23 outubro 2013

O filósofo Marshall McLuhan (01)








No dia 31 de dezembro de 1980 morria o filósofo e educador canadense Marshall McLuhan. Criador da ideia de "aldeia global" trouxe para a educação novo enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação. "Uma rede mundial de ordenadores tornará acessível, em alguns minutos, todo o tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro". Em tempos de internet, essa frase é óbvia. Quando foi dita, há mais de 27 anos atrás, parecia extraída de um livro de ficção. O autor foi chamado de sonhador a louco, conforme a simpatia que suas ideias provocavam.

McLuhan estava com razão quando dizia que a tecnologia se tornou uma extensão do corpo, seu prolongamento - e por isso o afeta, moldando também as mentes que o gerem. Com a revolução da tecnologia eletrônica, não são só os meios que transformaram, mas o próprio homem entrou em metamorfose. Com o novo universo globalizado, McLuhan tem razão, tudo se torna mais rápido e mais frouxo, mas também menos privado e menos sectário. McLuhan - ele também um “literato” que estudou em Cambridge, devorou os grandes clássicos e estudou Teilhard de Chardin - foi influenciado pelas ideias do teólogo francês, que via nessa grande malha tecnológica uma espécie de manifestação da divindade; mas, apesar disso, não se deixou seduzir, nunca, pelas especulações místicas e se comportou, sempre, como um cientista.


EXTENSÕES – Em 1964, McLuhan publicou um livro chamado Understanding Media (Os meios de comunicação como extensões do homem), um dos clássicos da comunicação – mais discutido do que lido, mais desprezado do que estudado. A grande novidade do autor em relação à educação é o enfoque, baseado em suas teorias sobre comunicação – mais uma vez, adiantando-se à criação de um campo de estudos, Comunicação e Educação, que só seria explorado na década dos 90. "Em nossas cidades, a maior parte da aprendizagem ocorre fora da sala de aula. A quantidade de informações transmitidas pela imprensa excede, de longe, a quantidade de informações transmitidas pela instrução e textos escolares", explica McLuhan, em seu livro Revolução na Comunicação.

McLuhan propõe que, até o surgimento da televisão, vivíamos na "galáxia de Gutemberg" onde todo o conhecimento era visto apenas em sua dimensão visual. Sua ideia é simples: antigamente, o conhecimento era transmitido oralmente, por lendas, histórias e tradições. Quando Gutemberg inventou a imprensa, permitiu que o conhecimento fosse mais difundido. Mas, por outro lado, reduziu a comunicação a um único aspecto, o escrito. "Antes da imprensa, o jovem aprendia ouvindo, observando, fazendo. A aprendizagem tinha lugar fora da aula", explica o autor.

Crítico feroz da escola tradicional, o autor canadense aponta os defeitos do sistema atual, que, segundo ele, prefere criticar a mídia, em vez de utilizá-la como aliada na educação. "Poucos estudantes conseguem adquirir proficiência na análise de um jornal. Ainda menos têm capacidade para discutir com inteligência um filme." Irônico, afirma que "a educação escolar tradicional dispõe de um impressionante acervo de meios próprios para suscitar em nós o desgosto por qualquer atividade humana, por mais atraente que seja na partida". Muito antes de alguém falar em "aspectos lúdicos da educação", McLuhan já dizia que o estudo deveria ser uma atividade divertida. A escola, para ele, ainda não tinha percebido essa realidade óbvia. E completa: "É ilusório supor que existe qualquer diferença básica entre entretenimento e educação. Sempre foi verdade que tudo o que agrada ensina mais eficazmente".

GLOBAL - No prefácio de Understanding Media, McLuhan ele diz que: “Hoje, depois de mais de
um século de tecnologia elétrica, projetamos nosso próprio sistema nervoso central num abraço global, abolindo tempo e espaço. Estamos nos aproximando rapidamente da fase final das extensões do homem: a simulação tecnológica da consciência, pela qual o processo criativo do conhecimento se estenderá coletiva e corporativamente a toda a sociedade humana”. E, mais adiante: “Eletricamente contraído, o globo já não é mais do que uma aldeia”.

Na primeira afirmação McLuhan alude a um “abraço global” que uniria todas as pessoas numa espécie de consciência coletiva, na segunda ele complementa essa ideia mencionando a inclusão das minorias na vida cotidiana de todos, por intermédio de meios que em seu tempo eram apenas elétricos (rádio e TV), e hoje são eletrônicos (Internet).

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