23 agosto 2011

Erudito, popular e de massa (2)

Cultura popular diz respeito ao povo, origens, tradições, raízes, ao folclore, à resistência de trabalhadores, proletários, oprimidos e à construção de identidades operárias. É massivo tudo que padroniza diferenças e, consequentemente, neutraliza ou desagrega o espaço das manifestações populares. É erudito tudo que não é contaminado pelos processos de reprodutibilidade técnica, tudo o que consegue ser absolutamente original, aurático. Os novos autores amplia o aspecto da reflexão e qualifica o conceito, atribuindo-lhe a capacidade de articular massivo e popular, tanto por meio de tradições seculares (comedia de arte italiana) quanto por outras tradições que a própria modernidade engendrou (pop art). Mas deve-se tomar cuidado para que a insistência na imbricação conflituosa entre popular e massivo não venha significar nova forma de exclusão.

Apesar da internet e de toda a tecnologia do século XXI, os quadrinhos, surgidos nos idos de 1890, permanecem atuais graças a sua capacidade de renovação e atualização. Seja na publicação de tirinhas ou nos gibis, os quadrinhos são tão importantes que até merecem um dia especial: 30 de janeiro. Qual a receita desse sucesso? O fato de serem facilmente encontrados nas bancas, livrarias, por seu tamanho e pelo tipo de papel, atraentes ao leitor. Acrescente-se a isso o formato, que pode ser carregado em qualquer bolso e sem necessidade de cuidados extras, geralmente dispensados aos livros. A tecnologia, que antigamente assustava os editores e quadrinistas, hoje é uma grande aliada desse tipo de produção. Os motivos para a continuidade do sucesso dos quadrinhos são variados: vão desde a qualidade da produção ao profissionalismo, passando pela maior distribuição, segmentação, e, é claro, pela diversidade de gibis.


Com a elevação dos padrões artísticos das HQs, a crítica pode melhor exercer o seu papel de explicar e tornar acessível ao publico leitor as publicações no mercado e concorrer para aprimorar o gosto dos leitores. A necessidade da crítica quadrinhográfica se impõe a partir do momento em que as técnicas se tornam mais sofisticadas, a sensibilidade de argumentistas e desenhistas se refina, e o uso de símbolos se intensifica na representatividade do mundo moderno. A crítica, concorrendo para melhorar o nível do público, implica na melhoria do nível dos próprios quadrinhos. O círculo se fecha e as revistas em quadrinhos reencontram seu caminho e sua destinação estético informacional (CRUZ, 1975).


Visto pelo leitor, o quadrinho é uma aventura que vai desde a distração nas horas de folga à formação da personalidade. Para essa aventura é que o crítico deve convidar o publico leitor, mas respeitando-o realmente, sem o forçar a nada, expondo-lhes os dados do problema. Deve-se ressaltar mais o aspecto estético informacional (texto/imagem), da revista e não como fazem alguns dos críticos que se limitam a elogiar os quadrinhos que melhor funcionam como divertimento. Devemos deixar-nos conduzir pelas imagens que narram uma história, mas compreendendo o significado exato dessas imagens.

Referências:

CANCLINI, Nestor Garcia. “Ni folklorico ni masivo: ¿que es lo popular?”. Dia-Logos (de la communicacion). Lima, Peru: nº 17, junio/1987.

CRUZ, Gutemberg. A crítica quadrinhográfica. Salvador. A Coisa, suplemento da Tribuna da Bahia, 14 de novembro de 1975, p.3.

ECO, Umberto. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 1979.

ECO, Umberto; Super-Homem de massa. São Paulo: Perspectiva, 1991.

MARTIN-BARBERO. J. De los medios a las mediaciones. México: Gustavo Gile, 1987.

RAMOS, J.M.O. Televisão, publicidade e cultura de massa. Petrópolis: Vozes, 1995.

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Os mitos estão de volta em A Turma do Xaxado: Lendas e Mistérios volume 2


Após o enorme sucesso de "A Turma do Xaxado: Lendas e Mistérios volume 1", a turminha está novamente envolta em mistérios fantásticos com os personagens do folclore brasileiro que já fazem parte da imaginação do nosso povo. São histórias transmitidas de pai para filho há várias gerações, contadas através do talento mágico de Antonio Cedraz.


O folclore brasileiro é recheado de figuras incríveis, com suas histórias maravilhosas e poderes mágicos, e que são tão fantásticas quanto as fadas, os duendes, magos, bruxas, sereias, dragões e elfos das culturas de outros países. As personagens aqui apresentadas são baseadas em entidades do folclore, são parte desta nossa cultura brasileira, tão desconhecida de muitos de nós.


No álbum, Lendas e Mistérios volume 2, Xaxado e sua turma contracena com a Comadre Florzinha, Lobisomem, Homem do Saco (Papa-Figo), Boitatá, Cabeça de Cuia, Iara e Anão dos Trilhos.

Na ocasião será lançado também o livro Crie a História. Neste livro o leitor vai encontrar histórias com os "balões" em branco para que cada um escreva a sua história do jeito que quiser, do jeito que a imaginação mandar.

O lançamento de Lendas e Mistérios vol.2 e Crie a História acontece na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato,

no dia 27 de agosto (sábado), a partir das 10 horas. (Fonte: Ascom do Autor)

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929).

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