07 julho 2011

Família Fenouillard & Max e Moritz

Georges Colomb, conhecido como Christophe (1856-1945) é outro dos precursores dos quadrinhos na França. Artista, escritor e professor de Ciências Naturais, ele é mais conhecido por ser o autor de histórias ilustradas publicadas em forma de série no final do século XIX. Muito arguto observador da sociedade, inspirada por imagens de Epinal, ele é o criador de personagens como o cientista Cosine, os sapadores Camembert , Família Fenouillard e duendes Plick e Plock . O texto de sua obra é caracterizada por um vocabulário muito procurado, e também rica em alusões culturais, literárias, históricas e geográficas, bem como cientistas. O trocadilho sutil é também o seu direito de servir a um humor pateta, às vezes, como os truques do Plick e Plock , às vezes satírico ( Família Fenouillard , irônico, mas ainda do concurso).


A notoriedade de suas placas não devemos esquecer que ele participou plenamente na vida do seu tempo. Ele também era conhecido botânico e moralista educador. Georges Colomb era um professor de ciências naturais e sub-diretor do instituto de botânica na Sorbonne quando ele publicou seus desenhos em Mon Journal, em 1887. Ele usou o pseudônimo de Chistophe (referindo-se a Cristóvão Colombo). Dois anos depois, ele criou La Famille Cornouillet para a revista Journal de la Jeunesse. Esta família foi um protótipo de La Famille Fenouillard, que apareceu no Le Petit Français Illustré de 1889 até 1893.


La Famille Fenouillard foi a primeira série francesa que conseguiu atingir o grande público. Suas inovações estilísticas, utilizando ângulos estranhos e narrativas aceleradas, colocaram o seu trabalho anos à frente do seu tempo, tendo exercido uma influência particularmente forte no conteúdo e na estrutura de outras histórias em imagens francesas.


“Colomb jamais usou balões, mas inseria um texto (de excelente qualidade literária) sob seus quadros. Usava ângulos inusitados, movimentos acelerados, técnicas de silhuetas. A ação ligava os quadros. Estava avançado para seu tempo e é considerado um dos que mais contribuíram para os comics no seu nascedouro” (MOYA, 1986, p.16).

Colomb produziu outros trabalhos, incluindo Les Facéties du Sapper Camamber, em 1890, e as historias em imagens L`Idée Fixe du Savant Cosinus, publicada entre 1893 e 1897, em Le Petit Français Illustré, antes de abandonar o terreno das ilustrações para se dedicar a uma carreira acadêmica.


SETE TRAVESSURAS - O poeta, artista e humorista Wilhelm Busch (1832-1908) publicou suas primeiras histórias ilustradas em 1860. Sua mais famosa criação apareceu na Alemanha em 1865: Max und Moritz, nos quais se basearam Katzenjammer Kids (Os Sobrinhos do Capitão), historieta norte americana criada por Rudolph Dirks, em 1897.


A 4 de abril de 1865, foram publicadas as travessuras de Max e Moritz. A história em sete capítulos dos dois garotos travessos foi escrita e ilustrada pelo pintor, desenhista e poeta alemão Wilhelm Busch, quando contava 33 anos de idade. Precursoras da história em quadrinhos, as traquinagens dos dois meninos foram publicadas em Munique e basearam-se na infância de Busch, tornando-o famoso no mundo inteiro. O texto que acompanhava os desenhos foi feito em versos, no Brasil traduzidos pelo poeta Olavo Bilac, que batizou os dois meninos traquinas de Juca e Chico.

“Busch retratou com ironia a burguesia bem comportada, fazendo uma sátira mordaz dos livros infantis de sua época", analisa o professor Walter Pape, da Universidade de Colônia, especializado em temas referentes ao autor. Na época, entretanto, a obra encontrou pouca repercussão. Apenas uma publicação para professores, na Prússia, escreveu sobre o livro. A fama do autor de Max e Moritz, entretanto, cresceria lentamente.

Cada um dos sete capítulos de Max und Moritz relata uma travessura dos dois meninos. Depois de matarem as galinhas de uma vizinha, roubam seus assados e os comem, serram uma ponte de madeira, fazendo o alfaiate cair no riacho. A próxima vítima é o tio: seu cachimbo explode e sua cama misteriosamente está cheia de besouros. Seguem-se ainda os reboliços na padaria e os sacos de cereais furados, até que os dois acabam no moinho, com a conhecida expressão "Rickeracke, rickeracke", imitando o som da moagem. As aventuras dos dois personagens de Wilhelm Busch foram publicadas em 200 idiomas.


A história dos peraltas Max e Moritz (Juca e Chico) está entre as obras mais conhecidas da literatura infantil alemã. Esta foi traduzida em quase trezentos idiomas, foi parodiada, dramatizada e sonografada por outros autores. Hoje mal se pode imaginar que o criador Wilhem Busch, em 1965, tivera as maiores dificuldades em publicar as suas histórias de garotos em sete travessuras. Naquela época, com 33 anos de idade, ele tinha desenhado justo quatro histórias ilustradas, que mal se vendiam. Quando Busch apresentou Max e Moritz a seu editor Ludwig Richter, este nem sequer queria imprimir a obra. Busch precisava encontrar um outro editor. Kaspar Braun, o editor das folhas voadoras, pagou mil florins em espécie – para a alegria de Busch, que há tempos não havia mais ganho dinheiro. O editor tinha um olfato aguçado: Dez anos mais tarde, as histórias ilustradas de Wilhelm Busch eram conhecidas em todo o mundo.


O rei do jornal Randolph Hearst impulsionou a popularidade de Max e Moritz na luta por tiragens do New York Journal, ao contratar o desenhista Rudolph Dirks com uma adaptação. Os Katzenjammer Kids surgiram 1897 no suplemento do jornal de domingo. Eles são de certa forma os herdeiros do artista Busch – e marcaram um marco na história dos quadrinhos. Wilhelm Busch não era um artista comodista. As suas histórias ilustradas são cruéis e às vezes estranhas mesmo. Gatos têm o seu rabo incendiado, pessoas são moídas, explodidas ou penduradas por um anel no nariz. Busch tem uma maneira impiedosa de olhar a sociedade e os abismos da alma humana.


As histórias se tornam fascinantes através da interação entre imagem e texto: O risco do desenho é exato e rápido, não obstante as caricaturas permitem descobrir muita coisa numa segunda olhada. Além disso, vem o grande talento de Busch para ritmo e idioma, bem como elementos onomatopeicos. Busch dedicou-se a caricatura logo depois da revolução de 1848. Em 1833 e 1845, os álbuns de Topffer foram publicados na Alemanha. O pintor Gustave Doré, que admirava profundamente Busch, estabeleceu o elo entre o mestre suíço e o mestre da Bavária.



Referências:


CLARK, Alan e CLACK, Laurel. Comics. Uma historia ilustrada da B.D. Lisboa: DistriCultural, 1991

FONSECA, Joaquim da. Caricatura. A imagem gráfica do humor. Porto Alegre: Artes e Oficios, 1999

MOYA, Álvaro de. História da História em Quadrinhos. Porto Alegre: L&PM, 1986

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São Jorge da Mata Escura


Lançamento da HQ São Jorge da Mata Escura, primeiro projeto editorial da RV Cultura e Arte, neste sábado, das 15h às 18h com a presença dos autores. As primeiras 20 pessoas que comprarem um exemplar no dia do lançamento (preço especial de dez reais) ganham um poster exclusivo.

Confiram aqui:

<A HREF="http://rvculturaearte.com/2011/07/05/conheca-mais-da-sao-jorge-da-mata-escura/">VIDEOA>P>

um vídeo de divulgação do projeto.

Sábado na RV Cultura e Arte, Rio Vermelho (71 3347 4929).


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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929).

1 Comentários:

At 9:32 PM, Anonymous Anônimo said...

Tenho uma história em quadrinhos da
Famille Fenouillard de 1908 sem rasgos ou rabiscos completo, gostaria de saber quanto vale esse exemplar, que vem encadernado em capa dura e diz que é a 'onziéme edition '
Att Antonio Maia
draltmann@bol.com.br

 

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