25 março 2013

Radiografia de uma terra decadente



Ela está no coração do Brasil, sintetiza antiguidade e modernidade e possui, de longe, o maior patrimônio cultural do país. Com 500 anos de história, os baianos resistiram aos costumes dos invasores europeus. Sentido estético exacerbado, exibicionismo, auto-suficiência (bem do signo de áries) e uma impávida certeza de que o caos daí decorrente será compensado por encantos que não se encontram em qualquer lugar do mundo. Em outras palavras, decadência – mas com elegância.

Esse é um diagnóstico que qualquer turista faz desde o momento em que enfrenta os inconvenientes do Aeroporto Dois de Julho (mudado para Luis Eduardo Magalhães) até a hora em que paga a última conta de restaurante na Barra ou Rio Vermelho.

Que fascínio é esse que vai bem além de belas igrejas, museus, mulheres, paisagens e gastronomia?. Mas, quem chega mais perto conhece o ridículo da obsessão do baiano pelo barulho (cada um quer tocar seu aparelho em alto volume como se fosse um trio elétrico, seja no carro, no bar ou em qualquer lugar, o espírito trio eletrizante parece ter enraizado, e tome-lhe som na estratosfera. Haja ouvidos!!!), a pobreza de urinar nas ruas e praças como se o privado fosse público (segundo os estudiosos, esse defeito veio desde os político na época imperial e o poeta Gregório de Mattos já denunciava em suas trovas), o falar alto e aberto em qualquer hora (Caetano Veloso já confirmava na música Tieta), o misturar o público com o privado, o apego a celulares (isso já é da modernidade insana) e as músicas sem qualidades (que muitos a defendem como se fosse cultura popular, ledo engano). Talvez esse apego aos gestos, mais do que ao  bom comportamento, faz de cada encontro um pequeno ritual erótico que transforma estrangeiros e visitantes em voyeurs, desejosos de fazer parte do jogo.

Fazer xixi na rua, jogar lixo pela janela, parar o carro no passeio, destruir o patrimônio público são maus hábitos do baiano. Para os antropólogos este desleixo da população com o bem púbico é porque tudo que é público é visto como terra de ninguém. O estado desrespeita o cidadão, começando com mau exemplo.

Atravessar pistas sem nem sequer esperar o sinal do semáforo, atender celular no trânsito, levar cachorros para fazer cocô na calçada e na praia, falar alto dentro do ônibus contando particularidades da vida privada de si ou do vizinho. A deseducação começa dentro de casa. O filho vê os pais desrespeitando as vias públicas, ou seja jogando lixo, atravessando as pistas longe dos semáforos, desrespeitando as regras de trânsito como beber e dirigir, estacionar nas calçadas, passar em fila duplas e outras atrocidades.

Salvador precisa ser repensada sob o ponto de vista econômico, urbano e social. Na década de 1940, foi criado o plano de Salvador urbanisticamente moderno. Hoje é necessário um programa para melhorar a qualidade de vida do soteropolitano.

Na Bahia, 56% dos domicílios foram considerados impróprios para se viver pela pesquisa de Indicadores do Desenvolvimento Sustentável (IDS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado com dados de 2008 e publicado em 2010. As estatísticas percentuais do Estado estão acima dos números nacionais, que trazem 43% dos  imóveis pesquisados como inadequados, totalizando cerca de 24,7 milhões de lares dentre os 57, 5 milhões de casas pesquisadas.

No estudo, só foram consideradas adequadas as residências com serviços de abastecimento de água por rede geral, esgoto para rede coletora ou fossa séptica, coleta de lixo direta ou indireta e com um máximo de duas pessoas por dormitório. A Bahia apresenta um grande  contingente de domicílios no meio rural, o que interfere na média do Estado. Os dados mostram que a Bahia enfrenta maiores problemas com esgoto.

Estamos na Bahia, a terra do orgulho e da autoestima, mas a educação que é um bom sinal, continua em baixa. É só olhar nas estatísticas. “A educação sozinha não faz mudança, mas nenhuma grande mudança se faz sem a educação”, disse o educador colombiano Bernardo Toro. Educação não é apenas atribuição das escolas. Educação é responsabilidade também da família e da sociedade na formulação e na validação dos valores básicos dos nossos jovens e das nossas crianças.
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