25 julho 2011

Pulp, uma paixão pela leitura (4)

O folhetim radiofônico teve seu papel na integração entre mídias visuais e auditivas. O elemento de ligação entre elas foram os textos. É Patati & Braga (2006) que constata que personagens como Batman tem uma dívida enorme para com o folhetim radiofônico. No caso específico, com o Sombra (que inspirou o Homem Morcego), aquele que “conhece o mal que se esconde nos corações humanos”. O Sombra se trajava de modo misterioso, terno sóbrio desaparecia embaixo de uma capa comprida, de um chapéu de abas largas e de suas infalíveis pistolas calibre 45. No rádio, seu caráter misterioso era sublinhado por uma gargalhada sinistra, que gelava o sangue dos bandidos e do público.


Tanto Batman como o Sombra ostentam identidades secretas de playboys internacionais. O que Batman acrescenta é um signo identificável, um ícone para demarcar seu mistério: o morcego. Um totem mais visual que o Sombra. Esse flerte das HQs com aventuras escritas e ouvidas tinha um apelo popular. Como a narração vocabular é muito mais antiga que a visual, a fabulação popular dos folhetins forneceu modelos preciosos para o início dos textos de gibis. Outro exemplo marcante dessa interação entre mídias está no personagem Superman. “É um pássaro? Um avião? Não! É o Superman!”, o bordão de rádio, mídia à qual a popularidade do personagem logo o alçou. Depois veio a série de TV, aventuras no cinema, nos games e no computador.


Foi em 1935 que um escritor de pulps, major Malcolm Wheeler-Nicholson, imaginou a ideia de publicar uma revista com novas histórias e personagens, em vez das reedições dos jornais. Ele intitulou sua revista de New Fun Comics, e sua segunda revista New Fun Comics mais tarde More Fun Comics e New Adventure Comics. O único título que vingou foi Detective Comics, a primeira revista em quadrinhos a se especializar em um assunto, lançada em março de 1937. E em junho de 1938 surgiu Action Comics prometendo aos leitores algo único e inteiramente diferente do que vinha sendo publicado.


Os dois jovens judeus Siegel & Shuster “ao invocar um messias”, e quando ele veio alimentado que foi pela leitura contumaz de folhetins de ficção científica que grassavam na imprensa popular chegou trajando capa e utilizando superpoderes. O caldo de cultura no qual nasceu o SupermanGladiator, de Philip Wylie. Super homem foi a gênese de uma série interminável de super-heróis. é confessamente devedor do folhetim


Dos anos 1940 até os 60 a ficção popular nos EUA passou por grandes mudanças. Os pulpspulps, tornaram-se respeitáveis. A ficção científica, outrora considerada sub-literatura, ganhou em popularidade e tornou-se matéria prima do mercado editorial dos livros de bolso, embora somente na década de 70 o gênero finalmente tinha se tornado aceito como literatura. O que foi considerado um gênero ordinário, um lixo, em 1940, tornou-se ficção reconhecida nos anos 50, exceto os gibis. Mas aí é outra história... aos poucos se tornaram livros de bolso. Histórias de mistério com detetives durões, uma das fontes dos


Referências:


JONES, Gerard. Homens do amanhã. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2006.

KNOWLES, Christopher. Nossos deuses são super-heróis: a história secreta dos super-heróis das revistas em quadrinhos. São Paulo: Cultrix, 2008.

PATATI, Carlos; BRAGA, Flávio. Almanaque dos quadrinhos; 100 anos de uma mídia popular. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

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