30 outubro 2013

Cinema descobre o índio (1)



O primeiro passo foi colocar na tela o choque de culturas, as relações entre os colonizadores brancos e os índios brasileiros (Como Era Gostoso o Meu Francês). O passo seguinte foi levar o espectador a se sentir como um índio através do processo de identificação cinematográfico. È a violência de um grupo contra outro na sociedade contemporânea (Uirá, um índio a procura de Deus). Depois mostra a vida de duas tribos, uma disputa nobre de coragem e força de guerreiro, de honraria e amizade ao estranho que visita uma aldeia em paz. Na cena final, um salto para a sociedade do homem branco (A Lenda de Ubirajara ). Este salto se repete (Ajuricaba, o rebelde da Amazônia) onde o índio, mudo, fica em cena, acorrentado pelo branco, se transforma num marginal.


Esses filmes usam o índio como uma representação do homem comum, usam o conflito entre colonizador e índios como uma encenação do sistema em que estamos vivendo. Representam o mecanismo social injusto em que todos estamos vivendo. Diante dos massacres de tribos inteiras do Xingu, da perseguição, da posse das terras e de todo tipo de torturas (da destruição, do genocídio ) tornou-se impossível não falar de índio. (Texto de Gutemberg Cruz Andrade publicado no 2o Caderno da Tribuna da Bahia de 07 de abril de 1978).      

Uma nova descoberta do cinema brasileiro nos últimos anos: o índio. O cangaceiro, que era personagem tipico e até uma representação critica da realidade brasileira, parece estar sendo substituído pelo índio.  O filme brasileiro centrado sobre a figura do índio tem o mérito de discutir as nossas origens culturais e o processo de colonização permanente do mais fraco pelo mais forte.   Como Era gostoso o Meu Francês(1971), de Nélson Pereira dos Santos,Uirá(1974), de Gustavo Dahl,A Lenda de Ubirajara(1975), de André Luis Oliveira e recentementeAjuricaba, de Oswaldo Caldeira, procuram questionar a própria  identidade cultural do Brasil e os processos de sua formação passada e atual. Ao reconstituir o fato histórico, esses cineastas aprofundam suas  reflexões. Mostram toda a luta entre um grupo materialmente mais forte (o colonizador) que se serve de violência às vezes física, às vezes moral, para impor a outro grupo (o índio) um determinado modelo de sociedade.

O Cinema brasileiro de hoje anseia por filmes que narrem o que acontece com as pessoasdisse Gustavo Dahle que uma consciência de nacionalidade parece ter inspirado os filmes sobre índio. Houve  uma espécie de superposição de momentos. De um lado, um crescente interesse  pela antropologia e pelos povos primitivos. De outro, está havendo, também, em plano mundial, um       questionamento da vidacivilizada(poluição, superpopulação dos grandes centros, etc). Além desses dois momentos, um terceiro parece ter motivado a realização desses filmes: no Brasil um movimento de reconciliação com o brasileiro. um boom nacionalista no plano da consciência, na qual a raiz indígena sempre esteve plantada, mas sem florescer. Pensava-se  sempre nas raças brancas e negras. Agora fechou-se o triângulo da nacionalidade (). Da mesma forma que herdamos a cultura da raça negra, estamos agora tomando consciência de que herdamos também os valores da raça índia.

André Luiz Oliveira, referindo-se ao motivo da escolha de um romance de José de Alencar para o cinema, explicou:Todos os problemas do homem contemporâneo têm as suas raízes no mundo primitivo. E lembrou uma citação de Artaud:È nos primitivos que você vai buscar a terceira revolução. Uma nova consciência do homem frente aos problemas do mundo moderno e todas as suas contradições sociais, politicas, culturais e sexuais. O nordestinodiz Andréque foi mostrado na sua manifestação de poder, de força e de crueldade, como cangaceiro, será transfigurado na força espiritual do índio destruído pela civilização branca.
--------------------------------------------------------------------------


Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública), na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596) e Canabrava (Rua João de Deus, 22, Pelourinho). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

0 Comentários:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home