03 junho 2016

Tese de doutorado analisa semanário baiano A Coisa (1897-1904) - 3



A estrutura da tese está organizada em três partes. Na primeira parte, a apresentação do semanário A Coisa dentro de um lugar na história da imprensa baiana, e os diálogos com a imprensa periódica do Recife e do Rio de Janeiro. Foi proposto um discurso acerca das relações entre história, cultura e imagem na Bahia da Primeira República a partir do uso das fontes textuais e visuais encontradas n’A Coisa, especialmente suas politipagens.

As questões acerca da produção e circulação do periódico, seu conjunto de redatores, os jornais baianos que influenciaram na sua produção, e também seus concorrentes de vida breve. Foi proposto nessa parte inicial apresentar as características físicas d’A Coisa, e discorrer sobre a associação de amigos responsáveis pela produção de suas crônicas, poemas, chistes suas pequenas imagens, bem como de sua circulação e seu caráter político. 

A segunda parte privilegia as imagens com maior dimensão. Momento no qual discute a autoria e as intenções de seus autores, e propõe aportes dessas imagens a partir do diálogo com imagens canônicas e suportes variados, como esculturas, poemas e o cinema. Desloca as imagens das páginas d’A Coisa para visualizar os detalhes sobre a representação desses corpos, matizes, os gêneros e seus valores hierárquicos, na composição de uma narrativa analítica que evidencia esses valores, configurada a partir de uma operação capaz de significar e perceber os signos que constituem as relações das práticas responsáveis por determinar sentimentos de pertencimento e exclusão de homens e mulheres brancos e negros no cenário da sociedade do Brasil da Primeira República.

“Esse processo de análise não consiste apenas no efeito de um
olhar, mas também de uma operação técnica. Esta é a parte da tese em que evidenciamos de forma bastante didática nossas observações, a minuciosa descrição e análise dessas imagens”, revela o pesquisador.

Na terceira parte privilegiou-se as análises das imagens selecionadas nos periódicos A Coisa e A Malagueta integradas aos textos que as circundam, enquanto um diálogo na busca pelos indícios e pistas que evidencie as identidades de seus autores. Embora os dois jornais tenham sido produzidos pelo gravurista e redator Arthur Arezio da Fonseca, a autoria e a técnica dessas imagens variam ao longo dos anos e recebem colaboradores não nominados.

É nesta parte que o corpo masculino é analisado a partir da sua representação remissiva ao advento da Abolição da escravatura no Brasil. Centrou-se finalmente na descrição e análise das questões que foram suscitadas ao longo da primeira e segunda partes, focando na representação visual dos corpos masculinos negros, levantando questões relacionadas à hierarquia, o lugar e o não-lugar determinados para negros e brancos na República.              


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