10 janeiro 2012

Cartografia dos Prazeres (2)

BODAGEM - Do inglês bondage. Obtenção de prazer sexual através de contato físico com pessoas ou partes do corpo amarradas. É uma prática sadomasoquista.


BROCHADO - A ligação entre obra impressa de caráter popular e pornografia tornou-se tão forte nas décadas finais do século XIX que a encadernação em capa mole, mais conhecido como brochura, teve seu adjetivo, a palavrabrochado”, logo transformado em sinônimo do órgão sexual masculino incapaz de se enrijecer durante o ato amoroso. Igual ao livro barato, que não possuía o vigor da capa dura que pudesse sustentá-lo e lhe dar forma definida, passou a ser chamado, na fala coloquial e dinâmica do cotidiano, o membro viril impotente. Expressão que corre atos dias de hoje.


CLITÓRIS – Protuberância erétil na parte ântero-superior da vulva, equivalente ao pênis na mulher.


CISVETISMO - Excitação sexual despertado por roupas (uniformes, fardamento).


CRITÉRIOS SEXUAIS - Em relação ao sexo dos parceiros no amor, não significa que os gregos e romanos fossem liberais ou permissivos. Simplesmente emitiam seus juízos em função de critérios diferentes dos nossos. Quatro critérios lhes pareciam fundamentais em matéria sexual, que eram quatro parâmetros merecedores de debate: a capacidade do controlar, ou não, os próprios desejos; a liberdade amorosa ou a fidelidade conjugal; o papel ativo ou passivo no amor e o estatuto de homem livre ou de escravo no que se refere ao parceiro. Trata-se de uma sociedade escravista em que a moral sexual varia de acordo com o status social. A sexualidade era, antes de mais nada, um, modo de dominação.


COISAS CONCRETAS - Ao se cristalizar em padrões culturais, o conhecimento carnal fornece material inesgotável para o pensamento, especialmente quando aparece em narrativaspiadas sejas, bravatas masculinas, fofocas femininas, canções licenciosas e romances eróticos. Sob todas essas formas, o sexo não é apenas um tema, mas também um instrumento para rasgar o véu que cobre as coisas e explorar seu funcionamento interno. Ele serve assim às pessoas comuns como a lógica serve aos filósofosajudar a extrair sentido das coisas. E por isso o que o sexo propiciou na época de ouro da pornografia, de 1650 a 1800, especialmente na França”(Robert Darntom, professor de história. Libertinos e Libertários. Cia das Letras).


COMIDA E SEXO – Em seu livro “A Vida Sexual dos Alimentos”, Bunny Crumpacker informa que as bananas e os figos são símbolos problemáticos. Seu desenho é masculino, mas seu sabor é docemente feminino. Para os hindus, o figo simboliza tanto o pênis quanto a vulva. “Fig you” (e variações da mesma expressão) é uma obscenidade na Inglaterra. No idioma árabe, “mordiscar o figo” é um eufemismo para designar a cunilíngua. Na Turquia, figo significa ânus; na França, “faire la figue” (literalmente, “fazer figa”) significa o mesmo que estender ofensivamente o dedo médio para alguém; na Índia, em vários países latino americanos e por todo o mundo mediterrâneo, a mesma palavra é utilizada para definir “figo” e “foda”.!


CUNETE - Sexo oral no ânus.


CUPIDO - Deus do amor sexual, palavra que em latim significa desejo.


DESEJO - Relação entre seres humanos carentes. O desejo é ternário: o desejante, o desejado e a coisa imaginada como realização da relação entre o desejante e o desejado (donde o papel do amor no sexo). A marca funda do desejo é o jamais oferecer-nos a garantia de haver sido realizado. Porque desejamos o desejo de uma outra pessoa, a liberdade de cada um, o jogo das relações sociais, tudo impede a certeza do definitivo e da plenitude. “O único modo de prolongar e multiplicar os nossos desejos é querer impor-lhes limites”(Bataille) .


DIFERENÇA - Se o erotismo é a exaltação da sensualidade e da beleza dos corpos, independentemente da linguagem, que pode ser velada/ se a pornografia é a busca do sexo através de imagens grosseiras e chocantes e valendo-se quase sempre de uma forma vulgar/ a obscenidade situa-se noutra esfera. Ela não usa ao sensualismo refinado do erotismo nem à excitação cafajeste da pornografia. Não se trata, pois, de uma estimulação dos sentidos, e sim uma espécie de protesto contra o sistema moral, contra as concepções dominantes de amor e de sexo, e contra o próprio mundo.


DOMINATRIX – Mulher paga para representar uma cena sadomasoquista com um cliente.


DRAG QUEEN – Homens que se vestem e maquiam como mulher. Ao contrário dos travestis, a maioria dos drag queen o faz apenas temporariamente, voltando aos trajes e modos masculinos no cotidiano.


EJACULAÇÃO – Ato de expelir líquido em forma de jato. Gozo, orgasmo e ejaculação não são a mesma coisa, embora os dois outros costumam ser concomitantes quando da estimulação genital. A ejaculação, para muitos, tem além do significado físico um valor como fetiche, tanto a feminina como a masculina.


ENFER (Inferno) - Em 1810, a Biblioteca Nacional começou a receber umdepósito legalde todos os livros publicados na França. A fim de poder abrir espaço aos livros licenciosos e obscenos e restringir o número de seus leitores, a biblioteca criou uma coleção especial, que em breve recebeu o nome deEnfer”, O Inferno. As bibliotecas americanas às vezes usavam as letras gregas A ou Z. Em uma espécie de clandestinidade oficial de clandestinidade oficial, para consultar essas obras era necessária obter permissão especial. Com esse nome ficou conhecida a seção de livrosproibidosda Biblioteca Nacional de Paris. Criada por ordem de Napoleão, quando ainda primeiro-cônsul, ali se guardaram por longos anos as obras reputadas obscenas.


Os bibliotecários criavam o “Inferno’ (Enfer) em algumas ocasiões entre 1836 e 1844 como meio de escapar a uma contradição. De um lado, tinham que preservar o acervo mais completo possível de palavra impressa/ do outro, queriam evitar que os leitores se corrompessem pelo contato com mais livros. A saída foi reunir todas as obras críticas mais ofensivas de todas as coleções da Biblioteca Nacional e lacrá-las num único lugar, declarando inacessível para leitores normais. Essa política fez parte do processo de expurgo que ocorreu no século 19- como parte desse movimento de silenciamento, bibliotecários do mundo todo puseram certos tipos de livros fora do alcance dos leitores inventaram códigos para classificá-los – a Caixa Reservada do museu Britânico, o código Delta da Biblioteca do congresso, o ***** da Biblioteca Pública de Nova Iorque e, na Biblioteca Borluna, a letra 0 (“phi”), que, na pronúncia oxfordiana, soa como “Fu!”(vergonha). A maioria dessas coleções estava na Biblioteca Nacional de Paris, uma vez que Paris passa por capital da pornografia.

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Quem desejar
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