20 julho 2011

Pulp, uma paixão pela leitura (1)

O progresso na tecnologia de impressão criava novos tipos de entretenimento de massas. As “folhas largas” (broadsheets), tabloides ingleses com ênfases nas ilustrações feitas com xilografia e que tratava de assuntos e fofocas da época, dirigem-se a um público que era predominantemente analfabeta. Esses tabloides evoluíram e se tornaram “folhas de histórias” (story sheets), prosa fictícia sensacionalista impressa em uma única folha de tamanho gigante. E estes, por sua vez, transformaram-se nos “terríveis de um centavo” (penny dreadfuls), assim chamados por causa do seu baixo custo e de sua qualidade editorial. Os “terríveis de um centavo” apareceram em algum momento da década de 1830, tinham oito páginas e eram vendidos para um público operário.


Os pulps, chamados assim por causa do papel de baixa qualidade no qual eram impressos, eram descendentes diretos dos “terríveis de um centavo” e dos romances de dez centavos. De fato, a expressão “pulp fiction” passou a definir o gênero de ficção de baixa qualidade em geral. Revistas em quadrinhos, filmes “B” e programa de TV de conotação chauvinistas têm raízes temáticas nas revistas pulp. A “revista de polpa de madeira” chamada The Golden ArgosyArgosy) surgiu em dezembro de 1882. Na época os romances de dez centavos também eram o formato preferido para histórias de aventuras, mas os pulps tinham a vantagem de poder ser enviado por remessa postal de segunda classe, mais econômica. O novo formato evoluiu rapidamente para se tornar uma revista padrão de 128 páginas, com lombada grampeada ou colada e uma capa de papelão envernizado. Os primeiros pulps apresentavam histórias de faroeste ou de detetives, e algumas com temas de guerra ou de grandes aventuras. (mais tarde, apenas


Assim, há 128 anos surgia uma revista de ficção com formato de 17 por 25cm, papel descartável, custando apenas um centavo e que fez muito sucesso. Trata-se da Argosy, editada por Frank Monsey. Preço baixo e grande tiragem eram a receita de sucesso dos pulps até meados do século passado. Os pulps surgiram como uma opção de leitura e diversão para uma grande massa de trabalhadores que emigrava do campo para a cidade, formando o que seria chamado de sociedade de massas. Monsey foi além, ele lançou a célebre All Story Magazine que em 1912 publicou o conto “Sob as Luas de Marte”, de Edgar Rice Burroughs, que pouco tempo depois escreveu Tarzan dos Macacos.


As publicações eram grossas e baratas, impressas em uma tinta de um tom marrom escuro, com centenas de páginas de ficção em cada número. As capas eram coloridas, pintadas para inspirar terror, excitação, desejo e curiosidade. Os enredos eram cheios de brutamontes, orientais sinistros e namoradas seminuas de gangsteres. Algumas eram destinadas ao público adulto, mas a maioria visava garotos de oito a 14 anos – a idade dos herois como um editor a chamou. Não era possível encontrar essas revistas em biblioteca escolar e poucos pais as compravam. Mas os garotos tinham sede dessas revistas. A ficção científica era uma invenção perfeita para a América no final da década de 1920. Os horrores da industrialização e o inferno tecnológico da Primeira Guerra já se apagaram da memória. Rádios, carros e correio aéreo facilitavam a comunicação de forma imediata e davam ao desenvolvimento industrial um rosto novo e humano. A geração dos anos 1920 acreditava no progresso científico e no individualismo competitivo.

No início da década seguinte a fonte principal de entretenimento, tanto para jovens quanto para velhos, era a leitura. Para eles, havia os pulps, revistas baratas de ficção que foram publicadas aproximadamente de 1900 até 1955, e lidava com todo tipo imaginável de ficção, de western a romance, passando por esportes e mistério, até ficção científica. Eles juntavam seus trocados para poder comprar as revistas, e depois elas passavam de mão em mão até que a encadernação não aguentasse mais e as folhas caíssem. No livro Homens do Amanhã, Gerard Jones conta a história do império das comunicações nos EUA a partir do pulp: “A ficção científica era uma invenção perfeita para a América no final da década de 1920. Os horrores da industrialização e o inferno tecnológico da Primeira Guerra se apagavam da memória. Rádios, carros e correio aéreo facilitavam a comunicação de forma inédita e davam ao desenvolvimento industrial um rosto novo e humano. Uma economia de produção, que valorizava a parcimônia e a acumulação de capital, era pouco a pouco substituída por uma economia de consumo, baseada em gastos, crédito, autogratificação e culto às novidades. Em 1927 Charles Lindbergh foi endeusado quando, sozinho, usou uma máquina moderna para conquistar os ares. [...] Políticos, publicitários e contadores de histórias populares louvavam o mundo dos negócios, a invenção, a América, o indivíduo sem culpa e o futuro. Pela primeira vez os americanos passaram a ver a busca do novo como dever social e prova do heroísmo individual” (JONES, 2006, p. 55).

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