05 novembro 2012

O negro nas histórias em quadrinhos (01)

De 1º de fevereiro de 2013 até 1º de março de 2014 os afro americanos no mundo dos quadrinhos e o impacto da sua excelência criativo serão mostrados na exposição Milestones: African Americans in Comics, Pop Culture and Beyond no Geppi´s Entertainment Museum (GEM), sob a curadoria de Michael Davis, co-fundador do Milestone Media. A editora Milestone surgiu na década de 1990 com a proposta de lançar revistas de personagens negros e latinos.

Com um foco significativo sobre os criadores negros e sua arte, a exposição reunirá peritos, ensaístas, cineastas e criadores de dentro e fora do mundo dos quadrinhos para explorar os sucessos, fracassos e expectativas para o futuro deste componente vital da indústria do entretenimento norte-americana.

“Essa exposição trará provas irrefutáveis da profunda contribuição dos afro-americanos para os quadrinhos e do papel vital que super-heróis negros tem desempenhado na formação de sua narrativa “, disse Axel Alonso, editor-chefe da Marvel Comics.

“Se os quadrinhos são a mitologia moderna, então a participação e representação negra é crucial. Essa exposição irá documentar esses sonhos em papel ao longo dos anos”, disse o cineasta e escritor de histórias em quadrinhos Reggie Hudlin.

Os negros em suas primeiras aparições nos quadrinhos ou eram coadjuvantes passageiros ou atuavam como personagens fixos e humorísticos. Mas sempre representados de forma estereotipada.

LATINOS - A presença de personagens negros nos quadrinhos latino americanos é pouco representativa. Na Argentina dois personagens merecem destaque. O Negro Raúl, de Arturo Lantieri, criado em 1916, é uma espécie de malandro que vive querendo se dar bem, mas no final sempre leva a pior, numa critica do autor à própria sociedade da época.

Fulú, de Carlos Trillo e Eduardo Risso, é uma escrava de extrema beleza e sensualidade, sempre castigada por provocar o desejo dos homens e o ciúme dos senhores brancos. A série se passa no Brasil, para onde Fulú foi trazida após ser capturada na África e faz referência ao Quilombo dos Palmares. Outros personagens negros nos quadrinhos argentinos são estereotipados, subalternos e de pouca relevância nas tramas.

O personagem mais popular do México é Memín Pinguín, criado na década de 1940 por Alberto Cabrera. Pinguín era um personagem secundário até 1963, quando foi lançada a revista com o mesmo nome do personagem, reformulado sob os traços de Sixto Valência e que fez grande sucesso. Em 2005 o serviço do correio mexicano homenageou o personagem estampando-o em uma série de selos.

Os selos foram criticados pelo governo dos EUA provocando uma declaração do presidente George W.Bush que considerava o personagem extremamente estereotipado e, em tempos politicamente corretos, absurdamente ofensivo. Os mexicanos (cuja população negra tem representatividade mínima) tiveram de responder que se tratava de um personagem de grande sucesso, querido pelo público e que, ao contrário das acusações, era um exemplo de herói de ficção e que a reação se devia a um desconhecimento das peculiaridades e gostos da população mexicana e, portanto, um desrespeito à sua cultura.
O Brasil se originou da colonização portuguesa de caráter escravocrata. Foi o último no mundo a abolir a escravidão dos africanos e seus descendentes. O fenômeno do racismo e a instituição da escravidão deixaram marcas na nação brasileira que persistem até nossos tempos. A população fenotipicamente escura apresenta os piores índices de desenvolvimento social quando comparadas com a população de pele branca.

Os negros sofrem cotidianamente um processo de discriminação que tem como base uma ideologia que relaciona fatores biológicos com aspectos morais que os inferiorizam enquanto grupo social. Por causa de todo o processo discriminatório, os negros apresentam a sua identidade social deteriorada. A ideologia da negritude é a contrapartida dos negros organizados para combater o racismo.

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