17 outubro 2013

Índio, português e africano na música brasileira (2)



Nossa música se apoia no tripé índio-português-africano de que herdamos todo um instrumental básico e um sistema harmônico, além de cantos, danças e representações, até um ritmo e uma cadência apimentada, de sabor nacional. A música fazia parte do dia a dia de nossos índios, que a tocava por puro prazer, ou em seus rituais religiosos. Para acompanhar suas canções ou tocar sozinhos, os índios criaram os mais variados instrumentos musicais, desde chocalhos e tambores, até flautas, trombetas e apitos.

Via Portugal nos chegaram ainda praticamente todos os instrumentos musicais europeus, sobretudo os de corda – como o violão, o cavaquinho e a viola, mas também os de sopro – como o trombone e a clarineta – e outros mais, como o pandeiro, a sanfona e o piano. A música trazida pelos jesuítas se fazia presente nos autos (dramas religiosos), mas também nas procissões, missas e outras cerimônias (canto chão).

Embora trazido como escravo da África (e assim mantido à força por mais de três séculos), o negro logrou cultivar a sua alegria que se manifestou na dança. E o instrumental africano inclui uma grande variedade de tambores (atabaques, cuícas), o reco reco, agogô, marimba, o banzé e o berimbau da capoeira.

A contribuição espanhola inclui ritmos como o fandango, o zarambeque e a tirania. Da França nos chegaram cantos de roda infantis que aqui ganharam livres versões e também algumas quadrilhas.

CHORO – Nascido por  volta de 1870 ainda com um jeito brasileiro dos conjuntos à base de violões e cavaquinhos tocarem os gêneros dançantes europeus em voga na época, o choro acabaria por se impor como um fascinante gênero musical.

CARNAVAL – Antigo como a humanidade, o Carnaval só começaria a ser festejado no Brasil em 1840. De lá para cá, porém, evoluiria sempre, passando do zé pereira ao corso, do entrudo às festas de salão. Da música não específica às marchas especialmente composta para ela. Sua explosão se verificaria a partir de 1917, com a evolução do samba e da suas escolas. E pelo Brasil adentro criou-se outras variações como o frevo pernambucano e o trio elétrico baiano.

RÁDIO - A força do radio, nos anos 1940 e 1950, foi tão abrangente e irresistível que o Brasil inteiro cantou em coro com os astros e estrelas do microfone: o xaxado e baião de Luiz Gonzaga, a música caipira de Alvarenga & Ranchinho, Jararaca & Ratinho, a disputa entre as duas mais populares cantoras – Emilinha Borba e Marlene. Teve ainda Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto, Angela Maria entre outros.

BOSSA - Das reuniões intimistas de jovens músicos, a bossa nova aporta oficialmente nos toca discos brasileiros em 1958, com João Gilberto e o seu Chega de Saudade.
Fusão do samba e jazz com tintura erudita, a bossa aos poucos ganha espaço, deságua numa corrente política e se projeta no exterior. Com o movimento estão Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra e Nara Leão.

TEVÊ - Inaugurada no Brasil em 1950, a televisão engatinhou por quase uma década, sendo a música parte integrante de seu amadurecimento progresso. Mas a aliança tele musical só ocorreu em meados de 1960, quando o filão do humor já começou a cansar e as novelas ainda  não tinha encontrado seu formato ideal de folhetim eletrônico. O gênero de massificação da música através da TV (e vice versa) ocorreu entre 1965 e 1968 com os festivais.

TROPICALISMO - Entre os anos 1967 a 1969 foram movimentos de explosão criativa no mundo, e no Brasil ele aconteceu muito forte na música que se tornou porta-voz e bandeira dos jovens. Através do tropicalismo, movimento irreverente e informal, mas dotado de uma sólida base teórica e com uma praxis avassaladora e irresistível, conciliaram polos até então antagônicos no Brasil – como universalismo e regionalismo, o político e o individual, o épico e o lírico.

ROCK - O rock no Brasil traduziu o país no compasso da eletricidade. Desde a ingenuidade dos primeiros tempos, transformada em sucesso de massa com a Jovem Guarda e devorada pelo Tropicalismo, a marginalidade underground dos anos 1970 e a ocupação do mercado nos anos 1980 são momentos
de um processo acidentado. Mas hoje o Brasil já tem a sua tradição roqueira – e na confluência de muitas linguagens e experimentações.

CONSAGRADOS - Dos anos 1970 a 1980 imprensada pela censura e empobrecida pelo exílio de vários artistas de peso a música popular brasileira teve seu traçado alterado, mas não impediu de consagrar talento como o compositor e cantor Milton Nascimento, do saxofonista Paulo Moura, do multi instrumentista Hermeto Paschoal, da voz nordestina de Elba Ramalho, do soul de Tim Maia e
Luiz Melodia. Ainda: João Bosco, Chico Buarque, Ney Matogrosso...

ERUDITOS - Na poderosa e envolvente magia dos sons as fronteiras do popular e erudito se encontra: o rio não é mais rio., o mar o invadiu, mas continua doce.... Ernesto Nazaré, Heitor Villa Lobos, Radamés Gnattali, Edino Krieger, Marlos Nobre, Ernest Widmer, Lindenberg Cardoso, Sivuca, Carlos Gomes. O resultado é empolgante, seja popular ou erudito.

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