25 novembro 2013

Resgate das guerreiras e esquecidas mulheres baianas (01)





É preciso resgatar valores da terra, nomes esquecidos e vozes abafadas ou excluídas da atuação feminina n vida social, política, cultural, econômica e filosófica da Bahia. É preciso colocar essas mulheres a cena, conferindo legitimidade e visibilidade de suas participações da vida pública da Bahia no passado. A contribuição feminina no processo de luta pela independência da Bahia foi muito importante. Entre as milhares de combatentes que lutaram pela nossa independência, a história oficial cita apenas três mulheres: Maria Quitéria, a mais conhecida porque ela vestiu a farda de soldado e foi para a linha de frente da batalha; a mártir Joana Angélica, assassinada na porta do convento; e recentemente, a Maria Felipa, mulher negra da Ilha de Itaparica. É preciso não esquecer a índia tupinambá Catarina Paraguaçu (1503-1583), figura histórica, representou a união das duas culturas e sua vida deu origem a inúmeras imagens criadas em torno desse processo civilizatório.

Maria Quitéria de Medeiros (1792-1853), notabilizou-se por se travestir de soldado  para lutar nas batalhas pela independência com relação a Portugal que se desenrolaram na Bahia. Criada no ambiente rústico do sertão, em uma pequena propriedade rural, sabia montar, caçar e manejar armas de fogo. Não sabia, entretanto, ler ou escrever, mas ouviu histórias sobre a opressão de Portugal. Ao escutar as palavras de um defensor da independência, que recrutava soldados no interior da Bahia e pernoitara na casa e seu pai, Quitéria teria se decidido a lutar como soldado. Cortou os cabelos, vestiu as roupas do cunhado e ingressou como homem no Regime de Artilharia onde permaneceu até ser descoberta, semanas depois. Participou de algumas batalhas e, mais tarde, foi recebida, no Rio de Janeiro, pelo imperador, que lhe conferiu a Condecoração de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro e um soldo de alferes de linha.

Outra heroína da Independência é Joana Angélica de Jesus (1761-1822) que ingressou no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, tornando-se abadesa. Quando as tropas portuguesas sob o comando do general Madeira decidiu revistar o convento, em 1922, alegando que soldados brasileiros lá haviam se escondido, a abadessa, na ocasião com 60 anos, tentou impedir a invasão e foi ferida pela baioneta de um soldado. Faleceu no dia seguinte.

Quitéria e Angélica tiveram seguidoras. Maria Filipa é considerada matriarca da Independência de Itaparica, devido a seu ato de bravura contra os portugueses nas praias da Ilha. Seus feitos heroicos foram mencionados, inicialmente, nos estudos do historiador Ubaldo Osório Pimentel. Em 2007, a heroína entrou no circuito oficial das comemorações do 2 de Julho, como uma das grandes homenageadas pela Independência baiana. Excluída dos livros didáticos e esquecida pela maioria dos historiadores, a guerreira Maria Felipa é, agora, finalmente enaltecida no livro “Maria Felipa de Oliveira – Heroína da Independência da Bahia”, de
Eny Kley de Vasconcelos Farias, educadora, diretora do Centro de Estudos de Pós-Graduação das Faculdades Integradas Olga Metting.

Essas mulheres que participaram das lutas no espaço público, militaram em prol da inclusão intelectual e estiveram envolvidas cm as questões políticas mesmo antes da campanha sufragista. Muitas mulheres ingressaram significativamente as fileiras do movimento abolicionistas no país. Dentre elas estão as baianas Inês Sabino e Luciana de Abreu. A partir de 1889 com a República fundamentada na idéia de representação política dos diversos estratos sócias, acelerou o processo de engajamento das mulheres em prol da luta por direitos políticos. A Constituição de 1891 determinou que o corpo de eleitores devia ser formado por cidadãos alfabetizados e maiores de 21 anos. O código deixava de foram uma menção explícita em relação às mulheres. Diversas mulheres se manifestaram no sentido de defender sua participação na vida pública. Algumas delas tomaram a iniciativa de solicitar alistamento eleitoral ou anda de lançar sua candidatura. A baiana Izabel Dilon apresentou-se como candidata à Constituição, mas não teve sucesso. Sua tentativa era uma forma de pressão já que ela estava, por lei, impedida da participação política. Teve ainda Anísia Ferreira Campos, Dinaelza Soares Santana Coqueiro, Dinalva Iliveira Teixeira, entre outras.



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