12 novembro 2012

O negro nas histórias em quadrinhos (06)

Lothar, criado por Lee Falk para as aventuras de Mandrake em 1934. Lothar possui o mérito de ser o primeiro personagem negro de destaque numa história em quadrinhos norte-americana, antes dele, os poucos negros que apareciam nos quadrinhos eram personagens secundários ou não mais do que meros figurantes. No entanto, nos primeiros anos da tira, Lothar era mais um estereótipo impregnado da visão racista dominante na época: as falas do personagem eram caracterizadas por um inglês truncado, vestia uma túnica feita de pele de leopardo e usava um chapéu turco.

Inicialmente, Lothar era o ajudante e guarda-costas de Mandrake. Antes de conhecer o mágico, Lothar era o príncipe de um conjunto de tribos africanas, mas abdicou do trono para trabalhar para o amigo. Ele abriu mão do trono real para se tornar um mero empregado! Bastante inverossímil! Não é à toa que os quadrinhos de Mandrake tenham sido tachados de racistas e de fazerem uma defesa do imperialismo e do neocolonialismo.

Desde que as tiras de Mandrake passaram a ser desenhadas por Fred Fredericks (1965), as histórias foram aos poucos se tornando mais “politicamente corretas”. A principal razão para isso foi o amadurecimento de grande parte do público, que passou a tolerar menos estereótipos racistas. Assim, embora tenha continuado a ser os “músculos” da dupla (enquanto Mandrake continuou a ser o “cérebro”), Lothar passou a falar de maneira articulada e ganhou um par romântico à altura: Karma, uma bela princesa africana que também segue a carreira de modelo.

Até então, a presença feminina nas tiras se resumia à Narda, uma princesa europeia com quem Mandrake viveu décadas e uma série de belas mulheres (todas brancas ou asiáticas, nenhuma delas negra) que eventualmente flertaram com o mágico.

Antes Mandrake tratava o rei africano com uma cortesia que apenas salientava ainda mais a distância entre o servo e seu amo: atualmente, a relação é de igualdade. De início, Falk parecia abordar com mais frequência o mistério, o fantástico e a aventura.

A década de 50 trouxe a Falk uma certa tendência ao gênero policial. Em fins dos anos 60 e década de 70, os ingredientes da ficção científica já estavam totalmente inseridos na história, com Mandrake visitando outras galáxias e sendo também visitados por seres extraterrenos.

Will Eisner, um dos maiores autores de quadrinhos de todos os tempos, deu ao seu personagem Ebany White traços grotescos e um sotaque sulista recorrentes em várias representações gráficas dos negros americanos, até as primeiras décadas do século XX. Note-se que Ebony era o assistente de Spirit, o herói da série e tinha, portanto um papel de destaque que não era comum se atribuir a um negro. Sobre os críticos que reclamavam do estereótipo, Eisner se defendia dizendo que era assim que eram representados na época e não se concebia proceder de outra forma.

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