29 abril 2011

Música, música & Poesia, poesia

Que País é Este? (Renato Russo)


Nas favelas, no senado

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a Constituição

Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é este

Que país é este

Que país é este

No Amazonas, no Araguaia iá, iá,

Na Baixada Fluminense

Mato Grosso, nas Gerais e no

Nordeste tudo em paz

Na morte eu descanso, mas o

sangue anda solto

Manchando papéis, documentos fiéis

Ao descanso do patrão

Que país é este

Que país é este

Que país é este

Que país é este

Terceiro mundo, se for

Piada no exterior

Mas o Brasil vai ficar rico

Vamos faturar um milhão

Quando vendemos todas as almas

Dos nossos índios em um leilão

Que país é este

Que país é este

Que país é este



Manda Chamar (Roberto Mendes e Capinam)

Manda chamar os índios

Manda chamar os negros

Manda chamar os brancos

Manda chamar meu povo

Para o rei Brasil renascer

Renascer de novo.


Manda chamar os bichos

Manda chamar a mata

Manda chamar a água

A terra, o ar e o fogo

Para o rei Brasil renascer

Renascer de novo.


Manda chamar Tupã

Manda chamar Olorum

Chamar o Deus do povo.

Para o rei Brasil renascer

Renascer de novo.


P e r d a ( H a g a m e n o n d e J e s u s)

Não se perde

o sol

que se esconde a cada dia

não se perde


O vôo

do pássaro, desconhecido,

de gaivota

andorinha: intenção sem rastros,

não se perde,

não se perde

uma só que seja das andorinhas.


Não se perde

o fruto

da goiaba

o fruto (mesmo se está

bichado ) da goiaba.



Na natureza,

a sua transformação,

nada

se perde, em verdade,

nem os ossos sem história.


Perda

só podem ser os nossos sonhos,

só podem ser os nossos desejos

indefesos

mais que o cair da tarde

mais que o cair da tarde.



No Caminho, com Maiakóvski (Eduardo Alves da Costa)



Assim como a criança

humildemente afaga

a imagem do herói,

assim me aproximo de ti, Maiakóvski.

Não importa o que me possa acontecer

por andar ombro a ombro

com um poeta soviético.

Lendo teus versos,

aprendi a ter coragem.


Tu sabes,

conheces melhor do que eu

a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam

e roubam uma flor

do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:

pisam as flores,

matam nosso cão,

e não dizemos nada.

Até que um dia,

o mais frágil deles

entra sozinho em nossa casa,

rouba-nos a luz, e,

conhecendo nosso medo,

arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.


Nos dias que correm

a ninguém é dado

repousar a cabeça

alheia ao terror.

Os humildes baixam a cerviz;

e nós, que não temos pacto algum

com os senhores do mundo,

por temor nos calamos.

No silêncio de me quarto

a ousadia me afogueia as faces

e eu fantasio um levante;

mas manhã,

diante do juiz,

talvez meus lábios

calem a verdade

como um foco de germes

capaz de me destruir.


Olho ao redor

e o que vejo

e acabo por repetir

são mentiras.

Mal sabe a criança dizer mãe

e a propaganda lhe destrói a consciência.

A mim, quase me arrastam

pela gola do paletó

à porta do templo

e me pedem que aguarde

até que a Democracia

se digne aparecer no balcão.

Mas eu sei,

porque não estou amedrontado

a ponto de cegar, que ela tem uma espada

a lhe espetar as costelas

e o riso que nos mostra

é uma tênue cortina

lançada sobre os arsenais.


Vamos ao campo

e não os vemos ao nosso lado,

no plantio.

Mas ao tempo da colheita

lá estão

e acabam por nos roubar

até o último grão de trigo.

Dizem-nos que de nós emana o poder

mas sempre o temos contra nós.

Dizem-nos que é preciso

defender nossos lares

mas se nos rebelamos contra a opressão

é sobre nós que marcham os soldados.


E por temor eu me calo,

por temor aceito a condição

de falso democrata

e rotulo meus gestos

com a palavra liberdade,

procurando, num sorriso,

esconder minha dor

diante de meus superiores.

Mas dentro de mim,

com a potência de um milhão de vozes,

o coração grita - MENTIRA!

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