14 outubro 2013

Música através dos séculos


No início, o som foi usado para o ser humano se comunicar com o próximo – através da voz, depois de tambores, e, mais tarde, de instrumentos artificialmente construídos. Em seguida, o som começou a ganhar conteúdos e ser trabalhado de diversas formas, adquirindo funções no dia a dia. Foi usado para incentivar o trabalho, despertar o espírito patriótico, provocar o instinto da disputa e da luta, induzir o ser humano ao sentimento religioso, erotismo, guerra, e a todos os tipos de manifestações e sensações da alma. Até a Idade Média a música sempre esteve ligada a algo, não era nunca uma manifestação para ser consumida isoladamente.

 

Enquanto na China a música (de cinco sons) era usada na prática de ritos místicos, no Egito a prática era mais diversificada. Na cultura hebraica era monódica (expressada através de uma linha melódica isolada), e influenciou todo o canto religioso cristo da Idade Média, o chamado canto gregoriano.

 

O canto gregoriano ou cantochão era usado nas liturgias católicas – missas e solenidades menores. A música caracterizada da Idade Média foi monocárdica, baseada em oito escalas modais de origem grega, não tendo acompanhamento. Os instrumentos não entravam na Igreja, já que eram símbolos da música profana e “do pecado” e era cantado exclusivamente por homens – a voz feminina era proibida na igreja, pois igualmente “induzia ao pecado”.

 

Na Idade Média havia várias espécies de menestréis que divertiam as pessoas nas praças, nas ruas, viajando pelas comunidades. Embora mais cronistas de costumes que traziam novidades do que compositores ou poetas, colaboraram para preservar muitos cantos. Esses trovadores contavam com improvisos e acompanhamentos de instrumentos de cordas. Eles vieram da Provença, sul da França, e atuaram do século XI ao XIII.

 

Foi no século IX da Era Cristã que houve o mais importante acontecimento da música ocidental com o advento da polifonia, a superposição de vozes que perfaziam um todo harmônico (de 800 a 1600).

 

O século XV representa a passagem da idade Média para a Renascença. Houve uma quebra do feudalismo e a ascensão da classe burguesa, particularmente nos grandes centros comerciais. O século XVI é um dos momentos mais inspirados da historiadas artes, o da Renascença ou Renascentista. A música profana ganha importância. A religiosa é patrocinada pela Igreja Católica e a profana, pela nobreza.

 

Na Renascença iniciou-se o interesse pela música instrumental. O estilo barroco durou de 1600 a 1750. O espírito do estilo barroco na música, na pintura e na arquitetura caracterizou-se pela teatralidade, pela grandiosidade e pelos efeitos de brilho. Nasceu na Itália como consequência da Contra Reforma, com o objetivo de reconquistar, através do impacto cultural, a influência da Igreja católica.

 

No período de 1750 a 1820 o estilo clássico se destacou. O termo clássico relaciona-se diretamente com os ideais apolíneos da antiga Grécia: objetividade, controle emocional, clareza formal e respeito pelos princípios estruturais no discurso musical. A expressão rococó também é usada para definir o espírito e o estilo da arte e da música do período. Ela é quase sinônimo de “delicadeza”, ornamentação e galanteria. É nesse período que surge o maestro ou regente, o líder isolado do conjunto, a orquestra.

 

Chega ao século XIX, o século do romantismo (de 1820 a 1900). Foi o período do individualismo, da emocionalidade, da subjetividade, o culto à Antiguidade, particularmente medieval, do sobrenatural (magia, bruxaria, fadas, espíritos), do fantástico, do místico e do nacionalismo. Surge a figura do compositor intérprete, aquele que compõe uma música para ele próprio executar, como Chopin, Liszt ou Paganini.

 

O século XX foi o mais revolucionário da história. Muito “ismos” na criação musical e artística em geral que em toda a história. Estilos em outras épocas duravam centenas de ano. No Século XX não chegavam a ultrapassar uma década. O custo dessa “velocidade de criação” para a relação autor-ouvinte foi muito alto. O grande público, que via na música um elemento prazeroso e emotivo de entretenimento cultural, sentiu-se pressionado com  frenética enxurrada de ideias vanguardistas, antes mesmo de saborear suas mensagens. O público começou a rejeitar os ousados “experimentadores” de época e a “desenterrou” e curtiu autores muitos esquecidos. Expressionismo, atonalismo, dodecafonismo, neoclassicismo, jazz, rock and roll, rap, reggae, wold music, techo, pop, etc..

 
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