02 junho 2016

Tese de doutorado analisa semanário baiano A Coisa (1897-1904) - 2



Ao longo dos seis anos de sua produção e circulação A Coisa fez circular um conjunto com mais de
2431 imagens visuais e textuais sobre o negro. Há coleções físicas d’A Coisa na biblioteca do IGHB, coleção não microfilmada com algumas poucas edições aleatórias, correspondentes ao período de 1897 a 1900. A coleção disponibilizada no setor de periódicos raros da BPEB é a que contém maior número de edições e exemplares regulares, correspondentes aos anos de 1897 a 1904. Nesta coleção que também não está digitalizada, nem microfilmada, e se encontra em acelerado processo de degradação, foram observadas, lidas e fotografadas 172 edições que somaram 712 páginas, sendo cerca de 2300 (dois mil e trezentos) fragmentos de textos e 131 imagens visuais.

Os periódicos baianos pareciam se espelhar nos periódicos ilustrados produzidos no Rio de Janeiro. Embora A Coisa tenha mantido imagens de pequeno tamanho inseridas no interior de suas quatro páginas, ao longo dos anos as suas características físicas passaram a acompanhar aquilo que parecia uma tendência no Rio de Janeiro com O Mequetrefe (18751893) e a Revista Ilustrada (1876-1898), jornais que resguardavam a página de capa e a contracapa para inserção de imagens em grandes dimensões, sendo suas páginas internas preenchidas com textos. 
 
Em seu segundo ano A Coisa começou a se adequar a estes padrões já adotados pelo jornal baiano ilustrado A Malagueta (1897-1898), de propriedade do redator e caricaturista baiano Arthur Arezio da Fonseca. A partir da entrevista realizada com o professor Luis Guilherme Pontes Tavares, descobrimos que o gravurista Arthur Arezio da Fonseca foi o diretor de criação d’A Malagueta, e talvez o possível realizador das suas gravuras. A partir daí desvendar as tramas, nomes, e histórias dos sujeitos responsáveis por compor as páginas do semanário 

A Coisa nos levou a uma aventura arqueológica em que também encontramos os comunicadores e pesquisadores da imprensa, Nelson Varón Cadena, e Gutemberg Cruz, o último responsável por nos apresentar o nome do gravurista Fortunato Soares dos Santos, responsável pela produção de litografias no ilustrado baiano O Faisca, e citado por Gutemberg como o responsável pelas imagens presentes n’A Malagueta. Essas pistas nos levaram ao Acervo de Memória e Documentação Clemente Mariani (AMEDOC), na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), da cidade de Cachoeira.


A partir d’O Faisca concluímos que os primeiros periódicos baianos pareciam o desdobramento das produções portuguesas do século XIX. Encontramos no livro Jornais e Revistas Portuguesas do século XIX vários indícios dessa influência, quando percebemos que   os nomes dos periódicos ilustrados na Bahia reproduziam os títulos já publicados em terras portuguesas.   

Arthur Arezio é identificado por seu biógrafo, Guilherme Tavares, como negro, convidado a integrar a associação de amigos colaboradores na produção de textos e gravuras d’A Coisa, o que visivelmente acarretou numa grande mudança e valoração no uso e visibilidade das imagens inseridas na capa do periódico nos anos subsequentes a sua entrada enquanto colaborador.

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