12 março 2013

Paraguassu: Maior rio genuinamente baiano corre risco (1)

Há mais de 15 anos, uma avançada degradação ambiental do Rio Paraguassu e seus principais afluentes tem acontecido a olhos vistos. E hoje, apesar das muitas denúncias, praticamente nenhuma providência foi tomada, e a situação só agravou. Desmatamento, sucção irregular de água para irrigação, assoreamento, esgotos sanitários, lixo, pesca com bombas, retirada de argila e garimpo. Essa é a triste realidade do rio Paraguaçu, que apesar da sua força, beleza e importância para a Bahia, tem pedido socorro sem ser atendido, correndo o risco de morrer, deixando o estado órfão do maior rio genuinamente baiano.

O Paraguassu nasce no cerrado da Chapada Diamantina, em Barra da Estiva, atravessa a caatinga e o Recôncavo, até desaguar em Barra do Paraguassu, na Baía de Todos os Santos. São 614 km de curso. Sua bacia abrange uma área total de 55.317 quilômetros quadrados, passando por 81 cidades no centro e ao leste da Bahia. Exatos 21 municípios baianos são abastecidos com a água do rio, inclusive parte de Feira de Santana e Salvador. A pesca é possível em grande parte do seu curso, além do seu forte apelo turístico, com partes navegáveis, onde viajantes são contemplados com paisagens naturais que, felizmente, ainda sobrevivem à poluição do rio.

Apesar de todas essas valiosas contribuições para o Estado, o descaso e a inoperância em defesa do manancial do Paraguassu são verificados desde a sua nascente. Em Barra da Estiva, espera-se já há 8 anos pela criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) para preservar a nascente. Em tupi-guarani, o nome do rio quer dizer “Água Grande”. Mas, com tanta falta de consciência e desmazelo, a grandeza destas águas está ameaçada seriamente, e consequentemente, ameaçará a vida de milhares de famílias que dependem dessas águas. Pela primeira vez, em Barra da Estiva, está sendo preciso fazer racionamento da água captada no Paraguassu para abastecer a cidade. É irônico e trágico.

PROBLEMAS - A nascente do rio, em Barra da Estiva, fica em uma propriedade particular, sem qualquer proteção contra o acesso de pessoas ou animais. Desde 2000 que existe o projeto de criação da APA no local, mas o projeto ficou no papel. Segundo especialistas, um dos problemas mais graves enfrentados pelo rio Paraguassu é justamente a falta de proteção à nascente, e em segundo lugar, o desmatamento. Para a criação da APA, torna-se necessária a desapropriação do terreno pelo governo do Estado.

Além dos problemas citados acima, as constantes queimadas na vegetação da Chapada Diamantina são um perigo para a preservação da bacia hidrográfica, tendo em vista que elas ocasionam a extinção de dezenas de nascente de riachos e rios que alimentam o Paraguassu. Na região do alto curso do rio, a cidade de Andaraí é fundamental na vida da “Água Grande”: é neste município que o rio passa da fase de “criança” e “adolescente” para a fase “adulta”, pois recebe, principalmente, as águas de dois grandes afluentes, os rios Santo Antônio e o Baiano.

Contudo, Andaraí é o local onde há grande parte da degradação. Esses dois afluentes estão sendo assoreados há mais de 10 anos e, na época da estiagem, como agora, ficam cortados, praticamente secos. Além do assoreamento, o lixão da cidade de Andaraí também polui o rio Paraguaçu há 12 anos. A degradação, principalmente desmatamento e assoreamento, atinge ainda o Marimbus, um pantanal formado, também neste município, pelo encontro dos rios Paraguaçu e Santo Antônio.

CONSCIÊNCIA - na cidade de Iaçu, a agressão ao rio ganha um detalhe que, se não fosse trágico, seria cômico: ao lado da Ponte Severiano Vieira, uma tubulação despeja esgoto nas águas do Paraguassu cotidianamente. Ao lado, uma placa anuncia o Plano de Recuperação de Área Degradada, posto em prática pela prefeitura, Ibama e pela ONG Raízes do Paraguaçu. E como se os problemas fossem poucos, ainda a sucção de água para irrigação e a retirada da argila em cidades como Ipuaçu e Marcionílio Souzamesmo depois do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelos donos de olarias da região com o Ministério Público.

Outro problema flagrado na cidade de Iaçu é o despejo de restos de salgadeiras que tratam do couro de animais e funcionam nas margens do rio. O cenário é um mau cheiro intenso e restos de animais em volta das salgadeiras. Todos os resíduos líquidos e sólidos vão parar no rio Paraguaçu. A cidade de Iaçu é uma das que mais agridem o Paraguassu com esgotos. Há córregos e tubulações despejando detritos todos os dias.

Dos sete maiores municípios banhados pelo rio Paraguassu apenas 3 estão em processo de implantação de sistema de esgotamento sanitário. Mesmo assim, apenas um, Ibicoara, deve deixar completamente de jogar dejetos no manancial a partir de abril de 2009, segundo o prefeito Luciano Pereira dos Santos. “Não sei o que pode acontecer daqui a 10 ou 20 anos, se não houver medidas drásticas contra a degradação. É muita falta de respeito por um rio que abastece a capital e tantas outras cidade do interior”, desabafa o analista ambiental César Gonçalves, do Instituto Chico Mendes.
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