15 abril 2013

Revisando o índio brasileiro (1)



O índio tem ocupado um espaço minúsculo em nossa historiografia, deixando ao esquecimento. Mas o índio tem uma história, plural. É preciso reconstruir o verdadeiro cenário desconstruindo abordagens simplistas que eurocentrizaram as análises, configurando o índio num ambiente social exótico e primitivo.

A história do índio brasileiro permanece adormecida. O que se mostra nas escolas, principalmente no ensino fundamental, são apresentações distorcidas. O conceito de sincretismo deve ser revisto, afastando as possibilidades de folclorização da cultura indígena. Reduzir a contribuição da cultura indígena a sua herança (vocabulário, comida, etc), tal como vemos nos livros didáticos, é empobrecer a sua história.

Reescrever a História Indígena é, antes de tudo, modificar os discursos que durante tanto tempo representaram os nossos nativos como os mais nocivos e pejorativos adjetivos. É preciso apontar perspectiva mais seguras de compreensão do universo histórico e cultural do índio.

Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro, esse número chegava 5 milhões de nativos, aproximadamente. Esses índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco linguístico ao qual pertenciam: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques (Amazônia) e caraíbas (Amazônia).

Atualmente calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo. São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural.

Na colônia evangelizaram, escravizaram ou pelo menos transformaram em trabalhadores braçais. Em suma, incorporaram por baixo à sociedade colonial. O resultado é que os índios morreram nos aldeamentos aos milhares. Em seguida veio a política de miscigenação como a do Marquês de Pombal. Já no século 19 agregou a noção de civilização à de catequização. O “progresso” (para o qual os índios estavam “atrasados”) sucedeu à “civilização”, da República até o fim da Segunda Guerra Mundial. Depois do “progresso”, veio o “desenvolvimento”.

Assim, até cerca de 1850, os índios eram cobiçados como mão de obra. A partir de 1850, cobiçaram as terras deles. E foi com a cobiça de suas terras que os índios passaram a ser considerados como entraves, empecilhos ao desenvolvimento.

A Constituição de 1988 legitimou novos paradigmas para as relações entre Estado e povos indígenas, pautados pelo reconhecimento, valorização e manutenção da sócio diversidade indígena. O conceito da educação escolar indígena passou a caracterizar-se pela afirmação entre escola/sociedade/identidade em consonância com os projetos societários definidos por cada povo.

Erro de português (Oswald de Andrade)

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português



“Dizem que o Brasil foi descoberto, o Brasil não foi descoberto, não, santo padre, o Brasil foi invadido e tomado dos indígenas do Brasil. Esta é a verdadeira história. Nunca foi contada a verdadeira história do nosso povo, santo padre”, disse o líder guarani Marçal Tupã-y ao papa João Paulo 2o 3m 1980.

Despejados de suas terras, sujeitos a inomináveis violências ao longo d quase cinco séculos, os indígenas do Brasil chegam às portas do século 21 despojados igualmente de uma história.
-----------------------------------------------------------------
Canções da música brasileira que ouço o tempo todo (Vol.1)

It's a long way, Caetano Veloso (Transa)
Acabou chorare, Novos Baianos (Acabou Chorare)
Cantiga de amigo, Elomar (Cantoria 2)
Pau puro, Bule Bule (Licutixo)
Ashansu, Carlinhos Brown (O Milagre do Candeal)
A Massa, Raimundo Sodré (Dengo)
A Novidade, Gilberto Gil (Unplugged)
Reverência, Tiganá (Maçalê)
Pequeno Príncipe, Paulo Dantão (Pra lá do azul do Rio Vermelho)
Bembadub, Baianasystem (Baianasystem)

----------------------------------------------------

Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

0 Comentários:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home