde pequena fez parte de bailes pastoris e reisados que aconteciam nas usinas da cidade do recôncavo baiano. Apurou a voz gostosa nas Capelas de Capanema e Passagem. No Colégio das Irmãs Sacramentinas, aprendeu a costurar, a tocar piano e a falar francês. Namoradeira ela afirma que foi, mas, um belo dia apaixonou-se por José Telles Velloso (Zeca). Em um ano e meio estavam de casamento marcado, e com o seu grande amor viveu 53 anos, até a sua morte.
FORÇA - Certo dia, Dona Canô achou um trevo de quatro folhas e seu Zeca ganhou na Loteria Federal. Foi então que puderam ampliar o sobrado branco de janelas azuis, o qual ela vive até hoje, há 60 anos, e onde criou seus oito filhos com fortes laços de amizade e respeito. O lar da matriarca dos Velloso possui as mesmas nuances, e é muito fácil chegar à sua casa. Basta perguntar a qualquer um dos 80 mil habitantes, onde fica a casa de Dona Canô. A resposta será sempre: “Fica ali, pertinho da igreja do Amparo!”.
A casa de Dona Canô guarda muitas lembranças. Fotos emolduradas, gravuras e telas contam a história de uma vida bem vivida em mais de um centenário de existência. Dona Canô é dona de um sorriso bondoso, de um olhar ao mesmo tempo forte e carinhoso e de uma boa conversa. Com tais atributos, não é difícil de entender as razões pelas quais fizeram a Bahia e o Brasil amar esta baiana, que esconde por trás de um corpo frágil, uma força tamanha, que conforme ela, vem de sua fé.
Quando uma amiga ou vizinha entra na casa, coisa que acontece o tempo todo, Dona Canô imediatamente engrena uma conversa. Comenta sobre a festa que teve no fim de semana, sobre a inauguração para a qual foi convidada, sobre a homenagem que recebeu... Tudo é motivo para uma boa prosa. Mesmo os turistas, e não são poucos os que vão à avenida Ferreira Bandeira, número 179 para conhecê-la, encontram as portas sempre abertas. Não importa quem seja, todos são bem-recebidos por ela.
HÁBITOS - Dona Canô acorda cedo, por volta das 6 horas da manhã. Segundo ela, come de tudo, mas “bem pouquinho”. No cardápio, sempre recheado de frutos do mar e moquecas, não faltam azeite de dendê, leite de coco e o que mais fizer parte do tempero. Moqueca de arraia com pirão de leite é um de seus pratos prediletos. Costuma dormir depois das 20 horas. Sobre sua cama sempre tem algo pra ler, o tipo de leitura não importa, ela lê jornal, revista, livro, história, poesia, sendo esta última a sua preferida. Massagem e fisioterapia fazem parte da sua rotina. “Os filhos acham que devo fazer e eu faço”, diz ela, obediente e resignada.
Se perguntada sobre sua fama, Dona Canô garante que não entende: “Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos (Caetano Veloso e Maria Bethânia) que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm”. Seu nome batiza um centro oftalmológico para pobres, um teatro e uma biblioteca na cidade. Em seus aniversários nunca quer presentes, só comida ou material de higiene que recolhe para doação. Quando ela passa nas ruas, todo mundo já sabe: Dona Canô está indo fazer o bem. Segundo ela, está aí a razão de sua longevidade: “Recebo e dou muito amor, tenho prazer de viver e paciência, sei que tudo tem seu tempo”.

--------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

23 Dezembro 2009

RECANTO DO VENTO

Texto: Gutemberg Cruz
Ilustração: Estúdio Cedraz

Quarto capítulo:

Na última semana o vento Arthurzinho ensaiava com os amigos para a festa do São João no colégio. Todos estavam alegres porque iriam apresentar a festa junina no Nordeste. Eu disse todos estavam alegres?. Não, lá no alto, no mais alto das alturas estava a maligna Maria Tempestade. Ela passeava de um lado para o outro aborrecida com toda aquela alegria. Por isso, planejava soltar relâmpagos, trovões fortíssimos para derrubar toda aquela brincadeira. O que ela, a Maria Tempestade não contava, é que bem mais alto onde ela se encontrava, reinava o sorridente sol Luis. Sim, ele percebia toda aquela intriga da Maria Tempestade...tentou convencê-la de desistir de estragar a brincadeira junina das crianças-ventos, mas a Maria não era de desistir facilmente. E quando ela resolveu soltar seus raios e trovões....o sol apareceu mais forte e brilhou durante o dia.

Maria Tempestade saiu cabisbaixa e ficou lá do alto espiando.

A garotada resolveu fazer uma bela homenagem ao rei sol, ao Luis que caladinho ficou, sorrindo de tudo...mas o Arthurzinho que não era de guardar mágoas de ninguém resolveu dar um viva para Maria Tempestade. Era uma bela homenagem para a garota enfezada, briguenta, mal criada que gestava de perturbar o sono alheio... E todos os ventinhos resolveram saudar a Maria Tempestade que, vendo tudo aquilo, resolveu dar as caras na festa e caiu na gandaia.

Sim, a Maria Tempestade forrozou até o dia amanhecer.

No dia seguinte, o vento Arthurzinho foi, pessoalmente, agradecer ao sol Luiz. Ele soprou umas palavras boas de se ouvir, assim:

- Bom dia raio de sol Luiz, muito bom dia.

- Bom dia belo Arthurzinho. Respondeu Luiz. A que devo esse boa visita?

- Vim agradecer sua intervenção na festa. Tudo acabou bem, graças a você. A estrelinha Soninha iluminou toda a noite nessa festa. Como é muito tímida, não quis cair na folia. Espero que da próxima festança vocês dois apareçam para se divertirem.

- Obrigado, Arthurzinho. Vamos pensar no assunto.

- Tchau.

E assim Arthurzinho retornou a sua casa-nuvem azul para fazer as lições de casa que a professora de História passou. O tema do estudo era: A evolução dos ventos. Um tema que ele apreciava muito.

Não muito longe dali, no alto, a estrelinha Soninha sorria e brilhava. Tudo estava bem, o mundo girava, o vento soprava, o sol iluminava e as estrelas brilhavam. Era tudo festa. Era São João.

FIM
--------------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

RECANTO DO VENTO

Texto: Gutemberg Cruz
Ilustração: Estúdio Cedraz

Terceiro capítulo:

E o São João se aproximava, trazendo consigo as festas juninas. O mês de junho marca um dos mais ricos ciclos de festividades populares cristãs. A festa tem por objetivo principal homenagear três santos: Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24), e São Pedro (dia 29). Segundo a tradição, o primeiro tornou-se um santo de grande devoção popular, pois, sob sua proteção, muitas pessoas encontravam parceiro para se casar, daí ser chamado de “santo casamenteiro”. Segundo os Evangelhos, foi São João Batista quem batizou Jesus Cristo e o anunciou como o Messias. Já Pedro, era um pescador simples, conhecido como protetor das viúvas, o porteiro do céu e padroeiro dos pescadores. Trazido pelos colonizadores portugueses, o costume de festejar o São João entrou no Brasil, principalmente nas pequenas cidades, e ficou. Na Bahia a festa vai de norte a sul, atravessando o coração da Chapada com muita fogueira, bandeirolas, fogos de artífícios, quadrilhas, forró, comidas e bebidas típicas.

Como acontece todos os anos, durante o mês de junho na Bahia é tempo de provar licores, bolos, acender fogueira, assar milho, soltar bombas e foguetes, dançar um forró bem animado. Fogueiras ardem defronte às casas. O cheiro de milho assado, pamonhas e canjicas se misturam ao da lenha queimada e da pólvora dos fogos de artifício estourados.

De um canto de rua ou de um arraiá no meio da praça vem o som do triângulo, zabumba e sanfona. É o legítimo forró, atraindo gente de todas as idades. Daqui pra frente é a poeira do arrasta-pé e o rodar das saias que vão dizer quão bom está o São João. Mas São João bom mesmo é na roça. Afinal, a origem dos festejos juninos é rural e ligada às safras, fertilidade do solo, plantação e colheita.

Os elementos símbolos do São João – fogueiras, balões, danças e adivinhações são ligadas às divindades, e são manifestações de agradecimento ou reivindicação. As cidades se transformam em espécies de aldeias todas embandeiradas, onde se revive o que há de mais enraizado na cultura popular. São João é uma das festas mais esperadas pelos baianos, depois do carnaval. Pode se dizer que toda a zona rural da Bahia comemora as festas juninas com muita autenticidade.

O que torna mais rica esta festa é a mesa farta de milhos, pamonha, amendoim cozido, cana-mirim, batata doce, inhame, jenipapo, fruta-pão, aimpim, além da laranja e outras delícias. A canjica de milho verde, o carimã e a pamonha são ingredientes básicos da culinária junina. Há ainda os licores e, entre os baianos o mais afamado é o de jenipapo. Diz os especialistas que ele só fica realmente bom depois de enterrado um ano no jardim. Não há família que, durante a festa de São João, não faça um cálice deste néctar divino. Mesmo os licores de jabuticaba, araçá, umbu, banana e outras frutas são bons. Os licores completam a ceia e o ritual dos santos.

Depois de provar dos licores, bolos e canjicas, depois de acender a fogueira, tocar bombas, foguetes e busca-pés, é hora de pegar um forró. Dançar xaxado, o baião, o xote, a sanfona gemendo no fole, a zabumba segurando a marcação, a cabocla com seu vestido de chita. É hora do arrasta-pé.

As famílias promovem batizados, casamentos matutos, concursos de quadrilhas, escolha da rainha do milho, pula-fogueira, soltam fogos de artifícios. A festa se instala na praça central, palco de shows com os principais artistas, além de apresentações de grupos folclóricos, blocos de forró (puxados por sanfoneiros) entre outras manifestações.

Toda essa manifestação em torno do São João foi o motivo que Guto encontrou para conquistar o vento Arthurzinho, a estrelinha Sonia e o sol Luiz, além da bela planta Janete a passarem os festejos juninos na sua terra do além mar: Bahia, olá olá.

Mas o que Guto não sabia era que o Arthurzinho junto com outros ventinhos e toda a ventania do sul estavam organizando uma grande festa em sua cidade. Sim, aquela cidade que tem nome de santo: São Paulo. O arraiá da capital vai reunir toda a garotada, ou melhor, a turma da ventania, para animal aquelas bandas. E tudo porque a poluição na cidade estava muito forte, e era preciso alguém tomar alguma providência.

E logo quem teve a ideia? Quem, quem, quem? Conta logo: o Arthurzinho, claro!. Vento esperto, reunir todos seus amiguinhos para uma festa junina. Assim, com todos os ventos juntos, a poluição iria sumir rapidinho daquela localidade. Mas como aqueles ventos do sul no sabia muita coisa do Nordeste, coube ao Althurzinho comandar a festa.

- Pessoal (gritou Arthurzinho), vamos ensaiar primeiro. O ano passado estive no Nordeste, na Bahia, e conheci muita coisa. Sei das danças, das canções e tudo mais. Cheguei até a cantar uma canção de um baiano com fama de preguiçoso, o Dorival Caymmi. Não, ele não estava caindo, é o nome Caymmi. Pois ele compôs a música “Vamos chamar o vento”. Sei toda a letra....

E começou a cantarolar, parecia radiante o vento Arthur, soprando pra lá e pra cá a canção de Caymmi.

Depois da conversa ele começou os ensaios. Arthurzinho seria o bumba meu boi.

“O meu boi morreu/o que será de mim?/mandas comprar outro, ó maninha/lá no Piauí”.

Era uma cantiga muito antiga que os moradores do Nordeste cantavam em tempo de festa. O auto-popular do Bumba-meu-boi conta a estória da Catirina, uma escrava que leva seu homem, o Chico, a matar o boi mais bonito da fazenda para satisfazer-lhe o desejo de grávida: comer língua de boi. Descoberto o malfeito, o fazendeiro pede que os índios capturem o criminoso. Os moradores da redondeza fazem uma forte oração, juntos de mãos dadas e pedem a Deus a volta do boi, vivo.

Para ressuscitar o boi, chama-se o doutor, cujos diagnósticos e receitas ironizam a medicina. Finalmente, ressurgido o boi e perdoado o escravo, a grande farsa termina numa festa cheia de alegria e animação. Essa brincadeira do Bumba-Meu-Boi existe em outras regiões do País, cada um com um significado, mas todas representando uma explosão de alegria, servindo como elo de ligação entre o sagrado e o profano, entre santos e devotos, congregando toda a população.

E o vento Arthurzinho estava uma verdadeira pilha naquele dia. Corria para lá e para cá com toda sua energia. Ele ensaiava a dança do bumba meu boi com sua parceira, a Marina. Êta se Odemar conhecesse a Marina, ia gostar dela...a começar pelo nome Mar...ina...

E assim, dia após dia o vento e todos do grupo ensaiavam para a grande festa. Mas por trás de toda aquela alegria, havia uma nuvem negra e malvada que não gostava nada daquilo. Era a Maria Tempestade. Ela estava escondida ouvindo tudo e planejava despejar raios e trovões no grande dia da festa.

E agora? Será que o vento Arthurzinho conseguirá realizar a tal festa junina? E a Maria Tempestade vai conseguir destruir a alegria dos ventos?

Roendo as unhas de tanto nervoso estava Guto bem longe dali, mas pressentia tudo. Será que o sol Luis e a estrelinha Soninha vão ajudar a melhorar o tempo? Não percam, mais um capítulo dessa novela.

Tchan tchan tchan tchan...

---------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

22 Dezembro 2009

RECANTO DO VENTO

Texto: Gutemberg Cruz
Ilustração: Estúdio Cedraz

Segundo capítulo:

E o vento de outono voltou a soprar pelas bandas do Nordeste, o pequeno vento Althurzinho estava com saudades da terra do sertão.... Tudo parecia calmo naquela colina distaste. A piscina estava cheia d´água, mas Guto não estava disposto a nadar naquelas águas frias do Odemar (lembra-se do primeiro capítulo dessa historinha onde um sujeito “arredio”' conhecido como Odemar espalhou ondas para todos? Mas nem todos tinham coragem de atravessar aquele mundão de água. Para que as pessoas se aproximassem dele, ele reservou uma parte de seu corpo líquido na piscina lateral da casa).

Era outono, e as folhas ressecadas no verão estavam caindo das árvores. Os coqueiros dançavam ao som dos ventos outonais. O cajueiro não dava frutos, mas o que se destacava naquele pequeno sítio era o pêssago. Guto molhava todos os dias para que a planta se desenvolvesse mais. Até que um dia surgiu uma orquídea no centro do sítio. Linda, de cor rósea, aquela flor irradiava beleza em todo o “recanto do vento”, nome do sítio, dado por Guto. Encantado com a bela planta, ele batizou-a de Janete (até que enfim a vovó entrou na estória...Atenção, este parentese é em off).

Todas as manhãs, Guto acordava, passeava pelo sítio para molhar as plantar e conversava longamente com a Janete, uma de suas plantar preferidas. Mas ele não queria que as outras plantas soubessem disso para no causar ciúmes. Quando o sol se escondeu na colina e a lua apareceu para iluminar a noite, o vento Arthurzinho apareceu todo folgoso. Soprou aqui e acolá, correu em disparada pelo sítio, sentiu o perfume das flores, passeou rentamente pelas ondas do Odemar (que parecia um colchãozinho de água...ops! Este parêntese também é em off), e finalmente bateu na porta (toc toc toc). Guto abriu e deu-lhe um longo abraço. Em seguida Althurzinho disse:

- Tinha que me afastar por um longo tempo, vou com meus pais para a cidade grande. Lá vou aprender tudo da vida, vou conhecer os outros ventos, vou amadurecer meu sopro e também brincar com outros ventinhos. A escola dos ventos é uma necessidade para todos, por isso espero que você não se aborreça e não fique sozinho. A nossa amiga Zete, uma professora maluquinha, vai lhe presentear com uma cachorrinha chamada Lindinha, você vai gostar. Mas é preciso cuidar dela como se fosse alguém da família e anda triste e faminta. Trate-a come se fosse alguém da família, dê carinho e comida. Será sua nova companhia.

Ao terminal de falar, o ventinho Arthur soprou forte no rosto de Guto e foi embora. Triste, Guto adormeceu ali mesmo, na sala. Na manhã seguinte, Zete apareceu toda ruidosa. Cantava sem parar e esfregava suas mãos delicadas no pelo da cadelinha. Sua Lindinha, uma pequena cadela de pelo liso e amarelado.

Lindinha estava com frio, fui buscar um cobertor para aquecê-la e, em seguida, ela adormeceu em meus braços. Zete, contente, foi embora, estava atrasada para os primeiros dias de aula. Era uma professora muito querida entre os alunos.

Naquela noite de lua cheia, as estrelas pareciam brilhar mais. A estrelinha Soninha se destacava pela luminosidade que emitia. E, cada vez mais, ela se aproximou da colina. Guto estava olhando atentamente e, junto com a orquídea Janete, ouviu da brilhante estrela o seguinte:

- Guto, agora você não pode se queixar da solidão. De dia tem o sol Luiz, à noite você pode conversar comigo, nos intervalos do tempo tem Janete, Zete, Odemar e agora a Lindinha. O que vale a pena na vida é conhecer pessoas interessantes, saber de sua trajetória, aprender com e1as....O que mais vale a pena na vida é aprender a viver... É sempre bom ajudar o próximo e não perder o ânimo de acordar todas as manhãs e respirar fundo para viver um novo dia. lsso é que é bom...


O garoto ouviu aquelas palavras sábias da estrelinha e ficou mais próximo da orquídea Janete. E pensou, e pensou até lembrar das palavras de um velho filósofo chinês chamado Confúncio, “a orquídea exala perfume de reis”. E respirou fundo. Considerada as flores mais nobres porque antigamente eram privilégios dos ricos e nobres, hoje as orquídeas são acessíveis a todos.

Ele estava de pensamento na lua quando ouviu um barulhinho diferente no quintal. Era Lindinha que vinha correndo para seu colo. Guto pegou naquele animal, fez cosquinha na barriga dela e falou suavemente:

- Lindinha, muito cuidado quando passares por perto das plantas. Não pise em nenhuma delas, principalmente na Janete, certo?

Lindinha balançou o rabinho como afirmasse que entendeu tudo...

E onde andarás o vento Arthurzinho? Será que ele está com novas amigos pelos ventos do Sul?
No percam mais um capítulo do Recanto do Vento....a mais demorada estorinha que se leu na net (Internet)....
Tchan tchan tchan tchan
------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

21 Dezembro 2009

RECANTO DO VENTO

Texto: Gutemberg Cruz
Ilustração: Estúdio Cedraz

Primeiro capítulo:

Era uma vez um garoto solitário que morava no alto de um a colina. Todos os dias, ao anoitecer, ele colocava uma cadeira na varanda da casa para apreciar as estrelas no céu que brilhavam muito. Muitas vezes, o calor era tanto que ele era obrigado a colocar uma rede na varanda para dormir. Certa noite, ao olhar demoradamente para as estrelas, percebeu uma pequena e mais brilhante de todas e resolveu dar-lhe o nome de Soninha. A partir desse dia, todas as noites ele sentava na varanda da casa para conversar com sua nova amiga, a estrelinha Soninha. Assim, ele não se sentia mais sozinho.





Na manhã seguinte, o garoto acordou mais disposto e abriu a janela do seu quarto, o calor suave do Sol daquele dia de verão soprou em seu rosto, e ele agradeceu. Olhou devagarinho para o Sol e batizou-o de Luis (o luminoso). O Sol com seu olhar bondoso espalhou seu ar quente para todos os seres vivos daquela localidade.
Uma noite, no meio do sono, o garoto sonhou com a estrela Soninha. Ela dizia em seu sonho:




- Guto, não fique sozinho, olhe em sua volta a natureza, os pássaros, as árvores, as flores e os frutos. Conheça cada um deles. E quando estiver com muita solidão, chame o vento para brincar com você.




No dia seguinte, Guto acordou disposto a brincar com alguém e lembrou-se do sonho. Resolveu experimentar gritando pelo vento:


- Vento. Venha até aqui!




Ele gritava, mas nada aconteceu.


- Ventinho, venha logo! E nada. Até que ele ficou aborrecido e entrou em sua casa fechando todas as portas e janelas. Foi aí que uma camada de ar aquecida pelo calor do sol se dilatou, tornou-se mais leve e subiu a colina. Outra camada de ar frio também foi aquecida e subiu. Assim se formaram as correntes de ar e sopraram a casa de Guto. Mesmo assim, ele resistiu e não abriu a porta.



Logo em seguida, uma brisa soprou com suavidade a porta. Guto nada respondeu. Outro vento soprou com brandura, e o menino não respondeu. Em seguida, o ciclone formou corrente de ar em espiral e bateu com force a porta. Nada, o menino não respondia. Até que chegou um pequeno furacão, vento fortíssimo, que movia com velocidade, entrou pelo buraco da fechadura e disse:


-Eu sou Arthurzinho, vamos brincar?



O menino surpreso respondeu:



- Você fala, que legal!



- Claro, bobo, você espera o que de mim?



Guto então abriu as portas e janelas e saiu correndo para o jardim de braços abertos a cantar e dançar.



- Agora tenho mais um amiguinho. Depois da estrela Soninha, e do Sol Luis, tenho um garoto levado, o Arthurzinho.



Gritou para que todos ouvissem do alto da colina. Como o lugar era distante, ninguém ouviu o grito do garoto que alegremente corria em volta do vento que deva muitas piruetas e levantava todas as folhas secas do chão.





A noite chegou rapidamente, e o menino foi contar à estrelinha tudo o que lhe aconteceu. A estrelinha sorrindo disse que era para ele não se sentir sozinho durante o dia. O menino agradeceu. No dia seguinte, um bem-te-vi o visitou pela manhã. Assentou-se no peitoril da janela e se pôs a dar bicadas na janela. Guto abriu, deu bom dia e ofereceu biscoitos ao pássaro para seu café matinal. Em seguida, foi molhar as plantar que estavam no sol. Passaram-se as horas, e nada do seu vento amigo Arthurzinho aparecer. Resolveu chamar de outra forma. Pelo canto de um poeta Caymmi, que dizia: “Vamos chamar o vento/ vento que dá na vela/vela que leva o barco/barco que leva a gente/gente que leva o peixe/peixe que dá dinheiro, Curimã...''. Era um canto belo, meio tristonho.




Mas nada do vento aparecer. O garoto Guto passou o dia todo a chamar o vento, até que cansado começou a chorar. A noite veio surgindo, e as estrelas no céu aparecendo. Soninha, vendo o menino tão triste, disse para ele:



- Não fique assim triste. O vento Arthur foi para o outro lado do mundo alegrar outro garoto triste. Afinal, ele tem que estar em diversas partes do mundo, levando alegria. Quando ele não puder aparecer, e a saudade apertar dentro da gente, lembre-se da memória. É lá que ficam guardadas as coisas que amamos e que não estão próximas no momento que queremos. Como disse a escritora Adelia Prado: “aquilo que a memória ama fica eterno”. Na alma da gente, as coisas ficam eternas porque ela, a memória, é o lugar do amor. E o amor não suporta que as coisas amadas sejam engolidas pelo tempo.



- As coisas que existem no mundo interior, ou seja, no mundo da memória, aparecem refletidas no espelho da fantasia. A fantasia é o espelho da alma. Os sonhos, por exemplo, são imagens do mundo de dentro. Reflexos da alma. Quando estiver com saudade do vento Arthurzinho, pense nos bons momentos que passaram juntos. Observe a natureza em volta e sinta o perfume das flores, o gosto das frutas, observe bem a forma e as cores das flores, veja as montanhas distastes, aproveite a água das cachoeiras, se não tiver cachoeira imagine as águas do chuveiro caindo em sua pele, sinta tudo isso e lembre desse vento que está em todas as coisas boas.



E foi assim que o menino Guto não chorou a falta do vento. Quando ficava triste, recordava os momentos que passaram juntos e as historinhas que ouvia e que também contavam juntos. De vez em quando, uma lágrima escapava, escorrendo em seus olhos; ele limpava rapidamente, corria em volta da casa para lembrar de todas as brincadeiras, das cantinas de rodas, do castelo de areia, das bolas de sabão subindo ao céu e de muitas outras. E ele aprendeu que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, e que não importa o quanto seu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar por causa disso. O importante agora é caminhar com pensamento positivo e lembrar das coisas boas. Um dia, bem próximo, o vento Arthurzinho, a estrela Soninha e o sol Luis vão estar junto.



Ah! havia esquecido do mar. Não lembra daquele sujeito forte que trazia ondas para nos divertir. Sim, o Odemar, ele continua firme. E para não assustar ninguém com suas ondas bravas, separou um cantinho no lado da casa, fez uma piscina para que todos, quando se encontrassem de novo, mergulhassem em suas águas calmas e tranquilas.



E todos viveram felizes para sempre.



Fim? Não, o vento Arthurzinho vai continuar com a historinha...

------------------------------------------------------------------------------------


Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

18 Dezembro 2009

Música & Poesia

Todos os Verbos (Marcelo Jeneci Zélia Duncan)

Errar é útil
Sofrer é chato
Chorar é triste
Sorrir é rápido
Não ver é fácil
Trair é tátil
Olhar é móvel
Falar é mágico
Calar é tático
Desfazer é árduo
Esperar é sábio
Refazer é ótimo
Amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo
Abraçar é quente
Beijar é chama
Pensar é ser humano
Fantasiar também
Nascer é dar partida
Viver é ser alguém
Saudade é despedida
Morrer um dia vem
Mas amar é profundo
E nele sempre cabem de vez
Todos os verbos do mundo.




Segunda Elegia, Terceira Sede (Fabricio Carpinejar)

Ser inteiro custa caro.
Endividei-me por não me dividir.
Atrás da aparência, há uma reserva de indigência,
a volúpia dos restos.



Parto em expedição às provas de que vivi.
E escavo boletins, cartas e álbuns
- o retrocesso da minha letra ao garrancho.



O passado tem sentido se permanecer desorganizado.
A verdade ordenada é uma mentira.


O musgo envaidece as relíquias. Os dedos retiram as teias,
assisto à revoada de insetos das ciladas.
Fujo da claridade, refulge a poeira.
O par de joelhos na imobilidade de um rochedo.



Reviso o testamento, alisando a textura
como um gramático da seda.
Desvendo o que presta pelo som do corte.



O que ansiava achar não acho
e esbarro em objetos despossuídos de lógica
que me encontram antes de qualquer pretensão.



O que fiz cabe numa caixa de sapatos.



Colecionava talhos de madeira, bonecos
adornados com a ponta miúda do canivete.
Lá estava um dos sobreviventes, desfocado,
vizinho das medalhas escolares
e dos parafusos condoídos de ferrugem.



Um auto-retrato não seria tão fidedigno.
Eu era aquela frincha de chão florido, casca e húmus.



Quantas foram as miudezas que não combinavam
com o conjunto e, na falta de harmonia,
abandonei no depósito da infância?


E se faltou confiança para restaurá-las ao convívio,
faltou coragem para excluí-las em definitivo.


Somos o desperdício do que estocamos.
Não aprendemos a desaprender.
Não doamos nada, nem a palavra passamos adiante.


O porão tem vida própria e respira
o que jogamos fora.
O que refugamos na ceia volta a nos mastigar.


Tudo pode fermentar: o forro, os passos, o odor do braço.
Tudo pode nascer sem o mérito do grito,
como um murmúrio ou estalar de um abraço.


Tudo pode nascer, ainda que abafado.
----------------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

17 Dezembro 2009

Dicionário poético

Como assíduo leitor de livros sobre cinema, música, quadrinhos, artes plásticas, filosofia e sociologia, confesso que poucas vezes abro o dicionário. Agora parece que mudei. Estou apaixonado por um dicionário. “Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento”, livro de Adriana Falcão traz preciosidades poéticas, reflexivas, bom mesmo. Leitura agradável, Falcão parece que aprisionou as palavras que o vento soprou para ela e agora está soltando, uma por uma, de A a Z.
Vou selecionar algumas para que o leitor possa apreciar oi trabalho dela:

Abandono – quando uma jangada parte e você fica.
Bondade - aquilo que sai do coração quando a torneira está aberta.
Calendário – Onde moram os dias.
Desculpa – Palavra que pretende ser um beijo.
Escuridão – o resto da noite, de alguém recortar as estrelas.
Fotografia – Um pedaço de papel que guarda um pedaço de vida nele.
Gula – quando chocolate é mais importante que espelho.
Horizonte – linha que serve para evitar que o céu e o mar se misturem.
Imaginação – todo filme que passa na cabeça da gente.
Juventude – os primeiros capítulos da pessoa.
Lealdade – qualidade de cachorro que nem todas as pessoas têm.
Manhã – o prelúdio do dia.
Nome – Toda palavra que já tem dono.
Óbvio – não precisa explicar.
Poeta – quem nasceu com talento para pôr do sol.
Querer – quando o olho do desejo brilha.
Razão – quando o juízo aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Sonho – um outro você que fica acordado enquanto você dorme.

Ternura – amor com recheio de goiaba.
Universo – um só verso que contém toda a poesia desse mundo.
Virgula – a respiração da idéia.
– única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.
Zíper – fecho que precisa de um bom motivo para ser aberto.
Adriana recolheu todas essas palavras e muitas outras e colocou neste precioso dicionário. A cada página, essas palavras soltas vão direto para a alma da gente. Ela estreou com o romance “A Máquina”. Depois veio a experiência no teatro com o musical “Cambaio”, parceria de Chico Buarque e Edu Lobo. Ela publica crônicas na revista Veja Rio, uma delas transformada no infanto-juvenil “Mania de Explicação”, sucesso de público.
Emoções, sentimentos e palavras estão no livro “Mania de Explicação”, a história de uma menina que tinha a mania de explicar o mundo. Nele, a menina explica que “saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue” e que “lembrança é quando, mesmo sem autorização, o seu pensamento reapresenta um capítulo”.
Falcão escreve roteiros para programas de TV, como “A Grande Família”, “Comédia da Vida Privada” e “O Auto da Compadecida”, da Globo. Outro sucesso da escritora e roteirista é o realismo mágico de um casal de adolescentes chamado “Luna Clara e Apolo Onze”, onde cria personagens tão extravagantes quanto Aventura e Doravante e que mistura amor adulto, amor juvenil, paciência, sorte, enganos e desenganos. Uma prosa gostosa de se ler, com jeito de criança pedindo bala. Sua prosa é talentosa.
Outra obra de Adriana Falcão é “O Doido da Garrafa”, coletânea de textos preparados para a edição carioca do suplemento de serviço da revista Veja no Rio de Janeiro. Suas crônicas são leves e livres, preparadas com esmero de uma artesã que sabe trabalhar o vernáculo com descontração e beleza. “A sala do coração tem muitas janelas e duas portas. A que dá para dentro e a que dá para fora. A que dá para dentro está sempre aberta. A que dá para fora vive trancada”, escreveu. Como um falcão, Adriana tem pleno domínio da palavra, do texto simples, belo, romântico. Quando se abre um livro de Adriana Falcão as portas e janelas da alma se abrem também e as palavras começam a circular em nossas mentes e corações. É uma boa companhia.(Esse artigo foi publicado há dois anos e volto a republicar a pedidos)

-----------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

16 Dezembro 2009

Mergulhe nessa terceira onda (2)

Para o estudioso Stuart Hall, o deslocamento do sujeito foi provocado por cinco rupturas nos discursos do conhecimento moderno. Marx, Freud, Saussure, Foucault e o feminismo foram fundamentais para a descentralização do sujeito enquanto identidade.

O pensamento Marxista reinterpretada na década de 60 tirou o homem do centro do sistema teórico.

A descoberta do inconsciente por Freud que arrasa a idéia do homem como ser provido de identidade fixa e unificadora.

O terceiro descentramento está associado ao trabalho desenvolvido de Ferdinand de Saussure. Ele argumentava que nós não somos em nenhum sentido, os autores das afirmações que fazemos ou dos significados que nos expressamos na língua. A língua é um sistema social e não individual. Ela pré-existe a nós. O trabalho de Ferdinand de Saussure diz que utilizamos a língua segundo padrões estabelecidos para nos posicionarmos de acordo com propostas pré-existentes.

O filósofo e historiador francês Foucault destacou o poder disciplinar onde as novas instituições coletivas de grande escala regulam, vigiam as atividades modernas.

E o último pensamento advém do feminismo que junto com outros movimentos de sua época promoveram transformações sociais importantes para a conceituação de identidade.

Assim a chamada “crise de identidade” pode ser entendida, segundo Stuart Hall, como parte de um processo mais amplo de mudança, que está deslocando as estruturas e processos centrais das sociedades modernas e abalando os quadros de referência que davam aos indivíduos uma ancoragem estável no mundo social. Ou seja, as velhas identidades, fixas, que na pré-modernidade serviram como representações estáveis e referência que os indivíduos, estão em declínio. Novas identidades vêm surgindo e, como conseqüência, ocorre a fragmentação do sujeito moderno.

Segundo os estudiosos, favoráveis a essa teoria, as identidades modernas estão entrando em colapso, transformando, “descentrando”, deslocando não só o sujeito, mas os parâmetros de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que antes forneciam localizações em nossa sociedade.

Tais transformações abalam a idéia que temos de nós mesmo como sujeitos integrados, afetam nossas identidades pessoais. É o “eu” dissolvido e, ao mesmo tempo, exilado no todo – já que se extingue o sentimento de pertencer à sociedade – talvez, mais significativa ainda, seja a “perda de um ´sentido de si´.” da própria identidade. Há um duplo deslocamento: tanto do sujeito em relação à sociedade e à cultura, quanto a si próprio.

E o sujeito moderno está se tornando fragmentado. Composto não só de uma, mas de várias identidades, que podem vir a lutar entre si. A identidade é transformada de acordo com as representações dos sistemas culturais. Nossas identificações estão sendo continuamente deslocadas. Assumimos diferentes identidades em diferentes ocasiões ao redor de um eu, não mais, fixo, estável ou permanente. Devido à multiplicação dos sistemas de significação e representação cultural, nos confrontamos com múltiplas possibilidades de identificação.

-------------------------------------------------------------------------------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

15 Dezembro 2009

Mergulhe nessa terceira onda (1)

Terceira onda, modernidade tardia e pós modernidade foram as denominações de estudiosos a sociedade pós-industrial. Para Alvin Toffler, as mudanças ocorridas na sociedade se processam como ondas do mar. E três grandes ondas são as responsáveis pelas transformações que alteraram a vida em sociedade, o modo de trabalho e produção, a política e o comportamento humano ao longo dos séculos. O que distingue uma onda de outra é um sistema diferente de criar riqueza. A alteração da forma de produção de riqueza é acompanhada de profundas mudanças sociais, culturais, políticas, filosóficas, institucionais.

A primeira onda foi a sociedade nômade para a sociedade agrícola. O domínio do solo transformou a civilização, que, além de extrair o seu sustento, passou a fixar-se nele. As famílias tornaram-se multi-geracionais e trabalhavam juntas, consumindo o que produziam. Na primeira onda a forma de criar riqueza era cultivando a terra. Os meios de produção de riqueza eram, portanto, a terra, alguns implementos agrícolas (a tecnologia incipiente da época), os insumos básicos (sementes), e o trabalho do ser humano (e de animais), que fornecia toda a energia que era necessária para o processo produtivo. Do ser humano se esperava apenas que tivesse um mínimo de conhecimento sobre quando e como plantar e colher e a força física para trabalhar.

A segunda onda assolou o mundo no século 18 com a Revolução Industrial, que transformou o modo de vida com que as pessoas deixassem o campo para viverem nos centros urbanos e trabalharem nas fábricas. Na segunda onda, a forma de criar riqueza passou a ser a manufatura industrial e o comércio de bens. Os meios de produção de riqueza se alteraram. A terra deixou de ser tão importante, mas, por outro lado, prédios (fábricas), equipamentos, energia para tocar os equipamentos, matéria prima, o trabalho do ser humano, e, naturalmente o capital (dada a necessidade de grandes investimentos iniciais) passaram a assumir um papel essencial enquanto meios de produção. Do ser humano passou a se esperar que pudesse entender ordens e instruções, que fosse disciplinado e que, na maioria dos casos, tivesse força física para trabalhar. Essa nova forma de produção de riquezas também trouxe profundas transformações sociais, culturais, políticas, filosóficas, institucionais, etc., em relação ao que existia na civilização predominantemente agrícola. Nós todos conhecemos bem as características desta civilização industrial, porque nascemos nela e, em grande parte, ainda continuamos a viver nela.

A terceira onda se iniciou na segunda metade do século 20 e tem como propulsores o advento do conhecimento – ou a Revolução da Informação – e a globalização entre outros inúmeros fatores que se relacionam nessa cadeia de mudanças. É a terceira onda que caracteriza a transição para a pós-modernidade. Na terceira onda, a principal inovação está no fato de que o conhecimento passou a ser, não um meio adicional de produção de riquezas, mas, sim, o meio dominante. Na medida em que ele se faz presente, é possível reduzir a participação de todos os outros meios no processo de produção. O conhecimento, na verdade, se tornou o substituto último de todos os outros meios de produção. Na guerra, por exemplo, um centímetro quadrado de silício, na forma de um chip programado, pode substituir uma tonelada de urânio. O conhecimento se tornou ingrediente indispensável de armamentos inteligentes, que são programáveis para atingir alvos específicos e selecionados. Para derrotar o inimigo, freqüentemente basta destruir seu sistema de informações.

CHAVE

E na informação e no conhecimento que está a chave da reorganização mundial. Assim os valores pós-modernos afetam a vida em velocidade. Segundo Martin-Barbero, a pós-modernidade é uma nova maneira de estar no mundo e afeta o sentido do convívio social. Na sociedade na qual a linguagem multimídia impera, vivemos a simulação. A sociedade pós-moderna deseja viver o presente, fazer do hoje o mundo ideal. E assim morrem as grandes utopias e, em seu lugar, entra a performance.

O resultado disso é uma crise de identidade vivida pelo sujeito pós-moderno, que, por ser plural (não tem uma identidade fixa, essencial ou permanente), não sabe qual é o seu lugar no mundo. Ele busca entender qual o seu lugar na nova sociedade porque as transformações ocasionadas com a onda de mudança “estão também mudando nossas identidades pessoais, abalando a idéia que temos de nós próprios como sujeitos integrados”, informa Stuart Hall em sua obra “A identidade cultural na pós-modernidade”.

---------------------------------------------------------------------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

14 Dezembro 2009

O que é necessário saber sobre mundialização e cultura (4)

A cartografia do consumo mundial independe das realidades nacionais. Aos consumidores são propostos (ou impostos) uma gama extensa, mas uniforme de bens semelhantes, produzidos e distribuídos em grande escala. O processo de mundialização se acelera na Europa, nivelando-o com os Estados Unidos. A tríade (Estados Unidos, União Européia e Japão) apresenta um núcleo hegemônico de produção cujo mercado segmentados apresentam demandas relativamente homogêneas.

O livro “Consumidores e cidadãos: conflitos multiculturais da globalização”, de Nestor Garcia Canclíni, trata do significado de cada um desses papéis em meio às mudanças culturais que alteram a relação entre o público e o privado e entre o local e o global. “Os atos pelos quais consumimos são algo mais do que simples exercícios de gostos, caprichos e compras irrefletidas, tal como costumam ser explorados pelas pesquisas de mercado”, declara Canclini. O autor critica o modelo neoliberal de globalização, em que as decisões políticas e econômicas são tomadas em função do consumo imediato, enquanto nos países da periferia a população encontra-se em condições pouco ou nada favoráveis de trabalho e sem memória histórica. Como a globalização incorpora, dentro de cada nação, diferentes nações e setores, a sua relação com as culturas locais e regionais não está somente no sentido de homogeneíza-las, pois as diferenças são convertidas em desigualdades. A globalização – em sua pretensão democrática e plural – se dá de forma seletiva, pois os direitos são desiguais e os objetos de consumo se restringem às elites.

LEMA

Pense global, aja localmente. É o lema das grandes corporações. O local não está necessariamente em contradição com o global, pelo contrário, encontram-se interligados. A globalização se realiza através da diferenciação. Há um nivelamento cultural (a padronização se vincula apenas a alguns segmentos sociais), preservando as diferenças entre os diversos níveis de vida. Um mundo nivelado não é um mundo homogêneo. A modernidade não é apenas um modo de ser, ela é também ideológico. Conjunto de valores que hierarquiza os indivíduos, ocultando as diferenças-desigualdades de uma modernidade que se quer global.

“Os jovens vivem hoje a emergência das novas sensibilidades, dotadas de uma especial empatia com a cultura tecnológica, que vai da informação absorvida pelo adolescente em sua relação com a televisão à facilidade para entrar e mover-se na complexidade das redes informáticas. Diante da distância e da prevenção com que grande parte dos adultos sente e resiste a essa nova cultura – que desvaloriza e torna obsoletos muitos de seus saberes e destrezas -, os jovens experimentam uma empatia cognitiva feita de uma grande facilidade na relação com as tecnologias audiovisuais e informáticas e de uma cumplicidade expressiva; com seus relatos e imagens, suas sonoridades, fragmentações e velocidades, nos quais eles encontram seu idioma e seu ritmo. Pois diante das culturas letradas, ligadas à língua e ao território, as eletrônicas, audiovisuais, musicais ultrapassam essa adstrição, produzindo novas comunidades que respondem a novos modos de perceber e de narrar a identidade. Estamos diante de novas identidades, de temporalidades menos largas, mais precárias, mas também mis flexíveis, capazes de amalgamar e de conviver com ingredientes de universos culturais muito diversos”. É o que escreveu Jesús Martin Barbero no artigo “Globalização comunicacional e transformação cultural”, incluído no livro Por uma outra comunicação.

----------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

11 Dezembro 2009

O que é necessário saber sobre mundialização e cultura (3)

A indústria fonográfica mundial é dominada por algumas grandes firmas – Bertelsmann Music Group, EMI, Poly Gram, Sony, Virgen, Warner Music. Esta tendência para a concentração, se expandiu na área cinematográfica, televisiva, envolvendo ainda a produção de vídeos, videogames, livros e periódicos. As recentes megafusões entre as firmas Transnacionais New Corporation inclui o New York Post, Chicago-Sun-Times, Boston Herald American, The Economist, South China, Morning Post, Metromedia, e Fox.

A Time Warner Inc concentra atividades na área jornalística (Time, Life, Fortune, People) cinematográfica (Warner), televisão a cabo (American Television, Communication Corporation), entre outros. Assim, concentração significa controle. E as consequências disso são graves, pois as agências transnacionais são instâncias mundiais de cultura, sendo responsáveis pela definição de padrões de legitimidade social.

A revolução digital mescla texto, som, e imagem. Co a unificação dessas três culturas estão surgindo firmas, empresas que tem a vocação de administrar todo o conteúdo das diferentes esferas. A Time Warner se fundiu com a América On Line. O grupo Time (e sua revista Time), o cinema Warner com a tevê Warner e o canal, a cabo Warner ou ainda com a CNM e a AOL (portal de entrada na Internet). Tudo para o poder global onde a informação hoje é acelerada, instantânea, feita de impressões, sensações. E já que a informação tende a ser cada vez mais gratuita, grandes firmas midiáticas presenteiam informação. Mas o quer essa empresa midiática vende, na verdade, é o número de consumidores que possui para seus anunciantes.

As maneiras de pensar, distintas da ideologia de mercado, dos valores de uma cultura internacional-popular, encontram um espaço reduzido, previamente demarcado, para se manifestarem. A oligopolização, longe de favorecer o pluralismo, reforça um sistema de crenças, integrando todos a uma ordem coercitiva.

HOMOGENEIZADO

O mundo está cada vez mais idêntico? As necessidades e os desejos humanos se encontram irremediavelmente homogeneizados. E para realçar as particularidades de cada lugar, a Coca Cola reduziu o tamanho de suas garrafas, ajustando às geladeiras do mercado espanhol; as calças jeans no Brasil são mais apertadas, realçando as curvas femininas; os japoneses sabem que os europeus tendem a adquirir aparelhos estereofônicos fisicamente pequenos, de alto desempenho, mas que podem ser escondidos num armário, enquanto os americanos preferem, grandes alto-falantes. Assim o específico supera o genérico.

A Walt Disney Co. fechou este ano de 2009 um acordo para comprar a Marvel Entertainment Inc. em troca de pagamento em dinheiro e ações no valor de quatro bilhões de dólares. Homem-Aranha, Homem de Ferro, X-Men, o elenco de mais de 5.000 personagens da Marvel inclui o Capitão América, o Quarteto Fantástico, Thor, entre outros. Disney e Marvel anunciaram que os acionistas da Marvel receberão 30 dólares por título em dinheiro e aproximadamente 0,745 de ação da Disney por cada ação da Marvel.

A Disney, por exemplo, responde não só por gibis do Tio Patinhas, pelos parques de diversão e pelas animações da Pixar. Ela engloba também o canal ABC (de Lost e Desperate Housewives), um dos líderes em audiência nos EUA, as produtoras de cinema Touchstone e Miramax, canais de TV a cabo como Jetix e The History Channel, a editora Hyperion Books e a maior parte da ESPN.

A DC Comics, também faz parte de um conglomerado, a Time Warner, que – por acaso ou não – disputa diariamente com a Disney a posição de maior do mundo. Time Warner, novamente, não é só Superman e Pernalonga, mas a America Online, os canais HBO (de Família Soprano e True Blood), The CW (de 90210 e Smallville), Cartoon Network, uma parte da CNN, a revista Time e muita, mas muita coisa.

Cada vez mais ocorre uma homogeneização através de países, mas ocorre também, no interior desses países, uma segmentação. Diferença e similaridade se combinam. As pessoas são diferentes e são iguais. As similaridades as tornam humanas, as diferenças lhes dão um caráter individual.

--------------------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

10 Dezembro 2009

O que é necessário saber sobre mundialização e cultura (2)

O geógrafo Milton Santos (1926-2001) criticou a globalização, mas acreditava em transformação social. “O sonho obriga o homem a pensar”. Para ele “essa globalização cria, como nunca ocorreu no passado, um meio técnico científico e informacional em contraposição ao meio natural; promove as transformações dos territórios nacionais em espaços nacionais da economia internacional; intensifica a especialização e a divisão social e territorial do trabalho; concentra e aumenta a produção em unidades menores, entre outros aspectos. O enfraquecimento dos Estados nacionais e oi acirramento da tensão entre o local e o global, com o avanço da globalização”.

Stuart Hall completa o raciocínio mostrando as conseqüências da globalização em três aspectos: a desintegração das identidades nacionais como resultado do crescimento da homegeneização cultural e do pós-modernismo global; o reforço das identidades culturais pela resistência à globalização das identidades nacionais e locais e o declínio das identidades nacionais com a consolidação das identidades híbrida. E essas identidades oscilam entre a tradição e a tradução, pois “em toda parte, estão emergindo identidades culturais que não são fixas, mas que estão suspensas, em transição, entre diferentes posições; que retiram seus recursos, ao mesmo tempo, de diferentes tradições culturais; e que são produtos desses complicados cruzamentos e misturas culturais que são cada vez mais comuns num mundo globalizado”.

O mercado define o quê produzir, como produzir e para quem produzir. Ele se compõe de produtores x consumidores, articulados via competição por maior produtividade (produtores) e menores preços (consumidores). Através deste sistema de articulação econômica, produtores e consumidores serão, ao mesmo tempo, beneficiados, e o bem-estar social e a felicidade humana serão conquistados. Este esquema simplificado, utilitarista e racional, também pode ser aplicado ao mercado político, em que o dilema reside nos interesses individuais, mas agregados, frequentemente, em nível local, regional ou nacional, por laços de solidariedade (seja ele profissional, cultural, social ou de valor).

MUDANÇA

A passagem do fordismo para o capitalismo flexível determina assim uma mudança do consumo e da administração em escala mundial. A tecnologia surge como elemento vital na passagem de uma era mecânica para outra elétrica/eletrônica.

Alvin Tofler, “Na Segunda Onda”, disse que a imagem produzida com centralismo, e injetada na mente pelos meios de massa, ajudou a produzir a padronização do comportamento, ajustado ao sistema industrial de produção. Hoje, a Terceira Onda altera tudo isso. Os meios de massa, longe de expandir sua influência, subitamente se vêem forçados a dividi-lo. Se no tempo do fordismo, teríamos uma cultura “padronizada”, “homogênea”, com o advento das sociedades tecnificadas, a diferença se impõe na segmentação do mercado. Há uma proliferação das TV a cabo, particularização das revistas (masculinas, femininas, gays, infantis), emergenciais das rádios FM, etc. Se na era moderna ou se usava um Ford ou um Cherry, preto ou branco. Hoje você pode escolher entre 750 modelos de carros e caminhões, e um sem número de cores, que mudam anualmente. Se o modernismo era monocromático, o pós-modernismo seria plural, um caleidoscópio de gêneros estéticos. A possibilidade de escolha no seio de uma sociedade de abundância seria multiplicado ao infinito.

O francês Pierre Bordieu acredita que os indivíduos se distinguem socialmente através de seu capital cultural. De acordo com ele, o que determina se um individuo será capaz de ter subsídios para debates sobre determinada obra, será o seu poder aquisitivo e sua bagagem cultural. O sujeito pós-moderno é descentrado e fragmentado, necessitando diferenciar-se, escolhendo seu estilo e adequando suas escolhas, buscando promover assim sua esperada autonomia. Com a especialização e particularização de produtos, os empresários buscam incutir nos consumidores esta sensação de individualidade.

Mas o pensador Pierre Bourdieu ao estudar a produção da ideologia das classes dominantes na França observa que ela, em muito, deve sua coerência e poder de convencimento à existência de um pequeno número de “esquemas geradores” do discurso. Grupos diferenciados, às vezes em conflito, podem “dizer a mesma coisa”, independentemente do conteúdo que está sendo exposto. Porque as categorias de classificação do pensamento são idênticas. Ou seja, se a ideologia do pós-industrialismo aponta para a autonomia local, para a individualidade do consumidor, a dinâmica econômica revela outros aspectos. Nos conglomerados transnacionais em lugar da fragmentação, observa-se na crescente concentração das firmas. Por exemplo, no setor de produção têxtil, Burlington Industries, West Point, J.P. Stevens (EUA), Coats Viyella Courtaulds (Grã-Bretanha), Kanebo, Toyobo, Nisshin (Japão), Prouvost, DMC (França) constituem os grandes oligopólios mundiais.

---------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

09 Dezembro 2009

O que é necessário saber sobre mundialização e cultura (1)

O mundo vive um processo expansivo de fragmentação em todos os níveis e em todos os planos, desde o desmoronamento das noções até a proliferação das seitas, desde a revalorização do local à decomposição do social. A fase é de mudança radical. A globalização do mercado é um bom exemplo. Trata-se de um mercado sem fronteiras, transcendendo inclusive a origem das firmas que o exploram. No caso da produção, antes o que importava era produzir o maior volume dos produtos parta distribuí-los em massa. Com isso, os bens de consumo eram padronizados para baixar o custo de sua fabricação.

Hoje o que conta não é só a produção em massa, mas a fabricação de produtos especializados a ser consumidos por mercados exigentes e segmentados. As novas tecnologias foram incorporadas e permitiram a rápida confecção de materiais bem acabados, fator essencial para seu barateamento.

Flexibilidade, criatividade e descentralização serviram de base para a ação empresarial. Para vender mais mercadorias a nova barreira não é mais o volume ou o preço, mas a capacidade de se diagnosticar quais tecnologias se adequam a um mercado particular. Assim, as corporações transnacionais não focalizam mais os produtos enquanto tal. Agora suas estratégias comerciais cada vez mais se voltam para o conhecimento especializado. Conhecimento e informação tornam-se categorias-chaves no contexto das sociedades pós-industriais.

Os produtos são compostos, fabricados em pedaços e em vários lugares. O desenraizamento dos produtos é algo fundamental para o pensamento administrativo. Computadores, remédios, cartões de crédito, boneca Barbie e roupas Benetton são universais, pois correspondem à existência de um mercado mundial.

GLOBALIZAÇÃO

A globalização é a única grande utopia possível, a de um só mundo compartilhado. É o pensamento de uns. Para outros a globalização é o mais aterrorizante dos pesadelos, o da substituição dos homens por técnicas e máquinas. Assim as tecnologias da informação e da comunicação estão fazendo com que o mundo tão intercomunicado se torne cada vez mais opaco (onde a única dimensão mundial é o mercado que, mais do que unir, busca unificar). E o que está unificando em nível mundial não é uma vontade de liberdade, mas de domínio, não é o desejo de cooperação, mas o de competitividade.

Para Jesus Martin Barbero, não é possível habitar no mundo sem algum tipo de inserção no local, já que é no lugar, no território, que se desenvolve a corporeidade da vida cotidiana e a temporalidade (a história) da ação coletiva, base da heterogeneidade humana e da reciprocidade, características fundadoras da comunicação humana.

Há uma nova maneira de estar no mundo. Com as profundas mudanças produzidas no mundo da vida (no trabalho, no casal, na roupa, na comida, no lugar), surgem, os novos modos de inserção no (e de percepção de) tempo e espaço, com tudo o que implicam de descentralização concentradora de poder e de um desenraizamento que leva à hibridação das culturas. É o que acontece quando os meios de comunicação e as tecnologias de informação se convertem em produtores de veículos da mundialização (não confundir com padronização) de imaginários ligados à músicas e imagens que representam estilos e valores desterritorializados, aos quais correspondem também novas figuras da memória.

Assim, o processo de globalização é, ao mesmo tempo um movimento de potencialização da diferença e da exposição constante de cada cultura as outras, de minha identidade àquela do outro. Aquilo que acontece em um produz efeitos no outro. No mundo em processo de globalização, o tempo e o espaço encolhem e as fronteiras desaparecem, os males mundiais difundem-se com alcance e velocidade sem procedentes.

------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

04 Dezembro 2009

Música & Poesia

Mensagem de Amor (Herbert Vianna)

Os livros na estante já não têm mais tanta importância
Do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta
A não ser, a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar, ao seu lado,
Só pra ler, no seu rosto
Uma mensagem de amor
Uma mensagem de amor



A noite eu me deito, então escuto a mensagem no ar
Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar
A não ser, a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado,
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor



Os livros na estante já não têm mais tanta importância
Do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta
A não ser, a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar, ao seu lado,
Só pra ler, no seu rosto
Uma mensagem de amor
Uma mensagem de amor



A noite eu me deito, então escuto a mensagem do ar
Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar
A não ser, a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado,
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor
Uma mensagem de amor
Uma mensagem de amor
Uma mensagem de amor
Uma mensagem de amor




Sagração do verão (Luis Carlos Guimarães)


De repente a mulher desabrochou nua
saindo do mar, pois a água não a vestia,
antes a desnudava, fazendo a sua
nudez mais nua à dura luz que afia
seu gume no sol da manhã que inaugura
o verão. Dezembro só luz reverbera
em seu corpo, doura-lhe as coxas, fulgura
nas ancas, no dorso ondulado de fera.
Fera que guarda no ventre uma colméia
com a flor em brasa do sexo que ateia
fogo ao meu desejo e tanto me consome
a vulva, gruta, rosa de pêlos – que nome
tenha – que desfaleço como se em sangue
me esvaísse morrendo de amor. Exangue.

-------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

03 Dezembro 2009

Trajetória de Theodoro Sampaio, cidadão negro brasileiro, será contada em livro

Da união entre a escrava Domingas da Paixão e do engenheiro Antônio da Costa Pinto nasceu Theodoro Sampaio. Negro, nascido em 1855, no Engenho Canabrava, local que hoje pertence ao município baiano que leva o nome desta personalidade, ele foi um dos maiores pensadores brasileiros de seu tempo. Engenheiro por profissão, também foi geógrafo e historiador, deixando o legado de uma bibliografia de vasta erudição geográfica e histórica sobre a contribuição das bandeiras paulistas à formação do território nacional, entre outros temas.

Ainda em Santo Amaro, Theodoro Sampaio estuda as primeiras letras no colégio do professor José Joaquim Passos. É levado, em 1864 para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro, onde estuda no Colégio São Salvador e, em seguida, ingressa no curso de Engenharia do Colégio Central. Ao tempo em que estuda, leciona nos Colégios São Salvador e Abílio, do também baiano Abílio César Borges (Barão de Macaúbas), sendo ainda contratado como desenhista do Museu Nacional.

ENGENHEIRO - Formou-se em 1877, quando finalmente volta a Santo Amaro, na Bahia, onde nasceu. Ali, revê a mãe e os irmãos, onde no ano seguinte, compra a carta de alforria de seu três irmãos. Por ser filho de branco, Theodoro Sampaio nunca fora um escravo. Em 1879 integra a “Comissão Hidráulica”, nomeada pelo imperador Dom Pedro II, sendo o único engenheiro brasileiro entre estadunidenses. A convite de Orville Derby, que conhecera na expedição aos sertões sanfranciscanos, participa de nova comissão que realiza o levantamento geológico do Estado de São Paulo (1886).

Antes havia realizado o trabalho de prolongamento da linha férrea de Salvador ao São Francisco (1882). No ano seguinte é nomeado engenheiro chefe da Comissão de Desobstrução do Rio São Francisco, que deixa quando do convite de Derby para ir a São Paulo. Ali, dentre outra realizações, participa em 1990 da Companhia Cantareira (engenheiro-chefe), é nomeado Diretor e Engenheiro Chefe do Saneamento do Estado de São Paulo (de 1898 a 1903). Theodoro Sampaio também participou da fundação da Escola Politécnica.

Engenheiro civil Theodoro Sampaio
ESTUDOS - Em 1894, ele ajudou a fundar o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, cinco anos depois tornou-se membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o qual dirigiu em 1922. Theodoro Sampaio também foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e presidiu o V Congresso Brasileiro de Geografia. Igualmente digna de consideração foi sua contribuição ao estudo de vários rios brasileiros, de pinturas rupestres em sítios arqueológicos nacionais, do tupi na geografia brasileira e da geologia no País.

Theodoro Sampaio participou de momentos marcantes, como a expedição de Orville Derby ao vale do rio São Francisco e de comissões específicas. Além disso, foi grande amigo de Euclides da Cunha, e auxiliou o escritor com conhecimentos sobre o sertão baiano na elaboração da obra Os Sertões. Seu nome figura na memória intelectual do país, tanto que em sua memória, foram batizados dois municípios brasileiros: uma na Bahia e outro em São Paulo.

OBRAS - Entre seus livros e artigos estão: O rio São Francisco e a chapada Diamantina, O tupi na geografia nacional, Atlas dos Estados Unidos do Brasil, Dicionário histórico, geográfico e etnográfico do Brasil, História da Fundação da Cidade do Salvador, Os kraôs do Rio Preto no Estado da Bahia, com um vocabulário e uma carta etnográfica, e Contribuição para a história da catequese e civilização dos índios do Brasil.

Theodoro Sampaio terá sua vida e obra explorada pelo arquiteto e pesquisador Ademir Pereira dos Santos. Ele é o autor do projeto de pesquisa vencedor da 5a Edição do Prêmio Clarival do Prado Valladares, das Organizações Odebrecht. A pesquisa foi executada neste ano e incluirá a produção cartográfica e textual de Theodoro Sampaio. Ao final desse estudo, o resultado das investigações será publicado em livro pelas Edições Culturais da Odebrecht.


----------------------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

02 Dezembro 2009

Abre a roda que o samba vai passar

O samba surgiu na Bahia, mas se popularizou nacionalmente através do Rio de Janeiro, que, com uma indústria fonográfica forte, teve um papel fundamental na divulgação dessa música. Ao primeiro toque do tambor, homens e mulheres se colocavam a postos, em círculos. E iam se alternando no centro da roda, dançando sozinhos ou em pares, enquanto os outros acompanhavam em palmas. “A dança consiste num bambolear sereno do corpo, acompanhado de um pequeno movimento dos pés, da cabeça e dos braços. Estes movimentos aceleram-se, conforme a música se torna mais viva e arrebatada, e, em breve, se admira um prodigioso saracotear de quadris”, informa o antropólogo Edison Carneiro em seu livro “Samba de umbigada”. Quando dançam sozinhos, convidam outro a substituí-lo com uma umbigada, que chamam de “semba”.

Filho legítimo das danças africanas, especialmente dos povos de língua banto, o samba veio dos batuques e lundus. Onde se plantava cana, tabaco, algodão, café e minas de ouro, havia negros e onde havia negros, havia dança e música, lembra Carneiro. Assim, os batuques foram se espalhando pelo país e se misturando com sonoridades e danças dos portugueses e dos índios, dando origem ao coco (no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas), ao jongo (no Rio, São Paulo, Minas e Goiás) e ao samba (no Maranhão, Bahia, Guanabara e São Paulo), afirma o pesquisador.

Considerado obscena, ofensivo, os sambas eram vistos como locais de orgia e bebedeira, dignos da mais severa perseguição. Apesar de tudo, o samba sobreviveu. Os negros eram a maioria da população e o samba, a forma que eles conheciam de celebrar, se divertir, brincar. E apesar da base africana, o samba é natural do Brasil, onde descobriu novos instrumentos, coreografias e sotaques.

Os pesquisadores são unânimes em afirmar que o centro de tudo, o local onde o samba ganhou vida foi no recôncavo baiano, onde a música estava nas plantações, na pesca, na hora de construir, no lazer. O samba, naquela época cadenciava o trabalho. O coração do samba no recôncavo é a região que inclui Santo Amaro, Acupe, Santiago do Iguape e Cachoeira. E foi de Cachoeira que saiu Hilária Batista de Almeida, ou Tia Ciata, a mulata baiana que, no começo do século XX, ensinou o Brasil a sambar. Ela promovia em sua casa festas onde estava presentes os grandes músicos da época e foi lá que surgiu “Pelo Telefone”, o samba que lançaria no mercado fonográfico um novo gênero musical. A gravação de Donga foi em 1917, mas antes dele, em 1902, o santo-amarense Baiano foi o responsável pela primeira gravação feita no Brasil, o lundu “Isto é Bom”, do baiano Xisto Bahia. A partir daí o samba se espalhou por todo o país.

Há várias vertentes do samba como o choro, um samba em forma de canção, ou a bossa nova, ritmia do samba a serviço do requinte melódico da região. O samba de roda foi a grande fonte de inspiração do pagode baiano, assim como o samba duro e o pagode carioca.

Depois que a Unesco reconheceu o samba de roda como Obra-prima do Patrimômnio Oral e Imaterial da Humanidade, todas as atenções se voltaram para essa expressão cultural que, desde os tempos da escravidão, floresce no entorno da Baía de Todos os Santos. O samba de roda do Recôncavo Baiano sobrevive em dezenas pequenas comunidades interioranas, sendo a principal manifestação folclórica nas datas festivas, comemorações do dia a dia ou nos batuques que animam o encontro de amigos nos butecos.

“Desde que o Samba é Samba”, composição do mano Caetano diz: “A tristeza é senhora,/Desde que o samba é samba é assim/A lágrima clara sobre a pele escura,/a noite e a chuva que cai lá fora/Solidão apavora,/tudo demorando em ser tão ruim/Mas alguma coisa acontece,/no quando agora em mim /Cantando eu mando a tristeza embora//O samba ainda vai nascer,/O samba ainda não chegou/O samba não vai morrer,/veja o dia ainda não raiou//O samba é o pai do prazer,/o samba é o filho da dor/O grande poder transformador”.

Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil, Roberto Mendes e outros artistas baianos já se renderam à beleza do ritmo tendo gravado vários samba de roda. De raiz africana, era a diversão dos escravos e se subdivide em vários formatos como a chula, o samba de corrida, o de parada, de quadra, o samba duro, entre outros. O samba não é apenas um ritmo, é algo mais que uma simples música, ele evidencia o sentimento de um povo, uma espécie de herança que passa de gerações a gerações sendo, portanto, um conjunto de emoções.

O poeta Vinícius de Moraes sintetizou, com extrema felicidade, a origem do samba brasileiro, seu compromisso com a herança africana e as contribuições que lhe foram trazidas pela cultura européia, ao dizer que “o samba nasceu lá na Bahia e se hoje é branco na poesia, ele é negro demais no coração...”.E Zé Keti completa: “Eu sou o samba/A voz do morro sou eu mesmo sim senhor/Quero mostrar ao mundo que tenho valor/Eu sou o rei do terreiro/Eu sou o samba/Sou natural daqui do Rio de Janeiro/Sou eu quem levo a alegria/Para milhões de corações brasileiros/Salve o samba, queremos samba/Quem está pedindo é a voz do povo de um país/Salve o samba, queremos samba/Essa melodia de um Brasil feliz”.
---------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

01 Dezembro 2009

Lucas da Feira em quadrinhos

O projeto Lucas da Feira em Quadrinhos, de Marcelo Lima e Marcos Franco, foi aprovado no Edital de Apoio a Microprojetos Culturais. O projeto tem como objetivo a publicação de um álbum em quadrinhos sobre Lucas da Feira, personagem histórico emblemático e polêmico da cidade de Feira de Santana, além de ações educativas em escolas da cidade de Feira de Santana.

Fruto de mais de dez anos pesquisa do roteiristaMarcos Franco e de entrevistas, realizadas em conjunto com o também roteirista Marcelo Lima, com pesquisadores e líderes de associações de bairro feirenses, o álbum em quadrinhos resgatará a história do escravo rebelde Lucas da Feira. Lucas da feira é uma incógnita na história feirense. Sabemos por algumas pessoas que ele foi ladrão, outras dizem que não era um verdadeiro criminoso, pois roubava dos ricos para dar aos pobres.
Outros só conhecem o seu nome. Outros, nem mesmo possuem informação alguma sobre sua existência. Os feirenses evocam o nome de Lucas de quando em quando, mesmo que conheçam tão pouco sobre quem estão falando. Isso decorre do fato de Lucas ter se formado mito mais do que personagem histórico. Há inúmeras versões orais sobre a trajetória de vida de Lucas, cada uma com suas próprias datas e personagens, além de uma gama de cordéis, da qual podemos destacar o ABC de Lucas. Dos documentos oficiais, se destaca a transcrição do interrogatório de Lucas, quando este foi preso.
Baseado em fontes oficiais, literatura de cordel e registros orais, a HQ se situará no meio-termo que tem alimentado as discussões sobre Lucas da Feira, que podem ser resumidas à pergunta: era Lucas da Feira herói ou bandido? Longe de dar uma resposta clara, os roteiristas dissecaram as duas alternativas de resposta e construíram uma história sobre as relações sociais e políticas da época do Brasil Império, sem esquecer toda mitificação sobre a personagem. Desenhada por Hélcio Rogério, a HQ está em produção e deverá ser lançada em junho de 2010.
O edital para APOIO A MICROPROJETOS CULTURAIS é uma ação inédita do Ministério da Cultura (MinC) e que beneficia o Semiárido de onze estados brasileiros. O edital destinará recurso na ordem de R$ 3.061.742,28 (três milhões, sessenta e um mil, setecentos e quarenta e dois reais e vinte e oito centavos) a 281 projetos de municípios baianos, com o valor mínimo de R$ 465,00 (quatrocentos e sessenta e cinco reais) e máximo de R$ 13.950,00 (treze mil, novecentos e cinqüenta reais). Trata-se de uma iniciativa voltada exclusivamente para o interior do Estado e que vai contar com a participação de órgãos de cultura municipais.(Fonte: Blog Roteirizando HQ)

A Península de Itapagipe em Quadrinhos
No próximo dia 03 (quinta-feira), às 20h30min no auditório do Colégio São José (um dos maiores e mais tradicionais de Itapagipe) será lançado o livro A Península de Itapagipe.
Neste novo livro, Xaxado pega uma carona no redemoinho do Saci e vai conhecer um dos lugares mais bonitos de Salvador, A Península de Itapagipe. Localizada na Baía de Todos os Santos, a Península de Itapagipe oferece, além das praias de águas tranqüilas e mornas e areia fina, um fantástico visual do Centro da cidade de Salvador.
Escrito pela escritora Cecy Ramos, a guardiã de Itapagipe, e adaptado e desenhado por Antonio Cedraz e equipe, este livro foi selecionado pelo edital nº 23, Apoio à Edição de Livros de Autores Baianos, e realizado com recursos do Fundo de Cultura. O Livro tem 64 páginas coloridas, impressa em papel couchê 115 g. e capa em cartão supremo 250 g.
O lançamento será as 20:30 hs. do dia 03 de dezembro, no auditório do Colégio São José, um dos maiores e mais tradicionais de Itapagipe.
---------------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

30 Novembro 2009

Bahiano

Cantor. Nascido em 05 de dezembro de 1887, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Manuel Pedro dos Santos ganhou fama ao se tornar cançonetista com o apelido de Bahiano. Especializado em modinhas e lundus, ele cantava acompanhado de violão e teve a chance de se tornar conhecido e ganhar lugar definitivo na história da música popular brasileira e do samba em particular, ao gravar para a Casa Edison o considerado primeiro samba levado ao disco, o Pelo Telefone, em 1917. Foi o primeiro samba a alcançar sucesso nacional. Para tanto, influíram vários fatores. A letra jocosa e provocativa sobre a “jogatina” na cidade (“O chefe da polícia/pelo telefone/mandou me avisar/que na Carioca/tem uma roleta/para se jogar...”) era de fácil assimilação e foi sem dúvida o estopim para a difusão maciça do samba. Nas gravações, a letra foi alterada (“O chefe da folia/pelo telefone/manda me avisar/que com alegria/não se questione/para se brincar//Ai,ai,ai/deixa as mágoas para trás/ó rapaz!/ai,ai,ai/fica triste se és capaz/e verás//Tomara que tu apanhes/pra nunca mais fazer isso/tirar amores dos outros/e depois fazer feitiço...”). Não faltaram também os aproveitadores, que na esteira do êxito da gravação de Bahiano correram atrás dos lucros. Nas ruas, e nos jornais da época, o samba vingara com inúmeras versões e acirrada polêmica, contribuindo definitivamente para a fixação do gênero como música de carnaval.

O batuque é a célula-mãe da manifestação musical popular mais importante do país e dele surgiram ramos, afluentes, tendências, que se espalharam por todo o território. Sob nomes mais diversos, ganharam estilos e andamentos próprios, sotaques regionais, assumiram caráter romântico, jocoso, boêmio, patriótico. Na união dos africanos, com baianos e imigrantes italianos surgiria música naturalmente. Do batuque passou para calundus e calhandos, seguiram-se fofa, lundu e fado (ambiente urbano) e jongo, samba e coco (rural), passando pela modinha, lundu-canção, maxixe e choro até chegar na vertente atual do samba, seja samba-canção, samba-enredo, samba de roda, samba de breque, samba funk ou samba reggae.
Com a gravação de Pelo Telefone, o samba dava o primeiro passo para abrir a porta de saída do gueto negro e ganhar as ruas. Parodiando jocosamente, usado como veículo publicitário, assobiado nas ruas e cantado nas festas ricas e pobres, o primeiro samba cumpria seu papel de pioneiro desde a primeira vez em 1916, quando foi notado por um público maior que aquele frequentador do casarão comandado por Tia Ciata, a mãe do samba. No ano seguinte foi gravado e abriu um capítulo novo na história da música popular brasileira, provocando uma série de imitações - quando não plágios - de tímidos seguidores. Gradativamente fez escola, tomou forma, criou estilo, empolgou poetas populares e mesmo eruditos, trouxe músicos da melhor qualidade para seu redor, deixou de ser considerado marginal ganhando respeito como arte popular e status de gênero musical por meio do qual o mundo reconhece o Brasil.
A carreira de um dos mais celebrados intérpretes da música popular brasileira não ficou perdida graças a introdução do fonógrafo no Brasil. O fonógrafo foi responsável por ser possível avaliar a obra do cantor Bahiano, logo após a implantação do aparelho no Brasil. Quando em 1903 Fred Figner, o proprietário da Casa Edison, fez editar o primeiro catálogo comercial de discos de sua fábrica, quem encabeçava a lista das primeiras 73 gravações era exatamente Bahiano, por ele contratado - junto com Cadete, outro intérprete popular - para ser o primeiro a gravar comercialmente no Brasil. Em 1904 o jornal Echo Phonographico, de São Paulo, estampava uma foto e prestava uma homenagem ao cantor Bahiano, “primeiro cançonetista brasileiro”.


Primeiro cantor a se profissionalizar no Brasil, gravou também o primeiro disco, que substituiu os cilindros gravados, como de hábito na época, em apenas uma das faces. Esse registro foi feito com o lundu de Xisto Bahia, Isto É Bom, no selo Zon-O-Phone nº10.001. Entre 1902 e 1904, Bahiano gravou três discos: a canção Ave Maria (letra de Fagundes Varela), a cançoneta Art Nouveau e a modinha Querida Flora. Sendo o artista mais popular de seu tempo, Bahiano fez sucesso até meados dos anos 20, gravando composições consideradas clássicas entre as centenas de sua discografia. A modinha Perdão Emília, de Eduardo das Neves, o tango de Arthur Azevedo, As Laranjas da Sabina, e a toada Cabôca de Caxangá, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco, são exemplos.

O samba Quem Vem Atrás Fecha a Porta, de Caninha, foi gravado com sucesso por Bahiano em parceria com a cantora Izaltina. Ao lado de Maria Marzulo ele gravou O Casaco da Mulata. Bahiano cantou sobre muitos motivos de sua terra, e uma de suas características era falar de si próprio em algumas canções que gravava. Um bom exemplo disso é o lundu Baiano Dengoso em que a figura do baiano é citado na música nada mais é do que o próprio cantor. Sua autoria é anônima: “Sou baiano/sou cabra dengoso,/sou baiano de todos querido,/sou baiano, sou forte e manhoso,/sou baiano, sou bem decidido.//Sou baiano que tenho capricho,/é notório por todos sabido,/sou baiano e não quero rabicho,/pois rabicho é tempo perdido”... Outro lundu gravado por Bahiano tem como título A Farofa. Música de melodia alegre traz em seus versos um pouco de malícia. Ele também gravou Ai Seu Mé, Goiabada, Luar de Paquetá, Tatu Subiu no Peru e Chora, Chora, Choradô. No final da carreira grava Quem Eu Sou, lamentoso e autobiográfico: “Quem eu sou?/Um baiano atirado/Nessas vagas soberbas do mar/Já sem leme, bem perto da rocha/Desse abismo que vai me tragar”- e fecha com uma fala inesperada: “Canto há tantos anos e nunca arranjei nada. Finalmente, consegui um empregozinho nesta casa, com o que vou vivendo, graças a Deus”. Bahiano morreu no dia 15 de julho de 1944, no Rio de Janeiro. Sua carreira chegou ao fim como começou, humilde. E hoje poucos se lembram dele.
--------------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

27 Novembro 2009

Música & Poesia

Pequeno Dicionário do Amor (Brega'n'bass do Amor) letra de Marcos André

O amor flagela,
o amor migalha,
o amor congela,
o amor navalha.
O amor desarma,
o amor guerreia,
o amor corre nas veias,
o amor joga na vala.



O amor semeia,
o amor desmata,
o amor permeia,
o amor te mata.
O amor é sacrilégio,
o amor não tem colégio,
o amor te sacaneia,
o amor te desampara.


O amor, de amor austero,
amor de amor perfeitinho,
é amor de amor sem destino,
é amor de amor sem elo.
O amor, de amor imperfeito,
amor de amor paralelo,
é amor de amor no peito,
amor de muito carinho.


O amor supera o sonho,
o amor, sonhando, embarca,
o amor chuta a canela,
o amor dá de trivela,
o amor é farofeiro,
o amor é magnata.
O amor come poeira,
o amor rompe o silêncio,
o amor é conseqüência,
o amor é contra-senso.


O amor é indefeso,
o amor sucumbe ileso,
o amor começa e pára,
o amor sobe à cabeça,
o amor desce a porrada.


O amor, de amor austero,
amor de amor perfeitinho,
é amor de amor sem destino,
é amor de amor sem elo.
O amor, de amor imperfeito,
amor de amor paralelo,
é amor de amor no peito,
amor de muito carinho.


O amor é lindo,
o amor é love,
o amor é índio,
o amor é rock.
O amor é black,
o amor é blue,
o amor é vinho,
o amor é cool.
O amor é leve
o amor é trash,
o amor é sério,
o amor é riso.
O amor é paraíso,
o amor é infernal,
o amor é impreciso,
o amor é pontual.


O amor é night,
o amor é dia,
o amor noite,
o amor é fria.
O amor é loucura,
o amor é tesão,
o amor é fissura,
o amor é solidão.
O amor é luta livre,
o amor é ioga,
o amor tem sinusite,
o amor advoga.
O amor é bicha,
o amor é machista,
o amor é futurista,
o amor não marca hora.


O amor, de amor austero,
amor de amor perfeitinho,
é amor de amor sem destino,
é amor de amor sem elo.
O amor, de amor imperfeito,
amor de amor paralelo,
é amor de amor no peito,
amor de muito carinho.



Eros e Psique (Fernando Pessoa)


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.


Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.


A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.


Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.


Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.


E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,


E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

---------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

26 Novembro 2009

Há mais de dois anos, a Bahia perdia Guido Guerra, nosso Papagaio Devasso

Numa quarta-feira triste do dia 7 de junho de 2006, silenciava, aos 63 anos, o jornalista e escritor baiano Guido Guerra. Ocupando a quinta cadeira da Academia Baiana de Letras (ABL), durante 40 anos este homem presenteou a Bahia e o Brasil com uma vasta obra literária. Chamado pelo colega Jorge Amado de “Papagaio Devasso”, Guido Guerra escreveu 12 livros, desde a Dura Realidade, até a sua última inspiração A noite dos coronéis.

Dono de um texto ousado e de um olhar irreverente, Guido Guerra foi o criador de mundos e criaturas, aquele que aprendeu através do diálogo bem tecido, da voz do outro, a dar voz a si mesmo. Guerra ficou conhecido como um dos maiores críticos do regime militar. Durante os chamados anos de chumbo, ele respondeu a 17 inquéritos e interpelações da ditadura. Como jornalista, ele atuou nos extintos jornais Diário de Notícias, Jornal da Bahia, Bahia Hoje, semanário Folha da Bahia (fechado no golpe militar de 1964) e no Tribuna da Bahia.

Entre suas principais obras estão romances, contos, ensaios, dos quais podemos destacar As Aparições do Dr. Salu e Outras Histórias; Com o céu entre os dentes; Ela se chama Joana Felicidade; Vicente Celestino - o Hóspede das Tempestades; Quatro Estrelas no Pijama; Lili Passeata; O Último Salão Grená; Vila Nova de Raimunda Doida; Auto Retrato, Percegonho do Céu Azul, entre outros.

MARGINAIS - Guerra dava voz a personagens marginais, cujas peripécias eram relatadas aos leitores em uma linguagem pouco recatada. Considerado acintoso pelos mais pudicos, seus escritos não raro serviam de estopim para denúncias à polícia, o que gerou sucessivas demissões e readmissões nos veículos de comunicação baianos.

O Papagaio Devasso costumava dizer que não era escritor, mas “um jornalista que cresceu com o ofício literário”. Guido, nascido em Santa Clara, alto sertão baiano, era mesmo um homem de Guerra. Fazia parte da geração que, ao mergulhar de cabeça no jornalismo de esquerda, incomodava pela sutileza, irreverência e perspicácia analítica com que narrava fatos e criava crônicas.

Em 2006 amigos, familiares e imortais da Academia de Letras da Bahia se reuniram para prestar uma homenagem ao Língua de Trapo (como ficou conhecido). Segundo o poeta Ruy Espinheira Filho que conheceu Guido nos anos 60, ele foi uma figura singular. Além de escritor e jornalista, define, era uma pessoa com uma capacidade para se relacionar com o ser humano muito grande: “Em pouco tempo que entrou para a Academia, desempenhou um papel de liderança”.

ANJO TORTO - “Ele era temido. Como são temidas as mordidas das cobras, os ventos encarnados, as assombrações e as más-línguas. Era um daqueles a quem um anjo torto disse: 'Vai Guido, ser Guerra na vida'. E ele foi o irreverente guardião dos maus costumes”, lembra o grande amigo Cid Seixas. Mas, Guido também era um sujeito extrovertido e brincalhão, nunca bebia, era capaz de virar a noite em companhia dos amigos sem colocar uma única gota de álcool na boca.

“A entrevista me fascina pela possibilidade de provocar o entrevistado, fazê-lo revelar mazelas que talvez não confesse nem ao espelho. O papel do repórter é este: desnudar suas personagens”, disse Guido Guerra em uma entrevista em 2005. Sua literatura é focada em tipos populares, seres da noite, no universo interior. Um mundo imaginário, com traços de realidade, que encantou leitores e que, por meio do criador, cativou amizades sinceras. É, de fato estamos mais pobres sem nosso Guido Guerra.

Guido Guerra foi um do títulos que inaugurou a coleção Gente da Bahia que a Assembléia Legislativa lançou no dia 28 de janeiro de 2009. A obra, com 198 páginas resgatou a trajetória do escritor e jornalista baiano, e foi escrito por Luíza Torres.

-----------------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

25 Novembro 2009

Erudito e popular

É preciso se aprofundar mais a dimensão geográfica e espacial das culturas erudita e popular, que se reconheçam os diferentes entrelaçamentos do temporal com o espacial e seus efeitos estéticos. Afinal, culturas das cidades e as percepções estética e social de espaço que elas produzem são fundamentais para colocar em discussão. A própria distinção erudito-popular, em sua metaforicidade espacial, pode ser ligada pragmaticamente aos diferentes espaços urbanos de produção e consumo urbano, tais como a rua, o bairro, o museu, a sala de consertos e a ópera, o local turístico e o shopping center.

A tão propalada globalização em curso não tem colocado (ainda) a fusão criativa de erudito e popular como alguns imaginaram em décadas anteriores. A cultura erudita como cimento que dava identidade de classe e coesão nacional está ultrapassada. Muitos estudiosos preferem introduzir outras distinções em termos de gosto ou hábito.

Houve uma época em que erudito e popular eram definidos com bastante clareza em sua separação. Erudito estava codificado pelo museu universal, a academia, o sistema de galeria, o filme de arte. Já o popular era visto como entretenimento de massa, esportes de audiência, rock e música country, romances baratos, histórias de detetives e ficção científica, filmes de Hollywood, televisão e histórias em quadrinhos.

Enquanto o erudito gozava da solidez do arquivo (obras ambiciosas e originais que valiam ser incorporadas na tradição), o popular representava as produções efêmeras, sujeitas aos ditames da moda e assegurado por um sistema de repetição e reprodução.

A produção de cultura erudita se caracterizava pela baixa velocidade de giro do arquivo, ou seja, baseada antes em acumulação lenta. Já a produção de cultura popular ou de massa, por outro lado, sempre esteve sujeita à alta velocidade de giro de uma sociedade de consumo, seus prazeres passagens e sua necessidade de renovar constantemente.

Essa dicotomia rígida da divisão erudito-popular tanto refletia uma visão política e social do mundo como tinha a ver com critérios ilusórios de julgamento e qualidade estética. Esse binário foi abolido por uma nova lógica de circulação cultural produzida por tecnologias de mídia. Mas isso não quer dizer que a diferença entre arte erudita e cultura de massa não existe mais. Ela continua a existir em sociedades ocidentais ou em outros lugares. Sempre restarão diferenças em qualidade e ambição entre produtos culturais, diferença em complexidade, conhecimento por parte do consumidor, etc. O que mudou foi a divisão vertical que se tornou, nas últimas décadas, uma zona fronteiriça horizontal de trocas e pilhagens e todos os tipos de intervenções híbridas.

È preciso prestar mais atenção às maneiras pelas quais práticas e produtos culturais se ligam aos discursos do político e do social em constelações locais e nacionais específicas. É preciso focar as operações e funcionamento de culturas públicas e o papel cambiante da crítica dentro delas. As hibridizações de todos os tipos acontecem agora, cada vez mais sob o signo do mercado. O que é preciso é observar esses mercados que tendem a domesticar e igualar as arestas brutas e inovadoras da produção cultural, pois prefere a fórmula de sucesso em vez de encorajar o ainda desconhecido, a experimentação e modos incomuns de expressão artística.

A filósofa e professora da Faculdade de Letras e Ciência Humanas da USP, Marilena Chauí, em sua obra “Conformismo e resistência” (1987) demonstra a distinção entre cultura de massa e cultura popular: “Para usarmos uma expressão de Foucault, a Comunicação de Massa se insere no campo de tecnologias de disciplina e vigilância (donde a busca de transparência para garantir que tudo pode ser dito e mostrado), regulando-se pelo ideal panóptico do olho que tudo vê, ou pelo olhar de sobrevôo, na bela expressão de Merleau-Ponty. Em contrapartida, as ações e representações da Cultura Popular se inserem num contexto de reformulação e de resistência à disciplina e à vigilância. Nela o silêncio, o implícito, o invisível são, frequentemente, mais importantes do que o manifesto”.

Modernistas e tradicionalistas quiseram construir objetos puros. Os primeiros imaginaram culturas nacionais e populares “autênticas”. Procuraram preservá-las da industrialização, da massificação urbana e das influências estrangeiras. Os modernistas conceberam uma arte pela arte, um saber pelo saber, sem fronteiras territoriais, e confiaram à experimentação e à inovação autônomas suas fantasias de progresso. As diferenças entre esses campos serviram para organizar os bens e as instituições. O artesanato ia para as feiras e concursos populares, as obras de arte par os museus e as bienais.

Essa compartimentação maniqueísta começa a perder espaço. Para o estudioso Néstor Garcia Canclini (Culturas Híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade) a modernização diminui o papel do culto e do popular tradicionais no conjunto do mercado simbólico, mas não os suprime. Redimensiona a arte e o folclore, o saber acadêmico e a cultura industrializada, sob condições relativamente semelhantes. O trabalho do artista e do artesão se aproximam quando cada um vivencia que a ordem simbólica específica em que se nutria é redefinida pela lógica do mercado.
-------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

24 Novembro 2009

Quem disse que gosto não se discute? (2)

Assim o autor (Pierre Bourdieu) se dedicou a relacionar os gostos de cada classe com seu capital escolar (determinado pelos diplomas) e com sua origem. Para ele, quanto mais anos de estudo, mais uma pessoa se distancia do gosto popular, para adquirir um gosto legítimo em relação à música. Não só ela passa a apreciar mais compositores menos populares como também o conhecimento do nome de compositores aumenta substancialmente. O gosto musical, ainda mais que outros, sofre uma variação a depender da diferença de anos de estudo, visto que este é um dos campos do conhecimento considerado mais legítimo. As áreas também são hierarquizadas. Por exemplo, o conhecimento de música clássica e de pintura é um conhecimento legítimo, o conhecimento sobre jazz e histórias em quadrinhos, em vias de legitimação.

Diplomas escolares asseguram a nobreza cultural, valorizando o capital cultural de uma classe mais alta e estigmatizando aquele de uma classe mais baixa. Assim, a escola influencia não só nos gostos ligados ao mundo escolar, mas em toda a vida cultural de uma pessoa. E não só influencia como também garante competências culturais muito maiores do que as ensinadas na escola.

Há alguns postos – segundo Bourdieu – ligados à origem social do que ao capital escolar, como no caso de mobília e vestuário, muito mais relacionados a percepções vindas desde a infância do que a aprendizagem nos livros escolares. A escola tende a referendar o capital herdado pela classe alta. Portanto, parte do capital de pessoas da classe média ou de frações mais baixas da classe alta nunca vem a ser aprovado pela cultura legítima. Nesse contexto, muitos buscam domínios diferentes de investimento cultural, domínios menos legítimos, como o jazz.

POSIÇÕES

As disputas por posições hierarquizam, igualmente, as oportunidades estatutárias das classes em matéria de valores e concepções políticas. Isso leva a crer que mesmo a fração da classe popular com maior capital cultural está submissa às normas e valores dominantes. Os agentes menos competentes (pela perspectiva da cultura legítima) estão à mercê dos efeitos da imposição do campo de produção ideológico influente, acarretando tomadas de posições ligadas às representações “legítimas” do mundo social. Falta-lhes capital escolar, diria Bourdieu, mas que é compensado no blefe inconsciente de uma linguagem que disfarça, sobretudo, posições políticas “desencontradas”, “ingênuas” ou “ignorantes”.

Ao diploma escolar é reservado um elevado poder simbólico transformando a escola em uma das instâncias sina qua non da manutenção da ordem social. A obtenção do diploma fixa as disposições dominantes. Desapossa e separa os menos competentes em favor dos mais competentes; os menos instruídos em favor dos mais instruídos.

A Distinção foi o livro que mais irritou alguns dos intelectuais porque se pensava que, indiretamente, este livro destruiria a aura (para falar como Walter Benjamin) da criação intelectual, da produção estética, remetendo-a a prática de consumo que se vinculavam as condições econômicas, posições sociais, vontade, distinção etc.

O consumo cultural e o deleite estético são acionados como forma de distinção, ou seja, a familiaridade com bens simbólicos traz, consigo, associações como “competência”, “educação”, “nobreza de espírito” e “desinteresse material”. Essa divisão da sociedade entre “bárbaros” e “civilizados” acaba tendo consequências políticas: justifica o monopólio dos instrumentos der apropriação dos bens culturais por parte desses últimos.

A estrutura social é vista como m sistema hierarquizado de poder e privilégio, determinado tanto pelas relações materiais e/u econômicos (salário, renda) como pelas relações simbólicas (status) e/ou culturais (escolarização) entre os indivíduos.

As instituições familiar e escolar seriam as responsáveis pelas novas competências culturais ou gostos culturais. Assim, a distinção entre esses dois tipos de aprendizado, o familiar e o escolar, refere-se a duas maneiras de adquirir bens da cultura e com eles se habituar. Essas duas formas de aprendizado seria uma dimensão do habitus de cada um.

----------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

23 Novembro 2009

Quem disse que gosto não se discute? (1)

Há 30 anos chegava ao público A Distinção (1979), o best seller de um dos mais combatentes sociólogos francês, Pierre Bourdieu (1930-2002). A obra estabelece que as práticas culturais juntamente com as preferências em assuntos como educação, arte, mídia, música, esporte, posições políticas, entre outros, estão ligadas ao nível de instrução, submetidas ao volume global de capital acumulado, aferidas pelos diplomas escolares ou pelo número de anos de estudo e, secundariamente, à herança familiar. Trata-se de desmistificar afirmações da ardem do senso comum quando se assevera que o gosto sobre determinada matéria não se discute. O gosto classifica e distingue, aproxima e afasta aqueles que experimentam os bens culturais.

Bourdieu mostra a maneira que as preferências culturais dos agentes são estruturadas – através de transmissão do capital cultural incalculado na escola e aquele herdado pela família, efetuado de maneira precoce ou através do aprendizado tardio. As práticas culturais incentivadas por essas duas instâncias distinguem aquilo que será reconhecido como gosto legítimo burguês, de classe média ou popular.

O gosto ou as preferências manifestadas através das práticas de consumo é, então, o produto dos condicionamentos associados a uma classe ou fração de classe. O gosto, dirá Bourdieu, é a aversão, é a intolerância às preferências dos outros. È percebida desta forma que a reprodução moral, ou seja, a transmissão dos valores, virtudes e competências, maneira de ver o mundo simbólico, serve de fundamento à filiação legítima de habitus distintos e desiguais, fortalecendo e intensificando a hierarquia do culturalmente aceito ou execrável, do autêntico ou do inautêntico.

A distinção desnuda e explica, ao mesmo tempo, os estudos sobre linguagens, grupos sociais, política, educação, arte ou comunicação, pois oferece uma análise do mundo social de maneira coerente e instigante. A distinção é a obra mais conhecida e mais prestigiada de Pierre Bordieu, e traz em boa parte de sua exposição as preocupações decorrentes de anos de estudos sobre a elaboração de uma teoria geral das classes sociais. Ele fez de sua vida acadêmica e intelectual uma arma política e de sua sociologia uma sociologia engajada, profundamente comprometida com a denúncia dos mecanismos de dominação em uma sociedade injusta.

HABITUS

Bourdieu identifica como habitus “pequeno burguês ascendente” a prática do relaxamento e a preocupação com uma alimentação light, que contrasta com o gosto popular pela agitação e comidas mais consistentes. A prática social não resulta, assim, necessariamente de uma escolha, mas de gostos (e de desgostos) profundamente enraizados no corpo. A essa lógica prática está associado um conhecimento prático, intuitivo, um “senso prático”.

Este saber prático incorporado vem alimentar um velho debate filosófico e sociológico sobre a relação entre a reflexão e a ação. A teoria da ação proposta por Bourdieu parte de uma crítica às leituras intelectualistas da ação, isto é, às visões que tendem a reduzí-la ao ponto de vista reflexivo daquele que observa, em detrimento do ponto de vista prático daquele que age.

O trabalho desse sociólogo incomodou muita gente porque ele interpretou os fenômenos sociais de maneira crítica. Na questão da formação do gosto cultural de cada um de nós, ele interpretou o jogo de poder das distinções econômicas e culturais de uma sociedade hierarquizada. Para ele o gosto cultural é produto e fruto de um processo educativo, ambientado na família e na escola e não fruto de uma sensibilidade inata dos agentes sociais.
------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

20 Novembro 2009

Milton Santos, o mestre visionário, foi um dos maiores pensadores da nossa história

A Bahia está sempre surpreendendo o Brasil e o mundo, e não se está falando aqui de música, dança, Carnaval e outras expressões culturais do gênero – ainda que estas sejam nossas matizes mais fortes e que merecem igualmente a devida valorização. Mas, o estado baiano é mais que isso, e uma das maiores provas é um nome: Milton Santos. Negro, nascido no interior da Bahia, em Brotas de Macaúbas, este geógrafo, doutor honoris causa por 20 universidades de sete países, teve mais de 40 livros publicados em diversos idiomas e se tornou um dos maiores pensadores da história recente do Brasil. O mestre visionário baiano morreu aos 75 anos, defendendo a tese de que é pelas idéias que se irá alcançar a transformação social.

Ainda criança, Milton Santos desenvolveu o gosto pela álgebra e pelo francês. Seu “forte” foi a matemática, tanto que aos 13 anos dava aulas no ginásio em que estudava. Aos 15 anos passou a lecionar Geografia e aos 18 prestou vestibular para Direito em Salvador. Enquanto estudante secundário e universitário marcou presença com militância política de esquerda. Formado em Direito, não deixou de se interessar pela Geografia, tanto que fez concurso para professor catedrático em Ilhéus. Nesta cidade, além do magistério, desenvolveu atividade jornalística, estreitando sua amizade com políticos de esquerda.

“o sonho obriga o homem a pensar”
TRAJETÓRIA & RECONHECIMENTO - Apesar de ter se graduado em Direito, desenvolveu trabalhos em diversas áreas da Geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renovação na geografia brasileira ocorrida nos anos 1970. Embora pouco conhecido fora do meio acadêmico, Milton Santos alcançou reconhecimento fora do Brasil, tendo recebido em 1994, o Prêmio Internacional Vautrin Lud, uma espécie de prêmio Nobel da Geografia, conferido por universidades de inúmeros países. O geógrafo foi dos poucos cientistas brasileiros que, expulsos durante a ditadura militar (naquilo que foi conhecido por êxodo de cérebros), voltaram depois ao país, sendo disputado por diversas universidades.

Sua obra “O espaço dividido”, de 1979, é hoje considerado um clássico mundial, onde desenvolveu uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos. Sua idéias de globalização, esboçadas antes que este conceito ganhasse o mundo, advertia para a possibilidade de gerar o fim da cultura, da produção original do conhecimento - conceitos depois desenvolvidos por outros. “Por uma Outra Globalização”, outro livro seu escrito dois anos antes de morrer, é referência atual em cursos de graduação e pós-graduação em universidades brasileiras. Traz uma abordagem crítica sobre o processo perverso de globalização atual na lógica do capital, apresentado como um pensamento único.

Na visão dele, esse processo, da forma como está configurado, transforma o consumo em ideologia de vida, fazendo de cidadãos meros consumidores, massifica e padroniza a cultura e concentra a riqueza nas mãos de poucos. Durante toda a vida buscou métodos e visões diferentes para encarar seus temas de estudo. França, EUA, Canadá, Tanzânia, Milton Santos lecionou em diversas universidades mundo afora em seu exílio durante a ditadura militar no Brasil. Também lecionou na Venezuela e no Reino Unido. Regressou ao Brasil em 1977, onde anos depois, finalmente, cursou geografia na Universidade Católica de Salvador.

O renomado baiano Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas
ABORDAGEM INOVADORA - Durante seus 13 anos de exílio, seus contatos com inumeráveis profissionais em diversos países, e, sobretudo sua capacidade de elaborar teorias, a partir de variadíssima leitura, por diversos campos do saber, impulsionaram seu esforço de escrever, de compor sua obra considerada como monumental. A ditadura lhe impôs sofrimento em função de suas idéias. Realizou forte defesa de uma Geografia mais crítica, com abordagens da teoria marxista.
A obra de Milton Santos é inovadora ao abordar o conceito de espaço. De território onde todos se encontram, o espaço, com as novas tecnologias, adquiriu novas características para se tornar um conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações. As velhas noções de centro e periferia já não se aplicam, pois o centro poderá estar situado a milhares de quilômetros de distância e a periferia poderá abranger o planeta inteiro. Daí a correlação entre espaço e globalização, que sempre foi perseguida pelos detentores do poder político e econômico, mas só se tornou possível com o progresso tecnológico.
Para contrapor-se à realidade de um mundo movido por forças poderosas e cegas, impõe-se, para Milton Santos, a força do lugar, que, por sua dimensão humana, anularia os efeitos perversos da globalização. Estas idéias são expostas principalmente em sua obra “A Natureza do Espaço”, publicada em 2002. Ele recebeu em 1997 o prêmio Jabuti pelo melhor livro em ciências humanas: A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. Em 1998, o geógrafo foi homenageado pelo Jornal do Brasil, recebendo o título de Homem de Idéias. Um ano depois, foi contemplado em concurso nacional pela Revista Isto É como um dos 20 cientistas do século.

Ainda em 1999 recebeu o Prêmio Chico Mendes por sua resistência. Foi condecorado Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995. Hoje, o geógrafo tantas vezes laureado empresta seu nome ao Prêmio Milton Santos de Saúde e Ambiente, criado pela Fundação Oswaldo Cruz. Milton Santos nunca participou de movimentos negros – acreditava que deveria conquistar reconhecimento em atitudes como, por exemplo, ingressar na universidade. “Minha vida de todos os dias é a de negro”, declarou. “Mantenho com a sociedade uma relação de negro. No Brasil, ela não é das mais confortáveis”.

----------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

19 Novembro 2009

Antropólogo diz que estudos não são jogo de cartas marcadas a favor de índios

A identificação de áreas indígenas desperta reações contrárias da classe produtiva. Em Mato Grosso do Sul, onde 45 mil índios reivindicam mais espaço, os fazendeiros taxam como “viciado” o trabalho dos especialistas responsáveis pelos estudos. O antropólogo Rubem Thomaz de Almeida, que há 30 anos estuda a região, garante que os levantamentos feitos para embasar as demarcações pelo governo federal não são um jogo de cartas marcadas a favor dos indígenas. Ele atribui a “desconhecimento de causa” as críticas dos ruralistas. “É necessário que eles [fazendeiros] entendam que o estudo não vem definido. Em estudos passados, inclusive, deixamos de incluir área porque não tínhamos argumentos nem dados suficientes para colocar espaços como terra indígena. É fundamental realizar os estudos para que o governo possa atuar e decidir um problema social gigantesco, que são 45 mil índios que estão ali sem terra, sem ter onde plantar”, afirmou Almeida.
“Temos atrás da gente a academia. Somos vinculados à Associação Brasileira de Antropologia e, se a gente incorrer em desvios na nossa produção científica, haverá facilidade em derrubar [os laudos]”, acrescentou. Almeida diz ser contrário à “criminalização” dos fazendeiros e reconhece que eles deveriam ser recompensados pelo governo para deixar a terra, em valor além das benfeitorias. “Dificilmente essa coisa vai resolver sem negociação com os produtores rurais. Não podemos criminalizar os fazendeiros, dizer que são todos bandidos. Ficará muito difícil dar conta do problema se não houver mecanismo para se pagar a terra aos fazendeiros”, ressaltou. Entretanto, o antropólogo classifica de “absurdos” os argumentos que tentam vincular a luta dos índios pela terra a interesses estrangeiros.

“São 45 mil pessoas que têm uma história, tradição, e sabem exatamente onde vivem e o que querem. Não tem Cimi [Conselho Indigenista Missionário], antropólogo nem estrangeiro, absolutamente ninguém. Eles não vão deixar de reivindicar a terra. O fazem por sua conta. Quem fala o contrário é para jogar fumaça e não enfrentar o problema”, criticou. Pesquisa da década de 80 já alertava o governo para a necessidade de reconhecer mais áreas indígenas em Mato Grosso do Sul, após o processo de colonização que resultou no confinamento de índios em aldeias delimitadas pelo próprio governo. Hoje o sudoeste do estado é apontado por estudiosos e pela própria Fundação Nacional do Índio (Funai) como o espaço mais problemático da questão indígena no Brasil. Para Almeida, o país já poderia ter superado o quadro.
“Faltou um pouco de decisão política e de ânimo do governo para dar conta antes do problema. É necessário que o governo pegue esse touro a unha e decida levar adiante primeiro os estudos e depois as decisões [de demarcação e homologação de áreas]” , defendeu o antropólogo. A expectativa dos profissionais envolvidos no trabalho de identificação em Mato Grosso do Sul é concluir a fase dos estudos em abril de 2010. O antropólogo entende que as críticas de parte da população de Mato Grosso do Sul à vida dos índios em áreas homologadas, como a aldeia de Panambizinho, a 25 quilômetros de Dourados, deve-se a uma percepção equivocada da cultura tradicional. Na região, áreas antes produtivas viraram mato e os índios trabalham apenas com agricultura de subsistência.
“Não podemos esperar que os guarani vão produzir como nós produzimos. Eles têm um viés cultural e se mostram abertamente contra a produção em larga escala. Eles têm uma relação cosmológica importante com o mato. Buscam o mato, porque lá tem que ter bicho e tem que proteger a água. Mas eles também têm plena consciência de que quem não trabalha não come.” Se os estudos na região confirmarem as reivindicações indígenas, os antropólogos calculam que o problema fundiário das comunidades tradicionais estará resolvido para pelo menos três gerações, cabendo aos indígenas se organizarem futuramente para viver ali. Durante os estudos antropológicos, as equipes deverão ser acompanhadas por representantes do governo estadual e de proprietários rurais na vistoria em fazendas, além de receberem escolta policial. No ano passado, quando os estudos começaram, especialistas foram seguidos e fotografados por desconhecidos. “A presença da polícia é um modo de a gente entrar nas áreas que precisam ser verificadas”, disse Almeida ao destacar a importância do estudo para o processo de demarcação. (Agência Brasil.04/11/2009)

SENADO

O Senado Federal recebeu no dia 11 de novembro de 2009, uma série de sugestões para garantir o cumprimento da lei que tornou obrigatória a inclusão de conteúdos relativos à história e à cultura indígenas no currículo oficial da rede de ensino. Na opinião de quatro debatedores que participaram de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), os parlamentares devem incentivar a formação dos professores e a produção de material didático sobre a história e a cultura indígenas e criar espaços para que as lideranças indígenas participem efetivamente do processo de discussão do ensino dessas matérias e dos demais temas de seu interesse.
Durante o debate, episódios de discriminação e repressão foram relatados por dois representantes de povos indígenas. Álvaro Tukano, idealizador do projeto Séculos Indígenas no Brasil, contou, por exemplo, que, no colégio de padres salesianos em que estudou, os índios perdiam a merenda se falassem suas línguas. E a técnica de educação da Fundação Nacional do Índio (Funai) Mariléia Taiua, do povo Kurâ-Bakairi, relatou que o primeiro animal que seu pai aprendeu a desenhar na escola foi um elefante, e que as línguas e os rituais indígenas eram proibidos:
André Ramos, historiador indigenista e educador da Funai, afirmou que a educação contribuirá para pôr fim à visão dualista que há na sociedade a respeito dos povos indígenas, com os estereótipos do "mau selvagem" e do "bom selvagem". Outra distorção, segundo ele, é o de que os índios são inimigos do progresso. Há também a crença de que há muita terra para pouco índio: “O primeiro desafio é rompermos esses estereótipos. Os povos indígenas são povos contemporâneos da sociedade brasileira, que enfrentam todos os problemas e desafios da modernidade. Não se consegue ver os povos indígenas como aliados do futuro do país, um país politicamente correto do ponto de vista ambiental e da sociodiversidade.”
---------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

18 Novembro 2009

Índios querem mais respeito pelos seus direitos e autonomia política

O Brasil possui aproximadamente 230 povos indígenas e mais de 190 línguas faladas. De acordo com informações do Governo do Estado, na Bahia são encontrados atualmente 20 propriedades de terra, distribuídos em 136.512 hectares com uma população estimada de 11.781 indígenas. As principais localidades estão situadas em reservas nos municípios de Prado, Porto Seguro, Muquém do São Francisco e Santa Cruz de Cabrália, no Extremo Sul; em Glória, Paulo Afonso e Rodelas, no território de Itaparica; Ribeira do Pombal, Banzaê e Euclides da Cunha, no Semi-Árido e em Ibotirama e Bom Jesus da Lapa, região do Velho Chico.

Diferente das incontáveis análises sobre a história dos negros, existe no Brasil um pequeno acervo na historiografia indígena, sendo disponibilizado apenas alguns espaços secundários nos livros escolares, espaços estes que tratam desrespeitosamente a cultura como um mero discurso folclórico, e em caráter universitário pouco se tem avançado. No Brasil ainda existe uma folclorização sobre o que é ser Índio. Para antropóloga Vanessa Caldeira no artigo intitulado “O que é ser índio”, a imagem para muitos dos brasileiros sobre o que é ser índio recaí uma idéia de aproximadamente 500 anos. “Essa imagem de índio – corpo nu, cabelo liso e preto, habitante das matas, falante de língua exótica – recai como forte cobrança para os povos indígenas contemporâneos”.

QUE TRIBO É ESSA? - “Se Deus quiser/Um dia quero ser índio/Viver pelado pintado de verde/Num eterno domingo/Ser um bicho preguiça/Espantar turistas/ E tomar banho de sol”. Qual foi a tribo em que a roqueira Rita Lee se inspirou para fazer a composição da música Baila Comigo, de sua autoria? Licença poética à parte, os índios contemporâneos brasileiros ao invés de ficar “tomando banho de sol” nas tribos, eles possuem uma ação política forte no país. São eles, agentes responsáveis por ações de preservação da cultura, de território, e da luta pelo direito da propriedade de terras.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, art. 20, inciso XI, são bens da União, “as terras tradicionalmente ocupada por índios” o que reserva ao direito federal através do art. 49, inciso XVI “autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais”. A Constituição determinada que o Governo Estadual é o responsável pelos territórios demarcados em suas limites de terras estaduais. Tramita no Supremo Tribunal Federal, há 27 anos, um processo de propriedade de terra entre o Governo Estadual e o Povo Pataxó Hã-Hã-Hãe que possui uma população estimada de 3.200 indígenas. A justificativa é que o Governo da Bahia se apossou de 54.100 ha do território dos índios. Nessa luta pela devolução territorial, muitos representantes indígenas foram assassinados desde 1983 quando houve a primeira morte por disputa de terras.

REIVINDICAÇÕES DO POVO - Outras reivindicações são levantadas pelo povo Hã-Hã-Hãe, que defende entre diversas propostas a construção, reforma e ampliação de escolas indígenas e a autonomia administrativa e financeira dessas escolas para a implantação de educação diferenciada. Na área da saúde, os índios querem a implantação de postos de saúde e de redes de esgotamento sanitário nas áreas indígenas, a execução dos programas de saúde do governo federal e a criação de laboratórios para a produção de remédios fitoterápicos.

Por meses, manifestantes de grupos indígenas Pataxós e Tupinambás do sul da Bahia se queixam com o descaso da Fundação Nacional da Saúde, FUNASA, que para eles, o órgão federal é o responsável pelo aumento da mortalidade na região. Eles reclamam que há muito tempo está faltando médicos, ambulâncias e medicamentos nas aldeias do sul do Estado.

Sociedade precisa respeitar auto-determinação dos povos indígenas
PARQUE MONTE PASCOAL - Em 1943 o Governo do Estado criou o Parque Nacional Monte Pascoal, localizado em Porto Seguro. De forma irresponsável e sem projetos de preservação os índios que moravam na região foram expulsos e não receberam terras para remanejamento. Em 1961, o Governo do Estado da Bahia repassou o território do parque para a União. Com uma área de 22.500 ha, o Monte Pascoal é um dos principais pontos históricos brasileiros, pois foi essa a primeira porção continental avistada pelos Portugueses, ainda em 1500. Além da importância histórica, esta Unidade de Conservação é uma das que reúne uma diversidade de ecossistemas, como a Floresta Ombrófila Densa, regiões alagadiças, restinga, mangue e praia.

Em 1997 foi demarcada o território Coroa Vermelha, que passou a ser chamada de Terra Indígena Pataxó de Coroa Vermelha, onde os remanescentes da área do parque se juntaram para recuperar a identidade cultural que agrega as aldeias de Coroa Vermelha, Mata Medonha, Corumbauzinho e Craveiro. Nos dias 21 e 22 de agosto no município de Santa Cruz de Cabrália, no extremo sul, foi realizado o Encontro Regional de Povos Indígenas. A iniciativa integra um plano de ação da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) visando garantir uma ampla participação, mobilização, capacitação e fortalecimento dessas populações.

------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

17 Novembro 2009

Revisando o índio brasileiro (2)

O governo encaminhou em agosto de 2009 ao Congresso o novo estatuto do índio, que prevê o fim da tutela do Estado sobre os povos indígenas e regulamenta a exploração mineral em suas terras, hoje proibida por falta de legislação. Pelo projeto, os índios poderão ser responsabilizados penalmente por qualquer crime, como os demais cidadãos. Um laudo antropológico irá embasar a decisão do juiz, que vai avaliar se o ato cometido pelo indígena é aceitável e está no contexto de sua comunidade. "[Com o estatuto] outorgamos a plena capacidade civil, responsabilidades, sem agredir a sua origem cultural e os direitos territoriais", disse o ministro Tarso Genro (Justiça).

Quanto à mineração em terras indígenas, já tramita na Câmara um projeto de lei com basicamente o mesmo conteúdo do estatuto. A atividade deverá ser autorizada pelos próprios índios, que vão receber parte do faturamento bruto com o comércio do produto explorado. É na Amazônia que a regulamentação terá mais impacto, já que 25% dos minerais da região estão em terras indígenas.

DENOMINAÇÃO - Os habitantes das Américas foram chamados de índios pelos europeus que aqui chegaram. Uma denominação genérica, provocada pela primeira impressão que eles tiveram de haverem chegado às Índias. Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, e sim em um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a chamá-los assim, ignorando propositalmente as diferenças lingüístico-culturais. Era mais fácil tornar os nativos todos iguais, tratá-los de forma homogênea, já que o objetivo era um só: o domínio político, econômico e religioso.

As populações indígenas são vistas pela sociedade brasileira ora de forma preconceituosa, ora de forma idealizada. O preconceito parte daquele que convive diretamente com os índios: as populações rurais. Dominadas política, ideológica e economicamente por elites municipais com fortes interesses nas terras dos índios e em seus recursos ambientais, tais como madeira e minérios, muitas vezes as populações rurais necessitam disputar as escassas oportunidades de sobrevivência em sua região com membros de sociedades indígenas que aí vivem. Por isso, utilizam estereótipos, chamando-os de "ladrões", "traiçoeiros", "preguiçosos" e "beberrões", enfim, de tudo que possa desqualificá-los. Procuram justificar, desta forma, todo tipo de ação contra os índios e a invasão de seus territórios.

CRENÇAS - Já a população urbana, que vive distanciada das áreas indígenas, tende a ter deles uma imagem favorável, embora os veja como algo muito remoto. Os índios são considerados a partir de um conjunto de imagens e crenças amplamente disseminadas pelo senso comum: eles são os donos da terra e seus primeiros habitantes, aqueles que sabem conviver com a natureza sem depredá-la. São também vistos como parte do passado e, portanto, como estando em processo de desaparecimento, muito embora, como provam os dados, nas três últimas décadas tenha se constatado o crescimento da população indígena.

Só recentemente os diferentes segmentos da sociedade brasileira estão se conscientizando de que os índios são seus contemporâneos. Eles vivem no mesmo país, participam da elaboração de leis, elegem candidatos e compartilham problemas semelhantes, como as conseqüências da poluição ambiental e das diretrizes e ações do governo nas áreas da política, economia, saúde, educação e administração pública em geral. Hoje, há um movimento de busca de informações atualizadas e confiáveis sobre os índios, um interesse em saber, afinal, quem são eles.

TRANSFORMAÇÃO - Qualquer grupo social humano elabora e constitui um universo completo de conhecimentos integrados, com fortes ligações com o meio em que vive e se desenvolve. Entendendo cultura como o conjunto de respostas que uma determinada sociedade humana dá às experiências por ela vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo, percebe-se o quanto as diferentes culturas são dinâmicas e estão em contínuo processo de transformação. O Brasil possui uma imensa diversidade étnica e lingüística, estando entre as maiores do mundo. São 215 sociedades indígenas, mais cerca de 55 grupos de índios isolados, sobre os quais ainda não há informações objetivas. 180 línguas, pelo menos, são faladas pelos membros destas sociedades, as quais pertencem a mais de 30 famílias lingüísticas diferentes.

No entanto, é importante frisar que as variadas culturas das sociedades indígenas modificam-se constantemente e reelaboram-se com o passar do tempo, como a cultura de qualquer outra sociedade humana. E é preciso considerar que isto aconteceria mesmo que não houvesse ocorrido o contato com as sociedades de origem européia e africana. No que diz respeito à identidade étnica, as mudanças ocorridas em várias sociedades indígenas, como o fato de falarem português, vestirem roupas iguais às dos outros membros da sociedade nacional com que estão em contato, utilizarem modernas tecnologias (como câmeras de vídeo, máquinas fotográficas e aparelhos de fax), não fazem com que percam sua identidade étnica e deixem de ser indígenas.

A diversidade cultural pode ser enfocada tanto sob o ponto de vista das diferenças existentes entre as sociedades indígenas e as não-indígenas, quanto sob o ponto de vista das diferenças entre as muitas sociedades indígenas que vivem no Brasil. Mas está sempre relacionada ao contato entre realidades socioculturais diferentes e à necessidade de convívio entre elas, especialmente num país pluriétnico, como é o caso do Brasil. É necessário reconhecer e valorizar a identidade étnica específica de cada uma das sociedades indígenas em particular, compreender suas línguas e suas formas tradicionais de organização social, de ocupação da terra e de uso dos recursos naturais. Isto significa o respeito pelos direitos coletivos especiais de cada uma delas e a busca do convívio pacífico, por meio de um intercâmbio cultural, com as diferentes etnias.


--------------------------------------------------------------------------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

16 Novembro 2009

Revisando o índio brasileiro (1)

O índio tem ocupado um espaço minúsculo em nossa historiografia, deixando ao esquecimento. Mas o índio tem uma história, plural. É preciso reconstruir o verdadeiro cenário desconstruindo abordagens simplistas que eurocentrizaram as análises, configurando o índio num ambiente social exótico e primitivo.

A história do índio brasileiro permanece adormecida. O que se mostra nas escolas, principalmente no ensino fundamental, são apresentações distorcidas. O conceito de sincretismo deve ser revisto, afastando as possibilidades de folclorização da cultura indígena. Reduzir a contribuição da cultura indígena a sua herança (vocabulário, comida, etc), tal como vemos nos livros didáticos, é empobrecer a sua história. Reescrever a História Indígena é, antes de tudo, modificar os discursos que durante tanto tempo representaram os nossos nativos como os mais nocivos e pejorativos adjetivos. É preciso apontar perspectiva mais seguras de compreensão do universo histórico e cultural do índio.

DIVIDIDOS - Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro, esse número chegava 5 milhões de nativos, aproximadamente. Esses índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco lingüístico ao qual pertenciam: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia). Atualmente calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo. São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural.

Em 1500, quando os portugueses chegaram ao Brasil, estima-se que havia por aqui cerca de 6 milhões de índios. Passados os tempos de matança, escravismo e catequização forçada. Nos anos 50, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, a população indígena brasileira estava entre 68 mil e 100 mil habitantes. Hoje o número é bem menor. Contando os que vivem em centros urbanos, ultrapassam os 100 mil. No total, quase 10% do território nacional, pertence aos índios. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia em torno de 1.300 línguas indígenas. Atualmente existem apenas 150. O pior é que cerca de 35% dos 210 povos com culturas diferentes têm menos de 200 pessoas

Em seu estudo intitulado Colonialismo Predatório, Desempoderamento, o professor da Faculdade Dois de Julho, Derval Gramacho escreveu: “Ainda no primeiro quarto dos anos 1500, os índios passaram de simpática gente, conforme descrito nos primeiros relatos históricos, notadamente na carta de Pero Vaz de Caminha (1500), a terríveis canibais, antropófagos vorazes, vide, por exemplo, as narrativas de Hans Staden e Jean de Lery. Com isto, pode-se supor, os portugueses pretendiam forçar o afastamento de seus concorrentes na ocupação da nova colônia. Por outro lado, também justificavam a disposição de intervir, juntamente com a Igreja (na plenitude da vigência da Inquisição), na colonização e catequese dos índios que precisavam tornar-se cristãos, quer pelo poder do convencimento da cruz (a Igreja), quer pelo poder das armas (a Coroa). Uma vez submetidos à nova fé, a relação de subordinação deveria se processar de forma menos resistente, mantendo o colonizador a sua supremacia hegemônica” (...) Constata-se, então, que a usurpação do território lesou, não somente no sentido material, o índio com a desapropriação daquilo que lhe era tão caro (a terra) que valia morrer em defesa de seu sítio. Mesmo que fosse de sua natureza ser nômade, haveria sempre uma terra que seria ocupada e na qual se situariam por determinado espaço de tempo. No plano afetivo, o índio também perdeu, pela desapropriação, o lugar onde suas práticas rituais, seus costumes e sua tradição se instalaram, onde construíram relações quer sociais, quer de parentesco”.

NATUREZA - Os índios faziam objetos utilizando as matérias-primas da natureza. Vale lembrar que índio respeita muito o meio ambiente, retirando dele somente o necessário para a sua sobrevivência. Entre os indígenas não há classes sociais como a do homem branco. Todos têm os mesmo direitos e recebem o mesmo tratamento. A terra, por exemplo, pertence a todos e quando um índio caça, costuma dividir com os habitantes de sua tribo. Apenas os instrumentos de trabalho (machado, arcos, flechas, arpões) são de propriedade individual.

O trabalho na tribo é realizado por todos, porém possui uma divisão por sexo e idade. As mulheres são responsáveis pela comida, crianças, colheita e plantio. Já os homens da tribo ficam encarregados do trabalho mais pesado: caça, pesca, guerra e derrubada das árvores quando necessárias.

A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los ao seu serviço. A cultura indígena era considerada pelo europeu como sendo inferior e grosseira. Dentro desta visão, acreditava que sua função era convertê-los ao cristianismo e fazer os índios seguirem a cultura européia. Foi assim, que aos poucos, os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade.

ATUANTE - A historiografia costuma mostrar os índios como coadjuvantes incômodos, personagens secundários, selvagens infelizes e retraídos. Mas os índios tiveram um papel muito mais atuante e diferenciado do que se supõe, interagindo com os demais agentes sociais de diversas formas que vão da fuga ao ataque, da negociação ao conflito, da acomodação à rebeldia.

A quase totalidade dos índios do Nordeste foram contactados e passaram por experiências de aldeamento durante o período colonial. Sob a tutela dos jesuítas e de outras ordens religiosas como os beneditinos, os capuchinhos, os carmelitas e os franciscanos, os aldeamentos missionários totalizavam perto de uma centena em meados do século XVIII. O avanço da pecuária e da cultura do algodão e o assentamento de fronteiras no sertão foram devastadores para as populações indígenas. O índio brasileiro e baiano precisa ser reconhecido pelo seu próprio povo: o povo brasileiro.
--------------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

13 Novembro 2009

Música & Poesia

Hino de Duran (Chico Buarque)

Se tu falas muitas palavras sutis
Se gostas de senhas sussurros ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar



Se trazes no bolso a contravenção
Muambas, baganas e nem um tostão
A lei te vigia, bandido infeliz
Com seus olhos de raios X



Se vives nas sombras freqüentas porões
Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Com seu faro de dobermam



E se definitivamente a sociedade
só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo,
és um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz
depois chamam os urubus



Se pensas que burlas as normas penais
Insuflas agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar infrator
com seus braços de estivador



Se pensas que pensas estás redondamente enganado
E como já disse o Dr Eiras,
vem chegando aí, junto com o delegado
pra te levar...





Reflexões (Clarice Lispector)

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém…
que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la…
Sonhe com aquilo que você quiser…
Seja o que você quer ser…
Porque você possui apenas uma vida
E nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce,
dificuldades para fazê-la forte,
tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas,
elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram…
Para aqueles que buscam e tentam sempre…
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar…
…duram uma eternidade…




------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

12 Novembro 2009

Brasil lembra 20 anos da morte de Luiz Gonzaga

Disco, filme e museu. Vinte anos depois de sua morte, a obra do compositor pernambucano é resgatada. Nascido em 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga conseguiu despertar em cada brasileiro um autêntico nordestino, cantando as dores, saudades e alegrias do sertanejo. Em seus 77 anos de vida, reuniu uma obra poucas vezes atingida por outros artistas, tanto em quantidade quanto em qualidade. Mostrou ao Brasil e ao mundo a beleza do forró, do xaxado, do xote, do maracatu e, principalmente, de sua criação: o baião.

Regravações de valsas que ele compôs na década de 40 e algumas ganharam letras inéditas de Zeca Baleiro, Abel Silva, Fernando Brant e Capinan estão previstos para chegar ao mercado no início de 2010. “Luas do Gonzaga” é o título do álbum que tem o cantor e violonista baiano, Gereba à frente do projeto. Um longa metragem baseado na biografia da jornalista Regina Echeverria (Gonzaguinha e Gonzagão – Explode Coração) está em processo de pré-produção com a direção de Breno Silveira, o mesmo de Dois Filhos de Francisco. Um museu e um complexo cultural em Recife vão reunir a obra e a história do Meste Lua. O Ministro da Cultura Juca Ferreira já levou a idéia ao presidente Lula que estimulou a iniciativa. O complexo segue a linha de museus “interativos”, como o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Vinte anos depois da morte de Luiz Gonzaga, o som de sua sanfona está cada vez mais presente nas salas de reboco das casas do sertão e nos mais diversos auditórios e palanques, enchendo de emoção e lirismo platéias de todas as categorias sociais. O forró pé-de-serra, introduzido no Brasil pelo Luiz Gonzaga na década de 40, conquista o mercado, concorrendo com outros ritmos brasileiros e estrangeiros. "O baião, coco, rojão, quadrilha, xaxado e xote caracterizam o forró e tem cheiro de carne de bode assada", comparou o velho Gonzagão, acrescentando que é uma música com a cara do Nordeste, que canta, ri, chora e "faz pouco" do seu secular sofrimento.

“Quando olhei a terra ardendo/Qual fogueira de São João/Eu perguntei a Deus do céu, ai/Por que tamanha judiação” ("Asa Branca", com Humberto Teixeira)

PRESENTE - Luiz do Nascimento Gonzaga nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, na Fazenda Caiçara, município de Exu, ao lado da casa onde morou a heroína cearense Bárbara de Alencar. Morreu no dia 2 de agosto de 1989. A escola gonzagueana está cada vez mais presente na vida das novas gerações, vindas das mais diversas categorias sociais.

Intérprete de sucessos imortais nos mais variados ritmos, muitos outros cantores gravaram Luiz Gonzaga a partir do início dos anos setenta, entre os quais Geraldo Vandré (Asa-Branca), Gilberto Gil (Vem Morena), Caetano Veloso (A Volta da Asa-Branca) e até o grego Demis Roussos (White Wings/Asa-Branca). Essa afinidade com a nova geração musical brasileira - principalmente com os baianos - fez a gravadora RCA lançar em 1971 o disco ''O Canto Jovem de Luiz Gonzaga”, com músicas de Caetano Veloso, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Dori Caymmi. O elepê gerou em março de 1972 o show ''Luiz Gonzaga Volta Pra Curtir'', no Teatro Tereza Raquel, no Rio de Janeiro.

Suas músicas correram o mundo, "Asa Branca" teve interpretações em Israel, na Itália, Estados Unidos e Japão. Luiz Gonzaga ganhou diversos prêmios. Em 1976, recebeu o título de cidadão cearense, em 77 entrou na versão brasileira da Enciclopédia Universal Britânica, em 78 cantou para o Papa João Paulo II, e, em 81, ganhou dois discos de ouro. Embora sendo o terceiro artista mundial a receber o ''Cachorinho da RCA'', prêmio entregue anteriormente apenas para Elvis Presley e Nelson Gonçalves, o verdadeiro reconhecimento do valor de sua obra veio ainda em 1984. Luiz Gonzaga foi o grande homenageado na noite da entrega do Prêmio Shell para os melhores da Música Popular Brasileira. Segundo a crítica especializada, um prêmio justo e merecido para quem, em muitos anos de carreira artística somente recebeu dois Discos de Ouro e em 1981, o mesmo ano em que a classe artística se reuniu para homenagear Luiz Gonzaga em um show promovido pelo Cebrade. Em 1985 Luiz Gonzaga foi premiado com o ''Nipper de Ouro'' pelo conjunto de sua obra.

“Gonzaga é nosso primeiro artista pop. Com sua música, emendou pela primeira vez as pontas desse país, Nordeste e Sudeste”, informou o cineasta Breno Silveira. “Ele era o nosso Elvis Presley. Antes dele, ninguém por aqui ainda tinha pensado em criar um personagem para fazer música, com conceitos definidos de figurino e tudo mais. Ele inventou isso”, diz o líder da banda Cordel do Fogo Encantado, Lirinha. Para Lenine, Gonzagão foi o precursor do artista vestido, com música e com luz num ginásio. Ele e o letrista Humberto Teixeira, “botaram o Nordeste no centro da atenção, no mapa do Brasil”.

“Eu já dancei balancê/Xamego, samba e xerém/Mas o baião tem um quê/Que as outras danças não têm” ("Baião", com Humberto Teixeira)

-------------------------------------------------------------------------
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)