25 abril 2016

Grafismo baiano sofreu influência francesa



A caricatura na Bahia, no início, é filha do tempo francês, mais especificamente de uma Paris que vivia o Romantismo, que viu baratearem as ilustrações e assistia ao multiplicar das folhas periódicas amplamente ilustradas (espaços de liberdade e recreação) onde se alojaram com sucesso os folhetins e, numa outra dimensão, estorias ilustradas, ou por outra, estórias e historias caricaturadas.

Esses primeiros desenhistas eram discípulo do Romantismo francês: o italiano Ângelo Agostini (1843-1910) que se criara em Paris, mas lançou seus primeiros periódicos ilustrados em São Paulo: O Diabo Coxo, O Cabrião. Atuou na Vida Fluminense, Revista Ilustrada, entre outras.

Assim, contemporâneas do sucesso do folhetim de de página, colocaram-se as historietas ilustradas não menos rocambolescas, que introduziram na Bahia a caricatura como narrativa, recurso poderoso na comunicação da época que denunciava, educava, fazia rir, enfeitava e potencializava uma incipiente imprensa de letras.

A relação da imagem com o texto está nas iluminuras da Idade Média e nos emblemas da Renascença. Mas provocou uma modificação profunda e radical nessa relação texto-imagem ao aperfeiçoá-la tecnicamente, ao industrializá-la, ao fazer circular amplamente e em proporções outras uma nova imagem, construída também de novos objetos e novas práticas cotidianas: as lanternas mágicas e os panoramas. O agenciamento, a complementaridade texto/imagem constitui, pois, uma inovação do século XIX, que inaugura tambémo livro ao alcance de todose, por extensão, novas formas de ler.

Editor, livreiro, impressor, jornalista, romancista, ilustrador se confundem. Eram produzidas estampas avulsas. As atividades ligadas à imprensa ilustrada reuniam os homens daquela geração, que se encontraram nas revistas, nos jornas, romances. Desenhistas como Travies, Daumier, Gavarni, Bertall estão no La Caricature (1830-1835, que une o romancista Honoré de Balzac ao editor Charles Philipon). Gavarni ilustrou A Comedia Humana, de Honoré de Balzac, publicada de 1829 a 1847 e editada por Pierre-Jules Hetzel.


A imprensa ilustrada não é um fenômeno isolado, ela é indissociável do universo do teatro de boulevard e da caricatura de costumes ou dacomedia dos cidadãos, como escreverá ironicamente Baudelaire, referindo-se à série dos Robert Macaire. Esse personagem sai do teatro e encarna no livro, em cenas curtas, essas manifestações tipicamente urbanas, associando-as à especulação e à malandragem. O trunfo de séries de litografias como a dos Robert Macaire explica-se também ela censura: estando proibidos de criticar a monarquia burguesa diretamente, os caricaturistas se voltam contra a burguesia que os representa e os cerca, inserindo-se nascenas de costumes, uma espécie decomédia humana. As series de litografias nasceram com o jornalismo, dependiam dele e vice-versa.

O Brasil, nascido sob o signo dos efeitos da revolução representada pela invenção da imprensa, se viu privado dos seus benefícios durante longos anos de sua História. Nosso país viveu sob o medo que poderia ser causado pelo livro, com a proibição de sua produção e pesada legislação sob a sua importância e circulação. Assim, no período colonial, os livros eram produzidos em processos medievais e artesanais.

O processo litográfico, inventado por Senefelder, por volta de 1796, possibilitava a reprodução de ilustrações. Mas as máquinas de impressão eram pouco adaptadas para a reprodução de imagens acompanhando as reportagens.

Desde o ano de 1840 os desenhos não acompanhavam as notícias nos jornais. Eram vendidos separadamente, obtendo enorme sucesso junto ao público, que demonstrava estar interessado não somente em ler as notícias, mas também em vê-las.

Aos poucos, a ilustração foi ganhando lugar nos jornais, junto com a notícia escrita. Os jornais que adotavam tal prática aumentava sua circulação. E na década de 1880, as ilustrações passaram definitivamente a fazer parte dos jornais americanos.


As caricaturas e charges circulavam entre os americanos sob a forma de folhetos, impressos em papel ruim e fino, antes da Revolução que libertou os Estados Unidos da Inglaterra. A rebelião americana contra a Inglaterra foi acentuada com desenhos impressos em folhetos e distribuídos pelas colônias.

O uso de desenhos e caricaturas como meio de mostrar os fatos, e até mesmo criticá-los, também marca sua história na França. O jornalismo através do desenho e da caricatura tomou impulso, entre os franceses, com a revolução de 1789. Mas a ilustração somente conquistou o seu lugar definitivo nas publicações periódicas no século XIX, graças à descoberta dos processos de fototipografia e fotogravura. Assim como nos jornais americanos, a ilustração foi gradativamente ocupando lugar nos jornais franceses.

As ilustrações na imprensa brasileira, assim como nos Estados Unidos e na França, foram paulatinamente ganhando espaço. Vendidas inicialmente de forma independente, passam a fazer parte de revistas, mas sem ligação com os textos verbais, para, finalmente, acompanhá-los. A Lanterna Mágica, de Manuel de Araújo Porto Alegre, surgida em fins de 1844, funda a voga das caricaturas avulsas, iniciando a fase das publicações ilustradas com desenhos humorísticos.

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