14 junho 2016

Citações importantes sobre quadrinhos (02)


Frederico Fellini (cineasta):

"Histórias em quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas pessoas de papel, paralisadas no tempo, marionetes sem cordões, imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de agradar aos olhos, um modo único de expressão. O mundo dos quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros, personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível poder secreto de sugestão que reside na permanência e imobilidade de uma borboleta num alfinete. () Os quadrinhos! Não li quase outra coisa. Conservo ainda com minha mãe uma coleção de 1927 de Corrieri dei Piccoli... Se pudesse filmar Flash Gordon ou o Fantasma, seria o mais feliz dos homens! "

“Os quadrinhos, mais do que o cinema, beneficiam-se da colaboração dos leitores: é contada uma história que eles contam para eles mesmos; com ritmo e imaginário próprios, que vai e volta” (Federico Fellini sage comme la lune, entrevista em Le Soir, Bruxelas, 01 de agosto de 1990, p.3 do suplemento MAD)

Enki Bilal (quadrinista):

O grafismo permite toda uma série de enriquecimentos, de recursos cromáticos permanentes impossíveis no cinema. Assim, o filme é, de certo modo. Um pálido reflexo do meu universo gráfico(Revue d u Cinéma, n.454, novembro de 1989)

Moacy Cirne (escritor, poeta e estudioso dos quadrinhos):

Além da importância ideológica, os quadrinhos registram uma problematicidade expressional de profundo significado estético, tornando-se a literatura por excelência do século XX. Ou um novo tipo de literatura (popular)a literatura gráfico visual(A Explosão Criativa dos Quadrinhos, 1970)

Alain Resnais (cineasta de O Ano Passado em Marienbad):

O que sei sobre o cinema, eu o aprendi tanto no cinema como nos quadrinhos. As regras de decupagem e montagem são as mesmas, tanto nos quadrinhos como na tela. E, bem antes do cinema, eles utilizaram o scope e sempre puderam mudar de formato. Da mesma forma a cor: eles sabem utilizá-la para fins dramáticos.

Charles Chaplin (ator):

Para mim, pessoalmente, Al Capp (criador de Ferdinando), com seus deliciosos personagens, abre novas visões de bufonaria com uma sátira inspiradora.

Alberto Morovia (escritor):

Sou leitor de Li'l Abner (no Brasil, Ferdinando) desde 1934

John Steinbeck (escritor):

Penso que Capp (criador de Ferdinando) talvez seja, positivamente, o melhor escritor do mundo hoje em dia. Tenho certeza que é o melhor satirista, desde Lawrence Sterne () Posso pensar em Cervantes e Rabelais, que conseguiram fazer isto antes de Capp!. E terminava seu texto de 1952 indicando All Capp para o prêmio Nobel de Literatura.

Penso que seja hoje, provavelmente, o melhor escritor do mundo. Uma coisa é colocar e outra é fazer aceitar a crítica e divertir com esta. Me parece que somente Cervantes e Rabelais tenham conseguido fazer isto primeiro...Se o comitê para o prêmio Nobel é realmente vivo e atento, que tome seriamente em consideração. O ano é 1953, as palavras são de John Steinbeck e a figura a qual se referem é o cartunista norte americano Al Capp, o criador de Li'l Abner (Ferdinando) e Fearless Fosdick (Joe Cometa).

Antonio Luiz Cagnin (um dos pioneiros no estudo dos quadrinhos no Brasil):


As diversas artes estão aí, séculos, narrando fatos e feitos. Como no cinema, os outros sistemas de imagens em série ou em sequência se fixaram também na narrativa. Embora com potencialidade para ser aplicada em numerosos setores, as imagens e especialmente os desenhos se puseram a narrar. Assim, esta sua manifestação principal foi a que lhe deu o nome e quase lhe define a essência: história em quadrinhos é uma história em imagens(Os Quadrinhos, Ed. Atica, 1975, p.21)

Pierre Fresnault-Deruelle (estudioso dos quadrinhos):

“...o fascínio que os quadrinhos podem provocar no leitor é baseado, entre outros elementos, na sua capacidade de nos fazer imaginar além de tudo o que nos é realmente mostrado: tem-se um sussurrar de sinais inaudíveis (assim como há um movimento intenso de coisas imóveis) por trás dessas caixas alinhadas com perfeição” (Le fantasme de la parole, Europe, n.720: La bande dessinée, Paris, abril de 1989, p.54)

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