22 agosto 2011

Erudito, popular e de massa (1)

No seu livro Apocalípticos e Integrados (1979), Umberto Eco retoma essa discussão, mostrando que o conflito continua. Eco fala que para os apocalíticos a “cultura de massa é a anticultura”. Afinal, se a cultura é algo produzido por uma aristocracia superior, qualquer cultura produzida por todos e para todos é uma ofensa. E como a cultura de massas na sociedade é um fenômeno irreversível, a sua influência também o é. Já os integrados são uma resposta a isso. Eles pensam que a televisão, os quadrinhos, o rádio, cinema, romances populares e outros colocam a cultura ao alcance de todos, possibilitando uma ampliação da informação cultural.


O autor salienta que podemos estar diante das duas faces de um mesmo problema e não de dois conceitos opostos. Para o autor italiano, esse mundo da cultura de massa, que alguns tentam recusar e outros o aceitam e o valorizam, é na verdade, também o nosso mundo. Um mundo que tem sua origem quando as classes subalternas podem começar a acessar os bens culturais, com a chance de produzir esses bens graças a processo industriais.


Depois de Gutemberg (e sua Bíblia), a indústria cultural é uma realidade. Eco acredita que esse mundo da comunicação de massa, queira o virtuoso crítico ou não, é o nosso mundo. Ao falarmos de valores, as condições objetivas das comunicações chegam até nós pela existência do rádio, jornais, filmes, tevê e de qualquer nova forma de comunicação visual ou auditiva – podemos acrescentar ao seu discurso, então, as HQs, a Internet e os games. É impossível fugir a essas condições. O problema é que os quadrinhos são a parte esquecida dos estudos culturais. Apesar do esforço, principalmente por parte de estudiosos franceses e italianos da década de 70, os estudos, ensaios e livro sobre HQ não chegam nem de perto do que se produz sobre cinema, música, literatura e outras formas de manifestação cultural.


As tradições teóricas que enfatizam separações entre cultura erudita, popular ou de massa tendem a construir modelos que adotam os referenciais da cultura erudita, culta ou letrada como únicos legítimos na definição do que deve – ou não – ser incorporado ao campo cultural. Essa postura ou ignora a existência de um grau de diversidade nas manifestações culturais e não as incorpora como objetos da reflexão cultural, ou passa a qualificá-la por meio das ausências como, por exemplo, as estéticas, de linguagem, conteúdo, consistência.


O objetivo em uma ou outra postura, é negar a estas manifestações o estatuto de fato cultural e considerar cultura como sinônimo de erudição. Uma das mais tradicionais e sólidas representantes dessa tendência teórica está localizada na Escola de Frankfurt. Para os frankfurtianos a construção da teoria de massa como cultura, pela afirmação do conceito de indústria cultural e pela constatação da impossibilidade de existência de tradições, cultura popular, obra de arte e espaço para o autentico no mundo moderno.


Outras abordagens sobre cultura nas sociedades modernas mostram que a dicotomia deve ser discutida. Da cultura erudita (travestida em cultura de proposta) e da cultura de massa (em cultura de entretenimento) localizam-se, na análise de Umberto Eco (1987, 1991), outras formas de percepção. A especificidade analítica desse referencial teórico preconiza que a cultura de massa ou os produtos culturais industrializados devem ser observados e questionados em sua configuração interior e avaliados como elementos de sensibilização de um público receptor, estereotipado e divido entre homens de cultura e homens de massa.


No balanço entre apocalipticos e integrados, as ausências ou precariedades estéticas, de linguagem, de conteúdo e consistência são detectadas e comparadas aos referenciais eruditos por meio de cuidadosa desconstrução interna dos produtos culturais. O fascínio (que Eco deixa claro possuir) pelos quadrinhos, música, folhetim, radio, cinema e televisão, não impede que estes sejam vistos, neste momento, como mensagens – de melhor ou pior gosto – e como estruturas de consolação ou evasão, mediadoras da relação entre parceiros médios. Localizados em espaço cultural reservado às obviedades, repetições e ao kitsch, as mensagens permanecem à disposição da massa e são acessíveis, também, ao seguimento culto da sociedade que deseja, eventualmente, escapar.


Em seus trabalhos iniciais, Eco revela-se de forma marcante a separação entre os diferentes segmentos culturais. Em seus trabalhos posteriores Eco relativiza a noção de consolação e constrói um referencial em que existe espaço para a reflexão positiva e bem humorada sobre inúmeros produtos serializados, resultantes da produção cultural industrializada.


Outras tentativas de superação da fragmentação entre popular e massivo está nos trabalhos de autores como Nestor Garcia Cancline, Jesús Martin-Barbero e José Mario Ortiz Ramos em suas pesquisas ligadas ao campo audiovisual e, genericamente, à produção cultural industrializado no Brasil e na América Latina – que caminha nessa direção, trabalhando as possíveis articulações entre cultura popular e cultura de massa. O popular deve ser encarado tanto como algo que nos interpela desde o massivo e estabelece imbricação conflituosa no massivo, quanto como um modo de atuar nele (MATIN-BARBERO, 1987, p. 248 e 250; CANCLINI, 1987, p.10), ou ainda, popular e massivo constituem-se em elementos de configuração da cultura popular de massa (RAMOS, 1995, p. 257).

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Fundação Pedro Calmon lança prêmios de publicação e humor gráfico

Inscrições no período de 22 de agosto a 22 de setembro de 2011


No dia 17 de agosto, às 9h30, durante a IV Feira do Livro: Festival Literário e Cultural de Feira de Santana, a Fundação Pedro Calmon/SecultBA lançou dois prêmios: Prêmio Hera de Publicação e Prêmio de Humor Gráfico: o fim e a continuidade do livro. As inscrições são gratuitas e estarão abertas no período de 22 de agosto a 22 de setembro de 2011, de segunda a sexta-feira, no horário das 9h às 17h. Ao todo serão investidos R$ 35 mil (trinta e cinco mil reais) para as premiações.


O Prêmio Hera contemplará com 10 mil reais o melhor livro de autor baiano publicado de janeiro a dezembro de 2010, em qualquer gênero e, com 5 mil cada, as duas melhores dissertações sobre literatura defendidas (mas não publicadas em livro) no mesmo ano. O prêmio total disponibilizado para este Edital será de R$20 mil (vinte mil reais).


Já o Prêmio de Humor Gráfico vai contemplar os três melhores trabalhos nos gêneros cartum, HQ, charge, tira ou caricatura, com o tema “O fim e a continuidade do livro”. O primeiro colocado receberá 7 mil reais, o segundo, 5 mil, e o terceiro, 3 mil, além de integrar uma exposição com os 30 melhores trabalhos, na X Bienal do Livro da Bahia. O prêmio total disponibilizado para este Edital será de R$15 mil (quinze mil reais).


Elaborados pela Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), os dois prêmios têm, por um lado, o objetivo de fomentar a produção editorial no Estado e, por outro, refletir sobre a condição do livro em nossa época, caracterizada por instituir novas tecnologias e sepultar a tradição. Os folhetos com o regulamento dos dois prêmios estarão disponíveis nos estandes da Fundação Pedro Calmon.


As obras deverão ser protocoladas diretamente na sede da Fundação Pedro Calmon, Av. Sete de Setembro, 282, Edf. Brasilgás, Sala 605, Centro, Salvador, 40.060-001, ou por via postal com Aviso de Recebimento (AR). Os interessados poderão verificar o edital completo nos endereços: www.fpc.ba.gov.br ou http://leituraelivro.blogspot.com As dúvidas sobre o processo de inscrição poderão ser esclarecidas através do endereço eletrônico: dll.fpc@fpc.ba.gov.br (Fonte: Ascom da Fundação Pedro Calmon – SecultBA (71) 3116-6918/ 6919/ 6676. ascom.fpc@fpc.ba.gov.br, http://www.fpc.ba.gov.br)


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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929).

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