16 julho 2013

LAMPIÃO: Há 75 anos, sertão nordestino perdia o seu rei



Há 75 anos, no dia 28 de julho de 1938, Virgulino Ferreira da Silva, o conhecido cangaceiro Lampião, foi morto pela polícia alagoana. O apelido Lampião foi dado a ele por causa de sua grande habilidade com as armas – atirava com a espingarda Winchester com tamanha velocidade que, em batalhas noturnas, criava um clarão em sua volta, como se fosse um lampião. E foi pela força das balas que criou seu império sertanejo nos anos 20 e 30.

Iniciado no cangaço por voltas de 1922, Lampião logo ganhou fama por conta de um vasto repertório de atrocidades. Seus crimes eram, em geral, movidos por vingança: contra inimigos pessoais, contra inimigos de seus amigos, amigos de seus inimigos, traidores, delatores ou simplesmente gente que lhe recusava alguma benesse.

Terra sem lei e povoada por índios nos primeiros séculos de sua colonização, o Brasil viveu um traumático processo de subjugação pela metrópole portuguesa. O momento inicial dessa tomada de posse era representada, em geral, pelos desbravadores, os caçadores de riquezas, homens dotado de voluntarismo e de uma carga de violência enorme. O sertão nordestino sofreu um processo de colonização diferenciada do da zona litorânea. Suas condições climáticas, seu solo e sua vegetação eram pouco atrativos para grandes investimentos, do período colonial até parte do século 20.

Criou-se até uma estrutura social livre das ações coercitivas da lei, onde grandes fazendeiros, os tão
conhecidos coronéis, faziam as suas próprias regras, executadas por jagunços armados. O recurso à guerra privada era praticamente incontornável. Em pleno século XX, o sertão vivia ainda sob uma justiça colonial. Quem não era coronel, era policial ou cangaceiro, ou vivia sob a ameaça de algum desses grupos.

Em diversos lugares, a população temiam mais os policiais do que os cangaceiros. Lampião foi um remanescente dessa realidade, ganhou fama, quando os poderes públicos começaram a ser estruturados mais adequadamente para o sertão.
Virou mito numa época já incomparável com o cangaço.


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