11 novembro 2013

Caiçara, o valentão de Cachoeira de São Félix



Quando se fala no mundo da capoeira nomes como Besouro, Bimba e Pastinha são logo lembrados. Mas na Bahia existem muitos outros que lutaram com esse instrumento de resistência cultural. Um deles, pouco lembrados na história mas na memória dos baianos, Caiçara que nasceu no dia 08 de maio de 1924 em Cachoeira de São Félix. Seu verdadeiro nome: Antonio Conceição Morais. Ele cresceu em meio às dificuldades e adversidades da localidade e logo percebeu que a roda de capoeira é o caminha que deveria seguir. Foi o que fez.

Adélia Maria da Conceição, sua mãe, deu inicio à sua formação religiosa, fazendo-lhe a cabeça (ele era filho de Logun Edé, orixá filho de Ogum com Oxossi) e ensinando os segredos da magia. Ele aprendeu rápido e, pouco a pouco foi ganhando notoriedade nas rodas das malandragem. E não demorou muito para se tornar um capoeira dos mais
respeitados.

Ao entoar seus cânticos, todos paravam para ouvir. Em 1973 ele lançou o disco Academia de Capoeira Angola São Jorge dos Irmãos Unidos de Caiçara (gravado pela AMC – São Paulo), onde exemplifica diversos toques de berimbau e onde canta ladainhas e sambas. Contador de causos e histórias da capoeira, Caiçara estava sempre presente nas festas de largo de Salvador e outros festejos populares, com seu grupo folclórico Santa Bárbara, da qual era devoto, juntamente com São Jorge.

Assim, como devoto, muitas vezes vestia sua camisa de cores fortes em vermelho e verde que se
tornaram as cores de sua academia. Era também defensor radical das tradições africanas e costumava distribuir bênçãos em Nagô, Ketu, Gêge e Angola, e emitia suas opiniões sobre os capoeiras do passado e suas considerações sobre os capoeiras atuais. Para os meninos de rua ele ensinava a capoeira como forma de resistência social e histórica.

Foi matador de boi em abatedouro e funcionário público, além de dar aulas de defesa pessoal à polícia, mas sempre teve problemas. Como ele mesmo descrevia em suas ladainhas, foi preso diversas vezes pelo seu envolvimento em brigas e confusões. Muitos afirmaram que a exemplo de tantos outros capoeiras, controlava algumas mulheres na zona no meretrício de Salvador.

Em Salvador ele estava sempre presente no Terreiro de jesus onde combinava com seus conhecidos sua fama de feiticeiro, para jogar búzios em sua casa no bairro de São Caetano. Lá ele reunia os demais capoeiras da época e confabulava suas crenças com voz firme e seu jeito irreverente e amedrontador.  Ao questionar sobre a eficácia da capoeira, o mestre resumia dizendo: !cada qual com seu cada qual”.

No dia 26 de agosto de 1997 ele foi acometido de um efisema pulmonar, depois de uma parada cardio-respiratória. Mas antes de ser levado para o hospital, reuniu seus filhos, pois queria ter todos ao seu lado. Capoeiras de todas as tendências e estilos estiveram no sepultamento. Uma roda em sua homenagem foi formada e cantada uma ladainha de sua autoria, deixando saudades naqueles que tiveram o privilégio de conhecer sua maestria.


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