13 março 2013

Paraguassu: Maior rio genuinamente baiano corre risco (2)



Streeter-Phelps, o clássico da poluição das águas, é autor de uma frase inspiradora, que muito justificadamente vem sendo reproduzida em inúmeros trabalhos que tratam da proteção dos rios:Um rio é um ser vivo, um ser dotado de energia, de movimento, de transformações. Tal como o sangue que circula em nossas veias, o rio contém células que nutrem e que respiram oxigênio. Em sua infância, é leve e irrequieto, como qualquer criança ou animal novo: corre, salta, ora atirando-se de grandes alturas, ora cascateando ruidosamente por entre os seixos, ora descansando, ofegante, em seu leito”.

“Seu aspecto é sadio e límpido, irradiando pureza; seu corpo é fresco como o orvalho da manhã; sua cor é o puro azul do céu refletido. Depois cresce. Suas águas se avolumam. Torna-se majestoso e tranquilo. Viaja. Percorre grandes planícies, profundos vales, circunda montanhas, salta perigosos penhascos. Conhece o homem. Avizinha-se de suas cidades, trabalha para ele – move seus engenhos, transporta suas embarcações, dessedenta-lhe os rebanhos e as plantações, oferece-lhe seus peixes e prova o sabor amargo de sua ingratidão”.

PATRIMÔNIO - Àgua grande é o nome batizado pelos índios nativos. Vaidoso, também respondia por mar grande e grande rio. O Paraguassu é, de fato, extenso, luxuriante desde a sua nascente diamantífera no Morro do Ouro, na Chapada Diamantina, mas, principalmente, quando muda de direção e parte para banhar as cidades históricas de Maragogipe, São Félix e Cachoeira, numa corrida sedutora em direção à Baia de Todos os Santos.

Durante a viagem, o rio refresca as margens de onde se descortina um rico acervo arquitetônico que inclui a casa grande da antiga Fazenda São Roque, o Engenho da Vitória, o Fortim do Salamina, a Capela de Nossa Senhora da Penha e as ruínas do convento, igreja e hospital de São Francisco de Paraguassu. Mas não é apenas a natureza e a arquitetura. Em cada uma das cidades por onde passa, o rio genuinamente baiano empresta inspiração para o samba de roda, as orações das damas da Irmandade de Boa Morte e ainda dá gosto nas palhas da mandioca que engrossam os pratos suculentos de maniçoba. É esse roteiro cultural que o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) quer tornar patrimônio da humanidade.
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