20 abril 2016

Cognomes nos quadrinhos



Alguns críticos definem os autores de quadrinhos conforme seu estilo.

Benjamin Rabier, cognominado de La Fontaine das HQs. É o autor de Gédèon. Nasceu em 1869,
em Roche-sur-Yon e morreu em l939. Ele desenhou uma coleção de brinquedos e começou a publicar um jornal para a comédia juvenil e história natural dos animais que aparecem a partir de novembro 1907 a abril de 1908. Interessado em teatro, sua primeira peça O maluco castelo é mostrado em 1910.

Harold Foster, desenhista de Tarzan e criador do Príncipe Valente foi cognominado de o Griffith dos Quadrinhos. Ele foi o primeiro desenhista de histórias em quadrinhos que utilizou planos, ângulo de câmera, campo e contra-campo. Seu desenho, extremamente realista e vigoroso, deu às histórias uma autenticidade fortalecida pela exaustiva pesquisa de ambientes, vestuário e costumes. Antes dele, ninguém nos quadrinhos tinha feito algo parecido.

Milton Caniff foi cognominado o Hemingway dos Quadrinhos. Foi também considerado o Rembrandt dos Comic Strips (título de um livro biográfico a seu respeito). John Paul Adams escreveu: “Milton Caniff é outro Rembrandt van Rijn. No senso que ele personifica a arte mais
popular de seu tempo, tal como Rembrandt personificou a arte mais popular de seu tempo. E também no sentido que (Caniff) deu uma nova grandeza ao seu veículo”.

Sempre foi considerado um dos poucos desenhistas de HQs que conseguiu elevar seu trabalho ao nível de pura arte. Seja no seu traço, técnica de desenhos, na linguagem cinematográfica, ou no  seu texto modelar, mas também no seu comportamento como profissional. Sua linguagem de cinema nos quadrinhos, frequentemente levava a comparações com o mestre John Ford. Isso ficou patente quando matou uma das personagens principais da historieta Terry e os Piratas, provocando revolta dos leitores, e, numa tira horizontal, sem divisão de quadrinhos, mostrou o enterro simples da heroína como numa panorâmica “johnfordiana”. Mas, seu ídolo cinematográfico era o mestre Alfred Hitchcock, de quem não perdia um filme. Quando Marilyn Monroe surgiu como sex symbol, o escritor Prêmio Nobel de Literatura, John Steinbeck, citou sexy Madame Dragão como sua preferida. Mas era com Hemingway que Caniff mais se parecia com escritor. Dono de um estilo seco, telegráfico, direto, usando termos precisos e abordando temas “controversos” (como o tráfico de drogas feito por crianças vietnamitas, na guerra), conseguiu um equilíbrio total na colocação de suas aventuras com a realidade da época.

Will Eisner foi cognominado o Orson Welles das HQs. Criador de "Spirit" e artista que elevou as histórias em quadrinhos ao status de arte seqüencial - termo cunhado pelo próprio, Eisner colocou nessa obra toda a sua genialidade tanto em termos de composição da página como de estruturação da sequência de quadrinhos. Ele inovava com estruturas narrativas paralelas, planos inusitados (como a história narrada através dos globos oculares de uma das personagens), jogos de sombra e luz, ângulos inquietantes, etc. Cada aventura do Spirit desenhada por Eisner constitui, ainda hoje, uma verdadeira lição sobre a arte de composição de uma história em quadrinhos, até mesmo para artistas já experientes. Entre esses aspectos inovadores, destaca-se ainda a introdução da splash page, em que a página inicial da história assumia um papel destacado para prender a atenção do leitor: com técnicas gráficas inovadoras, Eisner sempre diversificava essa página introdutória, jogando com os elementos que a compunham e fazendo com
que o logotipo - a cada vez com características diferentes - compusesse com a imagem um mesmo corpo visual (às vezes, o logotipo podia ser constituído pela parte superior de vários prédios vizinhos, fazer parte de um cartaz de recompensa, ser desenhado pelas pedras funerárias de um cemitério, representar um elemento do cenário, etc., figurando em qualquer parte da página).

Burne Hogarth foi cognominado o Michelangelo dos Quadrinhos.  Ele dominava as técnicas da ilustração como ninguém, que estabeleceu novos parâmetros para a representação do corpo humano nas histórias em quadrinhos é muito pouco para dar uma ideia da qualidade de seu trabalho. Ele juntou as técnicas de ilustração com a narrativa quadrinizada de uma forma que ninguém mais poderia fazer.

Stan Lee é considerado o Raskolnikov dos Quadrinhos. É também conhecido como o Homero do Século XX. 

Roteirista, publicitário, editor e empresário, foi um dos mais notáveis criadores de histórias em quadrinhos do mercado, sendo corresponsável por grandes super-heróis e vilões da Marvel Comics como o Homem-Aranha, X-Men, Quarteto Fantástico, Os Vingadores, Incrível Hulk, Demolidor e O Poderoso Thor.
 
Guido Crepax, o criador de Valentina, foi considerado o Godard dos quadrinhos. O milanês Crepax radicalizou a experimentação visual no meio HQ. 

Com um traço barroco, ele começou a usar a diagramação da página parta quebrar o formato estabelecido pelas tiras americanas. Outra inovação foram suas visitas ao mundo dos autores clássicos, como Sade, Masoch, Bram Stocker, Henry James e outros.

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