27 novembro 2013

Resgate das guerreiras e esquecidas mulheres baianas (03)





Em 1932, o Brasil ganhou um novo Código Eleitoral. Com o Decreto 21.076, de 24/02/1932, estabeleceu-se no país o voto secreto e o voto feminino. E o sufrágio feminino foi garantido, com a inclusão do artigo 108 na Constituição de 1934.


Em 1865, na guerra do Paraguai, Ana Neri (1814-1880) seguiu para o campo de batalha, como enfermeira voluntária. Estava sempre entre os enfermos, dando-lhes assistência, socorrendo-os nos momentos de dor. Fundou uma enfermaria, dentro do próprio lar com ajuda de um de seus filhos, médico. Após cinco anos de lutas, voltou à sua terra. Pelas suas virtudes e heroicidade, foi condecorada pelo Exército com o título de Mãe dos


Entre os anos de 1870 a 1840 bandos de foras da lei se multiplicaram no sertão nordestino. Esse movimento que envolveu populações rurais no Brasil chegou a armar mulheres no cangaço. Se a cangaceira mais conhecida foi Maria Bonita (1911-1038), a primeira mulher a portar um fuzil com as volantes de polícia (os destacamentos policiais montados para perseguir os cangaceiros) foi Dada (1915-1994), a companheira de Corisco. Embora tenha entrado no cangaço à força, raptada por Corisco quando tinha 13 anos, ela acabou se apaixonando por ele e ficou ao seu lado até a sua morte em 1840.

Escritora, historiadora, advogada, poeta e militante política baiana, Ana Montenegro (1915/2006) veio morar na Bahia em 1979, depois de 15 anos no exterior, e foi nesta terra que soube mais sobre a luta do Corta-Braço, Jacinta Passos (poetisa politizada) e as freiras do Convento do Desterro que no começo do século passado impressionaram Frei Caneca com suas atitudes sociais. Ana se destacou por uma ativa participação da mulher, desde a redemocratização do país em 1945, após a ditadura de Getúlio Vargas. É uma das fundadoras da Federação de Mulheres do Brasil, e do extinto jornal Momento Feminino. Até 1964 participou da Frente Nacionalista Feminina, ocupando a Secretaria da Liga Feminina, do Estado da Guanabara (hoje Estado do Rio de Janeiro).

Primeira mulher exilada após o golpe de 1964, sem nunca abrir mão de suas bandeiras por igualdade social, foi perseguida, viveu por 15 anos, exilada na Europa. Participou de congressos, seminários e delegações junto ao Conselho Econômico e Social da ONU e da UNESCO, de delegações da Europa, na África, no Oriente Médio e na América Latina. Ela sempre ocupou a linha de frente dos movimentos sociais (como a liga camponesa), anistia, pelo direito de moradia, contribuiu para que o povo conquistasse vitórias nas invasões (a exemplo de Corta Braço, hoje Pero Vaz), dentre outros. Funcionária pública, participou da criação da União dos Trabalhadores Públicos do Brasil, inimiga da guerra, foi para as ruas gritar contra a guerra da Coréia. Ela abraçou a causa do menor, falou, em prosa e versos, contra o racismo, em defesa da mulher, em defesa das riquezas nacionais.

Guerreira, manifestou-se contra as aberrações praticadas pelo governo de nosso país contra o povo, e foi exilada. Combativa, foi membro do 1º Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, e braço armado na luta pelos Direitos Humanos (contra a violência e em defesa da cidadania). Pertenceu desde 1945 à direção do Partido Comunista Brasileiro, onde desenvolveu um trabalho sério e respeitado, em defesa dos direitos humanos, pela valorização da participação da mulher nos movimentos sociais, pela elevação do nível de organização da classe operária brasileira. Foi membro do Conselho Nacional da Mulher e integrou o Conselho Municipal da Mulher. O conceito de feminismo da militante, que escreveu longos artigos para os jornais locais, deu palestras e lutou pelos direitos dos sem teto nas favelas e invasões, vai muito além das bandeiras comportamentais popularizadas a partir dos anos 60. Boa parte de seu arquivo particular está na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA que abriu um espaço, Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher. 


Bibliografia pesquisada:

CRUZ, Gutemberg. Gente da Bahia. Vol 1. Salvador: Editora P&A, 1997

CRUZ, Gutemberg. Gente da Bahia. Vol.2. Salvador: Editora P&A, 1998

PINSKY, Carla Bassanezi e Joana Maria Pedro (org). Nova História das Mulheres. São Paulo: Contexto, 2012.

SCHUMAHER, Schuma & BRAZIL, Érico Vital. Dicionário Mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.



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