27 julho 2012

Um silêncio que grita: Bergman


Os filmes de Ingmar Bergman são embebidos em imagens poderosas, violentas, de homens e mulheres lutando para encontrar um sentido em um mundo de confusão e anarquia. Infância, amor e morte sempre foram questões tratadas em sua obra, ora metafísicas ora existenciais. Ao longo dos 60 filmes que realizou, entre produções para cinema e TV (sem falar do teatro), Bergman produziu filmes que vão desde a juventude (Monika e o Desejo, 1952), a morte (O Sétimo Selo, 1957) ou mesmo a política (O Ovo da Serpente, 1979).

Seus enquadramentos trabalhados, os ângulos insólitos, as tomadas de nuvens, lagos e bosques não são jogos gratuitos da câmera. Ele integra à psicologia de seus personagens no instante preciso em que quer exprimir um sentimento preciso. Cineasta do instante, da solidão, das tensões amorosas e da incomunicabilidade, seus filmes são intimistas, profundos e autorais.

Os vigorosos filmes do cineasta sueco das décadas de 50 e 60, incluindo “O Sétimo Selo”, “Persona” e “Vergonha” eram envolvidos em temas teológicos, na luta de seres humanos em chegar a um acordo com a morte em um mundo atormentado em que a religião parecia alternadamente remota, poderosa e instável.

“Gritos e Sussurros” pareceu marcar uma passagem para Bergman, uma transição dolorosa e difícil para uma aceitação de que Deus desaparecera. “Cenas de um Casamento” marcou uma vívida mudança em sua mente, a alma humana. “Fanny e Alexandre” faz um acerto de contas com a Suécia e a tumultuada infância do diretor, criado segundo as rígidas regras de seu pai, um pastor protestante.

O que Bergman, apaixonado pelo teatro, fez foi traduzir em imagens suas inquietações acerca da vida e da morte, de Deus, do tempo e do desejo, da solidão, dos traumas de infância e da inconstância do amor materno.

Ele começou expressionista, descobriu a metalinguagem nos anos 1960 e nos 70 transferiu-se para a televisão. Quem não lembra do cavaleiro que joga xadrez com a morte em “O Sétimo Selo”, o incesto que se faz presente em “Através de um Espelho”, o professor que atravessa planos da realidade e da imaginação para se purgar de uma vida sem amor em “Morangos Silvestre”. Tormentos do sexo e o silencio de Deus são temas recorrentes em seus filmes.

No dia 30 de julho de 2007 o escritor, dramaturgo e produtor sueco Ingmar Bergman morreu calma e docemente, aos 89 anos. O travelling recua ao nascer do sol, a cidade desperta. A câmera busca um rosto em close, e vai silenciosamente se aproximando para os olhos tomados de angústia. E um grito de silêncio se espalha no ar.

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Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos

Neste fim de semana (dias 28 e 29 de julho) haverá o Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos no Centro de Convenções, Teatro da UFPE, 28 e 29 de Julho de 2012, Recife, PE. Organização: Prof. MsC. Amaro Xavier Braga Jr (UFAL)

Mesas Redondas: Temas - A Construção do Humor Sob a Ótica da Pragmática; Quadrinhos e Cultura: o social, o cultural e sua relação com as histórias em quadrinhos; Quadrinhos Poéticos (Fantásticos) Filosóficos; Gênero, Sexualidade e Quadrinhos; Quadrinhos Autobiográficos; Jornalismo e Quadrinhos; A Academia e os Estudos sobre Quadrinhos e Fanzines;Quadrinhos, Leitura e Experiência Estética: Narrativas Gráficas, Paixões e a Vida Comum nos Quadrinhos Japoneses (três percursos de formação e pesquisa no GRAFO/NAVI)

Palestrantes e Conferencistas convidados:
Elydio dos Santos Neto: É Pós-Doutor pela Universidade Estadual Paulista, doutor em Educação (Supervisão e Currículo) e mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP, licenciado em Filosofia e em Pedagogia (Administração Escolar) pela Faculdade Salesiana de Filosofia Ciências e Letras de Lorena. Prof. Adjunto do Centro de Educação, Departamento de Habilitações Pedagógicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Lailson de Holanda Cavalcanti: Formado em Comunicação, chargista, Cartunista, Quadrinista, Autor renomado com diversos livros publicados. Membro fundador da ACB- Associação dos Cartunistas do Brasil, da qual é o representante regional Nordeste, e um dos fundadores e primeiro presidente da ACAPE - Associação dos Cartunistas de Pernambuco, organização não governamental que dedica-se ao desenvolvimento do Humor Gráfico e dos Quadrinhos como forma de arte, expressão e educação. Criador e Curador do FIHPE, Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco.

Henrique Paiva de Magalhães: Graduado em Comunicação Social pela UFPB, Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e Doutor em Sociologia - Université Paris VII - Universite Denis Diderot. Professor Associado da UFPB. É editor da Marca de Fantasia, especializada em Quadrinhos.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

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