17 junho 2016

Chapada Diamantina é uma jóia da natureza no coração da Bahia




A natureza é sempre muito generosa, mas é inegável que há lugares onde ela parece ter se esmerado mais para mostrar aos homens toda a sua grandiosidade e força. A Chapada Diamantina é um desses lugares, um espetáculo à parte, com 84 mil km² de belezas naturais, dos quais 152 mil hectares formam o Parque Nacional da Chapada Diamantina. Aqui, canyons, vales, chapadões, cavernas, grutas, lagoas e despenhadeiros, sob um tapete de vegetação que mistura campos floridos, um pouco do cerrado, de caatinga e mata atlântica tornam o lugar pura exuberância. Sem mencionar as águas, que deslizam ora calmas, ora revoltas através de ribeirões, rios, corredeiras, piscinas naturais e cachoeiras.

Mesmo localizada no sertão da Bahia, a Chapada Diamantina possui um clima úmido por causa da sua altitude. O local abriga os três pontos mais altos do estado: o Pico das Almas, com 1.958m de altitude, o do Itobira, com 1.970m e o Pico do Barbalho, com 2.080m acima do nível do mar. Misturando muito verde em clima de aventura, a região é formada pela imponente Serra do Espinhaço, que se estende de Minas Gerais até divisa da Bahia com o Piauí. Todas as cidades oferecem boas opções para comer, principalmente Lençóis, a grande pedida é a comida simples e caseira, como o bife acebolado e a moqueca de peixe, bem como a carne-de-sol com aipim.

OURO E DIAMANTE – Muitos se lembram da profecia de Antônio Conselheiro, o líder de Canudos, que dizia insistentemente que “sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão”. Pois é, profecias a parte, estudiosos garantem que a Chapada já foi mar e, que seu ambiente maravilhoso deve a isso. Segundo os mesmos, a água que entrava pelo continente depositava sedimentos na região, fazendo com que a areia fosse dando forma às rochas, com veios de diamantes. A criação e ocupação das cidades da Chapada Diamantina é fruto direto da exploração do diamante. Antes da sua descoberta a região era pouco povoada e comandada pelos índios Maracás, a agropecuária praticada nas grandes fazendas era a atividade econômica principal.

Por volta de 1710 foi descoberto ouro no sul da Chapada, mal o ouro havia se esgotado, os diamantes
foram descobertos. Com a corrida do diamante foram nascendo as cidades. O dinheiro que corria à solta nas lavras atraía gente de todos os lugares: aventureiros, sertanejos que abandonavam as lavouras, fugitivos da justiça, donos de escravos, prostitutas, comerciantes, capangueiros, garimpeiros oriundos do Arraial do Tijuco, atualmente Diamantina, e tantos outros.

No entanto, após 25 anos, da fase áurea do ciclo do diamante, o esgotamento da lavra na Chapada provocou o desmoronamento da economia e a decadência dos municípios. A recuperação recente se deve ao desenvolvimento do turismo e à implantação de pólos de agricultura moderna. Ainda hoje alguns moradores vivem do garimpo, apesar da região ter sido transformada em Parque Nacional.

PREFERIDA DOS TURISTAS – Encravada na Serra do Sincorá está a pequena e graciosa Lençóis. Também conhecida no passado como a “Cidade dos Diamantes”, é o roteiro preferido dos visitantes que vão a Chapada. Antigamente, no ciclo do diamante, os garimpeiros armavam suas barracas de toldo, parecendo lençóis estendidos às margens dos rios mais ricos em diamantes, daí a origem do nome da localidade. Seu encanto vai desde o conjunto de seu casario colonial, com cerca de 20 ruas, praças e 269 casarões, passando pela hospitalidade dos habitantes, que não dispensam um bom papo, até um passeio no fim de tarde pelas ruas de calçamento irregular feito com pedras, onde a luz dourada do sol que se põe envolve o velho casario. A sensação é de viagem no tempo.

Saindo de Lençóis, mas ainda na trilha das maravilhas da Chapada, chegamos ao Poço Halley, que fica em um canyon com mais ou menos 3m de largura, é outra aventura singular. A água é de cor acobreada, como na maioria dos rios da região, devido a grande presença da matéria orgânica. Imperdível também é o Salão de Areias Coloridas, formado pela erosão de rochas graníticas e arenito, onde os artesãos recolhem areias de diversas cores para montar desenhos dentro de garrafas. Esta aí uma linda lembrança para se levar da Chapada.

Ir na Chapada Diamantina e não conhecer a Cachoeira da Fumaça, é o mesmo que ir a Salvador e não ouvir axé. Localizada no município de Palmeiras, a água e o vento se encontram para produzir chuveiros naturais, mas quando o leito do Riacho da Larguinha, que forma a cachoeira, está baixo, acontece então o efeito fumaça, que é quando a queda d´água não tem volume suficiente para descer os seus 370m de altura, fazendo com que a água se espalhe como se fosse vapor, voltando a subir.
 
POÇO ENCANTADO - Outro lugar de extrema magia é o Poço Encantado, no município de Itaitê, que fica dentro de uma gruta com 40m de profundidade. Suas águas cristalinas permitem ver até o fundo, de abril a outubro, um raio de sol penetra por apenas alguns minutos pela manhã, refletindo nas rochas e dando ao lugar uma incrível cor azul, talvez por isso seja considerada a maior atração natural da Chapada.

Estreitas ou largas, secas ou inundadas, mas todas muito bonitas. A Área de Proteção Ambiental (APA Marimbus-Iraquara) abriga a maior concentração de cavernas da América do Sul, são 120. As abertas à visitação são: a Pratinha, a Gruta Azul, a Lapa Doce, Torrinha, Buraco do Cão e Diva de Maura. Em muitas destas é possível fazer mergulhos. Já está cansado ou acha que viu tudo? Isso aqui não é nem o começo!


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