01 março 2013

As eternas canções da sétima arte (1)

Há 86 anos o cinema deixava de ser mudo para começar a falar. Em 1927, O Cantor de Jazz chegava às telas com a novidade. Graças aos irmãos Warner, os filmes já não tinham mais que ser mudos. Assim, o Cantor de Jazz passa a ser o primeiro filme da história a utilizar o invento do som no cinema, No ano seguinte, a técnica melhorou: enquanto o primeiro filme era composto, basicamente de canções, Lights of New York era composto inteiramente por diálogos.

Quem não assistiu, pelo menos ouviu falar de filmes como O Candelabro Italiano, Cantando na Chuva, A Noviça Rebelde, Cabaret, Luzes da Ribalta, Ases Indomáveis, entre tantos outros. Por trás de todos eles existem em comum canções inesquecíveis, que encantaram o público. Músicas que acompanham as imagens e ficam na mente das pessoas. O filme está assim ligado à sua trilha sonora. Na época do cinema mudo, a música não vinha da trilha magnética e sim do piano ou orquestra sempre presente no palco. Cada cinema tinha o seu pianista, que não tirava o olho da tela, acompanhando a ação da fita. A partir de 1927, com Al Jolson, começou a revolução nos telões. O primeiro filme falado (ou melhor, cantado) foi “O Cantor de Jaz”. Nos anos 30, a música de fundo do cinema passou a linguagem. E jamais parou de evoluir em todos os gêneros. Diretores exigentes têm seus compositores e músicos preferidos.

No início era a imagem, o movimento. A ausência da palavra concentrava a atenção do espectador no aspecto visual do comportamento. Havia gestos grandiosos, expressões dramáticas, closes. A música não vinha da trilha magnética, mas do piano ou orquestra sempre presente no palco do cinema. Cada cinema era obrigado a contratar um pianista, que ficava de olho na tela tecendo comentários musicais durante a ação.

No Brasil, gente famosa como Villa Lobos e Radamés Gnatalli tocaram em sala de exibição. Com a difusão do rádio, a partir de 1920, grandes empresas de eletricidade adquiriram praticamente todas as patentes de inventos ligados a gravação de sons. Em 1926, a Western Electric ofereceu a patente a várias companhias cinematográficas, e só a Warner, então à beira da falência, prontificou-se a comprá-la. Rapidamente, os irmãos Warner aprimoraram o sistema Vitaphone. Em outubro de 1926, rodaram seu primeiro filme com som, “Don Juan”, estrelado por John Barrymore, com fundo musical as cargo da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque.

Encorajados pelo êxito da película, os Warner contrataram Al Jolson, cantor de origem russa que mais vendia discos nos Estados Unidos, pintaram-lhe o rosto de negro para ajustá-lo ao papel e com ele rodaram “O Cantor de Jazz”, em 1927. Surgia o primeiro filme falado. Mais cantado do que falado, “The Jazz Singer”, na verdade, só tinha uma fala de improviso com o cantor Al Jolson, entre um de seus maiores sucessos, “Mammy”: “Esperem um minuto, esperem um minuto. Vocês ainda não ouviram nada, gente; escutem só isso”. Um monólogo chiado que abalou a Hollywood de então, revolucionando a indústria de um dia para o outro. Foi um sucesso de bilheteria que rendeu à quase falida Warner Brothers nada menos que três milhões de dólares nos primeiros meses de exibição.

Os grandes produtores não aceitaram o som, pois já tinham em andamento superproduções do cinema mudo. O cinema falado não foi bem aceito. Cineasta e críticos acreditaram que ele teria vida curta. Em 1928, a Warner realizou mais dois filmes sonoros – Luzes de Nova Iorque, dirigido por Brian Foy, e The Singing Fool, protagonizado por Al Jolson – cujo êxito confirmou a grande aceitação popular do cinema falado.

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