05 setembro 2011

Perspectivas entre cartuns e quadrinhos

Luiz Guilherme Sodré Teixeira em sua obra “Sentidos do Humor, Trapaças da Razão: a charge” aborda a inversão de perspectivas e valores entre o universo dos cartuns e o das HQs. O cartum infantiliza seus leitores tratando de temas adultos, enquanto que as HQs tratam de temas infantis que os tornam adultos.


“Enredos de HQs transportam leitores infantis para um mundo essencialmente adulto, enquanto que a temática adulta dos cartuns conduz seus leitores para um mundo basicamente infantilizado. Isso significa que superpoderes de super-heróis de HQs possibilitam que crianças se identifiquem com eles e se projetem, assim, num mundo adulto, enquanto que anti poderes de anti-heróis de cartuns os aproximam dos seres adultos, permitindo, assim, que se identifiquem com seus personagens infantilizados.


“A eficiência e a eficácia de forma e conteúdo de ambos depende desse mecanismo de transferência: numa, do desejo infantil de pertencer ao mundo adulto, na outra, da fantasia adulta de se transportar ao mundo infantil. Em ambas, ela é, esse permanente e sutil inadequação dos sujeitos reais com o mundo que os cerca, que os mobiliza para viver suas histórias, acompanhar seus discursos, é ela que torna possível essa transferência, essa projeção ´psicológica` que arremata com apoteose suas respectivas mensagens finais e favorece sua mutua identificação.


“HQ e cartum tratam dessa peculiaridade, dessa fragilidade, dessa inadequação básica – mais ou menos profunda – que permeia o ser humano: o jeito de que ninguém está perfeitamente confortável em sua própria pele. Nas HQs, super-heróis não podem usufruir, como cidadãos comuns, dos poderes que têm, e sofrem, porque são como não podem ser; já nos cartuns, seus personagens usufruem largamente dos anti-poderes que têm, e sofrem, porque não podem ser como são”.


A desqualificação cultural do humor está no fato de que rir é uma atitudenaturaleinfantil


Levar a sérioé tido como algo bom e verdadeiro. “Tirar do sériocomo algo mau e falso ou ainda, “muito riso, pouco sisoexemplifica, como vícios de linguagens, atitudes e comportamentos que a sociedade adota e a cultura valoriza.


A seriedade é tida como critério de confiabilidade, uma certidão pública de credibilidade, uma condição verdadeira.


Para a razão o sério legitima o saber, ele é capaz de produzir a verdade.


A sociedade não se relaciona com o humor senão através de uma relação de negatividade, fora de qualquer atributo ou faculdade que além da imediaticidade do riso. Ela o tolera como catarse necessária à convivência entre os seres.


A razão sanciona, o humor dilui a fronteira entre o verdadeiro e o falso, e desvenda o que a razão encobre.


O humor é umnão saberpara o escritor francês Georges Bataille


Umnão lugare umanão linguagempara o filósofo francês Michel Foucault


Umnão conscientepara o psicanalista austríaco Sigmund Freud


Humor e riso são emoções portadoras de conteúdos potencialmente ameaçadores. A sociedade e a cultura consideram como desvio, transgressão. Eles lhe negam um lugar específico de expressão.


A partir do século 17, a linguagem e a verdade, unificadas em torno da racionalidade e da seriedade de seus discursos, marginalizaram o humor, como medicalizaram a loucura.


O humor produz desordem na ordem da razão.

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