12 julho 2013

População está insatisfeita, insegura, indignada


A ineficiência da prestação de saúde pública, a baixa qualidade da educação e o agravamento das
condições de mobilidade urbana sinalizam o mal estar da população. Gastos excessivos com a preparação das copas sem que se vislumbre o legado para a melhoria da qualidade de vida e a falta de solução para os corruptos afetam, o cotidiano de vida de cada um, cidadão.

O País necessita de uma reforma política e todos os partidos e os membros dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) necessitam fazer um esforço para mostrar seriedade à sociedade. Eles já perderam credibilidade. A nossa democracia sempre dá um jeitinho de manter vivos os privilégios de poucos sobre a maioria.

E o que se vê: 39 ministérios, representação parlamentar excessiva, plano de criação de novos municípios, maioridade penal defasada, justiça lenta e falha, imunidade parlamentar, nepotismo, alianças para continuar no poder.

Partidos políticos e o Congresso são os setores públicos mais desacreditados no julgamento dos brasileiros, com os elevados índices de 81 e 72% respectivamente. A pesquisa Ibope divulgada no dia 08/07 pela ONG Transparência Internacional.

EDUCAÇÃO

No Brasil, historicamente, a educação sempre foi posta à margem das prioridades. Os políticos argumentam abertura de escolas técnicas e o aumento no número de universidades. Um avanço, mas é necessário levar em conta a qualidade do ensino. De nada adianta abrir novos centros de ensino se não é possível atrair, para eles, professores qualificados ou equipá-los com modernos laboratórios que incentivem a pesquisa e a extensão.


A educação que chegou no Brasil trazida pelos jesuítas, impregnada de Contra Reforma, sofreu um golpe com as reformas do Marquês de Pombal que substituiu os jesuítas por leigos mal remunerados e completamente despreparados. Nossos problemas educacionais começaram nos séculos XVIII e XIX e continua até hoje.

O desinteresse pela educação vem da falta de um projeto do país em que os cidadãos adquirissem, na escola fundamental, os requisitos para a democracia. Há 80 anos o Brasil apoia sua política em estatísticas equivocadas. Difundidas pelo governo, elas se tornaram um importante argumento político para justificar prioridades totalmente desvirtuadas das necessidades reais do sistema escolar, ajudando a transformar o problema da educação em moeda de barganha eleitoreira.

Além disso, escondem sintomas importantes do  nosso autoritarismo social e endossam um processo que faz do jovem e de sua família verdadeiras vítimas do aparato escolar. Está na hora de universalizar a educação, melhorando a qualidade do ensino nas escolas com a infraestrutura existente.

CULTURA

Temos uma cultura de impunidade, suborno, da conhecida Lei de Gerson, levar vantagem em tudo. O povo quer uma carga tributária aliviada, parlamentares com salários menos astronômicos e deixar de legislar em seu favor, cessar aposentadorias fantasmais no Congresso e no Judiciário, e acabar de vez com o nepotismo.

A compra de parlamentares para ampliar a base de sustentação político no Congresso é antiga. Os ditadores (com capa e democratas) querem ficar no poder pela eternidade. Se muitos reclamam dos vândalos misturados no movimento dos jovens que pedem mudanças (esses vândalos cometem assaltos e homicídios colocando o Brasil entre os países mais violentos do planeta), há vândalos também nos altos escalões públicos, praticando saques contra o erário acobertado pela impunidade. Afinal, eles têm imunidade parlamentar.

Assim, o momento que sacode o País, reivindicando melhorias dos serviços de transporte, saúde, educação e brada contra a corrupção. E dentre as grandes causas de insatisfação, identifica-se a morosidade da máquina judicial, responsável pelo sentimento de impunidade e insignificância das leis hoje. Em abril deste ano o corregedor Francisco Falcão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) classificou o Tribunal de Justiça da Bahia como um dos piores do Brasil. Em junho, o presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa chamou a Corte baiana de “deplorável”, após citar o cumprimento de apenas 15,49% de expectativa o Conselho.

Salvador foi a capital com o pior desempenho em mobilidade urbana entre as seis cidades sede da Copa das Confederações, conforme relatório preliminar do Observatório da Mobilidade Urbana Copa das Confederações, apresentado no dia 04 de julho em São Paulo durante o Seminário Nacional NTU 2013 & Transpúblico. O relatório aponta que Salvador não conseguiu dar um tratamento diferenciado ao transporte público, em detrimento dos automóveis particulares. Além disso, a falta de obras de mobilidade urbana e infraestrutura na cidade também contribuíram para a nota abaixo das demais cidades como Brasília, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Rio.

Engarrafamento, desconforto e insegurança são alguns dos problemas enfrentados pelos usuários dos transportes público em Salvador, quando deveria ser o alvo das prioridades dos governantes. Iniciativas de investimentos na malha de transporte da cidade não existem há anos. Por isso as manifestações levaram às ruas o grito e o recado da população insatisfeita, insegura, indignada.

Os governantes não querem que o Conselho da Cidade do Salvador volte a ter caráter deliberativo (e esse é um dos problemas, tem muito mais que a mídia deveria revelar). O motivo é que eles não querem que as entidades organizadas da sociedade civil participem. O Conselho Municipal, ao longo do tempo, quase não se constituiu em um espaço de discussão e deliberação de questões relevantes da cidade.

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