05 julho 2011

Populares gravuras de Épinal

Saindo da Inglaterra e entrada na França, em 1820 os franceses vendiam as chamadas "canções de cego", tanto em edições populares quanto em edições com luxuosas iconografias (imagens). As "imagens de Epinal", contos infantis com vinhetas e legendas, já tendo heróis de capa e espada, datam dessa época. Tinham por propósito dar ao povo a chance de transferir-se para a vida romanceada de seus ídolos. E, nos EUA, em 1822, a imprensa transformou-se por causa do surgimento da litografia e, em 1823, em Boston, um almanaque publicado pro Charles Ellms traz, pela primeira vez, entre passatempos e anedotas, alguma historietas cômicas até que, em 1846, aparece em Nova Iorque a primeira revista exclusivamente com essas historietas intitulada Yankee Doodle. Enquanto isso, os europeus liam os Rebus (historietas de conteúdo social) e os japoneses contavam com as histórias da dinastia Meigi ilustrada em quadrinhos.

As gravuras de Épinal eram imagens representando temas populares, feitas com cores brilhantes e vendidas na França durante o século XIX19. Seu nome está ligado à cidade de Épinal, na região de Lorena, onde Jean-Charles Pellerin começou a imprimir tais imagens em sua gráfica, fundada em 1796, chamada Imagerie d'Épinal. Essas imagens eram tão populares que viraram uma expressão popular: uma imagem Épinal se refere a uma representação tradicional e ingênua, que mostra apenas seus aspectos positivos.


A história da gravura de Epinal está inteiramente ligada aos acontecimentos políticos e à evolução dos costumes e da moda na frança. Desde o começo do século XVII, duas atividades econômicas asseguraram a prosperidade de Epinal: a tipografia e a fabricação de cartas de jogar. As primeiras gravuras editadas em Epinal inspiravam-se em motivos religiosos, impressas inicialmente em preto e branco, e em seguida coloridas em recorte.


Jean Charles Pellerin é o fundador da impressora de gravuras. Ele foi testemunha dos grandes acontecimentos que marcaram o fim do século XVIII e começo do XIX na França: a revolução de 1789, a Primeira República, o Reinado de Napoleão I... Pellerin teve a ideia antes de qualquer outro de diversificar a edição de gravuras religiosas utilizando motivos históricos, anedóticos e satíricos, inserindo na página provérbios populares, canções da moda, fatos diversos e os efeitos das armas da época napoleônica.


Se a técnica da gravura permaneceu a mesma no começo do século XIX, malgrado a aparição de temas novos, as cores enriqueceram-se e diversificaram-se. Em 1822, Nicolas Pellerin sucedeu a seu irmão à frente da empresa familiar e a estereotipia substituiu a serigrafia nos trabalhos de impressão cedendo lugar, por sua vez à litografia. Os acontecimentos e fatos da atualidade passaram a representar motivo de grande interesse, sendo acompanhados dia a dia.


Em 1854, Charles Pellerin, filho de Nicolas, modernizou o equipamento familiar, introduziu uma prensa cilíndrica e orientou a produção em três grandes direções: gravuras militares, gravuras da atualidade e gravuras infantis. Seu filho George sucedeu-lhe em 1880, introduzindo a zincografia e fazendo da "Imagerie Pellerin" o que veio a tornar-se depois do começo do século XX: uma empresa moderna empregando uma centena de trabalhadores, tendo clientes nos cinco continentes e imprimindo comentários em várias línguas, inclusive o árabe.


Durante longo tempo, essas imagens responderam às aspirações do povo, colocando o culto doméstico ao alcance de todos. Os frisos, as estampas, muito coloridas, substituíram os quadros que os provençais não podiam adquirir. As gravuras narrando lendas e estórias maravilhosas foram, ao lado das canções populares, oferecidas pelos vendedores ambulantes, as únicas distrações do povo que, à falta de jornais, muito caros até o meio do século XIX, informava-se das novidades por meio das gravuras da atualidade. Numerosas gravuras mostravam as invenções e as grandes descobertas.

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3 Comentários:

At 8:15 PM, Blogger Margarida Caçador Marques said...

Caro Gutemberg. Acho este artigo sobre as gravuras de Epinal muito interessante. Gostava de saber que bibliografia utilizou. Estou a fazer a minha tese de mestrado em Banda Desenhada e Cinema e estas gravuras são uma parte muito importante da história da Banda desenhada (histórias em quadradinhos). Espero que veja este comentário e que me consiga responder. O e-mail é margarida.vai.ha.fonte@gmail.com
Agradeço a disponibilidade, Margarida Marques - Portugal.

 
At 10:05 AM, Blogger Helmut Renders said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 10:08 AM, Blogger Helmut Renders said...

Investigo as xilogravuras religiosas da primeira fase de Epinal, seu uso no Brasil, as origens dos motivos (fazem parte de um intercâmbio interconfessional) para evidenciar que estudos da cultura visual trazem novos aspectos por outros métodos não captado. Grato por dois aspectos técnicos que eu ainda não captei.
Helmut Renders
https://metodista.academia.edu/HelmutRenders

 

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