24 março 2014

Cronologia das Histórias em Quadrinhos (49)



1965 (BRASIL)Gedeone Malagola lança pela Gráfica e Editora Penteado (GEP) o personagemRAIO NEGRO.A origem de Raio, lançada no no. 1, era toda baseada no personagem norte americano Lanterna Verde. Assim como o clone americano, Raio também era um piloto aéreo, o oficial da FAB Roberto Sales. Na época, a corrida espacial estava a todo vapor e o Brasil não podia ficar de fora. Assim, Sales foi o primeiro astronauta brasileiro lançado no espaço. Uma vez fora da atmosfera, Sales faz contato com um disco voador avariado. Seu ocupante, Lid, de Saturno, está incapacitado devido aos ferimentos e orienta o terrestre para que ligue uma espécie de piloto automático que levará o disco de volta ao planeta de anéis. Agradecido por ter se arriscado para salvá-lo, Lid o presenteia com um estranho anel, uma arma na verdade, chamada Anel de Luz Negra, feita com a energia magnética de Saturno, capaz de tornar o terrestre num verdadeiro super-homem. Foi um
dos primeiros super-herói brasileiro que mais fizeram sucesso entre os superpoderosos fantasiados criados no País.




1965 (EUA) - Primeira aparição da TURMA TITÃ, equipe formada pelos ajudantes mirins dos heróis da DC Comics, na revista The Brave and the Bold 60, por Bob Haney e Nick Cardy (nos anos 80, a equipe seria reestruturada, e sob o nome Os Novos Titãs, viveria sua melhor fase nas histórias escritas por Marv Wolfman e desenhadas por Geoge Pérez).

1965 (ITALIA) - Acontece o Primeiro Congresso Internacional de Quadrinhos, em Bordighera (sucedido, no ano seguinte, pelo festival de quadrinhos de Lucca, um dos mais importantes do mundo. É no festival de Lucca que é entregue o prêmio Yellow Kid, uma das mais importantes premiações para HQ do mundo (o Yellow Kid foi considerado o Oscar das HQ antes da instituição do prêmio Eisner)

1965 (EUA) – Criado por Dave Wood (roteiro) e Carmine Infantino (desenhos) para a revista Strange Adventures (n.180): O HOMEM ANIMAL. O homem com poderes animais tinha uma estranha aura que fascinavam os leitores, mas, aparentemente, nunca os editores. Entre 1965 e 1967 ele teve cinco aventuras publicadas, para então permanecer no limbo o esquecimento até 1980.

1965 (ITÁLIA)Surge a célebre revista humorística LINUS. 

1966 (JAPÃO)MACH GO GO GO (Speed Racer), de Tatsuo Yoshida, que gerou a famosa série de anime.

1966 (BRASIL) – A pedido do editor Mino Carta, Mauricio de Sousa lança um personagem bem inusitado nas páginas do jornal da Tarde. A série NICO DEMO tinha histórias mudas, em que um garoto de cabelo em formato de chifrinhos tentava ajudar as pessoas, mas acabava causando todo tipo de desastre.


1966 (JAPÃO) - Estréia o anime MAHOU TSUKAI SALLY, criação de Mitsuteru Yokoyama, série precursora do gênero Mahou Shoujo (meninas mágicas). Representantes famosas, nos mangás, desse gênero são as séries Sailor Moon e Sakura Card Captor; Hani Hani no Suteki na Bouken (Honey Honey), de Hideko Mizuno, uma das pioneiras desenhistas mulheres de shoujo mangá, até então elaborados por homens - a partir de então, os shoujo mangá passam a ser elaborados exclusivamente por mulheres.

1966 (FRANÇA) - JODELLE.  Criação de GuyPellaert e Pierre Bartier. Representa a introdução da pop art nos quadrinhos. Trata-se de um hino à beleza pagã, ao não-conformismo e à liberdade.   A personagem foi baseada na pop music francesa Sylvie Vartan. Jodelle é uma espiã que vive em um Império Romano futurista e trabalha para uma versão satírica do Imperador Augusto. Les Avantures de Jodelle foi uma graphic novel publicada em 1966, inicialmente na revista Hara Kiri. Em sua missão, a agente sexy de cabelos ruivos e formas generosas infiltra-se no palácio de uma rainha a fim de roubar-lhe o diário.


1966 (ITÁLIA) - SALÃO DOS QUADRINHOS EM LUCCA. O professor da Universidade de Roma, Romano Calise, convenceu o prefeito Martinelli a hospedar o Salão dos Quadrinhos em Lucca, prometendo associar o nome da cidade toscana aos dos comics, no mundo todo. Lucca, seria a Cannes dos Quadrinhos. E assim foi. O cineasta Federico Fellini, declarou a imprensa que cobria o Festival de Lucca:Se fiz cinema, devo aos quadrinhos.

1966 (EUA) - SURFISTA PRATEADO. Criação de Stan Lee e John Buscema. Herói mais cultuado da Marvel Comics. Um tipo romântico. Um ser errante nas ondas do cosmo. O vigilante do espaço. Roupa indestrutível de prata. Prancha galática. Cheio de problemas existenciais. Ironicamente, quando surgiu, estava a serviço de um dos maiores vilões: Galactus. Desafiar o mestre o fez um herói. Apelo intelectual para leitores de nível.

O personagem, um dos mais cultuados das HQs em todos os tempos, foi criado em 1966 pelo roteirista Stan Lee e pelo artista Jack Kirby como uma adição não planejada a história do Quarteto Fantástico que apresentaria o predador de planetas Galactus. Kirby deu a idéia, pois achava que o todo-poderoso ser cósmico precisava de uma espécie de arauto. A prancha, grande destaque do personagem, foi adicionada porque o desenhista já estava cansado de espaçonaves. Inicialmente desconfiado da idéia do parceiro, Lee começou a dar uma caracterização e profundidade ao Surfista. Após a publicação da história, os escritórios da Marvel foram inundados de cartas positivas dos fãs, clamando por mais aparições do herói, que ganhou uma
história solo em novembro de 67. na quinta edição de "Fantastic Four Annual", e um título próprio no ano seguinte. Vários escritores e desenhistas de renome deram sua contribuição ao Surfista, tais como John Buscema, Möebius e Jim Starlin.

O Surfista Prateado era originalmente Norrin Radd, um jovem nobre astrônomo do planeta Zenn-La. Concordou servir como arauto a entidade semideus Galactus, a fim conservar Zenn-La. Os poderes enormes concedidos, uma película prateada sob a pele e um veículo espacial similar ao formato de uma prancha de surfe - modelada a partir de uma fantasia de infância de Radd - o permitem vaguear pelo cosmos, procurando por planetas novos e desabitados para que Galactus os consuma.

1967 (FRANÇA) - PRAVDA, LA SURVIREUSE. Criação de Guy Pellaert. Reforma ao máximo os seus potenciais eróticos: mini-saia pela cintura, coxas enormes e grandes botas pretas. Foi inspirada na cantora Françoise Hardy. A heroína circula no seu bolide de duas rodas, chefiando uma gang feminina, precursora das radicais Woman´s Lib.

A personagem é da safra de heroínas eróticas europeias que surgiram no rastro de “Barbarella”. Mas “Pravda” bebia nas águas do psicodélico e da chamada “pop art”. Publicada originalmente em capítulos, na revista francesa Hara-Kiri, a protagonista é líder de uma gangue de motoqueiras que percorre os Estados Unidos quase nua, vestindo vistosas botas pretas e com fisionomia calcada na cantora Françoise Hardy.

 Pravda , La Survireuse:


https://www.youtube.com/watch?v=CZKpXf43OfI


1967 (FRANÇA) BLANCHE EPIPHANIE. Criação do desenhista Georges Pichard. Blanche era uma heroína romântica ingênua. Com um humilde emprego de entregadora de cheques, ela passava as noites remendando os trapos que de dia eram rasgados pelos clientes do banco, que sempre a assediavam. Mas a moça tinha um defensor mascarado, o herói Défendar, identidade secreta de um estudante de ciências, vizinho do quarto da moça. A história foi publicada com muito sucesso pela V Magazine e depois dela vieram outras heroínas criadas por Pichard, a maioria loiras, rechonchudas e com sardas no rosto.



 

1967 (FRANÇA) - BANDE DESSINÉE ET FIGURATION NARRATIVE, Exposição de quadrinhos no Museu du Louvre

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