28 janeiro 2014

Cronologia das Histórias em Quadrinhos (15)



1930 (EUA) - Ham Fisher cria para o New York Mirror, JOE PALOOKA, campeão de boxe.Virtuoso e bravo, esse herói representava o ideal americano da época. Joe é um boxeador de bom coração e punhos fulminantes. Virtuoso, honesto, o clássico rapaz de humilde condição que ascende na sociedade americana pelo talento e bondade. Personifica os ideais da maioria dos americanos. 

Sua influência era tal, que, por ter aparecido certo dia comendo queijo antes do treinamento diário, numa de suas tiras, aumentaram as cifras de venda do produto - e o Instituto Nacional do Queijo, agradecido ao seu autor Ham Fisher, deu-lhe o título de Rei do Queijo de 1937. Elevado rapidamente à categoria de ídolo nacional, o Alto Comando pediu a seu autor que o desenhasse alistado no Exército, para dar, assim, um exemplo à juventude do País. Assim, passou a guerra inteira, substituindo os ringues pelas trincheiras.


1930 (EUA) - O Associated Press Service resolveu criar algo inspirado em Charles Lindbergh, oresponsável pelo primeiro vôo New York-Paris sem escala. Nada melhor do que um herói da vida real para inspirar um herói do mundo dos quadrinhos. Foi criado assim SCORCHY SMITH, um impetuoso e hábil aviador. De início, desenhado por John Terry, a nova historieta surgiu como algo feio e deselegante. Terry era um péssimo desenhista. Mesmo assim obteve sucesso. A série circulou até 1961, com o fechamento do AP Service.


1930 (EUA) - O SOMBRA faz sua primeira aparição no programa de rádio Detective Story Hour, no dia 31 de julho patrocinada pela Editora Street & Smith. Com sua gargalhada aterrorizante, ele narrava o conto do dia. Porém, algum tempo depois, seu inesperado sucesso junto aos ouvintes - o Sombra literalmente roubava o show - fez com que o mero narrador se transformasse em personagem e fosse levado aos pulps (pequenos contos publicados em papel de baixa qualidade).

Mesmo como convidado, ele alcançou tanta popularidade que decidiram criar uma revista com suas histórias. O ex-mágico Walter Gilson foi escolhido para escrevê-la. A revista surgiu em  1931. Usando o pseudônimo de Maxwell Grant, Gibson produzia duas aventuras do Sombra por mês. Alguns tempos depois, ele estava escrevendo vinte romances por ano e duas revistas em quadrinhos mensais (O Sombra e Blackstone, o Mágico). A revista acabou em 1949, e o programa, em 1954, mas o lugar do herói estava assegurado. O personagem estrelou mais de 300 romances, teve 25 anos de seriados radiofônicos e um seriado para o cinema, rodado nos anos 40.

1930 (EUA) – Início da publicação das aventuras de Mickey, em quadrinhos. Sua primeira história, em tiras diárias foi Mickey na Ilha Misteriosa. Nesse ano Mickey enfrenta o primeiro grande bandido – João Bafo de Onça.

1930 (ESPANHA) – Surge a revista Chicos em cujas páginas aparecem posteriormente os máximos ilustradores espanhois – Freixas e Blasco.

1930 (TCHECO ESLOVÁQUIA) – As HQs começam a aparecer nesse país.

1930 (EUA) – The Comet, um dos primeiros fanzines (publicações de fans) de ficção científica.

1931 (JAPÃO)NORAKURO, de Suiho Tagawa, uma das mais famosas animal strips do país.

1931 (EUA) - Robert E. Howard desenvolve personagens valentões que combatiam a magia de feiticeiros com espadas. Daí o nome com que ficou conhecido este tipo de narrativa: Espada e Feitiçaria. Nessa linha, ele criou o guerreiro, matador e ladrão Cimeriano CONAN, na revista Weird Tales, especializada em literatura fantástica. Apesar do grande sucesso de seus contos na Weird Tales, Howard nunca teve um livro seu publicado enquanto estava vivo. Quatro anos depois de criar o guerreiro Conan, o escritor, transtornado pela morte da mãe, se suicidou.

1931 (BRASIL) - Luiz publica na revista O Tico Tico o trio RECO RECO, BOLÃO e AZEITONA. De 1931 até 1960, quando fecharam a revista. Aparece também TINOCO, CAÇADOR DE FERAS, de Théo.

1931 (EUA) - Em Chicago, uma pesquisa de opinião pública revelou que, no auge da crise econômica americana, os leitores mais se familiarizavam com astros do cinema, depois com os gangsters e em terceiro lugar com ídolos esportivos, e não sem razão, utilizando essa preferência popular, a história em quadrinhos, em plena efervescência, criava um dos seus mais conhecidos e consumidos personagens.  No dia 12 de outubro, segunda-feira, no New York News, Chester Gould lança DICK TRACY, um policial cujo tema de fundo é a vingança. Com Tracy estrearam nas HQs o sangue e a violência. 


Com seu nascimento, através dos traços fortes de Chester Gould, nascia, também, nos quadrinhos, o modelo para a historieta policial que, mais tarde, teria uma sucessão de seguidores.  Nesse ano o gangsterismo nos EUA atuava livremente, estimulado pela desagregação social causada pela Lei Seca, que proibia aos cidadãos direito de beber quando quiserem. Era a depressão de 1929. Em 1931 Al Capone era condenado por sonegação de Imposto de Renda.

O crime e a incompetência da polícia eram assuntos comuns ao povo americano. Gould cria um policial que reconquista o respeito do público pela lei. O sangue e a violência estreavam na HQ. As situações dramáticas se sucediam, extremamente realísticas em seu estilo de grande farsa. Balas calibre 38 esburacavam cabeças e mutilavam corpos. Aos delinquentes era destinado o fim mais horrível. Tracy se torna o justiceiro sem alma. Isso, porém, sem nunca sair de seus limites de policial - pois, se algumas vezes a lei se mostra incapaz de punir em toda a sua extensão um crime horrível, a mão do destino intervém através de Chester Gould com extrema crueldade.

Dick Tracy surgiu quando corria a época do proibicionismo, do gangsterismo organizado, da corrupção, donãoao poder constituído. E o público exigia uma força policial, de características burguesas, que pudesse - ao menos nos quadrinhos - responder à violência com violência. Nesse ano o gangsterismo nos EUA atuava livremente, estimulado pela desagregação social causada pela Lei Seca, que proibia aos cidadãos o democrático direito de beber quando quisessem, e pela depressão econômica de 1929. Exatamente em 31, Al Capone era condenado por sonegação do Imposto de Renda.


Chicago era a mais conturbada cidade da época. Foi quando Chester Gould, residente em Chicago, teve a ideia de que se a polícia não conseguia pegar os gangsters, ele criaria um sujeito que o fizesse. Um policial que reconquistasse o respeito do público pela lei. E Gould criou o personagem Plainclothes Tracy (plaiclothers: roupa comum, gíria policial civil), enviando-o ao Capitão Joe Paterson, diretor do Chicago Tribune New York News Syndicate. Peterson conhecia bem a Chester desde 1921, e havia recusado diversas ideias de Gould para historieta. Desta vez telegrafou de Nova Iorque dizendo que aceitava a tira, achando, porém, o nome grande demais, sugeriu que fosse mudado para Dick Tracy, que Dick, além de ser diminutivo de Richard, na gíria popular também significava detetive. Dick Tracy aponta para uma narrativa enxuta, sem maiores arroubos formais, mas sempre precisa. Os quadrinhos apresentaram seu primeiro detetive, com uma galeria criativa de vilões. Influenciou os cineastas Alain Resnais e Jean Luc Godard.

1931 (EUA) - BETTY BOOP. Criação de Max Fleischer. Começou com desenho animado e, com a repercussão, virou quadrinhos. Uma das pioneiras da introdução do sexo na área. A sensual dançarina de cabaré surgiu como uma cadela. Mais tarde ela reapareceu com formas humanas. Com jeito provocante, sempre com as pernas de fora, deixando aparecer uma cinta-liga charmosa, Betty tinha uma imagem que se espelhava nas divas daquela década. A fama chegou de vez quando ela apareceu em "Boop-Oop-a Doop-Girl", de Helen Kane. A partir daí, a garota entrou para a história, participando de mais de cem animações.

O rosto angelical era moldado da estrela Helen Kane (que processou o autor) e o corpo de Mae West. A censura, entretanto, podaria o ar sensual de Betty. Em 1934, o novo Código de Produção impediu que ela continuasse exibindo seus decotes e roupas insinuantes, "em nome da moral". Eram tempos de Disney, com seus personagens felizes, fofos e divertidos. Os produtores mudaram a aparência de Betty, vestindo-a até o pescoço. Mas não deixaram de fora o contorno de seus seios sob as malhas colantes. A personagem também ganhou um namorado, Fearless Fred, que a acompanhava em situações mais comportadas.

1931 (EUA) – Primeiras emissões de TV.

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