28 novembro 2013

Lenda ou realidade? Cidade perdida da Bahia



A cidade perdida da Bahia, concebida através do manuscrito 512 (KRUSE, Herman. O manuscripto 512 e a viagem à procura da povoação abandonada. São Paulo, janeiro de 1940. Rio de Janeiro, Departamento do Patrimônio Histórico, Arquivo Nacional, p. 20), esteve impregnada de elementos culturais setecentistas, como detalhes arquitetônicos, pórticos, pirâmides, estátuas, praças e principalmente, vestígios epigráficos. Sua interpretação pelos acadêmicos oitocentistas deve ser entendida por meio de teorias arqueológicas vinculadas com esse momento, a exemplo do difusionismo e das recentes descobertas de ruínas maias na América Central.

Em 1841 o explorador Benigno de Carvalho recolheu inúmeras descrições orais dessa cidade perdida (CUNHA, Benigno José de Carvalho e. "Carta escripta ao primeiro secretario perpétuo do Instituto, Sincorá, 20 de agosto de 1842". In Revista do IHGB, tomo IV, nº 15, p. 401, outubro de 1842). A partir daí a aceitação da antiga existência da geração perdida, uma civilização muito avançada, mas desaparecida sem deixar quase nenhum vestígio. A cidade perdida serve de referencial ético, social e civilizatório para o império. Tanto a Atlântida, o Eldorado, o lago Eupana e Parimé, como a cidade perdida da Bahia, foram buscados por propósitos diferentes, sejam motivos de ordem econômica, colonialista, científica, cada um dentro do contexto social de sua época.

Assim, as ruínas da Bahia, ao final do império, foram eliminadas do campo acadêmico, relegadas a uma condição de miragem provocada por antigos pesquisadores. Porém., toda elaboração simbólica nunca morre definitivamente, sendo transformada em uma nova narrativa, ocasionando sua sobrevivência para o novo século. Assim, para a ciência oficial a cidade perdida da Bahia tornou-se uma aberração fantástica, por sua vez, estrangeiros e amadores brasileiros promoveram dezenas de expedições em sua busca, no início do século XX até nossos dias.

O escravo Francisco de Orobós afirmou ao incansável Benigno de Carvalho que esteve no quilombo quando jovem, vindo a ser cativo na idade adulta. Mas desejoso da alforria, Francisco comentou ao explorador que havia três o número de quilombos existentes ao redor da cidade perdida. A expedição fez um levantamento topográfico da Bahia, mas em meados de 1846 o general Andréa, com aprovação da assembleia provincial da Bahia, retirou as ordenações e o auxílio financeiro ao expedicionário. Benigno permaneceu em campo, na região do Sincorá até 1848 (ROCHA, Lindolfo. Zona desconhecida no interior da Bahia. Revista do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, Salvador, vol. 34, p. 143, 1908).

Surgiram boatos de que teria ficado louco, escutando sinos e outros sons. Escreveu para o bispo Romualdo Seixas, solicitando faculdades espirituais para beneficiar os habitantes da nova cidade a ser descoberta, onde em breve entraria (CUNHA, Benigno José de Carvalho e. "Correspondência. Offício do sr. Cônego Benigno ao exm. presidente da Bahia, o sr. tenente general Andréa, sobre a cidade abandonada que ha três annos procura no sertão d'essa provincia, Carrapato, 23 de janeiro de 1845". In Revista do IHGB, tomo VII, nº 25, p. 104, 1845). Benigno retornou a Salvador, vindo a falecer nesta cidade em 1849.

Outros exploradores continuaram a busca. O major Manoel Rodrigues de Oliveira contestou a localização proposta por Benigno (região do Sincorá) e apresentou indícios encontrados no interior da província: duas regiões – entre a vila de Belmonte (entre os rios Paraguaçu e Una, centro sul da Bahia) e a outra em Provisão (sudoeste baiano, próximo à cidade de Camamu).

Na primeira foram localizados vestígios de móveis antigos, louças, balaústres, ferramentas, vidros, e na segunda, forcas, machados e espadas de ferro. Além de moeda de ouro. (FREITAS, Antonio de Paula. A cidade abandonada do interior da Bahia. Revista da Sociedade de Geographia do Rio de janeiro, tomo IV, n. 4, 1888, p. 156);(OLIVEIRA, Manoel Rodrigues de. "Novos indícios da existência de uma antiga povoação abandonada no interior da provincia da Bahia, 2 de julho de 1848". In Revista do IHGB, tomo X, segundo trimestre, p. 367, 1848)


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