11 julho 2007

Leve, ágil, cortante e irreverente traço de Lage

Amanhã, quinta-feira, dia 12, a partir das 21h no Teatro do Sesi, a Engenhonovo estará promovendo uma festa em comemoração dos 15 anos do Dicionário de Baianês, onde Nivaldo Lariú registrou o jeito baiano de falar. O livro tem ilustrações de Lage. De forma bem-humorada, a obra aprisiona palavras, expressões e vícios de linguagem que, com o passar do tempo, se incorporaram ao que se chama de baianês. Na oportunidade, será feita uma pequena homenagem ao cartunista Lage, com uma exposição de alguns de seus trabalhos. Vale a pena conferir.

Na Bahia, o cartunista que conseguiu captar a essência do baiano em todas as suas nuances, desde a ingenuidade, a liberalidade, a transgressividade, linguagem e a sua liberdade foi Lage. Com seu traço caligráfico, único, o mestre do desenho de humor baiano fez uma radiografia da “terra da felicidade” através de uma gama de personagens publicados nas tiras de jornais e revistas e até mesmo na tv (Educativa da Bahia). L´amu tuju L´amu, Cartunzão, Tudo Bem, Brega Brasil, Ânsia de Amar, Dora Mulata e tantos outros.

Sua verve humorística não deixava escapar nada, seja na malícia das baianas, nos interesses escusos dos políticos, na sagacidade dos boêmios, na melancolia dos idosos e na alegria da juventude. Ele mostrou a Bahia de fio a pavio, em raio X, não poupou ninguém. Sua verdade foi radiográfica. Tudo passava pela sua lente sensível de observador atento a tudo o que acontecia em sua aldeia.

Nos seus trabalhos Lage mostrou o relacionamento humano, seus conflitos e inseguranças, o dia a dia do baiano. E, como grande crítico do cotidiano dissecou as leis e pacotes vindos de Brasília. Tudo feito com aquele traço leve e ágil, mas carregado de expressividade. “O importante é que o riso não fique na boca. Ele tem que dar uma chegadinha na consciência”.

Lage, com sua aguçada visão de mundo, deu ao jornalismo baiano, demonstrações de com quantos traços se faz uma bela crítica. O traço rápido, sinuoso, firme ajustou-se a brevidade do momento. Assim é sua charge, opinião em traço na página nobre da Tribuna da Bahia. E a charge de Lage tem um quê da irreverência baiana inconfundível, e a releitura dos fatos ganha repercussão própria. A fonte inesgotável são os bastidores da política. Com seu traço cortante, irreverente, ele dá comicidade à prepotência dos políticos. E não ficou só na política, adentrou as relações afetivas, vasculhou detalhes das relações de classe e escancarou os valores do imaginário do autor. A realidade sócio-política-econômica do país.

O humor de Lage é engajado, militante sem ser partidário, contestador. Essencial, puro, em estado bruto. Na trilha do humor de comportamentos, ele criou personagens impagáveis, fazendo a melhor crítica de costumes dos quadrinhos baianos. Seu trabalho é referência e fez escola. Vamos conferir seus trabalhos, de traços simples mas incisivos.

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