13 novembro 2013

Anésia foi a primeira mulher no sertão baiano de Jequié a ingressar no cangaço





Anésia Cauaçu, de Domingos Ailton, é um romance histórico que tem como protagonista  uma mulher que esteve à frente do seu tempo.  Anésia foi a primeira mulher no sertão baiano de Jequié a ingressar no cangaço (antecedendo mulheres como Maria  Bonita, Dadá e Lídia), a liderar um bando de cangaceiros, a   montar de frente que as mulheres de sua época  montavam de lado em uma sela   denominada silhão e a vestir calças compridas (as mulheres do período em ela viveu  apenas usavam vestidos e saias)  nos momentos de combate para facilitar  o enfrentamento  de jagunços dos coronéis  e  das tropas policiais. 

Segundo o jornalista e escritor Zuenir Venturao romance histórico nutri, na maioria das vezes, de informações dos jornais. É o que ocorre com o romance Anésia Cauaçu  que em diversos capítulos tem como base fontes históricas  os jornais  A Tarde e Diário de Notícias do período da República Velha, principalmente dos anos de 1916, 1917, 1920  e 1930.

Baseado em fatos reais, o romance Anésia Cauaçu se reporta a formação de Ituaçu, antigo Brejo Grande e as brigas de duas famílias da localidade: Os Silvas chamados derabudose os Gondins, denominados democós.   O major Zezinho dos Laços ( um dos líderes dosrabudos)  exige que Augusto Cauaçu acompanhe seu grupo  de jagunços em uma emboscada contra família Gondim. Por conta da recusa de Augusto este é assassinado a mando de Zezinho dos Laços. Então a família Cauaçu se reúne e resolve vingar a morte, assassinando Zezinho dos Laços seis anos depois em uma tocaia na Fazenda Rochedo com uma bala feita do chifre de um boi preto, que fora confeccionada pelo pai de santo Heitor Gurunga, um sacerdote da religiosidade afro que cuidava do povo pobre da região.

O irmão de Zezinho, Cassiano do Areão, o cunhado,  coronel Marcionilio de Souza e o filho deste Tranquilino de Souza  passam a perseguir e matar membros da família Cauaçu  e do bando de cangaceiros que acompanha o grupo, comandado por  Anésia e seu irmão José Cauaçu. Anésia Cauaçu lidera e enfrenta vários combates com coragem e uma força extraordinária, uma vez que em muitos momentos ela  invulta(desmaterializa), transformando-se em uma rocha ou toco de árvore.

O governador  da Bahia na  época, Antônio Muniz,  que denomina o movimento armado dos Cauaçus deconflagração sertaneja, envia para Jequié e região mais de 240 soldados fora os oficiais, para combater os Cauaçus, que passam a utilizar táticas de guerrilha para enfrentar à polícia. Em um dos combates, José Cauaçu é ferido e morre oito dias depois. Anésia é presa, mas depois é libertada quando concede uma entrevista de primeira página  da edição de 25 de outubro de 1916 do jornal A Tarde sobre a história do bando.  

A força policial pratica uma série de arbitrariedades contra a população jequieense e da região. As
atrocidades são denunciadas na imprensa baiana por  veículos como Diario de Notícias e jornal A Tarde.  O romance se reporta também a episódios envolvendo persongens da República Velha e da Revolução de 1930 e seus reflexos em Jequié e na região. 

A trama ficcional faz referências ainda as manifestações  religiosas e da cultura popular do Sertão como as festas de terreiros de  Candomblé,  os festejos de São João, do Reisado,  aos livretos de cordel  e os adjuntórios, às figuras típicas como tropeiro e o mascate e ao famoso Cabaré do Maracujá que havia em Jequié e era encontro dos intelectuais e de gente simples do povo. Conta também o romance entre Anésia Cauaçu e o mascate Afonso, um dançador de forró e  mulherengo que se apaixona pela catingueira, de acordo com a ficção.


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