15 janeiro 2013

Sociedade humorística (02)

A grande ofensiva político-religiosa do sério começa na metade do século XVI e vai até o século XVIII. A aliança da Igreja triunfante e uma monarquia absoluta não poderia tolerar as bufonarias populares que colocam o mundo do avesso. O riso torna-se suspeito. Assim, a palavra de ordem de uma Europa consciente da necessidade de restaurar a ordem ameaçadas pelas fortes sacudidas das descobertas e das Reformas é que o riso é desordem.

O riso deve ser eliminado das altas esferas da cultura e da espiritualidade em proveito do solene, do grandioso, do imponente, da nobreza. A hora é do majestoso. É preciso terminar com o riso obsceno e subversivo do Carnaval e de outras festas populares. Mas as resistências fazem-se sentir um pouco por toda parte.

Se para Rabelais todo mundo pode rir, para Voltaire o mundo é risível. Na Renascença, todos podem rir, com acentos diferentes, porque o riso é próprio do homem e essência de vida. Na época clássica, muitos não riem mais: os responsáveis, as autoridades defendem a ordem, a grandeza, a imobilidade das instituições, valores e crenças de um mundo, enfim, civilizado. Essa atitude exige seriedade, já que o riso é o movimento, o desequilíbrio, o caos. O riso é, portanto, relegado à oposição. Reduzido à função crítica, de escárnio, de zombaria, ele se torna ácido.

A era da desvalorização cômica (primeira metade do século XVII) fracassa porque o riso não morreu, ele se transformou em razão da evolução cultural global. O riso ora se torna espetáculo ora instrumento – ri-se às gargalhadas e mata-se em duelos; zomba refinadamente e assassina-se por uma tirada de espírito. O riso torna-se, antes de tudo, um instrumento de crítica social, política e religiosa. O riso polido se transforma em zombaria nos séculos XVII e XVIII. Todos os risos, sonoros ou insinuados, altos ou abafados, participam, em última instância, da consolidação de ordem social, moral e política, desempenhando a função de válvula de escape.

Não é pela cólera, é pelo riso que se mata”

A vida política no século XIX, que avança de maneira caótica em direção à democracia, necessita do escárnio, uma vez que o debate livre não pode prescindir da ironia. Riso e democracia são indissociáveis. O riso de combate, o riso partidário, conhece, portanto, um extraordinário renascimento no século XIX. Os métodos grosseiros de intimidação e de repressão são largamente empregados, mas os regimes parlamentares recorrem a soluções mais sutis, e o slogan romano “pão e circo” retorna com toda a força. As relações entre a religião e o riso não melhoram no século XIX. Na Igreja Católica, em particular, os rostos nunca estiveram tão franzidos. A Igreja, encenada, criticada, confrontada com a ascensão das ciências e do ateísmo, encolhe-se, crispa-se sobre seus valores e responde ao mundo moderno com o anátema. Mais que nunca, o riso é diabólico.

O filósofo Hegel abre o século XIX com desconfiança em relação ao riso em sua seriedade dialética. Já Kierkegaard apresenta o riso do desespero e Arthur Schopenhauer afirma que o pessimismo não é inimigo do riso, ao contrário. Mas o grande sopro da gargalhada niilista atravessa a obra de Nietzsche e apresenta o riso destrutivo: “Não é pela cólera, é pelo riso que se mata”. Bergson apresenta sua mecânica social do riso: “O cômico é inconsciente”. Sigmundo Freud interessa-se pela questão e vê no humor a forma mais acabada do triunfo do eu. O humor tem “alguma coisa de sublime e de elevado...”. Assim na primeira metade do século XIX, o mundo interpretado pelo riso é a visão do grotesco romântico. E na segunda metade do século, é uma visão do absurdo derrisório.

“O riso é satânico, logo, é profundamente humano”, escreve Baudelaire em seu tratado Da essência do riso. Toda a obra de Victor Hugo ilustra a ambiguidade do riso. O mundo riu de tudo, dos deuses, dos demônios e, sobretudo, de si mesmo. O riso foi o ópio do século XX, de Dada aos Monty Pythons. Essa doce droga permitiu à humanidade sobreviver a suas vergonhas. Assim o riso tornou-se o sangue e a respiração dessa sociedade humorística que é a nossa. Não há como escapar dele: o riso é obrigatório, os espíritos tristonhos são postos em quarentena, a festa dever ser permanente.

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Nildão lança novo livro no Rio Vermelho



O cartunista e designer Nildão promove big festa para lançar "Drops Pops", seu décimo sexto livro.
Será sábado, dia 26 de janeiro, a partir das 22 horas no Póstudo, Rua João Gomes n° 87, no Free Shop - Rio Vermelho. A animação fica por conta de DJ Roger N' Roll, o ingresso custa 30 reais e dá direito a um exemplar do livro.

“Drops pops” é um livro formato postal e capa dura, em preto e branco com pitadas de vermelho que brinca com os ícones universais da cultura pop: de Bob Marley a Fernando Pessoa, de Michael Jackson a Hitler todos são tratados e digitalmente modificados através da lente do humor sutil e perspicaz do autor. Nos últimos dez anos, Nildão lançou dez livros em animadas festas dançantes no Rio Vermelho. O que une todos eles é o humor sutil, matéria prima que o artista utiliza nos seus mais variados suportes. De nanodelicadezas a falsos logomarcas, de cartuns não verbais a anúncios fictícios o afiado e delicado humor de Nildão continua atual e a serviço da não paranóia, estado de espírito pouco cultivado nos dias de hoje. Todos os livros lançados nesse período estão à venda no site autoral: nildao.com.br (Fonte: Site do autor)


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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

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