21 junho 2016

No inverno o tempo é de descanso, recolhimento, coberta e abraço



No dia 20 de junho (última segunda feira) começou o inverno. Termina no dia 22 de setembro.  Os dias são mais curtos. As plantas parecem encolher, e os animais se recolhem aos seus abrigos. O frio se faz presente quase que diariamente. As pessoas, mergulhadas em roupas pesadas se encolhem, e restringem seus movimentos. É a estação de procura por ambientes mais aconchegantes, e esse mesmo aconchego parece infiltrar-se na alma das pessoas.

As árvores estão desfolhadas estendendo seus ramos despojados na paisagem cinzenta. Elas perderam suas folhas e seus frutos, sua beleza e riqueza. Ficam solitárias, aparentemente estéreis e
mortas. Elas renunciaram à maravilha de suas folhagens e à fecundidade de seus frutos, e o vento já não canta em suas ramagens. São como velhos que perderam a beleza e o vigor, que compreenderam que tudo passa e que só o dever comprido tem valor.

A água é a fase da energia associada ao inverno. O inverno é o tempo do descanso, da quietude, quando a energia é poupada, recolhida, condensada e armazenada. A água é um elemento muito concentrado, contendo um grande potencial, um grande poder esperando para ser liberado. No corpo humano, a água está associada com os fluídos essenciais como os hormônios, os líquidos linfáticos, a medula, as enzimas, todos com grande potencial de energia. Sua cor é o preto ou o azul-noite. A cor que contém todas as outras cores de forma concentrada. Na natureza, água evapora com o excesso de calor, nos seres humanos a energia da água dispersa pelo excesso de estresse e de emoções fortes. A forma de se conservar a energia da água é através da quietude e do repouso, é se manter frio. Afinal, o inverno é a estação da coberta e do abraço.


Aqui no nordeste do Brasil não temos inverno com temperatura baixa por estarmos próximos do equador, temos época das chuvas. Os ipês ficam cobertos de flores, as plantas rasteiras conhecidas como ‘flor de São João’, presentes nas fogueiras de festas juninas. É tempo da orquídea, begônia, lupino e azulzinha.

O tempo está fresco e, por vezes cinzento, é o inverno que chegou. Para aproveitar melhor a estação coloque a roupa que você gosta mais de usar e os sapatos mais agradáveis e vá para fora de casa. Encha de ar os pulmões. Respire profundamente e comece a andar e olhar a paisagem em
volta. A caminhada não pede mais do que a colocação de um pé à frente do outro. Pratica-se não importa onde, não importa quando, a sós ou com outros. Ela é de todas as idades e de toda a condição. Ela não exige mais que vontade e uns bons sapatos nos pés. Ao fim de 30 minutos ou talvez mesmo uma hora, de regresso a casa, descontraído, tranquilo, oxigenado, estica as suas pernas, estira a sua coluna e retoma as suas tarefas. Neste inverno combata o sendentarismo. Ele tem o mesmo significado para o corpo do que a seca tem para a terra. Ele enfraquece. A mobilidade é a vida, a liberdade, o desafogo.

Você sabia que o inverno tem muito a ver com depressão? Para se ter uma ideia, com o início dos dias
frios, os casos de depressão chegam a aumentar em até 20% em relação à média normal. Os especialistas batizaram o surto de depressão sazonal, um problema que afeta mais as mulheres do que os homens. A depressão sazonal tem início no inverno, mas pode ocorrer em outras épocas do ano, desde que o clima propicie o seu aparecimento. Os sintomas são típicos da depressão clássica, como desânimo, intensa fadiga, perda de energia, aumento do sono, alteração no apetite, irritabilidade, sonolência e mau-humor.

A explicação para o problema está principalmente nas funções biológicas do organismo. A diminuição de horas diárias à exposição solar pode levar a mudanças neuroquímicas. A intensidade da luz é importante para a secreção, por exemplo, da serotonina, um neurotransmissor que regula o humor, o apetite e o sono. Em alguns casos, a chegada da primavera pode amenizar o sofrimento, mas isso não é regra.

Um dos tratamentos mais conhecidos para a depressão sazonal é a fototerapia, um método que expõe o paciente a uma luz especial ultrabrilhante, a potência varia de acordo com os sintomas, e a aplicação deve ser feita com aparelhos específicos sem emissão de radiação ultravioleta. A depressão sazonal é mais recorrente – por questões obvias – em países mais frios. Imagine que no inverno de Londres a temperatura varia entre 2 e 6 graus! Nessa época do ano o Sol vai dormir logo após as 16 horas. No verão a coisa não melhora muito, os termômetros marcam de 13 a 23 graus em média durante a estação.

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