10 dezembro 2012

Mascarados da pop music (2)

1971 foi o ano dos Secos & Molhados. João Ricardo, Ney Matogrosso e Gerson Conrad explodiram. O rosto pintado, o corpo reluzente de purpurina, o rebolado e uma voz aguda interpretando uma mistura de rock com ritmos latinos e brasileiros, com letras que iam do folclore à poesia de protesto. Assim Ney Matogrosso e seus companheiros Gerson Conrad e João Ricardo levaram à frente um dos maiores fenômenos da história da música brasileira, o Secos & Molhados. Em 1973, saíam o primeiro disco da banda. A capa, com as cabeças dos integrantes servidas em bandejas, a atitude e o repertório, fizeram do disco um fenômeno, com 800 mil cópias vendidas.

Um fenômeno musical e comportamental que dominou a Grã Bretanha entre 1971 a 1974 foi o rock purpurina (ou glam – abreviação de glamour-rock). A banda T. Rex, de Marc Bolan causou sensação com o visual extravagante: plumas e paetês, maquiagem, jaquetas de cetim e sapatos plataforma e de salto alto.

Esse visual tomou conta das ruas, privilegiando o brilho e a androgenia. Amigo de Bolan, David Bowie entrou na onda e tornou-se ainda mais popular, com figurino futurista e cabelo abóbora metálico. Seu álbum The Rise ad Fallof Ziggy Stardust and the Spiders from Mars ele criava o personagem Ziggy, um rockstar androgino e bissexual vindo de outro planeta.

Outro grande nome foi a banda Roxy Music, que revelou Bryan Ferry e Bria Eno. No som, calcado no rock'n'roll dos anos 1950 e no pop melódico, o glitter também era pura sensualidade e diversão.

Ainda da Inglaterra veio a banda Wizzard, que surgiu em 1971. Liderados por Roy Wood, eles faziam um som que misturava rock progressivo, glam rock e hard rock. Wood tinha seu estilo de pintar o rosto e foi um dos grandes influencia na maquiagem do Kiss.

No lado americano surgiram poucas bandas de glam rock. Kiss, Alice Cooper e New York Dools. Esse último visualmente eram os mais escrachados de todos, parecendo verdadeira drag queen em sua maneira debochada de se vestir e se apresentar ao vivo.

Em 1972 o baiano Edy Star, parceiro de Raul Seixas em disco de 1971, é tido como o primeiro artista glitter do Brasil. Ele consagrou-se em shows em boates da Praça Mauá no Rio de Janeiro em 1972 e 1973. E é em 1973 que a banda de hard rock formada em Nova Iorque popularizou a maquiagem – Kiss.

O vocalista e guitarrista Paul Stanley (o da estrela) se tornava em um ser andrógino, encarnação do amor. O guitarrista Ace Frehley (o de maquiagem prateada) se tornava em um alienígena interplanetário. O baterista Peter Cris se tornava em um gato (ou tigre de dentes de sabre conforme outras versões). O baixista e vocalista Gene Simmons (o com cara de mau) por sua vez se transformava em um demônio, encarnação do mal.

Durante anos a identidade real de todos foi guardada a sete chaves. Como se isso tudo já não fosse marketing suficiente os shows eram muito mais do que espetáculos de som, luz e gelo seco. Entre outros pequenos detalhes a guitarra de Ace Frehley soltava fumaça e rojões em meio aos solos, o baixista Gene Simmons voava sobre a plateia, vomitava sangue e cuspia fogo (literalmente, sem truques). A kissmania rapidamente tomou conta dos Estados Unidos. A imagem da banda estava em qualquer coisa que pudesse ser vendida, máquinas de fliperama, bonecos, máscaras, kits de maquiagem, cereais, escovas de dentes..

Na música, o grupo Marilyn Manson buscou como influência Ozzy Osbourne, David Bowie e Ziggy Starter. Sua fórmula de sucesso vem principalmente pela mídia. No palco a banda utiliza satanismo, homossexualismo e sadomasoquismo como ferramentas para atacar a cultura americana. Seu nome artístico foi formado a partir dos nomes Marilyn Monroe e Charles Manson, mostrando o que ele considerava o último e mais perturbante dualismo da cultura estadunidense.

O circo de horrores de Marilyn Manson não ficou sozinho. No final da década de 90 aparece o Slipknot, banda que adotou o visual de máscara de Hallowen, inspirado no personagem Jason, do filme Sexta Feira 13. Em 1995 o Slipknot é o heavy metal do grupo, surgido em Iowa, já é decorrência de quase tudo que veio antes, com acréscimo de pirotecnia e uma imagem de fim de mundo. As letras da banda sempre foram niilistas, sombrias, raivosas e melancólicas, o que estava em alta no mercado musical da época. Tem ainda Rob Zyumbie, Panic'at the Disco...

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