31 janeiro 2013

Para desconstruir O Inescrito

Formada pela linguagem verbal e visual, os quadrinhos revelam uma cultura, uma identidade não só para crianças como também para os adultos. A linguagem verbal se utiliza da estrutura e do vocabulário da linguagem escrita. E a visual, constituída por elementos plásticos, em suas diversas categorias como cor, forma, linha, disposição espacial, proporcionalidade, figuração, materialidade, cujas combinações criam as ilustrações, o projeto gráfico e toda a estruturação do encadeamento visual.

E nesse processo comunicativo, o verbal e o não verbal se encontram, se distanciam, criam uma experiência diferenciada em relação às obras apenas verbais, e muitas vezes, extrapolam a palavra e o desenho.

A obra de Mike Carey e Peter Gross intitulada O Inescrito (Panini Comics) propicia estímulos e articuladores de leitura, tanto no campo verbal quanto no visual, apresentando um discurso de boa qualidade artística. Página a página vai ganhando forma, crescendo em conceitos, sinalizando no momento e ritmo da leitura.

A ponte entre o real, as experiencias vivenciadas, e a ficção é o foco da narrativa. A obra abre um leque de possibilidades de exploração. Nessa primeira parte há uma apresentação dos personagens e o fio condutor da trama, que envolve um escritor desaparecido e o fenômeno literário que é sua obra (na qual realidade e fantasia se misturam).

Para muitos, trata-se de uma desconstrução de Harry Potter, assim que chegou às lojas americanas, em 2009. Os autores discutem a questão da celebridade e a maneira como a sociedade responde ao ardor da fama.

A trama tem como protagonista Tom Taylor, filho do autor de livros infanto juvenis mais famoso do planeta. O sucesso de seu pai, sumido há tempos, vem dos livros sobre um herói bruxo, também chamado Tom Taylor. Em meio a convenções de quadrinhos pelo mundo, Taylor passa a ser perseguido por fãs do feiticeiro, defensores da tese de que ele não é gente, e sim um personagem ficcional. Taylor percebe que estranhas circunstâncias mágicas começam a acontecer ao seu redor, pondo sua sanidade em risco.

Em todo o momento a dupla faz critica ao sistema e também é uma declaração de amor à literatura. Vale a pena conferir.

É bom lembrar que houve muitas mudanças no universo das histórias em quadrinhos. Na sua fase inicial eram totalmente voltadas para a garotada com as aventuras de crianças levadas criticando a forma de educar dos adultos (Yellow Kid, Pequeno Nemo, Sobrinhos do Capitão etc). Em seguida vieram as aventuras de Flash Gordon, Tarzan, Jim das Selvas, Fantasma e muitos outros cujo objetivo principal é sair da fase humorística para ações no espaço, na selva, no mar, afinal a queda na Bolsa de Valores dos EUA (1929) não permitia risos fáceis, era preciso fugir a essa realidade.

Com a chegada da guerra mundial, surgiram os super herois para mostrar ao mundo que o planeta estava seguro. A fase dos super herois dura até hoje para o agrado de milhares de fans. Mas surgiram também narrativas sofisticadas, utilizando metalinguagem, trabalhando o ser interior, as fases de angustia, solidão e tristeza. Os momentos da fraqueza humana em outra perspectiva.

A história de Inescrito cativa facilmente o leitor por mostrar segredos do universo da fantasia. E os dois autores possuem um bom domínio narrativo, tanto na construção do enredo e concepção dos personagens como das próprias técnicas da narrativa em quadrinhos. Há o uso de elementos bem contemporâneos como noticiários sensacionalistas, sites de teorias da conspiração, e até fóruns de internet permeando as suas páginas. Vale dar uma checada.
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