10 julho 2013

Negro, uma cor fortemente polarizada ao longo de sua história (3)



O século XVII foi muito sombrio. Século de Luís XIV e de Versalhes, do prestígio das artes e das letras, o século XVII é sombrio e mortífero. Apesar da vida da corte e das festas galantes, apesar da criação artística e literária, não obstante os progresso da ciência e dos conhecimentos, a intolerância se manifesta por toda parte, o despotismo também,. E a miséria mais ainda. A começar pelo domínio da religião. Esse século, tão brilhante por um .lado e tão apavorante por outro, é intensamente religioso. Na Europa protestante, a austeridade cromática continua a ser a regra, talvez mais ainda que no século precedente. A cor preta do vestuário é quase um uniforme, pelo menos para os homens. O clero mostra-se invasivo e tende a ver infração e pecado por toda parte. É preciso se confessar, se mortificar, verter-se de preto em sinal de penitência. É o início das práticas generalizadas de luto sob a forma de tecido e vestuário. A morte permanece preta.

A cor preta não está presente somente no sabá e no mundo da sombra ou da morte. Está também  no mundo da justiça. Prisões, calabouços, processos, inquisições, tortura: o aparelho judiciário aprecia o preto e o introduz para combater os espíritos, dramatizar os rituais, ressalytar os julgamentos, intensificar as funções.

Com as descobertas de Newton (ao mostrar que a cor se origina na transmissão e dispersão  da luz), a cor entra em uma nova fase de sua história, que, com ritmos variados e e acordo com modas diferentes, vai prolongar-se até os nossos dias.

No século das luzes triunfgam as tonalidades claras e luminosas, as cores alegres, as tonalidades pastel, principalmente na gama dos azuis, dos rosas, dos amarelos e dos acinzentados. O preto perde terreno por toda parte, tanto no mobiliário como no vestuário. O barroco e o rococo fazem outras escolhas. No século XVIII, não é o verde que traz azar aos espetáculos  teatrais, é o preto.

E o  vocábulo reflete novas preocupações: os africanos de pele preta, que até então eram chamados demouros, como os habitantes do Magreb, ou entãoetíope, formulação vaga, tornam-sepretosounegros, mas não aindapessoas de cor. Esta asimilação lexival de um homemde pele pretaa um homemde corparece preparar o futuro retorno da cor preta para a ordem cromática, bem antes do branco.

No século XIX, dois atributos acompanham quase sempre a representação do artista ou do poeta romântico: um veste preto e uma postura melancólica, com o corpo mais ou menos inclinado. O cotovelo dobrado e a mão na têmpora, face ou testaatitude característica dos personagens sofredores ou atormentadods. Na segunda metade do século XIX, a cor preta é onipresente não apenas no vestuário, mas tambem na criação artística.

A cor preta não cobre somente o vestuário dos dândis e o coração dos poetas, atinge as pessoas comjuns e torna-se onipresente na vida cotidiana: é o início da segunda revolução industrial. É a época do carvão e do alcatrão, das estradas de ferro e do asfalto, mais tarde do aço e do petróleo. Mas os pintores foram os primeiros a revoltar-se contra esse preto onipresente e onipotente. Desde a época romântica, são numerosos os que lutam por um alaramento geral da paleta e por uma reprodução maior das cores da natureza.

Os impressionistas toma a dianteira. A invenção da fotografia e sua rápida difusão no mundo da arte libertaram, os pintores das atitudes tradicionaids e mudaram seu olhar sobre as formas e as cores.
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