05 dezembro 2017

Aconteceu há 100 anos... (02)

E o samba passou a existir no Brasil com toda aceitação. Donga foi o primeiro a gravar um samba: Pelo Telefone (1917), criado por um grupo de boêmios cariocas que se reuniam na casa da Tia Ciata, baiana considerada mãe do gênero. Composta por Mauro de Almeida, Sinhô e Donga, faz alusão à perseguição policial aos jogos de azar. Mais tarde, o gênero espalha-se pelo Brasil e domina o carnaval. Os alemães afundam os navios brasileiros Paraná e Macau e envolve o Brasil (o único país sul-americano) na guerra.


Em 1917, o Brasil torna-se o primeiro país sul-americano a entrar na Primeira Guerra Mundial. Na mesma data o governo decreta Estado de Sítio. O Brasil queima três milhões de sacas de café para evitar a queda nos preços do produto. E no Estado do Rio de Janeiro, pela primeira vez no país, é produzido o aço.

O mais famoso produto de exportação argentino, o tango, ganhou novo impulso e popularidade em 1917, quando o cantor Carlos Gardel divulga o primeiro tango com letra, Mi Noche Triste, com música de Samuel Castriota e letra de Pascual Contursi. O tango estava a caminho do sucesso internacional - com seus cantores apaixonados, bandonions e violinos acompanhando seu delicioso passo melódico intercalado. Gardel transformou-se em um astro no exterior, mas, em casa, sua celebridade assumiu proporções quase míticas. Para os argentinos, o cantor, assim como o próprio tango, era a expressão da alma do país, formado em grande parte por imigrantes.

                         
Aos poucos, a mulher brasileira começou a romper o monopólio masculino de algumas profissões. Em meados da década, a advogada Mirtes Campos foi aceita no Instituto da Ordem dos Advogados, quebrando um tabu secular e provocando uma acirrada polêmica nos meios jurídicos. Outras pioneiras: Anita Malfatti (pintora), Cecília Meireles (escritora), Maria José Rabelo (primeira diplomata) e Eugênia Brandão (primeira repórter).

A elite intelectual de São Paulo estava em estado de choque desde a exposição de alguns quadros da jovem pintora paulista Anita Malfatti, em 1917. As tímidas incursões de Anita pelo campo do Expressionismo e do Cubismo - tendências predominantes na arte européia atual - dividiram a opinião pública e a crítica paulistana. Foi o confronto entre o velho e o novo. Menotti del Picchia se consagra com o livro de poesia nacionalista Juca Mulato.



A Bahia procurava encontrar os caminhos da modernização, lutando para sair da estagnação econômica. A Bahia contribuía apenas 2,8% da produção nacional. Em 1917 é fundada a Academia de Letras da Bahia. As regatas a remo atraiam a atenção de toda a cidade do Salvador. Era o remo o esporte mais preferido dos baianos. As emissoras de rádio transmitiam da Enseada dos Tainheiros as grandes disputas.

04 dezembro 2017

Aconteceu há 100 anos... (01)

O ano de 1917 foi simbólico na política e nas artes. A classe trabalhadora e os intelectuais de esquerda, exilados, assumem o poder na Rússia. Na mesma época o Dadaísmo (o mais marginal de todos os movimentos artísticos, pregando a não-arte) começava sua marcha para ocupar os museus, o que aconteceu mais arte, saindo da margem para o centro.


Para o século XX, 1917 (ou seja, 90 anos atrás), o ano da Revolução Russa foi o detonador de décadas de lutas ideológicas que se travaram pelo mundo inteiro entre o Comunismo, as Democracias Liberais e o Nazi-fascismo, provocando a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e, em seguida, a longa Guerra Fria (1947-1989).

As ideologias floresciam. O socialismo, impulsionado pela Revolução Russa de 1917, preconizava a formação de uma sociedade igualitária, controlada pelo Estado, e desfraldava a bandeira do paraíso construído na Terra, em que não haveria a exploração do homem pelo homem. O capitalismo, herdeiro da Revolução Francesa de 1789, prometia a felicidade através da realização puramente individual, que seria a chave para a conquista de uma vida cercada de confortos materiais.


Na Revolução de Outubro de 1917, os bolcheviques invadiram os prédios públicos, prenderam os integrantes do Governo Provisório e tomaram o poder. Com a ausência de Lênin, o grupo foi liderado por Leon Trotski, que, assim como seu companheiro, foi também um dos principais teóricos do movimento socialista, desenvolvendo a idéia - original de Marx - da “revolução permanente”, que prega um combate total ao modelo capitalista.

A partir daí, os bolcheviques ganhariam outro nome: Partido Comunista da União Soviética. O impacto da guerra foi enorme em muitos aspectos. Mudou o modo como cada indivíduo via a si mesmo e seu lugar no mundo. O hedonismo da década de 20 e a violência denunciavam uma perda coletiva da inocência. Em todas as nações combatentes, a burocracia e a indústria se expandiram muito.

Nos EUA, a falta de mão-de-obra deu um novo papel para a mulher e para os negros, que abandonaram as lavouras do sul e foram trabalhar nas fábricas do norte. Mas a ascensão dos oprimidos foi seguida por uma divisão social mais acentuada. A guerra havia provocado um frenesi xenófobo entre os norte-americanos.

Houve uma guerra mundial. Seu fim foi o começo da idade do jazz. Com forte marcação rítmica, uso frequente da síncope e pela improvisação sobre um tema melódico, suas raízes está na fusão de ritmos trazidos pelos africanos (como o spirituals e o blues) com a música européia dos séculos XVIII e XIX (caso dos hinos, marchas e operetas). Sob a base de uma música composta de improviso, o jazz acaba por expressar fortemente as emoções do músico.


Em 1917 a Dixieland Jazz Band, um grupo branco, faz a primeira gravação de jazz, Livery Stable Blues. Vende um milhão de cópias, lançando o jazz como música popular. Freddie Keppard, líder de uma banda negra, rejeitou a chance de fazer o primeiro disco de jazz - tinha medo de que outros músicos copiassem seu estilo. O instrumento que se sobressaia nas formações da época era o trompete, daí serem trompetistas os grandes músicos de então: Buddy Bolden, Joe “King” Oliver, Louis Armstrong e Bix Beiderbecke.


29 novembro 2017

Saudade de Lage (1946/2006)

Há onze anos, no dia 29 de novembro de 2006, aos 60 anos de idade, morria o cartunista Lage Foi com o suplemento semanal A Coisa, publicado na Tribuna da Bahia nos anos 1970 que conheci mais de perto o cartunista Lage. No final da década de 1960 havia criado um movimento (clube) de estudo das histórias em quadrinhos e artes gráficas em geral na minha comunidade, o bairro do Pero Vaz aqui em Salvador. Com a publicação do fanzine Na Era dos Quadrinhos e as exposições e palestras sobre o tema nas escolas e bibliotecas da cidade, ficamos conhecidos em toda Salvador (até mesmo contato com o desconhecido, na época, Umberto Eco). Defendíamos com unhas e dentes o movimento em prol das artes gráficas – cartuns, quadrinhos, charges e poema processo.


A força de nossas ações deu origem em reunir os cartunistas para a criação de uma publicação local para reforçar o trabalho desses artistas “invisíveis” da sociedade. Depois do suplemento A Coisa (publicado todas as sextas na Tribuna da Bahia), lançamos o jornal quinzenal Coisa Nostra, revista Pau de Sebo, além de exposições dos trabalhos dos cartunistas onde a interação era uma das molas do evento porque o público participava votando no melhor cartum da mostra. A mídia também, oferecendo prêmios aos melhores.


Referência na área do humor gráfico, especialmente na charge, Lage era dono de um estilo particular, marcado pela contestação calcada no humor virulento. Iconoclasta, dono de um traço simples e cortante, Lage logo se destacou pela mordacidade de seus desenhos. Costumava dizer que o bom cartum “é o que sai no estalo”. Durante o regime militar, entrou em controvérsias e chegou a ser chamado para depor nas famosas “sessões de informação” da ditadura. Mesmo assim, não diminuiu o tom de deboche, dizendo às vezes sem palavras o que todo uma nação calava na garganta.

Todos os dias, na redação do jornal Tribuna da Bahia, ele ia no começo da tarde, conversava com uma ou outra pessoa, ficava folheando os jornais, calado e, de repente, aparecia com uma de suas charges geniais. Assim, nos últimos 35 anos, a história da Tba está ligada a de Lage. Quando ele chegou nas páginas do jornal, primeiro em preto e branco, depois às cores, o papeis era outro e o jornalismo também. Mas sua ferramenta continuava as mesmas: o traço exato e o humor demolidor.


As charges de Lage se casam perfeitamente com a missão da Tribuna da Bahia, que é dar informação de forma exclusiva., analítica, sintética e contextualizada.

Quem quiser entender a Bahia de 1969 a 2006 precisa levar a sério o trabalho de Lage e olhar co atenção o comentário cáustico e agudo de suas charges. Mais do que jornalistas, são cronistas do desenho, que respondem diretamente aos acontecimentos com traço e legenda.


Trabalhou como chargista no jornal Tribuna da Bahia desde a sua fundação. Foi funcionário da TB Educativa. Formado em arquitetura pela UFBa, o artista optou desde cedo pelo desenho. Criou, ao lado de outros desenhistas, a revista Pau de Sebo, o jornal Coisa Nostra e o Dicionário de Baianês.


“Bastava um pedacinho de papel , e tinta preta, que ele derramava com uma humanidade rimada de simplicidade. Neste mundo de aparência, foi-se um exemplar de gente que não curtia alarde”, escreveu o mestre em comunicação Paulo Roberto Leandro (A Tarde - 01/12/2006).


“Nunca dizia não, mas jamais admitia utilizar a sua pena para ilustrar ideias dos outros. Era original e muitas vezes demolidor nas suas charges inteligentes sobre os assuntos nacionais daqueles que faziam doer quando a gente ria”, escreveu o jornalista Sérgio Goes (TB – 01/12/2006).


“Lage foi genial. Seu traço simples das figuras humanas que retratava, o cidadão classe média quase sempre com a cara do baiano que vai a padaria no final da tarde, narigão, olhos de gude; os policiais brucutus; e as suas tirinhas sobre sexualidade (o casal na cama, o papagaio putz) deixava seus fãs admirados. A primeira coisa que o leitor da Tribuna da Bahia fazia quando pegava o jornal era olhar e ler a charge de Lage”, escreveu o jornalista e escritor Tasso Franco (TB – 04/12/2006).


Em setembro de 2010 ele ganhou importante mostra retrospectiva na Caixa Cultural Salvador. Com curadoria do cartunista Nildão, Lage – 40 Anos de Humor apresentou 60 trabalhos de diferentes fases do desenhista, que revelam seu olhar crítico, mas sempre bem humorado, para fatos que marcaram as últimas décadas.

O artista recebeu diversos prêmios nacional e internacional durante sua trajetória. O último deles, em 1997 quando foi um dos vencedores do Trofeu HQ Mix dedicado aos melhores da área.


27 novembro 2017

1837-2017: 180 anos da caricatura no Brasil (06)

1974 – Lage começou a produzir as charges publicadas na coluna política Raio Laser, na página 2 da Tribuna da Bahia. A charge tornou-se a principal marca de Lage no jornal, sobretudo porque o país vivia sob o rigor do regime militar, em período de total restrição que se refletia diretamente na imprensa.


1976 – O desenhista Setúbal cria para o jornal Coisa Nostra os quadrinhos Maré Mansa, reflexo da vida baiana.


1977 – Nildão começa a publicar no jornal A Tarde, de Salvador, a tira Os Bichim, um bichinho da goiaba que chegava ao mundo e questionava tudo que via. O personagem foi evoluindo, conhecendo o mundo e questionando a realidade. Os personagens da tira diária chegaram a conclusão de que o câncer da humanidade era o homem e resolvera mira o céu pedir a Deus para expulsar o homem da terra. Ao chegarem la encontra o Deus  narcisista, preocupa do com a imagem. Não se interessava pelo que estava acontecendo  aqui na terra. Nessa fase, o jornal deixou de publicar a tira, alegando ser uma empresa de fundamentos religiosos.


1978O Porco com Cauda de Pavão, o mais novo personagem das HQs do baiano Caó (Alvaro Cruz Alves) é também o título da sua primeira exposição em Salvador, no ICBA.

1993Cau Gomez começa a publicar seus cartuns e charges no jornal Bahia Hoje. Apaixonado pela fusão das linguagens do cartum e das artes plásticas, conquista prêmios em diversos festivais e salões de humor no Brasil e exterior.

1996Luiz Augusto começa a publicar uma série de tiras, Fala, Menino! Sobre o diálogo com a infância e o respeito às diferenças. O menino de quase 10 anos, mas que ainda não sabe falar, já começou cativando crianças pequenas e grandes, ganhando prêmios, fazendo amigos e mostrando que não há limites físicos para a gente ser feliz.


1999O cartunista baiano Flávio Luiz coloca no mercado sua publicação independente Jab,  um  lutador e Rota66 . Jab é um cãozinho dálmata, atrapalhado com seu próprio limites que ele busca a todo custo vencer, se envolvendo nas mais variadas modalidades esportivas, principalmente o box, no qual ele apanha sempre. Já na tira Rota66 mostras um cacto e um  a caveira de bisão em algum lugar da estrada mais americana e famosa do mundo.Trata-se de uma coletânea das primeiras tiras.


2001Antonio Cedraz cria em julho no jornal A Tarde as tiras da Turma do Xaxado. Seca, trabalho na roça e falta de dinheiro são temas comuns da serie. Xaxado retrata a vida rural do nordeste mostrando o dia a dia do sertanejo sob os mais diversos aspectos: o dia a dia, a relação com a terra, as lendas e mitos, a seca e muito mais.  A simplicidade e originalidade do autor em muito se assemelha aos seus personagens, seja ele Xaxado (o líder da turma, neto de cangaceiro), Zé Pequeno (o preguiçoso), Marieta (sabe-tudo da turminha), Arturzinho (filho de fazendeiro abastado), Seu Enoque e Dona Fulo (pais de Xaxado), entre outros. Eles dão vida, humor e significado também a cultura baiana.


2010É lançado o álbum Lucas da Vila de Sant´Anna da Feira, patrocinada pelo Banco do Nordeste/Ministério da Cultura através do Edital de Microprojetos Culturais. Fruto  de anos de pesquisa do roteirista Marcos Franco e de entrevistas realizadas em conjunto com o também roteirista Marcelo Lima, com pesquisadores e líderes de associações de bairros feirenses, resgata a história do escravo rebelde Lucas da Feira. Os diálogos coloquiais e os desenhos de Hélcio Rogério ajudam a ambientar a região.


2016 - Os autores Camilo Fróes, Moreno Pacheco e Bruno Marcello mostram Salvador do futuro. Em Cidade-Motor, a primeira incursão dos autores pelo mundo dos quadrinhos, uma Salvador distópica se torna pano de fundo para uma narrativa policial onde os carros viraram casa, o trânsito virou a vida, e a cidade se transformou em via para automóveis. Nesse ambiente, o destino do policial Celso se cruza com o de Moema, jovem da classe média empobrecida. Moema é uma jovem motogirl que se vê emaranhada em um perigoso jogo de interesses depois de sofrer um acidente de trânsito envolvendo dois policiais: um corrupto, do controle de trânsito, e outro, civil e honesto, chamado Celso. E o desfecho desse encontro passará pelas mãos de um grupo radical clandestino que busca medir forças com o poder público de um futuro nem-tão-distante. A produção é da RV Cultura e Arte.



26 novembro 2017

1837-2017: 180 anos da caricatura no Brasil (05)

1964 - Início da carreira de cartunista e quadrinhista Henfil. Deu-se na Revista Alterosa de Belo Horizonte. Em 1965, começou a fazer caricatura política para o Diário de Minas, em 1967, fez charges esportivas para o Jornal dos Sports do Rio de Janeiro, colaborando ainda nas revistas Visão, Realidade, Placar e o Cruzeiro. A partir de 1969, fixou-se no semanário Pasquim e no Jornal do Brasil, onde seus personagens atingiram um nível de popularidade pouco comum em termos de Brasil. Ele dialogou com as massas em plena ditadura dos anos 1970. Seus personagens futebolísticos como o Urubu (Flamengo), Bacalhau (Vasco), Cri-Cri (Botafogo), Pópó (Fluminenses) foram adotados pelas torcidas. No Pasquim publica a dupla Fradins que estrelariam depois em uma revista própria independente de larga tiragem. Criou também o cangaceiro Zeferino, o Bode Orellana, a Grauna e muitos outros. Em 1980 criou a Codecri (Comando de Defesa do Crioleu), editora que fundou no Pasquim e que ajudou nas finanças do jornal. A sigla era uma equipe de divisa de quem deu a vida em defesa dos oprimidos – crioléus de todas as cores e credos. Seu desenho é sucinto e agressivo. Mestre incontestável do humor brasileiro, seu desenho personaliza, ainda hoje, toda a resistência contra os desmandos da ditadura militar, fazendo eco a sua própria vida e suas convicções pessoais. Além do humor gráfico, enveredou pelos quadrinhos, construindo uma obra de grande apelo popular.


1968 – O argentino Trimano publicou caricatura na imprensa apenas sete anos (1968 a 1975), mas a influencia de seu trabalho foi marcante em mestres como Chico Caruso e Loredano. A distorção de suas caricaturas foi levada a novos extremos, como forma de acentuação do perfil psicológico do retratado, num olhar aparentemente frio, que alia crueza à compaixão.


1968 – Chico Caruso trabalha na imprensa carioca e seu irmão Paulo na paulista. Chico preferiu a charge, enquanto Paulo desenvolve composições geralmente mais elaboradas.

1970 - Laerte Coutinho é um dos quadrinistas mais conhecidos do Brasil. Suas atividades como profissional tiveram início em 1970, na revista Sibila, onde desenhava um personagem chamado Leão. Em meados dos anos 70, em conjunto com Luiz Gê, criou a revista Balão, na USP, considerada um clássico dos quadrinhos underground no Brasil. No fim dos anos 80, foi colaborador e fez publicações nas seguintes revistas: Geraldão (que tinha Glauco como editor) e Chiclete com Banana, de Angeli. Todas elas faziam parte da Circo Editorial, que depois acabou lançando a revista Piratas do Tietê, de Laerte.. Alguns de seus personagens mais populares são: Overman e os Piratas do Tietê. Em criação conjunta com outros cartunistas, Glauco, Adão Iturrusgarai e Angeli, Laerte foi co-criador e desenhista de Los Três Amigos.


1971 – O mineiro Nani começou publicando charges em O Diário. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro. Colaborou com O Pasquim, a partir do qual, junto com seis outros artistas, criou O Pingente. Foi também chargista do Jornal da Globo e colaborou na MAD brasileira.

1972 – O carioca Loredano inicia seu trabalho como desenhista profissional no jornal Opinião. Entre 1977 e 1981, vive na Europa, publicando seus trabalhos em importantes jornais da Alemanha, Itália e França. Em 1985 muda-se para Barcelona, onde reside por seis anos colaborando desde 1986 no jornal espanhol El País. De volta ao Brasil, em 1993, publica Loredano: caricaturas, primeiro livro abrangente sobre seu trabalho. Seus desenhos são publicados também em O Estado de S. Paulo e outros periódicos nacionais e internacionais. Loredano foi chamado por um grande caricaturista de “o mais derretidos da figura humana”. Sua definição atinge uma precisão quase científica, ainda que nada previsível, aliando para o leitor a beleza à surpresa.


1973 - Angeli, talvez o artista mais completo de uma geração brilhante de caricaturistas ativos em São Paulo. Ele ganhou notoriedade como cartunista na Folha de São Paulo. Criador de personagens que se tornaram clássicos, apesar de recentes como RêBordosa, Walter Ego, Meiaoito, entre outros. Fundador da revista Chiclete com Banana, lançada em 1985, o trabalho de Angelo como quadrinhista é dos mais originais do país como séries de sucesso como Los Três Amigos.



25 novembro 2017

1837-2017: 180 anos da caricatura no Brasil (04)

1946 - O maranhense Fortuna começou sua carreira de desenhista aos 15 anos na revista carioca Sesinho. Humorista dos mais combativos, publicou charges políticas antológicas no jornal Correio da Manhã, no início da ditadura militar. Desenhou também em A Cigarra, O Cruzeiro e Revista da Semana. Em 1975 lançou e dirigiu a revista de quadrinhos O Bicho.


1948 – O carioca Millor Fernandes cria na revista O Cruzeiro a coluna do Vão Gogo, pseudônimo do espaço autoral mais lido entre 1948-1950, e a coluna PifPaf, embrião da revista quinzenal lançada em 1964 e fechada quatro meses depois do golpe. Autodidata e genial, o artista construiu uma das mais belas e respeitadas carreira na imprensa de humor e ideias do País. Ele é o maior expoente do desenho de humor no Brasil na segunda metade deste século.


1953 – O acreano Appe conquista fama nacional ao entrar para a redação de O Cruzeiro, fazendo caricaturas políticas. Na década de 1970 criou a seção BlowAppe (trocadilho com o filme de Antonioni, famoso na época).

1954 - O ilustrador carioca Lan começa a publicar no jornal Última Hora o emblemático personagem O Corvo, satirizando Carlos Lacerda, político dos mais influentes e desafetos do dono do jornal, o jornalista Samuel Wainer. Na década de 1960, depois de passar por diversos jornais da cadeia dos diários associados, fixou-se por mais de 30 anos no jornal do Brasil, onde fazia chegar no nobre espaço dos editoriais e depois ilustrações, sempre focando suas mulheres. Mais tarde transferiu-se para O Globo.


1955 - O mineiro Borjalo ficou conhecido fora do Brasil ao ser incluído entre os sete maiores caricaturistas do mundo no Congresso Internacional de Humorismo, na Itália, e passou a ter trabalhos publicados no exterior, em veículos como The New York Times e Paris Match. Pouco depois, foi apontado como um dos cinco maiores do mundo por outro mestre do desenho, o romeno naturalizado norte-americano Saul Steinberg. Borjalo traz cartuns, geralmente, sem palavras, revelar um traço simples e despojado. Tem trabalhos publicados em revistas de todo o mundo.


1957 - Jaguar inicia sua carreira como cartunista na página de humor da revista Manchete. No ano seguinte passa a colaborar com a revista Senhor. Na década de 1960, trabalha por oito anos no jornal Última Hora. Em 1968, lança Átila, você é um bárbaro, uma antologia de seus cartuns. Funda em 1969, o semanário carioca O Pasquim, ao lado de Millôr Fernandes, Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Henfil, Paulo Francis, Ziraldo, entre outros. Em O Pasquim, cria o rato Sig, uma alegoria de Sigmund Freud (1856 - 1939), que se torna símbolo oficial do jornal, aparece na capa e no começo das matérias, e é o mascote da publicação.



1957 – O gaúcho Claudius começa a fazer caricaturas para o Jornal do Brasil. Integra, em 1969, a equipe do jornal O Pasquim. Claudius narra os acontecimentos políticos a partir da perspectiva do oprimido e retrata de forma irônica o opressor, como é o caso do policial que se envergonha ao apontar arma para mulher cujo cartaz diz “não atire contra meus sonhos”.

24 novembro 2017

1837-2017: 180 anos da caricatura no Brasil (03)

1918 – O baiano Théo começou a publicar seus primeiros desenhos no jornal A Tarde (1918 a 1922) e na seção de esportes do Diário de Notícias (1919), em Salvador. Ainda em 1919 suas charges começaram a aparecer nas páginas de D.Quixote, no Rio de Janeiro. Em 1922, transferiu-se para o Rio de Janeiro, colaborou no D.Quixote e em outras publicações ilustradas. Com os quadrinhos, principalmente na década de 1930, Théo tornou-se conhecido entre os leitores de O Tico Tico. Primeiro, ele criou para essa revista infantil o personagem Chico Farofa (1934). Seguiu-se Tinoco, Caçador de Feras (1938). Seus bonecos eram feitos com poucos traços, em estilo moderno e de grande expressividade.


1923 – O caricaturista Alvarus publica seu primeiro boneco no pequeno jornal clandestino A Bola. A partir de 1925 começou a publicar profissionalmente em A Patria, A Noite, A Manhã, Diário de Notícias, O Radical, Shimmy e muitos em outros jornais e revistas do Brasil e do exterior. Ilustrador de grande talento, Alvarus fez poucas charges politicas, mas publicou regularmente a partir de 1929, retratos das maiores personalidades brasileiras em vários órgãos da imprensa carioca.


1923 - O paraguaio brasileiro Guevara cria a caricatura do Barão de Itararé antes mesmo que o personagem fosse inventado – tornando-se o primeiro caso de a caricatura vir antes do caricaturado – e mais tarde o Barão de Itararé adaptou seu próprio aspecto físico à caricatura, quando assumiu o personagem. Publicou em A Manha, O Malho, Crítica e Papagaio. A inovadora arte geométrica de Guevara, na caricatura pessoal, com volumes acentuados pelos meios tons, teve grande impacto sobre seus contemporâneos.


1927 – O cearense Mendez começa fazendo ilustração para o jornal carioca A Manha. Depois passa a publicar em O Cruzeiro, Folha da Manhã, A Noite entre outros. Seu traço incomodou muitos artistas como Dalva de Oliveira, Orlando Silva, Procópio Ferreira entre outros.

1928 – O carioca Nássara começa a trabalhar no jornal A Crítica. Colaborou nos periódicos Carioca, O Globo, Vamos Ler, Mundo Ilustrado e O Cruzeiro. Produziu extensa obra como compositor (Alé-lá-ó, Formosa, Periquitinho Verde, Mundo de Zinco, Retiro da Saudade etc). Nássara desenvolveu, em quase 60 anos de atividade, um estilo originalíssimo.


1939 - O mineiro Ziraldo começa a publicar seus primeiros desenhos no jornal Folha de Minas. Teve carreira meteórica em O Cruzeiro com a revista A Turma do Pererê que foi às bancas em 1964. Criou personagens emblemáticos do humor brasileiro como Jeremias, o Bom, Mineirinho o ComeQuieto, Supermãe, Menino Maluquinho e tantos outros. Dos caricaturistas brasileiros surgidos na segunda metade do século, Ziraldo é talvez aquele cujo desenho tornou-se mais popular.



1943 – Péricles começa a publicar na revista O Cruzeiro o imortal O Amigo da Onça que ganhou fama nacional e acabou virando marca registrada da revista. Ele detestava a sua criação, embora tenha desenhado o personagem por 17 anos. Ele se ressentia do fato de a criatura ser mais valorizada que o criador.

23 novembro 2017

1837-2017: 180 anos da caricatura no Brasil (2)


1898 – O carioca Raul Paranhos Perdeneiras, o presidente caricaturista. Conhecido por sua extensa atividade jornalista, presidiu a ABI e seu primeiro desenho foi em O Mercúrio, que por ser totalmente colorido era uma revolução para a época. Publicou trabalhos nos periódicos O Tagarela, D.Quixote, FonFon e O Malho. Entre suas criações de maior sucesso estavam as Cenas da Vida Carioca – sátiras aos usos e costumes da classe media de então.


1898 – K.Lixto começou a carreira no Mercúrio. Em seguida começou a publicar em O Malho, FonFon, O Tagarela, Careta, O Cruzeiro entre outros.

1902 – O carioca J.Carlos foi o caricaturista mais importante de seu tempo. Começou no periódico O Tagarela. A partir daí não parou mais. Participou de todas as publicações importantes da época: O Cruzeiro, FonFon, Paratodos, O Malho, Careta etc. Criou Lamparina, Jujuba, Carrapicho e Goiabada para a revista O Tico Tico. Criou os tipos da melindrosa e do almofadinha, que se tornara recorrentes em seus desenhos. Predominava o humor delicado, quase ingênuo, aliado ao desenho limpíssimo, que num único movimento definia a figura.J.Carlos consagrou-se como um dos mais elegantes e inteligentes artistas gráficos do século XX. Com sua garra e seu talento incomum, tinha reunido em sua pena o caricaturista, o chargista, o ilustrador, o publicitário e, englobando tudo isto, o humorista e o cronista.


1907 – O gaúcho Storni colaborou com O Malho e Careta. Suas charges políticas tinham grande repercussão e o artista tratava dos assuntos internacionais com maior profundidade.

1909 – Nair de Teffé foi a primeira dama da caricatura brasileira. Iniciou a carreira de caricaturista na revista FonFon, em seguida Careta e O Malho. Casada com o Marechal Hermes da Fonseca, que governou o país dentre 1910 e 1914 era a primeira dama da República. Foi a caricaturista por excelência da sociedade do Rio de Janeiro do começo do século.


1911 – O ilustrador carioca Seth fundou uma influente revista ilustrada, o Álbum de Caricatura, cujo nome passou depois para O Gato. A partir da década de 1920, o artista dedicou-se a ilustração, produzindo desenho à pena de grande virtuosismo técnico. De 1930 a 35 publicou Flagrantes Cariocas, nos quais satirizava os costumes populares do Rio.


1914 – Com 17 anos, Belmonte publicou seu primeiro desenho na revista Rio Branco. Depois passou a colaborar para diversos públicos. E durante 20 anos (1930/1940) cria Juca Pato, um dos personagens mais populares no dia a dia dos paulistanos: mordaz, gentil e defensor dos fracos. Careca, segundo o autor, de “tanto levar na cabeça”, e adotava o lema conformista “podia ser pior”, que virou bordão em São Paulo e atravessou fronteiras. Hoje Juca Pato é nome de prêmio literário, conferido anualmente pela União Brasileira de Escritores.




22 novembro 2017

1837-2017: 180 anos da caricatura no Brasil (01)

Não se deixe iludir pelas aparências: as distorções não mentem. Apesar da aparente deformação dos traços, a história que contam, os personagens que descrevem costumam estar mais próximos da verdade do que a História oficial. Nos chargistas e caricaturistas com sua arte quase primitiva e capaz de sobreviver na era da imagem (da fotografia, cinema e televisão) continua mais corrosivado que o realismo da fotografia.



Esses artistas revelam não só a cara, mas o caráterdas pessoas, não o que está evidente, mas o detalhe que, de tanto ver, não se percebia. Mesmo no país em que os poderosos costumam ficar impune, a caricatura não os deixa imunes.

O Brasil não inventou a caricatura, mas em 180 anos produziu ou trouxe de fora, naturalizando-os, uma dezenade extraordinários artistas. Assim, o país que não gosta de mostrar sua cara, não tem importância: a caricatura mostra.



1837 – O gaúcho Manuel de Araújo Porto Alegre produziu o que é reconhecido como a primeira caricatura brasileira: A campainha e o cujo, litografia com o desenho de um notável da Corte recebendo suborno.

1855 – O litógrafo, desenhista e biografo francês Augusto Sisson colaborou com os periódicos O Brasil Ilustrado e L´Iride Italianos (1855-1856). Criou uma das primeiras HQs do Brasil chamada “O Namoro, quadros ao Vivo, por S... o Cio” para satirizar os costumes sociais de meados do século XIX.


1860 – O alemão Henrique Fleuiss inaugurou, no Rio de Janeiro, a Semana Ilustrada (1860/1876) iniciando um estilo de publicação até então inexistente no Brasil. Ele criou o formato que todas as revistas semelhantes seguiriam. A primeira revista de humor gráfico a ter regularidade de publicação foi Semana Ilustrada. Nela circulou o primeiro personagem fixo de charge brasileira: o Dr Semana que satirizava o cotidiano político da então capital do Império. Ele comentava as noticias na capa da revista.


1867 – O ítalo brasileiro Ângelo Agostini publicou entre 1867 a 1876 aquele que seria sua publicação mais famosa e que marcaria o auge de sua carreira: a Revista Illustrada. Durou 40 anos (1864 a 1910). Agostini publicou a primeira HQ feita no Brasil: As Aventuras de Nhô Quim (1869), Zé Caipora (1883). Ele foi o mais importante artista do Segundo Reinado. Colaborou com as publicações O Mosquito, Vida Fluminense, Mundo Ilustrado, Don Quixote e O Tico Tico.


1875 – O português Rafael Bordalo Pinheiro foi o inventor do personagem Zé Povinho, ícone nacional português. Fundou os periódicos A Berlinda, O Binóculo e A Lanterna Mágica. No período de 1875 a 1879 foi um dos nossos chargistas mais combativos e nenhum aspecto do cotidiano político e social escapou de seu lápis.