07 abril 2016

De volta ao passado (4)



Ingressei no Curso de Jornalismo na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFBA em
1976. O curso era fraco, mas me formei logo. E logo me vi trabalhando na Tribuna da Bahia, uma revolução no jornalismo baiano. Primeiro jornal off-set, composição a frio, inovação de linguagem, valorização de fotografia e muito calor humano na redação,

É preciso ter consciência do seu lugar no mundo.

A Universidade se afastou da vida social, se tornou abstrata, puramente racional. Acho que na pós-modernidade, a universidade deveria reencarnar o conhecimento, a sabedoria, na vida humana social, popular. É preciso saber olhar a importância da vida cotidiana, onde reside a verdadeira cultura. Quando a universidade foi fundada na Idade Média era uma reação ao pensamento abstrato das escolas monásticas. Hoje o desafio é romper com o saber dogmático, puramente racionalista e retornar a tudo o que faz a cultura cotidiana.

uma verdadeira mudança de paradigma onde estamos vendo o fracasso dos valores modernos, de trabalho, racionalismo e futuro. No lugar do trabalho o foco é posto sobre a criação, no lugar do racionalismo, a imaginação e no lugar do futuro é o presente que predomina. É preciso entrar no trânsito, nessa viagem  que a cultura faz cotidianamente, entre universos em diálogos constante, tenso, rico e indispensável. O que interessa são as questões, os valores, e as soluções que precisam ser discutidas, compartilhadas e resolvidas.

Quando me formei em jornalismo, entrei numa espiral de vida totalmente alucinada que me mantinha permanentemente em estado de alerta, angústia, de ansiedade permanente, na busca de divulgar a notícia em primeira mão (na época editava o caderno cultural do Correio da Bahia nos anos 80 e tido como o melhor da cidade). Foi um desgaste e, ao mesmo tempo, uma recompensa porque na época procurávamos divulgar todo tipo de cultura na cidade, seja no centro, no Pelô, cidade baixa ou periferia. Isso em relação a música, teatro, dança, literatura (seja cordel, romances, ensaios), artes plásticas, artesanato, religião e outras ações sociais. O trabalho me ocupava em todas as horas, e sempre foi assim.

Depois que um grande amigo recebeu a notícia que tinha câncer e resolveu mudar seu cardápio alimentar, decidi que faria tudo para mudar minha qualidade de vida, passando a dedicar mais tempos aos seres que eu amava, a aproveitar melhor cada instante. Mas mudar hábitos é difícil e fui rapidamente devorado pelo ritmo estressante da função de jornalista, mas estou tentando e quando tenho folga meu refúgio é em Barra de Jacuípe com meus animais, plantas e raríssimos amigos mais próximos. Gosto da solidão, da reflexão, do pensar a vida, mexer na ferida, estancar as perdas e partidas, relembrar aonde está a medida e viajar no tempo como saída.

Como sou um ser pontual, chego ao local sempre meia hora antes do encontro para não atrasar. Sempre fui assim, pontual. vem do habito familiar.

A gente tem o primeiro período como jovem, de descobertas, o segundono qual nos encontramose, logo em seguida, vem o momento em que a maioria das pessoas morre de medo. Abraçar a velhice com sabedoria é uma dádiva.

A sociedade atual, por melhores leis, não trata os mais velhos com reverência, respeito. A tendência é colocá-los à parte. Nas sociedades tradicionais, os mais velhos são tratados como sábios;




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