07 outubro 2013

James Bond faz mais de 50 anos de cinema (1)



Neste 2013 comemora-se os 60 anos de lançamento de Cassino Royale, o primeiro livro protagonizado pelo agente 007, escrito por Ian Fleming (1908-1964). Ação, suspense e o fino humor inglês. Esta trinca imortalizada por Ian Fleming nos 14 livros com o espião James Bond voltou em 2012 com Carte Blanche, aventura do agente escrita pelo americano Jeffrey Davey. A Ian Fleming Publications definiu o nome do próximo autor a escrever o novo livro de James Bond: o ganense  Willian Boyd.

E após o sucesso do filme 007 Operação Skyfall (o longa de maior sucesso da franquia ao arrecadar US$1,1 bilhão de bilheteria no mundo), o diretor Sam Mendes foi convidado para, mais uma vez, dirigir um filme de James Bond, o 24o da franquia do célebre espião britânico. Bond será novamente vivido por Daniel Craig, ator que, além de Skyfall (2012), protagonizou os longas Cassino Royale (2006) e Quantum of Solace (2008), na pele do agente 007. O roteirista John Logan, que também fez Skyfall, assina o roteiro do novo filme de Bond, que será lançado em outubro de 2015 no Reino Unido e em novembro de 2015 nos Estados Unidos.

Faz mais de 50 anos que James Bond atrai milhões de espectadores aos cinemas. Suas aventuras são prova do quanto o público adora super-heróis irresistíveis. Conheça tudo sobre uma das mais longas séries da historia do cinema, que completa agora mais de 50 anos de duração. O agente secreto 007 sobreviveu a tudo e está acima dos modismos. (Texto inicial de Gutemberg Cruz publicado no caderno Lazer & Informação do jornal A Tarde no dia 26 de julho de 1992 quando comemorava-se 30 anos do personagem no cinema)

Meio século se passou e os estilos do agente 007, protagonista dos filmes de Ian Fleming, seguem despertando tanto interesse que seus trajes, relógios, sapatos e óculos de sol, além de servir de inspiração, marcam a elegância masculina.

Nenhum outro personagem, à exceção de Tarzan, sobreviveu durante tanto tempo: James Bond, o agente secreto de Sua Majestade, está fazendo 50 anos de cinema. O personagem foi criado em 1953, pelo escritor britânico Ian Fleming. Bond, um homem absolutamente irresistível, charmoso e debochado, um profissional implacável, único agente com licença para matar, seduziu rapidamente milhares de leitores, entres os quais o presidente norte-americano John Kennedy. Ao expressar sua admiração pelo herói inglês, Kennedy certamente estimulou os produtores Harry Saltzman e Albert Broccoli à realização da primeira aventura da série,O Satânico Dr. No, em 1962.

James Bond ganhou vida, em 1953, pelas mãos do escritor inglês Ian Fleming.Casino Royalefoi à primeira das 13 novelas que tornaram 007 um dos heróis mais populares do século XX. O primeiro livro teve a tiragem de apenas quatro mil exemplares, o mínimo permitido pela lei britânica, na época, para romances. E a série vendeu cerca de 18 milhões de livros em 11 idiomas. A partir dos anos 80, John Gardner, autor de romances de suspense, deu continuidade à obra de Fleming, morto em 1964 escrevendo seis novos títulos.

O livroO Incrível Mundo de 007ainda nem foi publicado e provocou discussão na Inglaterra. De acordo com um trecho publicado pelo Daily News, o escritor Ian Fleming e o diretor Tecence Young, responsáveis pelos primeiros filmes do agente secreto mais popular do cinema, boicotaram o quanto puderam a candidatura de Sean Connery ao papel. Ambos preferiam Roger Moore, mas na época o ator não se encontrava disponível, por que interpretavaO Santonem seriado de TV. Connery foi salvo pela intervenção da mulher do produtor Albert Broccoli, que o consideroumuito sexye conseguiu convencer o marido de que daria um ótimo James Bond. Moore terminou sendo 007, mas depois que Connery se cansou do personagem.

CÉLEBRE - Hoje, 50 anos e muitos filmes depois, James Bond, no cinema, faturou mais de US$ 3 bilhões. E calcula-se que metade da população do mundo viu pelo menos um de seus filmes. Caberia a Sean Connery, um ator então totalmente desconhecido, tornar-se célebre como o agente, com licença para matar. Quando ele passou pela primeira vez diante da objetivaao som da trilha de John Barry, que também se tornaria célebree deu um tiro cobrindo a tela de sangue, imprimia-se a marca de James Bond. A identificação entre ator, personagem e público foi completa. Ele fez o papel do agente sete vezes, antes de desistir.

Connery, além de ser o melhor intérprete de Bond, é como o personagem dos livros de Ian Fleming,escocês. Sean tinha 32 anos quando fezO Satânico Doutro No, o primeiro de uma série de filmes baseados no herói criado por Fleming. Nasciam ali dois mitos fortemente interligados no imaginário coletivo das ultimas décadas. Muitas outras aventuras de 007 rolaram depois daquela, outros atores passaram pelo papel, mas nenhum tinha a elasticidade física e também o charme, a ironia, e a virilidade que Connery imprimiu, como uma marca pessoal, ao personagem.

O que fez com que 007 conquistasse instantaneamente o público, 50 anos, foi a audaciosa combinação de elementos pouco frequentes no cinema, de aventura da época. Erotismo, cenários exóticos, armas e equipamentos das avançadas tecnologias e, acima de tudo, o direito de matar: 007 subverteu os códigos do cinema de espionagem. O agente pegou o público, e Sean Connery, com certeza, contribuiu para estabelecer a alquimia entre a personagem e a grande massa de espectadores.

IRONIA - Quando Connery se cansou de bancar o agente secreto, temeu-se pela sorte de James. A tentativa de substituir pelo modelo australiano Geoge Lazenby (007 a Serviço Secreto de Sua Majestade) foi um tremendo fiasco. Sean voltou em 1971 (Com 007 os Diamantes são Eternos), mas sua Beretta foi parar nas mãos do inglês Roger Moore. Ele fez também sete filmes. Com sua fleuma carregada de ironia, Moore, fez com que o agente enveredasse cada vez mais pelos caminhos da comédia: ele como que piscava o olho para o espectador, rindo com ele das situações absurdas em que se metia. No início apenas uma réplica desinteressante, aos poucos Roger Moore foi se ajustando e fazendo ajustar o figurino de Bond.

Afastado Roger Moore, o quarto interprete na dinastia dos Bond é o galés Timothy Dalton, que retornou a linguagem cínica de Connery e, ao mesmo tempo, inspirou os roteiristas da série. Ator de formação shakespeariana, Dalton oferece um James Bond mais baixo, frágil e tensomuito mais próximo de um homem de carne e osso do que de um super-homem, embora continue mortalmente perigoso quando enfrenta inimigos. É bom lembrar que emCasino Royale, uma grande paródia confusa, James Bond era David Niven.

E antes de Sean Connery, houve um Bond americanizado, em 1954, noClimax Mystery Theatre, adaptação deCasino Royale. Bond foi interpretado por Barry Nelson, Linda Christian foi a mocinha e Peter Lorre, o vilão. Quando Fleming criou seu personagem, ele pensou em um determinado ator como ideal para encarar Bond: James Stewart. Bond tornou-se um ícone cinematográfico de tal peso que resistiu até mesmo às inevitáveis mudanças de cara, uma vez que, ao contrário do personagem, seus intérpretes não são imunes aos riscos do envelhecimento ou da saturação.

Pierce Brosnan conquistou o público pelo seu carisma, mesmo franzino e participou de quatro filmes da franquia. O ator mais jovem a interpretar 007 é Daniel Craig. Já participou de três filmes e mais dois confirmados.

50 anos que o agente secreto 007 viveu 23 vezes nos filmes integrando-se plenamente ao imaginário do homem do século XX. Entre os heróis da tela, só Tarzan teve vida mais longa. Com o passar do tempo, os filmes tiveram um tratamento próximo aos de aventura clássica, a história em quadrinhos. Ao escapismo de uma literatura de consumo, como quer a maioria, se juntava prazerosamente o cinema, e a plateia. Virou um super-herói dos quadrinhos na tela larga. Foi assim, como projeção dos desejos reprimidos dos espectadores que James Bond atravessou os anos 60, 70, boa parte dos 80, 90 e chegou aos 2013.
------------------------------------------------------------ 
Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública), na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596) e Canabrava (Rua João de Deus, 22, Pelourinho). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

0 Comentários:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home