20 janeiro 2012

Cartografia dos Prazeres (10)

SADISMO - Obtenção de prazer sexual infligindo sofrimento a outras pessoas, ou humilhando outras pessoas. Termo derivado da fama obtida pelo Marques de Sade, autor de diversos livros der caráter erótico.

SADOMASOQUISMO - Obtenção de prazer sexual através de inflingir ou vivenciar dou ou humilhação.

SEDUÇÃO - Amadurecida a revolução da década de 60, formalizada a liberação da mulher e a igualdade entre os sexos, a eficiência na sedução é cada vez mais valorizada em todas as áreas, do marketing à administração de empresas, passando pela política. Ela requer sofisticação quase igual à que fez a fama do infalível Casanova.


Os psicólogos Pascal Bruckner e Alain Finkielkraut chamam atenção para um fato extremamente importante que determina, em larga medida, a febre de sedução que parece caracterizar as sociedades modernas? A pele é o que de mais profundo, todas as exclusões são pronunciadas em nome do corpo. As pressões sociais continuam a ter mais importância do que se julga na escolha do companheiro. A proximidade geográfica, o grupo profissional e a estratificação social conduzem as regras do jogo a que a norma social muitas vezes chama convencionalmente casamento de amor. Segundo Bruckner e Finkielkraut, ‘se existe hoje um romantismo, ele não é sentimental mas libidinal. Em vez da paixão, o desejo/ no lugar do coração, o sexo’.


De acordo com as hipóteses do sociólogo francês, Jean Baudrillard (Da Sedução, Papirus Editores, 1991), o jogo de sedução que define as sociedades modernas vai muito além da realidade sexual e do prazer que esta proporciona. O corposua aparência e modo de funcionamentotornou-se o primeiro e mais belo objeto de troca da sociedade mercantil. A sedução seria, neste ponto, o oposto da produção. A primeira valoriza o corpo, enquanto a segunda o desgasta. Entre o homem e a sociedade, o corpo conquistou o lugar que outrora era ocupado pelo suplemento de alma. O médico substituiu o padre, a higiene pôs de lado a confissão, os meios de comunicação destronaram o púlpito.


O fetichismo é a sedução do morto, inclusive a morte da regra na perversão. A perversão é um desafio gelado, a sedução é m desafio vivo. A sedução é móvel e efêmera, a perversão é monótona e interminável. A perversão é teatral e cúmplice. A sedução é secreta e reversível.

SEXO – Forma de reprodução; relação sexual. Há 1000 anos, o sexo tinha como significado prioritário a reprodução. Atualmente, sexo significa intimidade, conexão com outra pessoa, prazer, a possibilidade da descoberta da identidade e procriação.


SEXTING – Prática de divulgação de conteúdos eróticos através de celulares.


SODOMA - É o mais infame texto erótico inglês da Restauração. No século 18, atribuiu-se a autoria de “Sodom” ao lorde Rochester. A obra parece ter sido editada três vezes (em 1684, 16891690 e 1707), embora restam apenas cópias manuscritas. Era mais um drama que um romance, e os atos sexuais eram mais descritos que consumados.


TABU - “A proibição de dizer qualquer expressão imoral ou grosseira” é um tabu impróprio, já que em sentido próprio “o tabu lingüístico é a proibição de dizer certo nome ou certa palavra, aos quais se atribui poder sobrenatural, e cuja infração causa infelicidade ou desgraça” na conceituação de R.F.Mansur Guérios (Tabus lingüísticos, São Paulo, Nacional, 1979, p.5). A força e o poder de ênfase dessas palavras (ditas “chula” pelos dicionaristas) não decorre apenas do seu caráter de tabus lingüísticos (testemunhos nisso, para Louis-Jean Calvet – Saussure: pró e contra – Para uma lingüística social, SP, Cultrix, 1977 -, da ideologia de uma sociedade “cristã” pelo “papel restrito concedido à sexualidade: tudo é praticamente e implicitamente condenado, salvo a procriação”) aos quais se opõem os numerosos eufemismos, socialmente permissíveis, da linguagem polida; a presença de palavras chulas num contexto literário onde a fala culta é a de esperar-se constitui flagrante violação da norma.


Como escreveu José Paulo Paes nos livros Sonetos Luxuriosos: “Mas não é da capacidade de ofender os pudores que o chamado nome feio retira sua eficácia expressiva. Retira-a melhor, e em nível bem mais profundo, da ligação por assim dizer imediatase confrontada com os desvios da metáfora eufêmicacom as funções excretoras do corpo. Freud mostrou serem essas funções as fontes primeiras do prazer, mais tarde especializado na atividade sexual propriamente dita. E a mesma interdição que pesa sobre os deleites mictórios e fecais da primeira infância, condenando-os por anti-sociais, pesa também sobre os nomes imediatas ou não eufêmicos dos órgãos, produtos ou atos com eles relacionados. Essa aura de difuso prazer e precoce interdito, imagem em abyme do pecado original, irá coroar para sempre o nome feio, fazendo-o a própria voz do Corpo, obscura e subterrânea voz egótica sistematicamente abafada pelo discurso aristotélico e socializado da cabeça. A voz do Corpo surde dos confins da linguagem; por refugir as leis da lógica gramatical, não se presta à veiculação de conceitos; cabe-lhe antes dar vazão a emoções impossíveis de verbalizar satisfatoriamente: ira, aversão, espanto, exaltação, êxtase. Daí o termo obsceno ser usado freqüentes vezes como insulto ou exclamação nos momentos em que o léxico de impropérios ou interjeições permissíveis da língua revela-se inadequado para expressar a intensidade dos sentimentos do falante. Entre esses momentos, esta o auge do prazer sexual, quando não é incomum os amantes entremearem as palavras de carinho com outras tantas obscenidades.”.


Conforme disse Henry Miller: “Quando a obscenidade aparece na arte, em particular na literatura, ela não tem habitualmente o valor de um procedimento: o elemento deliberado que nela se encontra nada tem a ver com a excitação sexual, como é o caso da pornografia (...) Seu fito é despertar, comunicar um sentimento da realidade”. (Lobscenité et la loi de réflexiontrad. D.Kotchouhey, Paris, Seghers, 1949, p.25).

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